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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

filocriatividade | filosofia e criatividade

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29 histórias disparatadas - sugestão de trabalho numa oficina de filosofia

(presencial ou online)

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comece por dividir o grupo em pequenos grupos (se estiver numa sala zoom, lembre-se da opção breakout rooms).

cada grupo irá ler uma das histórias disparatadas (lembre-se: terá de pensar numa forma de fazer chegar a cada um dos alunos o texto respectivo).

já em pequenos grupos: atribua um tempo para a tarefa de leitura da história e para identificar o disparate presente no texto.

de volta ao grande grupo: cada um dos pequenos grupos partilha o disparate identificado, tendo de justificar por que é que se trata de um disparate. 

 

algumas linhas de diálogo que este livro suscita:

- o que é um disparate?

- para quem é que X é um disparate?

- por que é que fazemos disparates?

- quem diz o que é um disparate e o que não é um disparate?

 

uma outra proposta de trabalho, que poderá acontecer em grupo ou individualmente: pegar numa das histórias e imaginá-la sem disparates. como seria? 

 

29 histórias disparatadas / Ursula Wolfel e Neus Bruguera / Kalandraka 

para quem procura livros na área da filosofia para/com crianças e da infância

- edições NEFI - UERJ

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o NEFI - Núcleo de Estudos de Filosofia da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) proporciona há muitos anos um encontro entre autores/as e leitores/as, entre investigadores e investigadoras.

a publicação childhood & philosophy é uma referência incontornável para quem investiga na área da filosofia para/com crianças. 

recentemente foram publicados trabalhos de investigadoras portuguesas, Magda Costa Carvalho e Filipa Igrejas, que podem ser descarregados gratuitamente no website. 

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o trabalho da investigadora Lara Sayão sobre as Olimpíadas da Filosofia no Rio de Janeiro também está disponível para consulta e pode ser descarregado aqui.

 

A Comunidade da Infância é o contributo de David Kennedy para as edições NEFI: 

"Este livro, A comunidade da infância, é uma forma encontrada para assegurar a presença de David Kennedy entre nós, que tanto o admiramos. Entretanto, resta algo que não se sabe dizer sobre David Kennedy. Como algo que escapa, que foge ao domínio da escrita. David parece nos alertar para algo que permanece infantilmente sem palavra na linguagem. David não se apresenta de imediato. Sua escrita, em voltas, por aproximações e distanciamentos, revela conhecimentos e saberes acerca da infância para tocar aquilo que infantilmente deixou de ser enunciado e escapa à apreensão adulta dos dizeres acadêmicos. Depois de afastar-se do que foi dito, quando retorna, é pelo avesso. Nesse deslocamento necessário de um tempo presente, adulto, ele alcança uma temporalidade infantilmente disponibilizada, escrevendo sobre a infância como se estivesse por aprender a fazê-lo a cada vez."

 

vale a pena visitar o website das edições NEFI, pois nele encontra trabalhos muito ricos em torno da filosofia e da infância. 

 

 

 

 

Quem disse?

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Quem disse? é, à primeira vista, uma pergunta rebelde, feita por alguém que procura questionar uma regra ou uma fala instituída por alguém. noutro contexto, é uma pergunta que faço algumas vezes no sentido de averiguar a origem ou a fonte de quem diz que ouviu X ou leu Y. 

o livro Quem disse? (de Caroline Arcari e Guilherme Lira, editado no Brasil pela Caqui) tem um enquadramento específico, o da educação sexual. podemos ler na ficha técnica que "os conteúdos estão alinhados à legislação brasileira que protege crianças e adolescentes." a editora Caqui pretende intervir na área da "educação sexual, dos feminismos, masculinidades positivas e alternativas, violência de género, educação não-machista, anti racismo e prevenção contra as violências sexuais."  este é um livro com uma intencionalidade de abrir o diálogo, de questionar ideias feitas sobre certos temas.

 

podemos levar este livro para uma oficina de filosofia para crianças?

sim, podemos. trata-se de um livro que toca nalguns dos pontos mais cristalizados da nossa sociedade, como o "quem disse, Lelê, que menino não brinca de ser pai de um bebê?"

e o azul, é uma cor só de meninos? e o rosa? e a cozinha é o lugar de quem? 

o livro aponta para um mundo que é azul, que é rosa e que é de todas as cores. abre possibilidades, abre espaço para pensar nos "quem disse?" desta vida, das regras, do "faz isto" e do "não faças aquilo" que interiorizamos e que não colocamos em causa.

trata-se de um livro que amplia para a diversidade e, se há uma mensagem que está presente no livro, é "não existe padrão". 

 

sugestão de trabalho a partir do livro "quem disse?"

como trabalhar este livro em sala? eis a minha sugestão, passo a passo:

- leitura partilhada do livro;

- no final da leitura dar algum tempo para pensar sobre o que ouvimos;

- perguntar às pessoas em sala se têm alguma pergunta ou se quem comentar alguma coisa do livro (este é um bom momento para treinar a diferença entre perguntar e dizer uma coisa);

- registar as perguntas e comentários de todos, num papel ou no quadro, para que todos possam ver (se estivermos em aula online, utilize um documento partilhado ou uma opção de power point em modo de edição);

- pergunta se alguém já tinha ouvido algumas das ideias presentes no livro; por exemplo, que os meninos não usam cabelo comprido. será que sabemos dizer quem disse isso? e qual será a razão para o dizer?

- seguindo este exemplo, podemos avançar para pensar qual é a diferença entre um menino de cabelo comprido e um menino de cabelo curto? o que diz o tamanho do cabelo? quem na sala gostaria de ter cabelo comprido? quem gostaria de ter cabelo curto?

 

esta proposta pretende criar espaço para pensar

1) o que pode levar a alguém a dizer (x ou y)

e 2) se isso que diz tem sentido e se é suportado por razões válidas. 

 

sobre a faixa etária e o trabalho em sala, com a educadora ou com o educador

sobre a faixa etária: note que na descrição da sugestão de trabalho escrevo "pessoas" e não crianças ou jovens. o motivo? este livro poderá ser apresentado a diferentes grupos etários. consigo pensar em grupos com 5 e 6 anos com os quais já trabalhei junto dos quais haveria interesse e pertinência em abordar esta temática. note-se que não chegamos para o grupo a dizer: vamos trabalhar um tema da educação sexual! simplesmente, abordamos o livro como qualquer outro. 

no caso do jardim de infância e do 1.º ciclo e assumindo o papel que normalmente desempenho (o de professora externa que visita a sala para fazer acontecer a filosofia) julgo que será pertinente a partilha prévia do livro com a educadora ou com o educador. às vezes também os adultos precisam questionar os quem disse, pois também os perpetuam, tantas vezes de modo inconsciente.

o trabalho em parceria com a educadora ou com o educador da sala é algo que estimo e que procuro praticar. o trabalho de reflexão filosófica conduz-nos a um olhar diferente sobre aquilo que vemos todos os dias e, de repente, podemos ter um menino a perguntar a razão pela qual a sua bata é azul e a da Catarina é rosa. e esta pergunta pode muito bem acontecer num momento que não é o da oficina de filosofia e daí ser tão importante o trabalho partilhado com a educadora ou com o educador. 

a meu ver, trabalhar temas como a educação sexual em sala, com crianças, jovens e adultos, tem toda a pertinência e exige preparação, integração e uma sensibilização junto de todos os agentes educativos. a escola não é aquilo que acontece da porta para dentro; a escola somos todos nós: educadores, pais, avós, tios, vizinhos.

se nas oficinas de filosofia abordamos o sentido da vida, também podemos falar do sentido que tem dizer que um menino não pode usar cabelo comprido.  

 

 

 

Quem disse? /  Carolina Arcari  e Guilherme Lira / Editora Caqui 

 

(mais) 10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens)

o livro é um objecto que estimo e que não dispenso. gosto particularmente do gesto de abrir o livro e ir descobrindo as suas páginas.

e o cheiro dos livros?

há mais alguém fascinado com o cheiro dos livros, por aí?

depois do artigo 10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens) surge a sequela, onde apresento um outro conjunto de 10 livros. garantidamente, continuarei a escrever sobre o tema e a fazer recomendações sobre os livros provocadores. 

 

*

 

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  • A Máquina dos Ses - Peter Worley, Edições 70

o Peter Worley pertence à The Philosophy Foundation e tem bastante trabalho publicado na área da filosofia (para crianças e jovens). este é um dos seus livros que me acompanha na construção de jogos e de propostas para filosofar. já tinha a versão original e fiquei bastante contente com a decisão das Edições 70 em publicar a tradução portuguesa. 

 

  • A Contradição Humana - Afonso Cruz, editorial Caminho

para mim, enquanto leitora, os livros do Afonso Cruz são sinónimo de provocação. enquanto facilitadora de oficinas de filosofia (para crianças e jovens), o sentimento é o mesmo. A Contradição Humana é um livro com várias histórias, que podem ser trabalhadas individualmente, pelo grande grupo. também podemos dividir o grande grupo em grupos mais pequenos e cada um trabalha uma história, para partilha posterior.

as possibilidades de trabalho são várias e o processo pode ser uma verdadeira descoberta de contradições que nos fazem humanos (demasiado humanos?).

 

  • 29 histórias disparatadas - Ursula Wolfel e Neus Bruguera, Kalandraka

foi o título que me chamou a atenção para este livro. histórias disparatadas parece-me provocador, em si mesmo. ao abrir o livro confirmei a minha intuição: que delícia de livro! não quero ser spoiler, por isso não vou contar os disparates das histórias. digo apenas que dão que pensar. 

 

  • A Grande Questão -  Wolf Erlbruch, Bruaá Editora

o que mais gosto neste livro? não tem perguntas e chama-se "a grande questão". é bom para fazer um exercício de "rewind": que pergunta pode ter dado origem a esta resposta? qual é, afinal, a grande questão?

 

  • Uma Mesa é uma Mesa. Será? - Isabel Martins e Madalena Matoso, Planeta Tangerina

este livro apresenta-nos uma diversidade de perspectivas sobre um objecto tão comum como uma mesa. afinal, o que é uma mesa? o que pode ser? 

 

  • O livro negro das cores - Menena Cottin e Rosana Faría, Bruaá Editora

o título fala por si. a descoberta deste livro, por parte das crianças, é uma experiência que vale a pena. 

 

  • O Livro da Avó - Luís Silva, Edições Afrontamento

não são muitos os livros infantis que eu conheço que falam da morte e o livro da avó consegue fazer isso de uma forma belíssima.

 

  • A história que acaba bem, a história que acaba assim-assim, a história que acaba mal - Marco Taylor

o Marco Taylor provoca-nos a escolher o final de uma mesma história. dá mesmo muito que pensar este "acaba bem", este "acaba mal" e o assim-assim. estou com muita vontade de trabalhar este livro (ou este 3 em 1) em oficina de filosofia. já estou a preparar oficinas nesse sentido.

 

  • O dia em que os lápis desistiram - Drew Daywalt e Oliver Jeffers, Orfeu Negro 

há já alguns anos que este livro me acompanha. recordo-me de uma oficina de filosofia em que fizemos a leitura do livro, eu e uma turma de 2.º e 3.º anos do 1.º ciclo e a conversa durou várias semanas. o que aconteceria se os nossos lápis de cor desistissem? que razões apresentam eles para desistir: são razões válidas? 

 

  • O que vês, o que vejo - Inês Marques e Madalena Moniz

este livro não será propriamente um livro, no sentido clássico do termo. encontrei-o por acaso, pois a edição foi limitada. trata-se de um livro que permite uma abordagem diferente da própria leitura e que ajuda a responder e a experienciar a pergunta: quantas formas há para ler um livro?

 

*

 [para as famílias] sugestão de trabalho a partir de um livro:

- leitura partilhada do livro: cada pessoa lê uma página do livro, por exemplo;

- no momento seguinte, cada uma das pessoas da família constrói um mapa mental da história. os mind maps - tal como Tony Buzan os concebe - devem ter desenhos e símbolos, pelo que se recomenda a prática do "dar asas à imaginação".

nota: vão precisar de folhas lisas (A3 ou A4) e de lápis de cor ou canetas de feltro.

depois de terem os mapas mentais individuais, podem partilhar com todos, para ver quantas perspectivas sobre a história existem. 

 

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*

 

 tem sugestões de livros infantis que sejam filosoficamente provocadores? partilhe nos comentários.

 aproveite para ler o artigo Como trabalhar perguntas filosóficas com o seu filho?

 

 subscreva a newsletter do projecto #filocri

 

10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens)

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os livros infantis e a filosofia

os livros infantis são um recurso que levo comigo para as oficinas de filosofia, para crianças e jovens. 

é comum usar os livros infantis no trabalho de bastidores, ou seja, são o suporte para me ajudar a criar jogos ou provocações filosóficas para os grupos com os quais vou trabalhar - e nem chego a partilhar o livro com a criançada. noutras ocasiões, é a leitura partilhada do livro que serve de ponto de partida para o diálogo.

os livros filosoficamente provocadores foram abordados numa das acções da escola de verão #filocri.

mais recentemente os alunos da Pós-Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens da UCP pediram-me algumas recomendações de livros. resolvi escrever este artigo, pois imagino que possa ser útil a várias pessoas. 

 

nota: esta lista será sempre um pouco injusta e o mais certo é voltar a escrever sobre o assunto, sugerindo mais livros, num outro artigo.

 

10 livros que são trampolins para diálogos sumarentos

 

  • Em que pensas tu? - Laurent Moreau - editora O Bichinho de Conto

não fosse a #covid19pt e o trabalho iniciado a partir deste livro teria conhecido continuidade. dei conta de alguns momentos aqui mesmo neste blog.  

 

  • O que fazer com um problema? - Kobi Yamada e Mae Besom - editora Zero a Oito

um dos livros que me acompanha na reflexão e preparação das oficinas, mas que ainda não levei para a sala, para partilhar com a criançada. 

 

  • Com o tempo - Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso - editora Planeta Tangerina

partilhei aqui no blog um exercício com mapas mentais e que tem este livro como base. podem (re)visitar o artigo aqui mesmo.

 

  • Balbúrdia - Teresa Cortez - editora Pato Lógico

este era o livro que estava a acompanhar o trabalho do ano lectivo 2019/2020 na sala dos 3/4 anos onde estava a trabalhar. a #covid19pt deixou-nos o trabalho da Balbúrdia a meio. 

 

  • Grande coisa - William Bee - editora Planeta Tangerina

este é um dos livros que tem servido de apoio para a criação de jogos, de propostas para pensar com a pequenada. ainda não o levei para a sala - é egoísta da minha parte, não é? 

 

  • Museu do Pensamento - Joana Bértholo, Pedro Semeano e Susana Diniz - editora Caminho

além de provocar o pensar, este livro provoca o pensar sobre o pensamento. estes momentos são fundamentais numa oficina de filosofia, pois é um elemento que distingue a conversa do diálogo

 

  • Agora! - Tracey Corderoy e Tim Warnes - editora Minutos de Leitura (dos mesmos autores, Porquê? e Não!)

esta colecção é muito provocadora para os mais novos: os livros são grandes e têm ilustrações muito apelativas. depois há a empatia que se cria com o Rodrigo e as suas atribulações diárias, em família. o "Porquê" tem sido uma companhia constante no meu trabalho com grupos do jardim de infância. 

 

  • O Monstro das Cores - Annalennas - editora Nuvem de Letras

confesso que gosto particularmente da versão pop up deste livro, que capta a atenção dos mais pequenos.

 

  • Se eu fosse... - Richard Zimler - Porto Editora

este livro é inspirador para proporcionar uma momento para nos conhecermos e nos apresentarmos, em grupo. já faz parte da prateleira cá de casa há algum tempo e também tem lugar cativo na mochila que me acompanha nos trabalhos da filosofia.

 

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  • [alguns destes recursos não são livros (ou serão?), mas fica a recomendação] WonderPonder - Ellen Duthie e Daniela Martagón

as caixas WonderPonder já me acompanham há algum tempo, nos mais diversos contextos: em sala do 1.º ciclo, no festival de filosofia de Abrantes e também nos diálogos filosóficos com os mais crescidos. as imagens são provocadoras e é difícil ficar indiferente. é difícil não fazer perguntas perante estas propostas de filosofia visual. 

 

NOTA: na editora Dinalivro é possível encontrar uma colecção de Oscar Brenifier e Aurelien Débat dedicada à filosofia para crianças. o mesmo acontece na Edicare. 

 

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"então... basta ter o livro certo para que o diálogo filosófico aconteça?"

não, não basta ter o livro "certo", nem o exercício filosófico validado pelos investigadores da área. até que o grupo com o qual trabalhamos se torne autónomo e maduro, o trabalho do facilitador é FUNDAMENTAL para que a prática da filosofia aconteça. 

 

a meu ver, estas deverão ser as motivações de quem embarca na tarefa de facilitar ou orientar um diálogo filosófico:

1) a necessidade de aprofundamento filosófico;

2) a necessidade de manter o foco do diálogo e da investigação em curso;

3) o conhecimento e a aplicação de ferramentas de questionamento, de forma a que sejam apropriadas pelos participantes; e

4) a promoção de momentos em que os participantes pensem sobre o pensamento em si (o seu e o dos outros). 

(Cf. Sousa, J., Queres saber? Pergunta. - dissertação de mestrado)

 

 às sextas há recomendações de livros no instagram e no facebook do projecto filocriatividade.

 o PNL 2027 partilha recomendações de livros para todas as idades no seu website.

 a Rita Domingos do Kit Literário poderá ajudar as famílias a encontrar livros provocadores. 

 

tem sugestões de livros para adicionar a estas recomendações? partilhe nos comentários!

leituras de Verão

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Philip Cam é uma referência no que diz respeito ao trabalho de diálogo filosófico e há muito que tinha este livro na minha wish list.

além de boas ideias para a minha prática, este será um dos textos a incluir nos próximos cursos #filocri, bem como na pós-graduação em filosofia para crianças e jovens, da UCP (já agora, a segunda fase de inscrições está em curso!) 

como reconhecer um livro filosoficamente provocador?"

- era uma vez a filosofia

os livros infantis são um recurso habitual nas minhas oficinas de filosofia, com crianças e jovens (e também com adultos, confesso).

tradicionalmente, a filosofia para crianças implica o uso de histórias (a que M. Lipman chamou de novelas) redigidas especificamente para as oficinas de filosofia, entenda-se, com intenção filosófica. contêm propostas para pensar com ligação a grandes áreas temáticas da filosofia (exemplo, a história À Descoberta de Aristóteles Maia aborda a Lógica). 

hoje em dia já são muitos os recursos adoptados pelos facilitadores de oficinas de filosofia para crianças e jovens: imagens, fotografias, vídeos, jogos e livros ilustrados.

uma das questões que surge com frequência nas formações que tenho assegurado é:

como reconhecer um livro filosoficamente provocador?

 

apoiada nas ideias de Ellen Duthie aponto aqui um elenco de características que nos permitem reconhecer um livro filosoficamente provocador. 

 

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a curiosidade

seja pela palavra ou pela ilustração, há livros que nos aguçam a curiosidade e que nos motivam a querer virar as páginas por querermos saber o que vem a seguir, o que aconteceu depois ou que desafio enfrentou o personagem (ou personagens).

 

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a ampliação (do pensamento)

por ampliação do pensamento entendo aquilo que nos permite ver além do nosso ponto de vista inicial.

por vezes esta ampliação exige um olhar de cima (como se fossemos um helicóptero), ou o movimento de recuar no pensamento, para ver a "big picture". 

 

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a tensão (ou conflito)

as histórias com textura são aquelas que apresentam uma tensão ou um conflito. cumprem com o básico do storytelling (que agora está tão na moda):

- era uma vez...

- todos os dias...

- até que um dia...

- então...

- e viveram felizes (será?) para sempre (hummm...). 

o que nos atrai é a tensão, o conflito, o problema. e isso pode motivar-nos a praticar o "como resolveria essa situação no lugar de..." e a pensar "e se...?". os obstáculos e os problemas são algo que dão que pensar. 

os filósofos são os fãs n.º 1 de problemas, tal como os cientistas.

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a incerteza 

quando começamos a ler o livro há uma incerteza primeira que é a de não sabermos como acaba a história.

e quando o livro não nos diz como é que a história acaba? e se não estivermos sequer a falar de um livro (no seu sentido tradicional e formal), mas de uma proposta como a Wonder Ponder

 

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a actividade (do leitor) 

um livro filosoficamente provocador exige um leitor activo, que coloca hipóteses, que quer saber mais, que tem interesse e algo a dizer sobre o que está a ver, a ler ou a sentir. um livro filosoficamente provocador também é aquele que podemos sentir

 

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as possibilidades 

entendo por possibilidades o facto do livro não se fechar numa única forma de ver o mundo ou até mesmo por apresentar diversidade de abordagens, de pontos de vista.

 

a provocação 

“Carefully selected picturebooks are particulary suited as provocations for philosophical work with abstract concepts (…)

Murris sublinha a desorientação, a incerteza, a dissonância e o desacordo acerca do significado, elementos que permitem e incentivam professores e alunos a construir significados e conhecimento, em colaboração (Karin Murris, The posthuman child, pp. 204-206).

 

 

*

 

cada um dos livros (ou álbuns) não tem de reunir TODAS estas características para ser filosoficamente provocador. 

já dei por mim a levar a cabo oficinas de filosofia com livros cuja história é "fechada" ou contém uma mensagem, precisamente por considerar que pode ser um bom ponto de partida para a desconstrução desse final ou dessa mensagem. esse tem de ser um processo de escolha consciente por parte do facilitador da oficina de filosofia que atende às características do grupo com o qual está a trabalhar. 

não há receitas - e, pensando bem, as melhores receitas são aquelas que nos permitem adaptar ingredientes e acrescentar algo nosso. talvez a receita seja: pegue na receita e adapte, recrie, retire, acrescente; tendo em mente aquilo que distingue uma mera conversa de um diálogo.

 

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álbuns e livros que dão que pensar

- sugestões de Ellen Duthie (WonderPonder)

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vale a pena passar pelo facebook para ouvir a Ellen Duthie a falar sobre o seu trabalho em torno da filosofia visual.

e depois, visitar este post no seu blog onde generosamente a Ellen partilha um conjunto de livros que "dão que pensar". 

 

vou seguir a sugestão da Ellen e preparar um artigo nesse sentido - parece-lhe útil? tem algum livro que lhe pareça pertinente para este artigo? aguardo as sugestões nos comentários. 

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