no próximo dia 16 de Setembro voltamos a sentar-nos no tatami para filosofar com os jovens praticantes do Taekwondo SMDC. acompanhamos os instrutores Alex Lopes e Sara Prisal desde 2008 e é com muito, muito gosto que participamos neste estágio inaugural da nova época desportiva.
a oficina de filosofia , PhiloTKD, é exclusiva para os atletas desta escola e para os convidados SMDC.
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PhiloTKD: oficinas de filosofia, para crianças e jovens
As oficinas de filosofia equivalem a um treino de ginásio: em vez dos músculos do corpo, trabalhamos os músculos do pensamento. Fazemos exercícios de resistência – verificamos se a nossa ideia é forte, se há boas razões para a aceitar e se resistem aos argumentos contra – treinamos a flexibilidade – será que eu sou capaz de defender o ponto de vista do outro? E se eu mudar de ideias? – e, sobretudo, trabalhamos com as ideias uns dos outros. Podemos “adoptar” perguntas e ideias dos amigos, oferecer perguntas, explorar hipóteses de respostas, descobrir outros pontos de vista e, sobretudo, construir um espaço de liberdade onde posso dizer aquilo que penso, sem que seja julgada por isso. Podemos testar ideias, avançar, voltar atrás – tudo isso faz parte do processo que nos encaminhará para o aprofundamento filosófico.
Objectivo das oficinas:
"Aqui nós aprendemos o que as coisas são, o que são as palavras. andamos a ver o que existe, o que é real, explicamos as palavras e as perguntas!" - dizia o Marco, ao avaliar uma das oficinas de filosofia. Estas pretendem ser um espaço e um tempo para parar para pensar, "treinar" o olhar crítico, explorar possibilidades e investigar - em conjunto.
confesso que já tinha saudades do tatami e da companhai do Alex Lopes e da Sara Prisal.
o projecto #philoTKD é algo que guardo com carinho, pois foi ali que comecei a colocar em prática a FpC, assim "mais à séria", com aquilo a que chamo continuidade e "continuidade contínua" :)
na semana passada voltei a juntar-me às turmas de Taekwondo, orientadas pelo sabum nim Alex e pela kyosa nim Sara.
foi bom rever caras que conhecemos em 2008 e ver como a semente da filosofia ainda persiste : )
"isso, miúdos na escola das 8h/17h. mas com coisas giras p fazer. e ñ p estar sentados numa cadeira a ouvir a prof do Charlie Brown ..."
esse é o problema essencial, para mim. o tipo de escola que temos, as condições logísticas e acústicas que nelas encontramos. já trabalhei em escolas que eram casas e que foram adaptadas. há escolas onde não há um espaço livre para trabalhar com os alunos, uma sala para onde se possa ir e fazer actividades diferentes. noutras nem sequer há biblioteca. e o ginásio, o espaço para fazer educação física em segurança e com qualidade? nem se fala. há TANTO para fazer neste sentido, da manutenção e da recuperação das próprias estruturas das escolas.
(também há escolas públicas onde os crucifixos ainda se encontram na parede, por cima do quadro. mas isso são outros quinhentos, como diz o povo!)
"A tutela dirigida por Tiago Brandão Rodrigues esclarece que, “embora pareça que é uma coisa obrigatória, não é” e dá como exemplo as já existentes atividades de enriquecimento curricular (AEC), que os pais já fazem usufruto conforme a sua vontade.
“A única que é obrigatória é o horário efetivo da escola até às 15h30 e o horário letivo curricular, por assim dizer”, esclareceu fonte do ministério, indicando que a suposição em contrário “é uma redundância porque qualquer tipo de atividade extracurricular que a escola oferece é sempre uma opção”."
e começam as conversas em torno das AEC. e sobre o extracurricular e a necessidade da filosofia fazer parte do currículo. claro que a filosofia deveria fazer parte do currículo - a começar no jardim de infância - para mim, isto é muito claro. também é claro e importante que há necessidade de regulamentar tanta e muita coisa no que à filosofia para crianças diz respeito. ando há muitos anos a trabalhar nesse sentido, assim como outros amigos que trabalham nesta área, têm formação contínua, desenvolvem projectos e fazem investigação académica. todavia, enquanto esse dia não chega, opto por deixar sementes em todos os lugares onde as portas se abrem para acolher a filosofia. AEC, centros de estudo, ginásios, sociedades recreativas, livrarias: onde haja crianças e pais com vontade de descobrir os "trabalhos do pensar" que a filosofia pode promover junto de miúdos e graúdos - é aí que estarei, assim haja vontade e condições para o fazer.
nem sempre encontro as condições ideais para a prática, é certo. a verdade é que todos os dias faço o melhor que posso. neste caminho, tenho que lidar com situações como esta ou aquela. mas também com a mãe da J. que me diz: "sabe, eu pensei muito se devia deixar a minha filha frequentar as AEC, afinal já são muitas horas na escola... mas depois vejo que é a única forma deles terem actividades diferentes, o teatro ou a filosofia. e prefiro que ela fique e aproveite para conhecer outras coisas".
além disso, há isto. e outras coisas que me enchem o coração e das quais vos vou falando por aqui.
«o que é isto?» - foi a pergunta lançada a pais e filhos. pedi aos pais que não dessem muitas respostas e procurassem registar todas as ideias que os grupos iam lançando para "o ar".
consultados os grupos, ficamos "presos" com a ideia de que ali poderia estar representado um "buraco sem fim". e isso é exactamente o quê? alguém conhece? alguém já esteve num buraco sem fim?
"não, mas podemos imaginar como é" - e ímaginamos o que poderia haver num buraco sem fim: ruínas, espécies que ainda não conhecemos, coisas dos antepassados, teias de aranha, bichos... e alguém exclama: "mas se cairmos num buraco sem fim, não podemos regressar e não vamos poder contar a ninguém o que lá se passa."
alguém teve a ideia de descer o buraco sem fim, com a ajuda de uma corda, presa a uma árvore, cá fora. "e que medida teria essa corda? se a corda acabar?"
começaram os "encolher de ombros".
os três grupos de trabalho (o grande grupo foi dividido em grupos mais pequenos, coordenados pelos pais presentes na oficina) referiram que aquilo que viam na folha poderia ser
- o princípio de tudo
- o princípio de qualquer coisa
isso significa a mesma coisa? ou coisas diferentes? "o princípio de tudo é o que acontece primeiro; não há nada e isso aparece. o princípio de qualquer coisa acontece depois..."
a conversa foi animada, com mudanças de ideias, defesas de argumentos e pensamentos à solta.
obrigada aos instrutores Alexandre e Sara pelo apoio nesta actividade e pela forma como acolhem este projecto, desde 2008 - e um MUITO OBRIGADA também aos pais, pela presença e participação
antecipamos o dia mundial da Filosofia e "invadimos" o treino dos atletas do Taekwondo Rodafits, em Caneças, para filosofar com pais e filhos
a pergunta da oficina era qualquer coisa como "quantas maneiras há para se ler um livro?"
os atletas (e os pais, mães ou tias presentes!) tiveram a oportunidade de passar os olhos e as mãos por livros muito diferentes:
uns só tinham imagens, outros eram "normais", outros só tinham pontinhos e relevo
um dos grupos de investigação ficou deliciado com A Contradição Humana, de Afonso Cruz:
«neste livro o senhor fala que quando estamos à frente do espelho o nosso lado direito passa a ser o esquerdo e o esquerdo passa a ser o direito»
ai é? temos aqui espelhos na sala. vamos experimentar? e eis que todos nos levantamos para experimentar, em frente ao espelho, tal contradição
obrigada aos instrutores Alexandre Lopes e Sara Prisal por, mais uma vez, terem acolhido uma oficina de filosofia e criatividade junto dos seus alunos. assim acontece desde 2008 e é com muito gosto que regresso para dialogar com estes pequenos filósofos.
Alexandre Lopes e Sara Prisal foram mostrar aos alunos da educadora Ana Dominguez o que é o taekwondo, o que significa e ainda houve muito tempo para trabalhar os músculos... do corpo! porque os do pensamento estamos sempre a treinar :)
obrigada a todos pela participação neste projecto PhiloTKD
no programa de sábado, 1 de dezembro, dedicado à ética e cidadania, tivemos oportunidade de falar um pouco sobre a filosofia para crianças e a importância do pensar na formação de cidadãos «incómodos», que saibam pensar e que tenham consciência dessa ferramenta
muito obrigada ao Francisco, à Teresa, à querida Isabel Costa e ao professor Fernando Rosas pelos elogios tecidos ao projecto
obrigada, ainda, a quem, ao longo destes 4 anos de existência do projecto filocriatiVIDAde, confia no nosso trabalho. essa confiança já nos levou ao Faial, ao Funchal, à Lourinhã, a Amor, a Braga, a Sintra, a Lisboa, ao Porto e... a Maputo!
mas os alunos Taekwondo RodaFits não desistem. são perseverantes q.b. e aceitaram, mais uma vez, o desafio de pensar em conjunto. desta vez convidámos os pais para se juntar a nós.
muito obrigada pela disponibilidade de todos e pela forma como nos receberam.