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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / cafés filosóficos / educação / filosofia da educação / #filocri

filocriatividade | filosofia e criatividade

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#LERePENSARcom

- As vinhas da ira, de John Steinbeck

joana rita sousa, 05.07.22

 

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participação do Ricardo Dente Lopes

o livro:

as vinhas da ira, de john steinbeck 

(imagem do livro via bertrand) 

 

a citação:

Aí é que reside o perigo, pois que dois homens nunca se sentem tão sozinhos e tão abatidos como um só. E desse primeiro <<nós>> nasce algo muito mais perigoso: <<eu tenho algum pão>> mais << eu, não tenho nenhum.>> E o resultado desta soma é: <<nós temos alguma coisa>>.

a reflexão:

Neste pequeno monólogo, entre dois lavradores que perdem as suas terras ao terem sido apreendidas pelo Banco, Steinbeck estabelece — a meu ver — a origem e a destruição da nossa relação em sociedade.

Se por um lado a dependência de uma rede maior de confiança, seja ela traduzida em relação económica e a subsistência, trouxe este desfortúnio aos dois lavradores, por outro é a empatia e compaixão que os leva a construir uma relação entre ambos naturalmente em torno da partilha e da confiança.

À margem de teorias económicas e políticas este é um problema fundamental nos dias de hoje. Embora o progresso em sociedade tenha arrancado das mãos dos demais a capacidade de trabalhar em prol da própria subsistência, ou seja, a terra; embora as organizações tenham construído melhores aparelhos de segurança social e garantia de subsistência; embora tudo isto, a humanidade vive — em pleno paraíso tecnológico e económico — o maior período de desigualdade de sempre. Se antes o problema era de subsistência, talvez hoje o problema seja de natureza de oportunidades do indivíduos e de auto-realização e propósito. Se antes os mais pobres se viam desprovidos de alimento, hoje, talvez, se vejam desprovidos dos meios para alcançar o seu potencial e realização. Talvez a desigualdade assente precisamente nisto, talvez a miséria em tempos modernos não seja de natureza material, alimentar ou palpável por alguma métrica económica que não: estamos a construir uma sociedade justa onde cada indivíduo está munido das melhores oportunidades para alcançar o seu potencial e propósito?

a pergunta: 

Pode um indivíduo deixado à margem dos seus pares ainda confiar na ideia de “sociedade” quando é tratado de forma desigual nos proveitos e nas relações que estão na base da criação deste mesmo conceito?

 

*

#LERePENSARcom é uma rubrica #filocri que pretende divulgar leituras, leitores, reflexões e perguntas. pretende-se também ampliar o entendimento de leitura: podemos ler e pensar com livros (literatura,  filosofia, ciência, álbuns ilustrados...), com documentários, com imagens ou com jogos e até com séries. procura-se aquilo que nos faz pensar, pratica-se o voltar a pensar e termina-se (se bem que o fim é um começo) com uma pergunta. 

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#LERePENSARcom

A Segunda Vida de Olive Kitteridge de Elizabeth Strout

joana rita sousa, 21.06.22

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sugestão da Lídia Tavares Dias, copy e content writer (Odivelas, Portugal)

 

o livro:

A Segunda Vida de Olive Kitteridge de Elizabeth Strout

(Alfaguara - recomendado pelo Plano Nacional da Leitura)

 

a citação:

“- Tem medo de morrer, mesmo com a sua idade? Olive assentiu. - Credo, houve dias em que preferia ter morrido. Mas continuo com medo de morrer. - Depois, disse - Sabes uma coisa, Cindy? Se estiveres mesmo a morrer, se morreres… a verdade é que nós estamos todos só uns passos atrás de ti. Uns vinte minutos atrás de ti e a verdade é essa.”

 

a reflexão:

A segunda vida de Olive Kitteridge é a continuação da história de Olive Kitteridge, que Elizabeth Strout nos apresentou num livro homónimo. Escolhi este excerto, parte de um diálogo entre Olive (77 anos) e Cindy (doente com cancro). Fala-se sobre fragilidades, sobre a doença, sobre envelhecer, sobre as expectativas e a realidade. Todo o livro é uma brilhante ode à vida (e à morte), mas arrisco dizer que estas poucas linhas traduzem aquilo que é a mais elementar condição do ser humano: o medo da morte. (Lídia Tavares Dias)

 

a pergunta: 

o que significa envelhecer?

 

*

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10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia

sugestões de livros filosoficamente provocadores

joana rita sousa, 20.06.22

 

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se trabalha na área da filosofia para crianças ou filosofia com crianças (e jovens!) e procura inspiração em livros, este artigo é para si. 

se procura um livro para as crianças e os jovens aí de casa, talvez encontre aqui algumas sugestões que possam ir ao encontro dos seus interesses.

 

já escrevi sobre o assunto aqui no blog (em agosto 2020) e hoje retomo o tema pois há muitos e bons livros que são excelentes trampolins para o diálogo. 

 

 

¿Hay alguien ahí?, de Ellen Duthie e Studio Patten (Wonder Ponder) 

¿Hay alguien ahí? convoca-nos a pensar na humanidade. já parámos para pensar na humanidade? o que faz de nós humanos? o que será que outros seres podem pensar sobre nós? de que forma é que um conjunto de perguntas, um guião de perguntas muito perguntadeiras pode dizer TANTO sobre a humanidade? 

 

Não abras este livro, de Andy Lee e Heath McKenzie (Jacarandá, recomendado pelo PNL2027)

- este livro - e os outros que se lhe seguem - é um excelente trampolim para pensar sobre as regras, sobre o que devemos ou não fazer. acima de tudo é um livro muito divertido e que consegue captar a atenção da criançada. abrimos o livro? viramos a página? 

 

A Grande Fábrica das Palavras, de Agnès de  Lestrade e Valeria Docampo (Paleta de Letras, recomendado pelo PNL2027)

- sou muito fã deste livro, da proposta de pensamento e das ilustrações. foi um dos livros escolhidos para um projecto em parceria com uma biblioteca escolar e a turma que o trabalhou (2.º ciclo)  ficou rendida à história.

 

Gosto, logo existo, de Isabel Meira e Bernardo P. Carvalho (Planeta Tangerina, recomendado pelo PNL2027)

- este livro acompanhou-me no passado ano lectivo em vários encontros com alunos do ensino secundário e também nalgumas oficinas de pensamento crítico destinadas a pessoas adultas. 

 

Os Três Bandidos, de Romu Ungerer (kalandraka, recomendado pelo PNL2027)

- excelente provocação para pensar as boas e as más acções. podem os bandidos ter bom coração? sim ou não? um excelente livro para ler em família.

 

Petit, o Monstro, de Isol (Orfeu Mini)

- na sequência d'Os Três Bandidos, o Petit é um bom trampolim para pensar quando é que cada um de nós é uma boa ou má pessoa. podemos ser as duas coisas? o que nos faz ser bons ou maus?

 

Agora não, Tiago, de David McKee (Kalandraka)

- um livro clássico na área da filosofia para / com crianças e que conheci numa das formações que fiz. já me levou a partilhar uma reflexão aqui no blog, chegou a ler

 

Uma cova é para escavar, de Ruth Krauss e Maurice Sendak (Kalandraka)

- conheci este livro numa formação com a Ellen Duthie e fiquei rendida à simplicidade e à proposta. vejo ligações com o Para que serve? e Uma mesa é uma mesa. Será?, bem como com o Isto não é, ou com o livro que se segue aqui nas recomendações.

 

O Dicionário do Menino Andersen, de Gonçalo M. Tavares e Madalena Matoso (Planeta Tangerina)

- este livro tem sido uma excelente provocação para pensar as palavras e os sentidos que lhes damos, os seus significados. cá em casa faz companhia ao dictionary of the untranslable.

 

Where the wild things are, de Maurice Sendak (Red Fox)

- mais um clássico para quem trabalha livros ilustrados nas oficinas de filosofia para / com crianças e jovens. um livro provocador e que estica a nossa imaginação enquanto acompanhamos a aventura do Max. 

 

*

se é educador/a ou professor/a e gostaria de saber mais sobre o desenvolvimento de oficinas de filosofia a partir de livros, contacte-me para agendar uma mentoria

 

este artigo foi útil para si? partilhe com quem possa ter interesse em livros e nas oficinas de filosofia. também pode ajudar-me a continuar a criar conteúdos relevantes, pagando-me um café através da plataforma buy me a coffee. obrigada por acompanhar a filocriatividade!

#LERePENSARcom

O banquete de Patrícia Portela

joana rita sousa, 15.06.22

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sugestão da Teresa Laranjeiro (Vimieiro, Arraiolos, Portugal)

 

o livro:

O Banquete de Patrícia Portela 

(editorial Caminho)

 

a citação:

"Numa reunião de pássaros, abelhas, aranhas e ventos para discutirá co dicao do Homem, diz a Cegonha Mais Velha do Planeta: "Esta frágil criatura, sem asas, sem penas, sem barbatanas e sem pêlo suficiente para se aquecer tem conseguido sobreviver aos maiores tormentos, ultrapassando todas as adversidades ao longo da passagem dos tempos. A sua coragem é louvável mas as técnicas de autodefesa adotadas são de tal modo agressivas que podem hoje em dia, e em favor da exclusividade da sua imortalidade, causar a extinção de qualquer outra espécie "

 

a reflexão:

Este trecho do discurso da Cegonha Mais Velha do Planeta resume bem o que me parece que a espécie humana está a fazer ao nosso planeta. Impressiona-me muito a forma generalizada de se achar que tudo o que existe na natureza só faz sentido se tiver alguma utilidade para os seres humanos. (Tânia Laranjeiro)

 

a pergunta: 

o que pode cada um de nós fazer para mudar isto?

 

*

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Obrigado Uma História de Vizinhos, de Rocio Bonilla

#LERePENSARcom

joana rita sousa, 01.06.22

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participação da Amélia Fernandes, 9 anos, Lisboa, Portugal

 

o livro:

Obrigado Uma história de Vizinhos, de Rocio Bonilla

(Jacarandá Editora) 

 

a citação:

A questão é que a senhora Pituca dormia durante o dia, como é hábito de todas as corujas,e passava a noite em frente ao computador a navegar na internet, a ler as notícias e a jogar às cartas, sem parar.

 

a reflexão:

O livro fez-me pensar que se os vizinhos fossem todos amigos seriam mais felizes.

 

a pergunta: 

Porque é que, em alguns sítios, os vizinhos não se conhecem?

 

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a(s) criança(s) aí de casa gostariam de participar? basta visitar aqui e seguir os passos. obrigada!

 

 

 

"agora, não"

- reflexão sobre a infância e a adultês [dia mundial da criança]

joana rita sousa, 31.05.22

 

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O Dia Mundial da Criança

Celebra-se amanhã o Dia Mundial da Criança e a data tem particular significado para a filocriatividade: afinal, este projecto move-se com e pelas crianças.

O movimento iniciado por M. Lipman e Ann Sharp entre 1960 e 1970 provocou um olhar diferente face à criança. A filosofia para/com crianças parte da ideia de que a criança é capaz de pensar, que tem algo a dizer sobre o mundo, seja em forma de pergunta ou em forma de resposta.

 

A filosofia para/com crianças no mundo

São inúmeros os projectos, as associações, as escolas, as instituições que acolhem a filosofia para/com crianças, um pouco por todo o mundo. Em 2016 conversei com algumas pessoas de vários pontos do globo para saber como pensam e como trabalham a filosofia para crianças. Faço parte de um grupo de diálogos filosóficos internacional que acolhe pessoas de 16 países.

 

A voz da infância num mundo adulto

Inspirada pelas experiências internacionais, criei duas iniciativas que pretendem apoiar as pessoas que estão a trabalhar na área, em Portugal: Diálogos Filosóficos e Grupo de Estudos e Leitura #filocri. Faço-o, pois considero que é fundamental que num mundo onde a adultês impera, a criança nem sempre tem uma palavra, nem sempre é ouvida.

 

As pessoas adultas decidem muitas coisas pelas crianças – e com boas razões, entenda-se – mas nem sempre as escutam nesse processo de decisão. De tal forma que o CNE lançou uma recomendação nesse sentido. Escutar parece algo muito óbvio e corriqueiro – será que escutamos verdadeiramente?

Pode a filosofia dar algum contributo para afinar essa escuta?

 

Criar espaços de escuta e de diálogo

São várias as actividades promovidas pela filocriatividade no sentido de criar um tempo e espaço para a escuta da infância. Um exemplo disso são as oficinas de perguntas para famílias, onde pessoas adultas e crianças são convidadas a perguntar, a responder, a problematizar – de igual para igual. Outro exemplo: o #filopenpal ou os desafios filosóficos que são enviados via CTT ou partilhado num documento online para que as famílias possam pensar em conjunto. O Clube de Leitura em Voz Alta #filocri que funcionou em formato online em 2020/2021.

 

“Nunca pensei que a minha filha tivesse coisas destas para dizer. Foi uma descoberta para mim”, disse-me uma mãe à saída de uma oficina na qual dialogámos sobre “podes fazer tudo aquilo que queres?”.

 

O diálogo assume um carácter de encontro e de troca e para tal é fundamental a disponibilidade para pensar, escutar e falar (Peter Worley) com os outros, sejam crianças ou jovens ou adultos, de igual para igual.

 

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Provocações literárias para pensar: escutamos a infância?

 “Agora não, Tiago”

O livro de David Mackee é uma excelente ilustração da invisibilidade à qual a infância está sujeita. Agora não. Agora não. E de repente o Tiago já não está lá e ninguém dá conta. Agora não. Agora não.

Então... quando?

 

Whatever you want / Cruelty Bytes

Ellen Duthie e Daniela Martagón provocam-nos com cenas provocadoras entre a infância e a adultês. “Agora ficas aqui a pensar na tua vida” – é uma frase comum, enunciada por pessoas adultas, quando a criança se porta mal. E quando se porta bem? Não pensamos na vida nesses momentos? E o que é isso de portar bem ou mal?

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Sugestões para praticar escutar a infância

Crie um diário de perguntas para a família (ou para a sua turma). Diariamente registem uma pergunta: cada um regista a sua pergunta e deixa um espaço em branco por baixo dessa pergunta. No final do primeiro mês, voltam à primeira pergunta e iniciam um diálogo sobre a pergunta, procurando arriscar respostas e/ou investigando o tema, o problema que essa pergunta traz dentro de si.

Recomendação para as pessoas adultas: evitem a precipitação de querer responder ou de julgar se a pergunta é tonta ou não. Escutem a pergunta e deixem-se perguntar por ela.

 

Além do #filopenpal e das oficinas de perguntas para famílias, acompanhe o blog e as demais redes sociais da filocriatividade. Diariamente partilho conteúdos e faço uma curadoria de recursos e de ideias que podem ser úteis para esta prática. Convido-o/a a subscrever a newsletter para receber sugestões no seu e-mail.

 

Um exemplo desses recursos são as Home Talks (Diálogos em Casa) que estão disponíveis gratuitamente em inglês, espanhol e português.

 

Outras sugestões para as pessoas adultas

As #ComunidadesCriativasFILOCRI e o #ClubeDePerguntas são actividades regulares que permitem a prática do pensamento crítico e criativo. Por vezes participam famílias, porém a grande maioria das pessoas que subscrevem estas actividades são adultas e algumas delas trabalham com crianças e jovens.

Numa altura em que o pensamento crítico é uma espécie de bandeira no perfil do aluno, nos planos curriculares, aqui e ali, dentro e fora da escola, importa perguntar: e as pessoas educadoras e professoras sabem o que é pensamento crítico? Sabem como trabalhá-lo? Sabem como propô-lo aos seus grupos de crianças e de jovens?

Estas actividades procuram responder a estas perguntas e proporcionar um espaço e tempo para que a pessoa adulta possa treinar o seu pensamento crítico e assim promover momentos de prática com as crianças e os jovens.

 

Uma pergunta final

Quando foi a última vez que escutou a infância? O que escutou?

previsivelmente irracional - dan ariely

#LERePENSARcom

joana rita sousa, 23.05.22

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o livro:

previsivelmente irracional, de dan ariely

(edição de 2009, da editora estrela polar) 

 

a citação:

Já foi exaustivamente demonstrado que a ligação entre o salário e a felicidade não é tão forte como seria de esperar (na verdade, é bem ténue). Há inúmeros estudos que concluem que as pessoas mas "felizes" não se incluem entre aquelas que auferem rendimentos pessoais mais elevados. (p. 36)

a reflexão:

na página seguinte o autor dá o exemplo de uma pessoa que ganhou muito dinheiro e que vive rodeada de gente com muito dinheiro. porém essa pessoa é capaz de "minimizar os círculos de comparação da sua vida". o que significa isto? significa avaliar o meu rendimento pela comparação com o rendimento dos outros, por exemplo. ou avaliar o meu carro pela comparação com o carro dos outros.

no exemplo, ariely refere que uma das coisas que essa pessoa fez para minimizar os círculos de comparação foi vender o porsche boxter e comprar um prius da toyota: "Não quero a vida de um Boxster, porque quando se tem um Boxster gostava-se de ter um 911, e você sabe o que quer quem tem um 911? Quer ter um Ferrari." (p. 39). 

 

a pergunta: 

quanto mais temos, mais queremos ter? 

 

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somos as nossas ideias?

joana rita sousa, 16.05.22

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👉 o capítulo chama-se Embracing Change e bell hooks fala do seu papel de professora que ensina sobre as mudanças de paradigmas e que se apercebe da dor que essas mudanças envolvem.


"White students learning to think more critically about question of race and racism may go home for the holidays and suddenly see their parents in a different light. They may recognise nonprogressive thinking, racism, and so on, and it may hurt them that the new ways of knowing may create estrangement where there was none."


a dor de que fala bell hooks é real e sente-se sempre que a experiência de pensar e de dialogar coloca em causa as nossas crenças, as nossas referências e as nossas ideias.

há dias falava com o Vitor Lima sobre a dificuldade de tornar presente num diálogo que estamos a trabalhar com as ideias das pessoas e não a reduzir as pessoas a essas ideias - que podem mudar quando há razões para tal. identificamo-nos com as nossas ideias e por isso é tão precioso o espaço de segurança num diálogo para podermos expor e deixar que as nossas ideias sejam julgadas pelas outras pessoas.

somos as nossas ideias?

sobre os desafios com e sobre livros no instagram

joana rita sousa, 17.04.22

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gosto de participar nos desafios do instagram que envolvem partilhas de livros. gosto de livros e por vezes é difícil ter noção do que é publicado. participar nestes desafios é uma forma de receber uma curadoria de títulos por parte de pessoas que também gostam de livros, como eu.

outra coisa que aprecio nestes desafios é o facto de terem algum critério que me faz olhar para as estantes e procurar certos livros. às vezes "descubro" livros que tenho cá em casa e dos quais já não me lembrava, já me aconteceu. foi assim que não há muito tempo descobri que tinha um livro repetido. 

 

neste momento pode acompanhar o desafio #alfabetodelivros iniciado pela Sofia. estou a tentar acompanhar o ritmo e não prometo ser certinha nos dias das publicações. porém, vou fazer esse esforço. 

 

na letra A não podia deixar de recomendar o AGORA!, o Agora não, Tiago e A Arte da Boa Vida. livros para todas as idades, pois é preciso incentivar à leitura por parte das pessoas miúdas e das graúdas