Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

filosofar em tempos de confinamento e de pandemia

4.png

 

as regras do jogo pandémico mudaram para se ajustar à realidade que vivemos e voltámos a confinar. assim, as oficinas presenciais que tinha agendadas para o final de janeiro foram canceladas. 

continuo com actividades online, sabendo que andamos todos um pouco cansados do écran. espero conseguir encontrar quem desse lado está disponível para praticar o filosofar, ainda que de forma online, com todas as saudades que já temos das acções presenciais, de não ter de medir os metros que nos separam. 

em tempos de confinamento, o écran permite-nos trabalhar, aprender, ensinar, celebrar aniversários e até jantar com amigos. e filosofar!

 

nos próximos tempos há actividades para todas as idades, em formato online:

- as oficinas de filosofia para crianças dos 7 aos 12 anos (oficina do Platão) - 23 de Janeiro, 6 e 20 de Fevereiro, 

- as oficinas para jovens dos 13 aos 17 anos (philoTEEN) - 23 de Janeiro e 13 de Fevereiro,

- os cafés filosóficos,  em parceria com a Bertrand Livreiros (o próximo é já no dia 25 de janeiro),

- a #FilosofiaAoVivo (no instagram) - Leibniz é o convidado do dia 29 de Janeiro,

- o #ClubeDePerguntas, que aceita novos membros no início de cada mês,

- a oficina de perguntas para famílias com crianças dos 4 aos 6 anos (a próxima é no dia 14 de Fevereiro).

 

nunca é demais agradecer aos parceiros, aos amigos, aos seguidores, aos subscritores e a todos vós que partilham os contéudos #filocri, que subscrevem a newsletter e assim dão um apoio essencial ao projecto filocriatividade. muito obrigada! 

oficinas de filosofia, para famílias

- no Centro Cultural Malaposta

Screenshot 2020-12-23 at 22.12.16.png

no último fim-de-semana de Janeiro regresso ao Centro Cultural Malaposta para uma oficina de perguntas, para famílias e um café filosófico.

são eventos presenciais, com número limitado de vagas para que possamos filosofar em segurança.

mais informações AQUI, onde pode consultar toda a programação da Malaposta. 

um diálogo em torno do Natal

jonathan-borba-PcgYLYvzxE0-unsplash.jpg

 

o contexto

este diálogo aconteceu há uns 4 anos, se não me falha a memória e o seu contexto é o de trabalho de continuidade numa escola onde a filosofia fazia parte da oferta das AEC. 

o grupo em causa era uma turma com crianças do 1.º e do 4.º ano, ou seja, tinha meninos que estavam a começar o 1.º ciclo do ensino básico e outros que estavam quase quase com um pé no 2.º ciclo. esta diferença de idades foi um desafio para mim, em termos de recursos, de planeamento de tarefas, até porque no início o grupo dos mais velhos torcia o nariz quando fazíamos coisas mais ajustadas ao grupo das crianças mais novas. com o tempo, esta situação reverteu-se e os mais velhos tornaram-se protectores dos mais novos, até no que à aprendizagem diz respeito. 

 

o diálogo 

perto da altura do Natal surgem conversas sobre... o Natal. é impossível fugir ao tema, pois a escola está enfeitada, as ruas estão enfeitadas e toda a nossa vida se organiza em direcção às férias do Natal e a tudo o que isso significa. 

como tínhamos pessoas cujas famílias tinham culturas bem diferentes em sala de aula, estivemos a investigar o que cada família fazia no Natal. "o Pai Natal aparece para nos dar os presentes", disse uma das crianças do 1.º ano. 

alguns dos alunos mais velhos torceram o nariz. "mas nós nunca vemos o Pai Natal. só vemos os presentes que ele deixa." 

fiquei a assistir àquele diálogo, onde eu não fazia muita falta, pois estava a ser tranquilo, as pessoas estavam a respeitar as ideias e o tempo de fala de cada um. efectivamente havia ali duas "teses": o pai natal existe e o pai natal não existe.

 

o pensamento cuidadoso

em dado momento, os alunos mais velhos pararam para conversar um bocadinho entre si. um deles pediu para vir falar comigo. 

- conta lá: o que estiveram a conversar? - perguntei eu.

- sabes, Joana, nós sabemos que o Pai Natal não existe. mas nós somos mais velhos e já vimos que ele não vai a casa das pessoas, são os pais e os avós que dão os presentes. mas nós vamos dizer que sim, que existe, porque eles [o grupo do 1.º ano] são mais novos e precisam de acreditar. nós quanto tínhamos a idade deles também gostávamos de acreditar na magia do Pai Natal.

 

boas festas a todos 

 

(foto:  Jonathan Borba / Unsplash)

 

 

 

como fazer para não deixar de fora as crianças com mais dificuldades em participar?

- um artigo Wonder Ponder traduzido por Joana Rita Sousa

 

wonderponder.png

Uma das perguntas que nos fazem muitos mediadores quando conhecem Wonder Ponder diz respeito à dinâmica do diálogo filosófico em aula ou em contextos educativos não formais e, mais concretamente, à participação.

Como fazer para não deixar de fora as crianças com mais dificuldades em participar? Como integrá-las na comunidade de investigação, se não lhe sagrada falar diante dos outros? 

É evidente que não há uma estratégia mágica para fazer com que todos participem por igual. Dependerá da criança em particular, do grupo, do contexto e da familiaridade do grupo com o diálogo filosófico e do adulto que facilita o diálogo. 

A Ellen Duthie partilha algumas ideias neste artigo.  

 

Não tenho estratégias mágicas mas tenho três casos que me fizeram reflectir no momento e que me parecem úteis para partilhar, e três aspectos, cada um deles relacionado com um desses casos e que me parecem úteis ter em conta quando se pensa em participação. 

1. Definição de participação.

Era uma vez um rapaz, agora com 10 anos, que vinha às oficinas que fiz em Madrid há 4 anos. Nunca tinha faltado a uma oficina. Insistia com os pais que queria inscrever-se. É um rapaz falador, quando estás sozinha com ele ou em contextos de jogo. Exprime-se muito bem, com um vocabulário amplo e com capacidade de expressar ideias complexas e de resolver conflitos com amigos enquanto joga. Contido, nos grupos de diálogo apenas fala. Creio que em todas as oficinas às quais tem assistido não terá dito mais do que uma ou duas frases durante os diálogos. 

Quando a sua mãe me pergunta se participou, respondo que sim, apesar de não ter falado durante o diálogo, está muito atento a tudo o que os outros diziam e acompanha o diálogo com interesse, sorrindo e reagindo perante aquilo que os companheiros vão dizendo. De imediato a mãe me diz que ele lhe conta tudo aquilo de que falámos e o que argumentou cada um e acabam por voltar a fazer acontecer o diálogo em casa. Aqui ele participa, exprime o seu acordo ou desacordo com os diferentes argumentos que escutou e constrói a sua própria resposta. 

Há crianças - e adultos - que têm um ritmo de pensamento rápido e outros que preferem um ritmo mais lento. Gostam de apreciar o que estão a ler, o que estão a ouvir, digerir e depois falar tranquilamente com confiança, com um amigo, com a mãe ou com o pai. Há pessoas às quais não custa ir construindo as suas respostas enquanto acontece o diálogo, corrigindo o caminho. Mas há outras que preferem e necessitam mesmo pensar um pouco mais, fazer esse diálogo de forma interna antes de se pronunciar. Este diálogo interno pode também ser uma parte do diálogo partilhado. Pode também ser uma forma - activa - de participar. 


2. Dar tempo.

Uma rapariga que esteve numa série de oficinas semanais, com uma timidez incrível, não disse absolutamente nada nos dois primeiros dias. De repente, na terceira oficina começou a falar, como se tivesse verificado que isso era diferente do que se esperava: que aqui se sentir com ânimo para participar, ao contrário do que aconteceia  noutros contextos. Isto acontece-me com frequência e creio que se relaciona com o ritmo de pensamento e dos argumentos que se desenvolvem durante os diálogos filosóficos. 

Noutros contextos, dentro e fora da aula, é normal que aquelas pessoas que sentem alguma ansiedade social ou têm dificuldades para comunicar possam sentir-se incomodadas e pressionadas quando lhes são feitas perguntas. A maioria das perguntas que nos fazem esperam respostas rápidas, bem como respostas certas, envolvidas numa opinião já formada. 

O que acontece nos diálogos filosóficos é que o ritmo é pausado. Não se trata de tirar a pergunta do meio do caminho, mas sim de nos demorarmos um pouco nela, o tempo que for necessário. Este ritmo pausado pode ser bastante reconfortante para aquelas pessoas que perante outro ritmo de perguntas e noutros contextos possam sentir-se bastante incomodadas e receosas em participar. 

3. Diferentes modos de participação.

Falo agora de outro rapaz que alguns denominariam de pouco participativo e que vem com frequência às minhas oficinas e que é bastante parecido, em termos de atitude, com o rapaz do caso número 1. É um pensador silencioso. O que é interessante é a forma como muda a sua atitude no trabalho artístico qur fazemos depois dos diálogos das oficinas Wonder Ponder. Aqui transforma-se e apresenta muita energia, criatividade e muita mais espontaneidade. Não quer dizer que não desfrute dos diálogos em silêncio. Todavia, tomo particular atenção às suas contribuições artísticas, pois são fantásticas (são mesmo) e também para que o próprio possa ver que um tipo de participação não é mais importante do que outro e que entendo perfeitamente e que vejo nos seus desenhos todo o trabalho que realizou em silêncio durante o diálogo. 

Procuro incorporar diferentes formas de participação durante o diálogo. Há perguntas introdutórias que estão mais relacionadas com o relato de uma experiência própria que pode trazer algo para o tema que estamos a explorar. Para alguns, participar em resposta a este tipo de perguntas intimida menos do que participar perante as perguntas mais filosóficas. E vice-versa. Alguns não querem contar nada pessoal e preferem-se centrar-se nas questões em si mesmas. Neste sentido presto atenção e procuro fazer perguntas a cada um dos participantes ajustando o tipo de pergunta que lhes custa menos responder ou que se torna mais divertido responder. 

Creio que o fundamental é criar um ambiente de partilha, agradável, estimulante e seguro para dialogar. Sem correr. Sem pressionar. Sem forçar. Dar tempo. E desfrutar desse tempo durante o qual paramos para pensarmos juntos. 
 

(artigo originalmente publicado no site Wonder Ponder, a 5 de Agosto de 2016)

oficinas de perguntas

- para famílias com crianças entre os 4 e os 6 anos [online]

facebook-post-1.png

 
 
Nas oficinas #filocri o pensar é algo que fazemos em conjunto - e porque não fazê-lo em família?
 
Venham daí ginasticar os músculos do pensamento, apoiados nas ideias do pai, da mãe, do tio ou da madrinha.
 
Estas oficinas são pensadas para adultos e crianças (com idades compreendidas entre os 4 aos 6 anos) e o grande objectivo é brincar e jogar com o pensamento. 
 
 
Data:
13 de Dezembro, domingo, das 11h30 às 12h15 
A oficina acontece online, via zoom
 
Inscrição: 8,50€ por família 
Acresce IVA a 23% (emissão de Recibo Verde). 
 
Formulário de inscrição: https://bit.ly/oficinas_perguntas 
 
 

 

29 histórias disparatadas - sugestão de trabalho numa oficina de filosofia

(presencial ou online)

20200905_160138.jpg

 

comece por dividir o grupo em pequenos grupos (se estiver numa sala zoom, lembre-se da opção breakout rooms).

cada grupo irá ler uma das histórias disparatadas (lembre-se: terá de pensar numa forma de fazer chegar a cada um dos alunos o texto respectivo).

já em pequenos grupos: atribua um tempo para a tarefa de leitura da história e para identificar o disparate presente no texto.

de volta ao grande grupo: cada um dos pequenos grupos partilha o disparate identificado, tendo de justificar por que é que se trata de um disparate. 

 

algumas linhas de diálogo que este livro suscita:

- o que é um disparate?

- para quem é que X é um disparate?

- por que é que fazemos disparates?

- quem diz o que é um disparate e o que não é um disparate?

 

uma outra proposta de trabalho, que poderá acontecer em grupo ou individualmente: pegar numa das histórias e imaginá-la sem disparates. como seria? 

 

29 histórias disparatadas / Ursula Wolfel e Neus Bruguera / Kalandraka 

a perguntar é que a gente se entende - 2.ª edição

- oficina: a arte de fazer perguntas - parceria com a Bertrand Livreiros

2edic_oficina_Facebook copy.png

 

 

A pergunta é a porta de entrada para tantas coisas na nossa vida. Quando conhecemos alguém pela primeira vez perguntamos: “Como se chama?”. Depois segue-se o “Como está?” e a conversa de circunstância que começa com perguntas.

No quotidiano precisamos de perguntas para trabalhar, para estudar, para nos relacionarmos com os outros à nossa volta. Como fazer perguntas simples? O que fazer para tornar as perguntas mais claras?

 

Nesta oficina vamos praticar a pergunta, exercitando o pensamento crítico e o pensamento criativo, bem como o pensamento colaborativo.

 

A quem se destina? A entrada é permitida a quem quer perguntar.

 

 Tópicos:

  • O que é uma pergunta?
  • Como perguntar de forma simples?
  • O que torna uma pergunta clara e distinta?
  • O que pergunta uma pergunta?

 

 Autores de referência:  René Descartes, Platão, Edward de Bono, Robert Fisher

  Duração: 10h (6h síncronas + 4h assíncronas) 

 Funcionamento da oficina:  Haverá sessões online, via zoom e síncronas, para a parte mais teórica da formação e para permitir o pensamento colaborativo e trabalho em grupo.

Também vamos trabalhar colaborativamente através da Google drive, havendo acompanhamento de trabalho através da Google classroom.

 

 Sobre a formadora:

Joana Rita Sousa é filósofa, formadora e mestre em filosofia para crianças. Trabalha na área da filosofia aplicada desde 2008.

 

 Calendário: 

1.ª sessão síncrona 2h – 19 de Outubro, segunda, 18h30/20h30

2.ª sessão assíncrona 2h

3.ª sessão síncrona 2h – 2 de Novembro, segunda, 18h30/20h30

4.ª sessão assíncrona 2h

5.ª sessão síncrona 2h – 16 de Novembro, segunda, 18h30/20h30

 

Inscrições e informações disponíveis junto da Bertrand Livreiros.

 

nos dias 10 e 11 de Outubro, na Malaposta

- filosofia para famílias e café filosófico

 

OFICINA DAS PERGUNTAS.jpg

estas acções estavam pensadas para aquele distante mês de março durante o qual o mundo mudou. parece que já foi há muito, muito tempo!

em ambiente clean & safe, a Malaposta acolhe as oficinas de filosofia para famílias e um café filosófico, nos dias 10 e 11 de outubro, respectivamente. 

para mais informações, visite o website da Malaposta.

 

CAFÉ FILOSÓFICO.jpg

 

sugestão de exercício para uma oficina de filosofia (online)

 

tumblr_084f4f273abcaff336e0f13b4df2cedf_7c920604_5

GET UP!

 

eis um exercício simples que podemos colocar em curso numa oficina online - com crianças, jovens ou adultos.

uma vez que a maioria das pessoas acede às oficinas online estando sentado, em frente ao computador, a ideia do exercício passa por colocar o corpo (e o pensamento) a mexer.

o desafio passa por 

1) escolher um conceito (pode ter sido escolhido previamente pelo facilitador da oficina);

2) pedir aos participantes que se levantem e se dirijam à divisão da casa mais próxima do lugar onde estão para escolher um objecto que tenha alguma relação com o conceito escolhido. o facilitador deverá indicar o tempo disponível para esta tarefa (por exemplo, um minuto). 

3) no regresso, os participantes devem apresentar o objecto ao grupo e justificar a sua relação com o conceito.

 

nesta fase várias coisas podem acontecer: podemos ter objectos diferentes justificados com a mesma razão; podemos ter objectos iguais e razões diferentes para a escolha. este pode ser um caminho para o momento seguinte do diálogo: a apreciação das razões.

outra possibilidade passa por dividir o grupo em grupos mais pequenos e pedir que cada grupo apresente 2 perguntas sobre as razões apresentadas e a sua relação com o conceito (nesta fase, "esquecemos" o objecto e focamo-nos nas razões e no conceito).

 

por experiência recomendo o registo dos objectos e das razões num documento que possa ser partilhado entre os participantes (por exemplo, google drive).

 

o livro apresentado na fotografia, de David Shapiro,  tem várias propostas de exercícios, pensados para oficinas presenciais e que podem ser adaptados para o online. se precisar de ajuda neste processo, contacte-me!

 

Quem disse?

20200905_160240.jpg

Quem disse? é, à primeira vista, uma pergunta rebelde, feita por alguém que procura questionar uma regra ou uma fala instituída por alguém. noutro contexto, é uma pergunta que faço algumas vezes no sentido de averiguar a origem ou a fonte de quem diz que ouviu X ou leu Y. 

o livro Quem disse? (de Caroline Arcari e Guilherme Lira, editado no Brasil pela Caqui) tem um enquadramento específico, o da educação sexual. podemos ler na ficha técnica que "os conteúdos estão alinhados à legislação brasileira que protege crianças e adolescentes." a editora Caqui pretende intervir na área da "educação sexual, dos feminismos, masculinidades positivas e alternativas, violência de género, educação não-machista, anti racismo e prevenção contra as violências sexuais."  este é um livro com uma intencionalidade de abrir o diálogo, de questionar ideias feitas sobre certos temas.

 

podemos levar este livro para uma oficina de filosofia para crianças?

sim, podemos. trata-se de um livro que toca nalguns dos pontos mais cristalizados da nossa sociedade, como o "quem disse, Lelê, que menino não brinca de ser pai de um bebê?"

e o azul, é uma cor só de meninos? e o rosa? e a cozinha é o lugar de quem? 

o livro aponta para um mundo que é azul, que é rosa e que é de todas as cores. abre possibilidades, abre espaço para pensar nos "quem disse?" desta vida, das regras, do "faz isto" e do "não faças aquilo" que interiorizamos e que não colocamos em causa.

trata-se de um livro que amplia para a diversidade e, se há uma mensagem que está presente no livro, é "não existe padrão". 

 

sugestão de trabalho a partir do livro "quem disse?"

como trabalhar este livro em sala? eis a minha sugestão, passo a passo:

- leitura partilhada do livro;

- no final da leitura dar algum tempo para pensar sobre o que ouvimos;

- perguntar às pessoas em sala se têm alguma pergunta ou se quem comentar alguma coisa do livro (este é um bom momento para treinar a diferença entre perguntar e dizer uma coisa);

- registar as perguntas e comentários de todos, num papel ou no quadro, para que todos possam ver (se estivermos em aula online, utilize um documento partilhado ou uma opção de power point em modo de edição);

- pergunta se alguém já tinha ouvido algumas das ideias presentes no livro; por exemplo, que os meninos não usam cabelo comprido. será que sabemos dizer quem disse isso? e qual será a razão para o dizer?

- seguindo este exemplo, podemos avançar para pensar qual é a diferença entre um menino de cabelo comprido e um menino de cabelo curto? o que diz o tamanho do cabelo? quem na sala gostaria de ter cabelo comprido? quem gostaria de ter cabelo curto?

 

esta proposta pretende criar espaço para pensar

1) o que pode levar a alguém a dizer (x ou y)

e 2) se isso que diz tem sentido e se é suportado por razões válidas. 

 

sobre a faixa etária e o trabalho em sala, com a educadora ou com o educador

sobre a faixa etária: note que na descrição da sugestão de trabalho escrevo "pessoas" e não crianças ou jovens. o motivo? este livro poderá ser apresentado a diferentes grupos etários. consigo pensar em grupos com 5 e 6 anos com os quais já trabalhei junto dos quais haveria interesse e pertinência em abordar esta temática. note-se que não chegamos para o grupo a dizer: vamos trabalhar um tema da educação sexual! simplesmente, abordamos o livro como qualquer outro. 

no caso do jardim de infância e do 1.º ciclo e assumindo o papel que normalmente desempenho (o de professora externa que visita a sala para fazer acontecer a filosofia) julgo que será pertinente a partilha prévia do livro com a educadora ou com o educador. às vezes também os adultos precisam questionar os quem disse, pois também os perpetuam, tantas vezes de modo inconsciente.

o trabalho em parceria com a educadora ou com o educador da sala é algo que estimo e que procuro praticar. o trabalho de reflexão filosófica conduz-nos a um olhar diferente sobre aquilo que vemos todos os dias e, de repente, podemos ter um menino a perguntar a razão pela qual a sua bata é azul e a da Catarina é rosa. e esta pergunta pode muito bem acontecer num momento que não é o da oficina de filosofia e daí ser tão importante o trabalho partilhado com a educadora ou com o educador. 

a meu ver, trabalhar temas como a educação sexual em sala, com crianças, jovens e adultos, tem toda a pertinência e exige preparação, integração e uma sensibilização junto de todos os agentes educativos. a escola não é aquilo que acontece da porta para dentro; a escola somos todos nós: educadores, pais, avós, tios, vizinhos.

se nas oficinas de filosofia abordamos o sentido da vida, também podemos falar do sentido que tem dizer que um menino não pode usar cabelo comprido.  

 

 

 

Quem disse? /  Carolina Arcari  e Guilherme Lira / Editora Caqui 

 

Mais sobre mim

O que faço?

Filosofia é coisa para miúdos

Fórum na Revista Dois Pontos

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D