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filocriatividade | filosofia e criatividade

>> oficinas de filosofia, para crianças, jovens e adultos >> formação para professores e educadores (CCPFC) >> nas redes sociais: #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

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"todos" ou "cada um"

 

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"no final da sessão, todos..."

quando preparo uma formação e me deparo com aqueles formulários de intenções e de conteúdos e de objectivos dou por mim a escrever: "no final da sessão, os formandos irão compreender que..." 

ultimamente tenho reflectido muito sobre este "os formandos" ou "as crianças" ou "os participantes" e as nossas intenções para incluir todos, para comunicar com todos, para chegar a todos, para dialogar com todos. a palavra "todos" começou a soar-me a ambição desmedida e falta de noção da realidade. 

passo a explicar. 

afirmar que numa oficina de filosofia "todos os formandos vão" é muito ambicioso.

seja em formato online ou presencial, os formadores ou os professores não têm tempo nem as ferramentas para, a todo o momento, acompanhar o que todos estão a apreender da nossa sessão.

assim, proponho que se parta para uma sessão com o desafio de tentar chegar a cada uma das pessoas presentes, procurando dar liberdade para que as próprias manifestem o que é que as mobiliza ao envolvimento na sessão. 

repare que escrevo "tentar chegar" e "procurar dar", pois tenho consciência de que tudo o que acontece à nossa volta incentiva a alguma pressa que nos atropela esta intenção e que os hábitos que temos são difíceis de mudar. 

 

as crianças e o diálogo 

no contexto particular das oficinas de filosofia para crianças e jovens procuro que todos possam participar do diálogo. todavia, nem todos participam e nem todos participam da mesma maneira. se abandonar a ideia de que todos têm de participar de uma certa maneira (por exemplo, colocando o dedo no ar para fazer uma pergunta relacionada com o tópico sobre o qual estamos a dialogar), estarei muito mais próxima da realidade, daquilo que realmente acontece.

o texto de Ellen Duthie ajuda-nos a entender que temos de rever o conceito de participação, bem como estar disponível para respeitar os ritmos e os tempos de cada pessoa (criança ou adulto)  que participa na oficina. 

há dias deixaram-me esta pergunta depois de um encontro de formação para técnicos/as que trabalham em jardim de infância: 

Quando as crianças não estão disponíveis para o diálogo, que estratégias podemos usar para as envolver?

a minha resposta passa convidar os professores ou educadores a ampliar a forma como entendemos o diálogo. nem tudo passa pela palavra, podemos abrir-nos para outras formas de diálogo, como o desenho, a construção em plasticina ou com legos. em vez de pedirmos à criança que contribua com um braço no ar e um conjunto de palavras, considere pedir outras formas de diálogo. em jardim de infância o desenho é algo que faz parte das suas rotinas. 

como construir um diálogo através do desenho? bom, considere abandonar as folhas A4 e adoptar folhas A3 ou rolos de papel cenário onde se pode construir um diálogo em que cada um cria o seu desenho, desenho que pode comunicar com o desenho do amigo ou da amiga que desenhou antes ou vai desenhar depois. podemos desenhar um a um, podemos desenhar ao mesmo tempo, cada um num canto da folha gigante de papel cenário. deixe que as crianças desenhem sem grandes regras (na vertical ou na horizontal). permita que haja uma exploração do espaço da folha e um diálogo visual com os outros participantes. 

esta é uma forma de trabalhar o diálogo e de procurar envolver as crianças que não participam como esperamos (colocar a mão no ar para dizer algo relevante sobre o tópico em discussão). mas prepare-se: nem todas as crianças vão gostar ou envolver-se no desenho da mesma maneira. cada um irá envolver-se de uma forma e cabe-nos a nós, aos adultos na sala, permitirmo-nos a essa abertura aos diferentes olhares e posturas de CADA UM dos participantes. 

o desenho é apenas um exemplo. os jogos são outra forma de envolvimento que permite uma participação silenciosa se, por exemplo, tivermos de colocar certas peças num certo sítio para partilhar o nosso pensamento. 

 

neste vídeo Sara Stanley partilha um pouco da sua experiência de abertura àquilo que as crianças trazem para o tempo e o espaço do diálogo: 

 

 

uma última reflexão

julgo que é necessário abandonar essa ambição desmedida e a falta de noção da realidade, para dar lugar à prática da profunda sensibilidade ao contexto.

a formação (ou sessão ou oficina) é pensada para todas as pessoas (crianças, jovens ou adultos) que estão em sala (presencial ou online), sabendo que cada uma das pessoas ali presente é única, tem expectativas únicas e irá acolher o conteúdo de uma certa forma. e nós, formadores ou professores, também temos as nossas expectativas e formas de ver o mundo. estar "deste lado" da formação ou do ensino é um bom treino para poder "beber" essa diversidade. ainda que tenhamos as nossas formas preferidas de fazer as coisas, há que estar disponível para acolher formas que não tínhamos ainda contemplado.

entendo essa atitude ou disposição como a prática do espanto, do thaumatsen:

O thaumatsen é encantamento, movimento, experiência, relação do ser que pensa o mundo, no mundo e com o mundo. Essa relação não é propriedade de ninguém, está a saltitar pelo universo, provocando a todos os atentos. Não tem nacionalidade nem paradeiro, é peregrina. (Lara Sayão

 

 

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