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filocriatiVIDAde | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal

filocriatiVIDAde | filosofia e criatividade

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de volta à escola

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estudar, aprender, investigar: estes são alguns dos verbos que pratico constantemente, de modo mais ou menos formal. de tal forma que, uma vez, a minha afilhada (agora com 15 anos, na altura com uns 6 ou 7) me perguntou se eu algum dia ia deixar de ir à escola. disse-lhe prontamente que tinha dúvidas que isso acontecesse, pois gosto mesmo de estudar e de aprender.

também gosto de partilhar o que aprendo e o que investigo; ao partilhar isso com os outros, crio uma oportunidade de diálogo, de crítica, de olhar para outras perspectivas que até então não tinha considerado.

2018 é o ano em que comemoro 10 anos de filocriatiVIDAde no mundo e o ano em que regresso à casa onde materializei o meu amor pela filosofia, ingressando na licenciatura que mudou a minha vida. na altura desconhecia que, um dia, ia estar ligada à filosofia aplicada e, sobretudo, à filosofia para crianças e jovens.

este regresso à Universidade Católica, como docente na Pós Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens tem um sabor especial, pois traz memórias e também a confiança no futuro da filosofia para crianças e jovens em Portugal. há muito para fazer, nesta área e este é um contributo sólido e estruturado, a par de outros como o mestrado em Filosofia para Crianças na Universidade dos Açores. e por falar nisso, já vos contei que a tese foi submetida? e que em 2019 haverá lugar a provas públicas? 

 

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e já que estamos a falar de filosofia, recordo-vos que novembro é o mês em que se assinala o dia mundial da filosofia. este ano volto a marcar presença no festival de filosofia de Abrantes, onde vou orientar oficinas de filosofia com a pequenada. o programa é muito rico e inclui café filosófico e vários momentos de diálogo que acontecem pela cidade, junto das pessoas. 

 

 

 

 

ecos do 3º congresso internacional de filosofia

 

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"o que viemos fazer aqui?" - perguntou o professor José Rosa, na conferência de abertura do Congresso. e, agora que já terminaram os trabalhos, estou em condições de responder: vim até à UBI, na Covilhã, para me deixar encantar pelo azul do céu e o ar da montanha e, sobretudo, para partilhar e colocar a filosofia em prática. 

 

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o painel de filosofia aplicada

há uns meses recebi um e-mail do Pepe Barrientos-Rastrojo no sentido de propormos um painel de filosofia aplicada no 3º Congresso Internacional de Filosofia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Filosofia.

desse painel também fizeram parte a Magda Costa Carvalho, a Maria Teresa Santos e a Dina Mendonça. falámos de filosofia, de filosofia aplicada, bem como de como são "velhas" as novas práticas filosóficas. a filosofia para/com crianças foi um dos pontos de ordem deste painel, onde apresentámos pontos de vista diferentes:

- o Pepe falou-nos de como é possível transformar a filosofia de Rorty em espaços de oficinas, onde crianças, jovens e adultos podem trabalhar e desenvolver as competências do pensamento crítico, criativo, colaborativo e cuidativo > "A criação privada do eu e a solidariedade pública com os outros na Filosofia para as Crianças. Uma aproximação à disciplina desde Richard Rorty";

- a Magda apresentou-nos uma reflexão sobre o papel da filosofia para crianças na revitalização da própria filosofia: "A Filosofia para Crianças con-quista a Filosofia";

- a Dina trouxe-nos uma comunicação em que abordou "A Filosofia para Crianças e o aprofundamento dos processos de aprendizagem – o diálogo filosófico e as capacidades argumentativas";

- a Teresa partilhou um trabalho de reflexão de Marta Naussbam sobre o trabalho de Lipman e o modo como o programa age sobre a vivência da democracia; a comunicação intitulava-se "Em defesa das humanidades e da democracia. O elogio de Martha Nussbaum a Matthew Lipman".

 

Kant e a prática da investigação filosófica

procurei apresentar uma reflexão pessoal em torno de Kant e do Kant que me chegou por via do Lipman. acabei por partilhar um pouco do processo de pensamento e de construção da comunicação, que conheceu avanços e recuos, mudanças justificadas e procura de fundamentos. afinal, o processo de investigação que a comunidade de investigação filosófica possibilita é algo que pratico na minha investigação individual, para a qual convoco as pessoas que me são próximas, como a Gabriela Castro e o Pepe Barrientos, com quem dialoguei via e-mail ou via messenger; além dos textos dos filósofos com os quais dialogo e construo (desconstruo) o meu pensamento.

 

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viagem ao passado e a homenagem, no presente, ao professor Artur Morão

voltar à Covilhã, oito anos depois da minha primeira visita, traduziu-se no (re)encontro com os professores José Rosa e António Amaral, que me acompanharam na licenciatura. houve ainda lugar, durante o congresso, para uma homenagem ao professor Artur Morão, cujas aulas não esqueço, cuja alegria de ser e de estar é contagiante. o motivo da homenagem: as inúmeras obras traduzidas pelo professor que nos permitem dialogar com tantos textos fundamentais da filosofia - e não só!

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filosofia fora e dentro da escola

o Alves Jana, do Clube de Filosofia de Abrantes, partilhou uma comunicação sobre os espaços de intervenção da filosofia, fora dos muros da escola: "a sociedade a que pertencemos precisa do contributo da filosofia, mesmo quando não sabe que precisa".

 

o João Teodósio falou-nos de experiências que aproximam a filosofia das vicências dos alunos e da realidade em que vivem - aprendizagem experiencial da disciplina de filosofia no ensino sedcundário. partilho convosco uma curiosidade: eu e o João Teodósio fizemos parte de um documentário realizado pelo Guilherme e pelo João, no Fundão, sobre filosofia: a sala 13. 

 

Leila Athaides partilhou um trabalho muito interessante sobre o impulso lúdico em Schiller e a sua aplicação em conteúdos de filosofia, no ensino médio. a Leila veio do Brasil, cruzou o oceano para nos brindar com uma apresentação cuidada e pertinente sobre um trabalho que, a meu ver, pode cruzar muito com as estruturas da filosofia para/com crianças. 

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a minha primeira apresentação num encontro da Sociedade Portuguesa de Filosofia data de 2013 e consistiu numa oficina de filosofia pensada e criada com a Celeste Machado. foi com muita honra que voltei a participar num evento da SPF e em tão boa companhia!

*

ainda sobre a minha apresentação e o início onde resumi algumas das ideias do primeiro dia do Congresso:

Sinto que a filosofia para/com crianças e jovens é um “imperativo categórico”, nos tempos que correm.

Na linha da comunicação da professora Adela Cortina, encaro com seriedade o compromisso de empoderar as crianças e os jovens na defesa dos seus pontos de vista.

Um empoderamento que é [metafísico, ético e] cordial e implica o ser humano na sua inteireza, tal como defendeu Kant na terceira Crítica. O ser humano é inteligência, vontade e afectividade.

M. Luísa Ribeiro Ferreira falou-nos, a propósito do ensino da filosofia no ensino secundário, da necessidade dos alunos pensarem por si próprios. Sublinhou também o papel inquietante e des-instaladorda filosofia, perante os alunos e os professores.

Neves Vicente relatou uma experiência, com ênfase no papel do facilitador enquanto um orientador munido de ferramentas que permitem o trabalho filosófico, independentemente do conteúdo.

Maria João Couto lançou a questão da formação dos formadores da filosofia para crianças, algo que preocupa cada vez mais quem, como eu, está no terreno a desenvolver trabalho e investigação nesta área.

 

também partilhei algumas ideias no twitter, com as tags #3CIF e #socportfilos

 

agora é hora de escrever e preparar o artigo para publicação. 

 

 

 

Carlos Carvalho: "(...) é necessário haver um espaço no qual a criança aprenda a refletir."

O Carlos foi um dos meus companheiros de viagem no 1º ano do mestrado de Filosofia para Crianças e Jovens, na Universidade dos Açores (na altura Pós-Graduação, ainda). 

É licenciado em Filosofia, Ramo Educacional, Mestre em Psicologia (Contextos Educativos), e pós-graduado em Filosofia para Crianças, pela Universidade dos Açores.

Possui vasta experiência no ensino, quer profissional, quer regular, desde a leccionação e coordenação, passando, igualmente, pela Direcção Técnico-Pedagógica, enquanto Director Pedagógico, em 2005-2006, na Escola Profissional Monsenhor João Maurício de Amaral Ferreira. Tem também experiência acumulada em diversos Programas de Ensino, tendo como público-alvo adolescentes e adultos, tais como Profij (II e IV) e Reativar, incluindo leccionação no Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada, e coordenação do Programa Erasmus +.

O Carlos vive rodeado de azul e verde, de ilha em ilha, no magnífico arquipélago dos Açores. Foi precisamente neste contexto, da Pós-Graduação, que o Carlos teve a sua primeira experiência enquanto facilitador. 

 

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Lembras-te da primeira vez que ouviste falar de filosofia para crianças?

Não exactamente. Provavelmente, com consciência, há volta de 10 anos…. 2007, 2008.

 

Como é que começaste a trabalhar nesta àrea?

 A primeira sessão conduzida por mim foi no âmbito da Pós-Graduação que fiz, na Universidade dos Açores, em “Filosofia para Crianças”.

 

Consideras que a fpc é necessária para as crianças? Porquê?

Sim, muito importante. Provavelmente a minha resposta não traz nada de novo perante o que as autoridades na matéria dizem, mas defendo que é importante porque é necessário haver um espaço no qual a criança aprenda a refletir. As tecnologias trouxeram fontes infinitas de informação, em quantidades que eram inimagináveis nos meus tempos de criança. No entanto, essa informação não é tratada, mas sim tratada de uma forma descartável: “play”, “vejo”, “termino”, carrego imediatamente “num próximo play”. Aliás, esta é uma sequência comportamental que é já um padrão da educação das nossas crianças, sem qualquer momento de análise.

 

Hoje em dia as crianças, em Portugal, têm muitas actividades na escolar e depois da escola. Por que havemos de levar a filosofia para as escolas?

Devemos levar a Filosofia para as escolas pela razão que acima apresentei. Mas é uma questão que, em termos práticos, não é fácil de materializar. De facto, as crianças têm muitas atividades, na escola, e depois da escola. Parece que é um mal socialmente reconhecido, assente, não havendo tempo para o chamado “tempo para ser criança”. Por outro, quando ouvimos os professores de cada área correspondente a essas atividades, parece que faz todo o sentido incluir essas atividades…… O mesmo se passará com a Filosofia.

 

O que faz com que uma pergunta seja uma questão filosófica – do ponto de vista da fpc?

Em relação à Filosofia para Crianças, não creio que haja, ou não creio que deva haver, diferença ou cedência de requisitos para que uma questão seja Filosófica. Tal como na “Filosofia Adulta”, as questões filosóficas na “FPC” também deverão ser “existenciais e valorativas”; “não podem ter solução científica ou técnica”; “não podem ser questões de facto” e “devem ultrapassar o domínio da legalidade”.

 

Quais são os maiores desasfios que a Fpc enfrenta, nos nossos dias?

Enfrenta o preconceito generalizado que as pessoas e o sistema de educação têm em relação à Filosofia: a Filosofia não serve para nada.

 

Podes dar alguns conselhos aos professores e aos pais para os ajudar a lidar com as perguntas das crianças?

1º) Nunca ignorar as questões das crianças;

2º) Dar valor a cada questão formulada.

 

Alguma vez foste surpreendido com uma pergunta de uma criança? Podes partilhar connosco que pergunta foi essa?

 Provavelmente sim, mas, depois de pensar muito nessa questão, não há nenhuma em particular que me ocorra.

 

 

3º Congresso Internacional de Filosofia - SPF

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a SPF - Sociedade Portuguesa de Filosofia organiza o 3º Congresso Internacional de Filosofia, nos dias 6 e 7 de Setembro. o evento é acolhido na UBI (Universidade da Beira Interior), na Covilhã.

 

irei marcar presença na companhia do Jose Barrientos-Rastrojo, da Magda Costa Carvalho e da Dina Mendonça, para partilharmos experiências e perspectivas sobre a filosofia para crianças.

 

podem visitar o site da SPF, caso tenham interesse em participar no congresso ou pedir informações através do e-mail spffilosofia@gmail.com 

 

 

 

Jose Barrientos-Rastrojo: "(...) habría que preguntarse (también) qué hace una respuesta filosófica para validar el trabajo en las sesiones."

Conheci o Pepe Barrientos-Rastrojo em 2007, num congresso da APAEF (Associação Portuguesa de Aconselhamento Filosófico, onde também conheci a Celeste Machado, com quem comecei a trabalhar, uns anos depois, na área da filosofia para crianças.

O Pepe foi o orientador da minha tese de mestrado, na área dos recursos humanos e filosofia aplicada. Trabalha na Universidade de Sevilha, onde é professor e investigador. A sua tese de doutoramento versava sobre Maria Zambrano. 

Os nossos encontros têm sempre como motivação a partilha na área da filosofia aplicada, seja na consultoria filosófica ou na filosofia para crianças. Julgo que a última vez que estivemos juntos foi em Angra do Heroísmo, em Junho de 2014, durante o Encontro Internacional Filosofia para Crianças e Adolescentes: Aprender a Pensar em Comunidade, promovido pela Universidade dos Açores. 

Contactei o Pepe via twitter e perguntei se estaria disponível para responder a algumas questões. O "SIM" foi imediato. Por saber que o Pepe lê bem em português, escrevo esta introdução na minha língua natal. 

Podem acompanhar o Pepe no facebook e no twitter

 

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¿Te acuerdas cuando fue la primera  vez que oíste hablar de filosofía para niños?

Empecé en Filosofía Aplicada individual hace un par de décadas. En aquela época, escuché referencias a Matthew Lipman y a su programa.

Mi dedicación a las consultas individuales y mi interés en autores de la orientación filosófica individual me separó, inicialmente, del interés por este campo hermano. Sin embargo, siempre pensé que ambas bebían de un mismo espíritu analítico-discursivo. Esto se ponía de manifiesto en las metodologías de trabajos: el análisis de argumentos, la creación de conceptos, el interés por las falacias, la erradicación de las opiniones, etc… Por ello, siempre regresaba a la lectura de algunos de sus textos de forma recurrente.

 

¿Como has empezado a trabajar en este area?

Mi dedicación definitiva a este área de conocimiento surge cuando mi Departamento de la Facultad de Filosofía me encarga la impartición de la asignatura en 2010. Un profesor del Departamento, José Agüera, se había jubilado y había trabajado mucho en la materia. De hecho, desarrolló un grupo de investigación oficial e implantó la asignatura en la Facultad de Ciencias de la Educación. Lamentablemente, nunca nos conocimos personalmente. El hecho de que nadie se sintiese en disposición de impartir la materia y la circunstancia de que yo  era el último en elegir asignatura derivaron en que se me asignase. Hoy, no estoy dispuesto a abandonarla puesto que no existe ningún profesor que posea conocimientos téoricos y prácticos en la misma. De hecho, sólo una becaria se ha interesado en el tema. El programa básico de la materia puede consultarse en este link http://www.us.es/estudios/grados/plan_194/asignatura_1940025/proyecto_960055

El primer año la asignatura contó con cuatro alumnas, pero hemos llegado a contar con más de cincuenta. He procurado no superar una máxima de treinta alumnos para poder realizar talleres todas las semanas.

La asignatura consta con una parte teórica, una parte práctica y una aplicada. La teórica enseña los contenidos básicos y realiza prácticas de pensamiento crítico y lógica informal; la práctica realiza quince talleres reales durante el semestre y la aplicada exige que los alumnos realicen grupalmente una sesión con niños reales y lo graben en video.

Asimismo, generé un proyecto con estudiantes hace un lustro en una escuela de Sevilla. La actividad quedó reflejada en un capítulo del libro Filosofía para Niños y capacitación democrática freiriana, elaborado por Sara Mariscal Vega.

 

¿Consideras que la FpN es necesaria para los niños? Por qué?

Considero que es necesario el desarrollo de las habilidades de pensamiento que incentiva la Filosofía para/con niños por razones aducidas por sus teóricos: mejora de las capacidades democráticas, incremento de capacidades cognitivas y creativas, promoción de las habilidades reflexivas, lucha contra la ideología social que reduce la autonomía de los ciudadanos, quienes ni siquiera son conscientes del engaño,…

Sin embargo, pienso que el modelo de racionalidad de la disciplina es restringido. Al basarse en la tradición discursiva y analítica, la metodología de trabajo olvida otros tipos de pensamiento. En este sentido, autores como Kohan o Sátiro son modelos para la extensión de los modos de trabajo en las sesiones.

Mi propuesta pretende avanzar en este sendero y incentivar la dimensión “filosófica” de la disciplina de un sentido profundo y amplio. Esto supone el avance en el trabajo de metodologías fenomenológicas, hermenéuticas, pragmatistas, etc… Este avance supone una aplicación profunda de las metodologías de Husserl, Gadamer, Romano, Rorty, Vattimo (entre otras) de una forma seria y rigurosa. A tal fin, se precisa de un conocimiento profundo de cada uno de estos autores, de sus conceptos fundamentales, el modo en que entienden la filosofía y sus objetivos. Asimismo, se exige una cabal comprensión de cómo aplicar cada fase y conceptos de esos autores en las sesiones. Por último, se precisa creatividad y agudeza para realizar dinámicas que respeten la dimensión filosófica de esas metodologías y se mantenga el interés de los niños. Un ejemplo de ellos será la ponencia que impartiré en el próximo congreso de la Sociedad Portuguesa de Filosofía en la Universidade de Beira Interior en Covilha en septiembre de este año.

Este planteamiento usa un conjunto de metodologías que exceden la racionalidad del proyecto lipmaniano, que, considero, ha sido y es esencial hoy día, como he señalado. Un primer intento de jugar con otras racionalidades procede del taller de creación de cuento, inspirado por Jorge Sánchez-Manjavacas, y que he aplicado en varias partes del mundo. Su teoría aparecerá en las actas del último congreso de la NAACi realizado en Puebla (México) por María Teresa de la Garza y María Outón. Otro es la aplicación de las nociones maestras del pensamiento de Richard Rorty en talleres de Filosofía Aplicada para Niños y Adolescentes.

 

¿Hoy en día los niños en Portugal tienen muchísimas actividades en la escuela y fuera de ella. ¿Por qué debemos tener filosofía en las escuelas?

Creo que es importante también tener otras materias vinculadas con las humanidades. Todas ayudan al sujeto a desarrollar su propia identidad. La filosofía ayuda al pensamiento crítico y a la optimización de otras capacidades como el gobierno de las emociones (estoicos), la sutileza (Dusn Scoto) y la visión profunda de la realidad (María Zambrano), la comprensión del otro (Buber), de las culturas ajenas (Levinas) y de las bases de lo real (Gadamer), la recuperación de la experiencia en tanto en cuanto se está dando o el mundo de la vida (Husserl), el fomento de la solidaridad y la lucha contra la crueldad (Rorty), la comprensión de la realidad no sólo intelectivamente sino desde percepciones corporales (Merleau Ponty), el enriquecimiento de las de virtudes noéticas y la lucha contra los vicios epistemológicos (Aristóteles, Descartes) y morales o éticos (Kant) o la generación y crítica de nuevos valores como la ética ambiental y animal (Peter Singer), entre otros. El desafío está en cómo implementar esto no sólo intelectivamente sino mediante una acción que produzca cambios profundos (experienciales) en el sujeto. Precisamente, los últimos años he trabajado sobre esa Filosofía Aplicada Experiencial en adultos y niños (puede verse algo en https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5756036.pdf).

 

¿Qué hace que una pregunta sea una pregunta filosófica - desde el punto de vista de la FpN?

¡Buena pregunta!

Considero que no sólo hay que crear preguntas filosóficas. A pesar de que el trabajo con preguntas es importante en las sesiones hay que contemplar, sobre todo, cómo se implementan filosóficamente el resto de las condiciones: por ejemplo, el tiempo y el espacio, el tipo de palabras que se usan, la relación que se crea en los talleres, los modos en que se percibe la realidad, el tipo de racionalidad sobre el que se basan el diálogo, el tipo de diálogo generado. Cada uno de estos aspectos ha de dotarse de esa notación filosófica, que como digo, no sólo atañe a las preguntas. De hecho, habría que preguntarse (también) qué hace una respuesta filosófica para validar el trabajo en las sesiones.

La respuesta a la condición filosófica de preguntas, tiempos, espacios, palabras, relaciones, racionalidades o modos de diálogos, por citar sólo algunos elementos, exigiría un capítulo o libro completo. Sin embargo, detengámonos en un ejemplo para clarificarlo: Gadamer ha distinguido entre palabras instrumentales y palabras dicientes. Las primeras sirven para transmitir contenidos y corresponden a la de un manual de matemáticas que explica un problema; las segundas son transformadoras de la realidad y surgen en la poesía, pero también en el derecho cuando una ley crea una nueva realidad social. El conocimiento de esta distinción es propio del filósofo que trabaja y debería integrar el trabajo con ambos en el caso de una sesión. La distinción entre una palabra balbuciente (Zambrano), ideologizada por la sociedad (Mannheim), desfundamentadora (Deleuze) o incentivadora de la tolerancia (Rorty) deberían ser elementos conocidos por el filósofo e integrados en dinámicas particulares que permitieran al niño a agudizar su percepción.

Regresando a la pregunta filosófica, las respuestas que he leído en ocasiones sobre esto no me satisfacen (son abiertas, incentivan el pensamiento crítico) puesto que son propias de dinámicas pedagógicas y psicológicas. Quizás, me satisfaga la idea de que una pregunta filosófica es aquella que con potencia para incentivar su propia destrucción y la de sus presupuestos…

 

¿Cuáles son los mayores desafíos que se enfrenta hoy en día la FpN?

Como indicaba arriba, creo que el principal desafío es incentivar su dimensión filosófica mediante el desarrollo de metodologías y evitar caer en un esquema analítico en que nació. Esta afirmación no se opone a esa estructura sino que la considera limitada, reducida y reductora (cuando señala cómo únicamente válida a esta racionalidad). Nótese que habría que diferenciar entre una Lógica para Niños y una Filosofía (Aplicada) con Niños. La segunda integra la primera; la primera es sólo una modalidad de la segunda.

 

¿Puedes dar algunos consejos a maestros y padres para ayudarles a lidiar con las preguntas de los niños?

Estar abierto al asombro, a sus lógicas, no imponerles respuestas (error de quien empieza), asumir que nosotros mismos dependemos de ideologías de las que no somos conscientes y dejar que ellos se conviertan, a veces, en adultos de los que hemos de aprender conocimientos tan olvidados en nuestra infancia como necesarios en nuestra madurez.

 

¿Alguna vez has sido sorprendido con una pregunta de un niño? ¿Puedes compartir con nosotros la pregunta?

No recuerdo muchas: soy de recuerdo limitado. En fin, ¡nadie es perfecto!

 

*

 

Gracias, Pepe! Encontramo-nos na próxima semana, na bonita cidade da Covilhã!

 

Curso Internacional de Filosofía, Literatura, Arte e Infancia (FLAI)

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6 7 y 8 de julio en Albarracín (Teruel, España).
La pregunta del año: ¿Qué quiere y qué puede la literatura infantil y juvenil? 
Ponentes: Clémentine Beauvais, Adolfo Córdova, Ellen Duthie y Javier Sáez Castán. 
Organiza: Fundación Santa María de Albarracín
Patrocina: Diputación Provincial de Teruel
Codirigen: Ellen Duthie, Daniela Martagón y Raquel Martínez Uña
Más información: www.flaialbarracin.com
Twitter: @albarracin_flai

 

era uma vez [um] castelo encantado

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 voltei ao jardim de infância, na ACIJR. é verdade, o trabalho da filosofia está de volta às salas dos 3/4 anos (era uma vez) e dos 4/5 anos (castelo encantado).

foi muito bom rever alguns "pimpolhos" com quem trabalhei no ano lectivo passado e conhecer caras novas. 

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o pensamento foi provocado com um livro muito especial: "em que estás a pensar?". as ilustrações são maravilhosas! saltámos para as cadeiras e colocámos mãos à obra: vamos desenhar os nossos pensamentos? vamos!

 

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 na próxima oficina vamos voltar a olhar para os nossos desenhos e pensar sobre e com eles. o que vai acontecer? curiosos?

 

digam lá: em que estão a pensar? 

Farzaneh Shahrtash: " Any question can become philosophical as long as our mind is not certain about the answer or even the meaning of the words in the question itself."

I met Farzaneh Shahrtash on YouTube, by watching this video. I left a comment on the video and got a response and the contact of Farzaneh. She is working on Iran and I was curious to know a little more about P4C in this country. 

 

*

 

Can you recall the first time you heard about philosophy for children (p4c)?

It was exactly 1995 we (my colleagues and I) saw this combination (Philosophy+ Children) in the internet. We started collecting the information by following the linking as far as it was possible, but we couldn’t find any instructional method. We printed every page (almost 2000 pages) and we went through each, one by one. This was our only chance in that time, because we couldn’t order any book from Iran in that time. 

 

How did you started working with p4c?

I asked everyone in the team to look for methodology in the internet. One day, one of my colleagues found an e-learning teacher training course in Australia which was conducted by a group of educators and teachers in Buranda state school. We wrote an email and asked to join the group. They accepted us and send us a story book and a video. This was our first contact. It was our greatest turning point, because we were able to see the methodology (Community of Inquiry) that we have imagined by reading the different internet materials (more than three years) in the video.

After that course we used Thinking stories 1 by Philip Cam (which was already translated and published in Iran) to run 6 classes in a private elementary school (grade 3, 4 and 5- each of two)

Then we announced the result of our practical work in the P4C panel in a world congress of philosophy in Iran in May 2002.

 

Do you think p4c is necessary to children? Why?

Yes. P4C is claimed (if it is done properly) to support a system of beliefs in every mankind which is justified by critical, creative and caring thinking in order to make good judgment in his/her personal life and the society which s/he lives in.

 

Nowadays children ( @ Portugal) have a lot of activities at school and after school. Why should we take philosophy to schools?

It depends on what kind of activities or approaches you have in your school or after that.

In 1969 when P4C was introduced to American society, no communal inquiry nor critical and creative thinking skills was part of their national curriculum. However, these skills are now integrated in national curriculum in both United stated and Canada and many other countries. Maybe that is why P4C was not very popular in United States schools in the past few decades.

Even now the methodology of “community of inquiry” (COI) which was once used and defined in a particular way in P4C is modified and practiced in other subject matters as well.

So I think the only reason that P4C should still go to schools is its ethical inquiry and inquiry about other philosophical concepts, which are rarely found in other subject matters.

In my country P4C should go to our school system because our educational approach is not community of inquiry and not even inquiry itself. Critical and creative thinking skills are not integrated in our national curriculum yet (it is only on paper) so our students can gain a lot by P4C in our schools.

 

 

What makes a question a philosophical question – from a p4c point of view?

 Any question can become philosophical as long as our mind is not certain about the answer or even the meaning of the words in the question itself.

 

What’s the biggest challenge p4c faces, nowadays?

The teacher training is the biggest challenge. Teacher trainers are very few. However, to become a successful P4C teacher is a very hardworking practice and is different from becoming a mathematic or science teacher. There should be a seed of “philosophy” in both your mind and in your heart in order to become a good P4C teacher.

 

Can you give the teachers and the parents some kind of advice to help them deal with the children’s questions?

If you can make the child’s question your own question, you can help the child to deal with his/her question, otherwise you are not part of a communal inquiry and you are not helping the child in a P4C way.

 

Did the children ever surprised you with a question? Can you share that question with us?

Last week when I was trying to teach them to make a question with why, a three years old boy asked, why the ladies have to wear scarf and men don’t (in Iran)?

 

How is P4C developing in your country?

P4C was mainly introduced by Iranian reports and publishers, when the educational system and the university faculties had not even heard about it. Eventually the graduate students translate the related papers of this field for writing their thesis in education departments.

It was approximately in 2012 that the “Thinking series” was inserted as separated contexts in the national curriculum for grades 6-9. The suggested methodology in these classes was very close to “community of inquiry”. However, there are still no formal and widely accepted training courses for these classes. Each teacher is using different materials and different instruction in his/ her class.

Now after 20 years, we have some written and translated books, papers, interested graduate students and faculties, and many parents who are looking for P4C classes in city centres and schools all over the country.

 

 

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Please follow Farzaneh's work on facebook

 

 

 

Ilse Daems: "(...) if they can think for themselves, they are able to deal with the ‘certainty of uncertainty."

I met Ilse at Sophia Network Meeting, last july @ Aveiro. Ilse had a hard time answering my questions, but I think we can all understand Ilse's words and thoughts about P4C. 

Who is Ilse? Ilse is 60 years old and lives in Antwerp | Belgium.  Left home when she was 12, did not study, has no diploma. Has worked in an advertising agency, the zoo, the trade union, politics. She is copywriter & gamedevil, a lifetime Legofanatic, extreme allergic to fish, seafood and schoolish methods and an expert in colouring way outside the lines.

 

*

 

Can you recall the first time you heard about philosophy for children (p4c)?

 It was five years ago. I had worked 20 years behind the scenes in politics [socialist party]. In 2012 my boss, the former mayor of Antwerp, lost the elections. So I lost my job. I was then 55 years old without any diploma and thought: ‘what the hell am I going to do the rest of my life?’ Those days I had to organize in the margins of a colloquium the child care. I did not want that this was a kind of ‘babysitting’. I did not want the kids to be ‘entertained’. I wanted them to work on the same themes as the adults, but from their angle and perspective. I asked a guy from Gent, Alex Klijn, who was recommended to me, to come and to philosophize with the children. I was thunderstruck and over the moon about what he did. He told me there was a training ‘philosophizing with children and youngsters’. I read the description of that course and thought: if I could have invented a training for myself, it would have been something like this…. So my decision was made and I lent the money to do this training because it was insuperable expensive. I asked to be admitted. That was not evident because I did not have the required bachelor diploma. They hesitated but finally agreed. I am still very grateful they gave me that chance. It was a solid and sound training with awesome, competent teachers. I followed this intensive course a year long, did my teaching practice, wrote my final papers and got the certificate. This was the most important junction in my life and has changed it completely.

 

How did you started working with p4c?

After the training I ran a few workshops and then two schools asked me if I would want to philosophize with their children. In the first school the headmistress, Judith, wants to integrate p4c in all classes and in the curriculum of her nursery and primary school. In the second one a lot of parents wanted their children ‘released’ from ‘religion’ and ‘social science’. They now get p4c and yoga instead. Those schools have no budget for p4c. So I don’t get paid. I do it as a volunteer. With pleasure. And satisfaction.

 

Do you think p4c is necessary to children? Why?

I think it’s very necessary. Because p4c teachs and trains them to think for themselves. And if they can think for themselves, they are able to deal with the ‘certainty of uncertainty’. To be able to cope with uncertainty, that’s the greatest gift ánd weapon we can offer them.

 

Nowadays children ( @ Portugal) have a lot of activities at school and after school. Why should we take philosophy to schools?

 For two good reasons:

1. At school they learn a lot of ‘knowledge’. Nothing wrong with that. Knowledge can be useful. But they don’t learn the skill of the thinking process itself. They learn thougths, but they do not learn to think. Isn’t that sheer madness? Schools are nuts. They have a screw loose and have lost their marbles. P4c can help them to find those marbles again.

2. P4c is not just another umpteenth ‘activity’. It’s a free space. And that’s why children do like it so much. Their heads and agenda’s are already full. They desperately need free space.

 

 

How is P4C developing in your country?

 Slow.

Much too slow.

A lot of practioners want to change first the whole education department before they are willing to make a single p4c move.

They just sit, wait and ‘lobby.’ They lobby year in year out. That’s not my cup of tea. Think we should do the opposite and make p4c big by ‘just doing it.’ Then the education department will have to follow.

And if they are not smart enough to see and to realize that, we will have to be and stay the rebels. Rebels wíth a cause….

 

 

What makes a question a philosophical question – from a p4c point of view?

A philosophical question from a p4c point of view is: short, crystal-clear and ‘triggers’.

The answer may not be obvious but has to be inquired.

And the question may not be too big, general or vague.

‘Can music become wet ?’ might be a better question for a philisophical inquiry with children than the ultimate and deadly heavy ‘what is the meaning of life?’

 

 

What’s the biggest challenge p4c faces, nowadays?

To beat and defeat the highly fashionable ‘p4c light’.

Some people want to do p4c because ‘kids are sooooo cute, soooooo spontaneous and sooooo creative’.

They think that it’s enough to put kids in a circle and to have a vague talk about love, friendschip, the meaning of life, bullying….that kind of stuff.

They do not know the difference between a group discussion and p4c. 

They are glad with every ‘opinion’ and haven not or seldom heard the word ‘argument’ yet.

And they feel giddy and faint when a child says something ‘cute’.

For them those cuteness is the ultimate ‘mission accomplished’ signal. Brrrrrrrrrrrrrr.

To take p4c serious is to take children serious and to let them think for themselves.

They are able to do it.

 

 

Can you give the teachers and the parents some kid of advice to help them deal with the children’s questions?

 

A very simple one: talk with children and just don’t give answers all the time.

A lot of parents and teachers only talk with their children if those kids have done something naugthy.

And if children ask questions they are convinced that they have to give the answers.

If a child shows you his latest drawing and asks ‘Do you like it? Do you think its beautiful?’ ask him what he thinks.

And start a conversation about what he has drawn.

‘What is it?’

‘A boat.’

Does it look like a boat?

Why?

Why not?....

 

Did the children ever surprised you with a question? Can you share that question with us?

 

They surprise me all the time. That is their core business  But the one that surprised me the most was Aki’s question. It happened at the annual school party. Out of the blue Aki dropped in on me and said:

‘I have played enough, Ilse, for now I desperately need to philosophize a while and my question is: what is the oposite of time?‘

So we talked about the fact that we talk about time ‘all the time’ although we don’t know very well what time is.We have difficulties to define it.According to Aki we cannot say that we have time.In his eyes we are time.‘Time is all there is’ he said. And then his eyes started to shine: ‘If time is everything, than I know the opposite: nothing! And after a while: ‘But is nothing not also something?’ That’s for the next time, he said. And ran away to play.

 

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Gloria Arbonés: "¡Que niñas y niños piensen mejor por ellas y ellos mismos!"

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E da Catalunha chega-nos a Gloria Arbonés, do GrupIREF, para partilhar o seu olhar sobre a filosofia para crianças. Gloria, por favor, apresenta-te! 

 

"Soy profesora de Filosofía y formadora de formadores en el Proyecto Filosofia 3/18 – Filosofía para Niños.

También soy profesora asociada de la Universidad de Barcelona en asignaturas de Didáctica de la Filosofía.

Desde 2015 soy la directora del GrupIREF.

 El GrupIREF (Grupo de Innovación e Investigación en la enseñanza de la Filosofía) es una asociación sin ánimo de lucro que tiene como objetivo la traducción y adaptación de los materiales originales del Proyecto Philosophy for Children (que en Catalunya es conocido como FILOSOFIA 3/18) así como también de su difusión, la formación de profesorado, con cursos reconocidos por el Departament d’Ensenyament de la Generalitat de Catalunya, además de la creación de nuevos materiales, siempre en la línea de los creadores de esta propuesta, Matthew Lipman y Ann Margaret Sharp.

GrupIREF es miembro del ICPIC, el International Council for Philosophical Inquiry with Children y de SOPHIA. Además colabora activamente con otros centros de Philosophy for Children del mundo. Y como tal vez no sea algo conocido por todos, el GrupIREF trabaja con el currículum en catalán, que es la lengua que se habla en Catalunya."

 

*

 

 

¿Te acuerdas cuando fue la primera vez que oíste hablar de Filosofía para Niños?

 Lo recuerdo perfectamente porque ese día cambió mi rumbo profesional para siempre.

Aunque resido en Catalunya desde 2003, soy argentina. Siendo profesora de Filosofía de un Instituto, en 1989 viajé a Barcelona a un Congreso de Pedagogía Operatoria. En ese marco, fui a escuchar la ponencia de Eulàlia Bosch: “Filosofia 6/18”. Escuchándola pensé: “esto es lo que quiero hacer, esto es lo que estaba buscando”. Días después me reuní con ella, quien en aquel momento era la directora del IREF. Me orientó, me dio direcciones de correo postal (¡piensen que estamos hablando de la era preinternet!!!) de Lipman y de personas o centros de FpN en América Latina. Me regaló el Manual de “El descubrimiento de Harry Stottlemeier” y allí empezó mi camino que continuó hasta hoy!

 

¿Cómo has empezado a trabajar en el área?

 Enseguida que regresé a Argentina, me puse a probar con mis alumnas y alumnos y lo primero que vi con claridad fue que las novelas había que adaptarlas. Y me puse a ello. Enseguida que pude, fui a hacer un curso con Catherine Young Silva a Sao Paulo, en el CBFC (Centro Brasilero de Filosofia para Crianças) que Catherine dirigía. Ella misma me puso en contacto con Ann Sharp. El IAPC me dio una beca para hacer la formación en Mendham, donde además de conocer a Matthew Lipman y Ann Sharp, también tuve la suerte de aprender con Teresa de la Garza, Michel Sasseville, Eugenio Echeverría, Ron Reed, entre otros.

La escuela donde trabajaba en aquel momento (Nere Echea de Lanús, Bs. As. Argentina) confió en mí y en el Proyecto que les estaba presentando y me permitió experimentar con maestras y alumnos/as, de modo que trabajé con niñas y niños de educación infantil y primaria durante un año entero y luego formé a las maestras para que ellas continuaran la aplicación en las aulas con mi ayuda. Enseguida comencé a aplicar FpN en otra escuela, el Colegio Jacarandá, también del Gran Buenos Aires, y desde entonces… no paré nunca! La vida me trajo a Catalunya en 2003. Me incorporé enseguida al GrupIREF, gracias a la generosidad de su entonces directora (y aún pilar fundamental) Irene de Puig. Cuando ella se jubiló, asumí yo la dirección.

 

 

¿Consideras que FpN es necesaria para los niños y las niñas? ¿Por qué?

 Claro que sí, porque todos estos años de experiencia me han demostrado las diferencias entre quienes han pasado un período de tiempo trabajando con FpN y aquellos que no. Y estas diferencias se manifiestan en lo formal (el modo de dialogar, el trato entre quienes participan de una comunidad de indagación, entre otras cosas) pero también en cuestiones de fondo, reconocimiento de buenas razones, profundidad en las ideas, deseos de indagar… Y ese, en definitiva, es el objetivo que perseguimos con FpN, ¿no? ¡Que niñas y niños piensen mejor por ellas y ellos mismos!

 Por otra parte, hay muestras más objetivas que mi propia percepción que demuestran que FpN es necesaria. En 2012 el Consejo Superior de Evaluación de Departament d’Ensenyament del gobierno de Catalunya realizó un proceso de evaluación externa del Projecto Filosofia 3/18 y de su aplicación en las aulas de Catalunya a lo largo de 30 años y los resultados fueron más que elocuentes. Pueden consultar el informe en esta página

 

 

¿Hoy en día los niños en Portugal, en Catalunya tienen muchísimas actividades en la escuela y fuera de ella. ¿Por qué debemos tener la filosofía en las escuelas?

 La FpN debería tener un espacio dentro del horario escolar, como las matemáticas o las ciencias sociales. Es la única manera de conseguir que las habilidades de pensamiento se vayan haciendo hábitos y que aquello que se desarrolla en las sesiones de Filosofía, sea extrapolable al resto de asignaturas o momentos escolares. Esta sería una de las razones, pero en el informe de evaluación que comentaba antes, hay muchas razones más.

 

¿Qué es lo que hace que una pregunta sea una pregunta filosófica - desde el punto de vista de FpN?

 A priori podemos pensar que una pregunta como “¿Qué es la justicia?” es filosófica, pero que, en cambio, “¿Cómo se llama la mamá de Pimi/ Pixie?” no lo es. Sin embargo, la primera puede no generar el más mínimo interés en la comunidad de indagación y la segunda, con un buen plan de diálogo por parte de quien guía, puede derivar en un profundo intercambio filosófico sobre los nombres o la identidad.

Lo que quiero decir con esto es que lo más importante es el deseo de pensar alrededor de algo y, sobre todo, que las preguntas que funcionen como punto de partida de un diálogo partan del interés de niñas y niños. Los planes de diálogo o los ejercicios desarrollados por Lipman y Sharp que tenemos en los Manuales que acompañan las novelas son una caja de herramientas que las docentes pueden utilizar para guiar los diálogos, pero nunca deberían ser utilizados a partir del interés propio, o de pensar que x tema será de interés del grupo… ¿por qué mejor no preguntar a niñas y niños qué les interesa?

 

 

¿Cuáles son los mayores desafíos a los que se enfrenta hoy en día FpN?

 Pienso que los desafíos de hoy en día son los mismos desde hace años: primero, saber dónde estamos parados, saber de qué hablamos cuando hablamos de FpN. Es verdad que con los años han surgido miradas nuevas o reinvenciones de FpN, pero yo sigo creyendo que el proyecto parido por Lipman y Sharp sigue teniendo una potencia y una fundamentación teórica que no ha sido superada por ninguna de las nuevas propuestas, (aunque el Proyecto Noria es un “hijo” muy poderoso!!) y, por lo tanto, para mí, sigue siendo el faro de referencia.

 El segundo gran desafío es la formación de maestras y maestros. Ellxs son la clave del funcionamiento de FpN en las aulas. Diseñar un buen modelo de formación es un enorme reto. A pesar de los años que estamos trabajando con FpN en Catalunya, seguimos intentando mejorar el diseño de formación inicial y de profundización y seguimiento. Es verdad que uno de los grandes problemas es la falta de recursos económicos que permita que el profesorado se forme y se capacite de manera gratuita o subvencionada…

 

¿Puede dar algunos consejos a docente, madres y padres para ayudarles a lidiar con las preguntas de los niños y niñas?

 Cuando me hacen esta pregunta, siempre respondo lo mismo: las personas adultas debemos escuchar más y hablar menos… Si generamos espacios y momentos para conversar con nuestros alumnos o nuestras hijas, sobrinos o nietas abriremos la puerta al diálogo y al pensamiento compartido. Y si en lugar de responder a las preguntas que nos hacen, les devolvemos con otra pregunta, seguramente estaremos invitando a pensar… ¡No olvidemos que las preguntas abren y las respuestas cierran!

 

¿Alguna vez has sido sorprendido con una pregunta de un niño o niña? ¿Puedes compartir con nosotros la pregunta?

 Hace pocos días estuvimos filmando sesiones de FpN para un prestigioso programa de la televisión catalana y allí tuvimos oportunidad de presenciar construcciones de pizarras de preguntas de niñas y niños de muchas edades absolutamente fascinantes. Pero si tengo que elegir me quedaría con un par de una pizarra pensada por un grupo de 6º año de primaria a partir del trabajo con las obras de teatro finales de Pimi (traducción al catalán de Pixie):

  • ¿De dónde vienen las ideas? (Raúl)
  • Si alguien desaparece, ¿también desaparecen sus ideas? (Roser)

 Preguntas que les generó la necesidad de definir idea y de buscar ejemplos, entre muchas otras habilidades de pensamiento, además de verlos disfrutar en el diálogo. Un verdadero regalo.

Pueden ver los programas La Filo 1 y La Filo 2 (en catalán, aunque en breve los tendremos subtitulados al español)

 

 

 

 

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