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na sala do 2º ano do 1º ciclo: investigamos o que era a filosofia; para tal, usamos
o gesto para a palavra FILOSOFIA
o que quer dizer? relaciona-se com o quê?
"pensar"
"imaginar"
"anjo"
"doido"
vamos investigar?
No quadro da equidade educativa, o sistema e as práticas educativas devem assegurar a gestão da diversidade da qual decorrem diferentes tipos de estratégias que permitam responder às necessidades educativas dos alunos. Deste modo, a escola inclusiva pressupõe individualização e personalização
das estratégias educativas, enquanto método de prossecução do objectivo de promover competências universais que permitam a autonomia e o acesso à condução plena da cidadania por parte de todos.
(...)
A educação das crianças e jovens surdos deve ser feita em ambientes bilingues que possibilitem o domínio da LGP, o domínio do português escrito e, eventualmente, falado, competindo à escola contribuir para o crescimento linguístico dos alunos surdos, para a adequação do processo de acesso ao currículo e para a inclusão escolar e social.
No meio destes encontros e desencontros, espero que a comunidade surda possa (re)pensar a sua própria identidade e cultura, defendendo a LGP como base essencial, a par da aprendizagem da língua portuguesa. Com prótese auditiva ou com implante - ou sem nada disso, o importante é que os surdos sejam capazes de comunicar, de debater, de dialogar sobre aquilo que é ser surdo. Acima de tudo, que possam assumir-se como pessoas plenas e que a surdez não seja uma condenação a uma vida com qualidade inferior e sem liberdade, sem a hipótese de considerar alternativas para o seu futuro.
aqui fica a reportagem do Jornal de Surdos:
no passado dia 7 de Março, o IDEPH organizou uma conferência subordinada ao tema das neurociências, ciências cognitivas e educação. o encontro contou com a participação de Judy Willis que nos falou sobre alguns aspectos relacionados com
o cérebro, a aprendizagem e o ensino,
princípios básicos das neurociências,
estratégias para cativar e manter a atenção dos estudantes,
o impacto da emoção no cérebro e a sua influência na aprendizagem
tivemos a oportunidade de aprender alguns modelos que nos permitem manter os níveis de prazer durante a aprendizagem, bem como permitir que a neuroplasticidade - o processo através do qual os pensamentos e acções modificam o cérebro - aconteça de forma consciente
como preparar o cérebro das nossas crianças para os desafios do futuro? - esta era a grande pergunta do dia. com as partilhas de Judy saímos da sala com algumas luzes e, sobretudo, pistas para desenvolver a nossa própria investigação e prática. o desafio passa pela tomada de consciência de que estamos a formar as nossas crianças para que sejam capazes de resolver problemas que ainda não existem.
como é que isso se pode fazer?
parece-me que só podemos educar/formar/ensinar [e aprender com] crianças capazes de resolver problemas que ainda não existem, se (e só se) as dotarmos de coisas como:
- capacidade de trabalho colaborativo, em equipa
- capacidade de receber informação e de estabelecer prioridades no valor dessa informação
- pensamento crítico: analisar, conceptualizar, aprofundar
- flexibilidade cognitiva
- organização e categorização da informação (e do conhecimento)
para isso precisamos de pais, educadores e formadores sintonizados neste "comprimento de onda" e por isso também eles capazes de trabalho colaborativo, de receber informação, de analisar, conceptualizar... e por aí fora.
foi um dia de trabalho, de partilha que terminou com um debate animado onde, mais uma vez - e permitam-me o uso do sentido crítico - as pessoas tentaram fazer-se ouvir, sem ter nada de substancial para dizer e onde pais acusaram professores e vice versa. parece-me que se perde tempo útil nesta conversa de "a culpa é..." em vez de irmos para o terreno e fazer qualquer coisa: investigar, praticar, experimentar, avaliar, dialogar
todos concordam: cada pessoa é um ser único e irrepetível, absolutamente diferente. a neurociência diz-nos que cada cérebro é diferente e único.
desafio: como é que a educação (ou o processo ensino-aprendizagem) pode, na prática, salvaguardar, cultivar e valorizar essa diferença?
a segunda conferência deste ciclo acontece já no próximo sábado
segue info em LGP
teve início no dia 1 de Fevereiro o ciclo de conferências Do Gesto à Voz, dedicado à educação de surdos e inclusão. tive oportunidade de assistir a uma manhã plena de partilhas sobre a problemática da surdez no seio da educação, em conjunto com os meus colegas do nível II de Língua Gestual Portuguesa (LGP) e da nossa formadora, Patrícia.
a conferência contou com a presença de várias pessoas, em representação de entidades que trabalham na área da educação dos surdos ou que representam associações de pais e amigos. a reter o discurso emocionado do André Couto, presidente da AFAS ( Associação das Famílias e Amigos dos Surdos ) que partilhou connosco um percurso de pai da M, uma criança surda, a quem o primeiro médico que diagnosticou a surdez traçou o seguinte cenário «os surdos não atingem níveis superiores de inteligência». acontece que a M entrou recentemente para o curso de Medicina (parabéns, M). a afirmação desse médico encerra em si imensos preconceitos: que a surdez condiciona a aprendizagem e limita o sucesso, que a inteligência se reduz ao QI e por aí fora.
Maria José Freire falou-nos da educação bilingue - língua gestual portuguesa e língua portuguesa - na educação dos surdos e de como há um fosso enorme entre a teoria e a prática, entre aquilo que está legislado e aquilo que acontece nas escolas.
Paulo Vaz Carvalho apresentou-nos um olhar histórico sobre a língua gestual e da necessidade da comunidade surda aceder ás fontes primárias, que contam essa história, para que possam escrever, com a sua própria "voz", essa mesma História. sublinhou ainda que faz falta a existência de dicionários bilingues (LGP - LP e LP - LGP) bem como outros materiais que possam ser usados nas escolas e pelos pais e sobretudo pelos alunos, para que estes possam estudar autonomamente, sem professor, sem intérprete.
lugar ainda para o testemunho de Shaiza, que partilhou uma experiência de cultura e identidade da LGP na sua educação.
parabéns ao Joaquim Melro e à sua equipa pela iniciativa. o Joaquim é, como eu, apaixonado pela educação, pela filosofia e pelo gesto. partilhamos essa paixão com a Carla Ribeiro, que tive oportunidade de (re)encontrar neste dia.
confesso que fiquei angustiada quando ouvi o representante da Casa Pia (?) relativamente à Filosofia. disse que tinha muitas dúvidas que um surdo conseguisse fazer um exame de Filosofia, do 12º. eu conheço muitos ouvintes que também tiveram essa dificuldade, por falta de estudo, de preparação ou simplesmente porque têm aquilo a que eu chamo de professor pedagogicamente incapaz (lamento informar-vos, mas também os há!). portanto, não me parece que essa incapacidade tenha alguma relação directa com o facto do aluno ser ouvinte ou surdo.
do gesto à voz: fazer a ponte entre o surdo e o ouvinte. no meu caso, a construção desta ponte é fundamental dado que, por motivos de ter sido "agraciada" com uma doença rara e incurável - síndrome de méniere - estou também eu a preparar-me para a ponte da audição para a surdez (uma das consequências da doença). se já tinha curiosidade em aprender LGP, desde 2011 que essa curiosidade ganhou contornos de necessidade, pois se há coisa que sei fazer bem é comunicar, transmitir ideias e conhecimentos - e não quero deixar de o fazer quando/se a surdez parcial tomar conta da minha vida definitivamente. além disso, acalento o sonho de orientar sessões de filosofia para crianças 100% inclusivas.
+ info sobre este ciclo de conferências AQUI
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