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um diálogo em torno do Natal

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o contexto

este diálogo aconteceu há uns 4 anos, se não me falha a memória e o seu contexto é o de trabalho de continuidade numa escola onde a filosofia fazia parte da oferta das AEC. 

o grupo em causa era uma turma com crianças do 1.º e do 4.º ano, ou seja, tinha meninos que estavam a começar o 1.º ciclo do ensino básico e outros que estavam quase quase com um pé no 2.º ciclo. esta diferença de idades foi um desafio para mim, em termos de recursos, de planeamento de tarefas, até porque no início o grupo dos mais velhos torcia o nariz quando fazíamos coisas mais ajustadas ao grupo das crianças mais novas. com o tempo, esta situação reverteu-se e os mais velhos tornaram-se protectores dos mais novos, até no que à aprendizagem diz respeito. 

 

o diálogo 

perto da altura do Natal surgem conversas sobre... o Natal. é impossível fugir ao tema, pois a escola está enfeitada, as ruas estão enfeitadas e toda a nossa vida se organiza em direcção às férias do Natal e a tudo o que isso significa. 

como tínhamos pessoas cujas famílias tinham culturas bem diferentes em sala de aula, estivemos a investigar o que cada família fazia no Natal. "o Pai Natal aparece para nos dar os presentes", disse uma das crianças do 1.º ano. 

alguns dos alunos mais velhos torceram o nariz. "mas nós nunca vemos o Pai Natal. só vemos os presentes que ele deixa." 

fiquei a assistir àquele diálogo, onde eu não fazia muita falta, pois estava a ser tranquilo, as pessoas estavam a respeitar as ideias e o tempo de fala de cada um. efectivamente havia ali duas "teses": o pai natal existe e o pai natal não existe.

 

o pensamento cuidadoso

em dado momento, os alunos mais velhos pararam para conversar um bocadinho entre si. um deles pediu para vir falar comigo. 

- conta lá: o que estiveram a conversar? - perguntei eu.

- sabes, Joana, nós sabemos que o Pai Natal não existe. mas nós somos mais velhos e já vimos que ele não vai a casa das pessoas, são os pais e os avós que dão os presentes. mas nós vamos dizer que sim, que existe, porque eles [o grupo do 1.º ano] são mais novos e precisam de acreditar. nós quanto tínhamos a idade deles também gostávamos de acreditar na magia do Pai Natal.

 

boas festas a todos 

 

(foto:  Jonathan Borba / Unsplash)

 

 

 

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