desta vez o desafio é criar a vossa agenda de discussão usando mind maps. há muitos anos que uso esta técnica, de Tony Buzan, para estudar, para preparar uma apresentação, para preparar entrevistas e também para preparar as oficinas de filosofia. e nestas caso tenha possibilidade de usar o quadro para registo das ideias é comum haver mind maps no quadro. e o curioso é que as crianças começam a "imitar" esta forma de registo.
mind maps para tudo
perante o pequeno e amarelo livro "grande coisa" optei por registar as perguntas em forma de mind map - é mais fácil quando se tem folhas A3, na horizontal, lisas, e lápis ou canetas coloridos. mas podem fazê-lo em qualquer suporte de papel. há também programas para usar em computador: o senhor google certamente irá ajudar.
screaming words
depois de fazer um mapa com um número considerável de perguntas comecei a olhar para as perguntas e a procurar relação entre elas. procurei as screaming words, as palavras mais "gritantes", que se repetem, que têm mais força (esta expressão, screamign words, ouvi-a há uns anos no exercício do Nuno Paulos Tavares). assinalei algumas no canto superior esquerdo após ter rodeado ou sublinhado as tais palavras com lápis de cor.
e agora?
agora, a partir daqui, temos uma boa fonte de trabalho sobre este livro. podemos partir para a problematização a partir das screaming words, fazendo uma nova ronda de perguntas: desta vez já não sobre o livro, mas sobre as screaming words em si. desta forma, começamos a "levantar voo" a partir do livro para chegar a terreno desconhecido.
o mapa não é o território
recordo que estes últimos artigos que tenho publicado por aqui têm como objectivo principal fornecer ferramentas de trabalho para que o facilitador se sinta preparado para as oficinas de filosofia. estas agendas de discussão são mapas, não são o território: não as imponha ao seu grupo se o caminho que é escolhido pelos membros for outro. pense neste trabalho preparatório como um ginásio para o seu próprio pensamento.
se pretende explorar possibilidades de trabalho nesta área e/ou se procura formação one-to-one na área da filosofia para crianças e jovens poderá contactar-me via e-mail: info@joanarita.eu
as oficinas de filosofia são espaços de investigação partilhada, onde se promove a liberdade e a responsabilidade, onde há regras assumidas e espaço para criarmos outras.
cabe ao facilitador moderar esse trabalho de investigação, proporcionando que se pratique e que se tenha consciência do "forward movement". por esse motivo é tão importante que o facilitador se prepare bem para estar disponível para avançar ao ritmo do grupo, dando ferramentas aos seus membros para tomar consciência desse ritmo, para compreender onde chegámos, de onde partimos e se temos um horizonte de chegada.
prática de agendas de discussão
um dos trabalhos que faço para me preparar, enquanto facilitadora, é treinar o acto de perguntar. parto de livros (confesso que sou fã de livros infantis) ou de excertos de livros e proponho-me a fazer agendas de discussão em torno desses recursos. nesse exercício surgem muitas vezes ideias para criar um jogo ou um exercício que possa aplicar com as crianças e jovens, em contexto de oficina.
como preparar esta agenda de discussão?
- ler o livro.
- começar a fazer perguntas a partir do que lemos ou do que vemos (ilustrações).
- desafio: começar com 10 perguntas (mínimo). avançar para a 11ª - quanto mais nos obrigamos a perguntar, depois de começar a ser mais díficil, mais possibilidades temos de aprofundar temáticas e perspectivas.
- as perguntas devem ser registadas nalgum tipo de suporte: eu gosto de usar papel e lápis ou caneta e de usar os mind maps.
- depois de ter as perguntas registadas, pode começar a perceber se há várias temáticas em jogo e procurar agrupar as perguntas (será que há perguntas que cabem em 2 ou mais temáticas?). também poderá ser uma altura interessante para começar a criar jogos em torno dessas perguntas: peça ajuda à sua criatividade!
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este é um exercício que faço para me preparar para as oficinas e que me ajuda a ver possibilidades de trabalho e de interrogações que possam surgir a partir de um dado livro. por exemplo, pode ser útil para introduzir pontos de vista diferentes numa oficina. quanto mais o perguntar se encontra afinado por parte do facilitador, maior é a possibilidade de eu ser capaz de provocar o perguntar durante uma oficina - ou, diria, de manter níveis elevados de inquietação junto do grupo de trabalho.
nos próximos dias partilho aqui a agenda de discussão em torno do livro "quando a tristeza chama", de eva land, publicado na editora Livros Horizonte. subscrevendo este blog receberá um e-mail com esse e outros artigos que vou publicando.
se pretende explorar possibilidades de trabalho nesta área, se procura formação one-to-one na área da filosofia para crianças e jovens poderá contactar-me via e-mail: info@joanarita.eu
a Mara é uma das técnicas a quem dei formação e cujo trabalho estou a coordenar, desde Setembro até agora.
como as outras colegas, avançou na filosofia para crianças com muitos medos e inseguranças. "eu não sou de filosofia", dizia-me várias vezes.
avança, Mara. avança, dizia-lhe eu. e ainda digo.
neste último período a Mara juntou-se ao Pedro, do atelier criativo da escola para pensar em conjunto com os meninos o que era a arte. para pensar, experimentar, investigar em conjunto.
Depois do formato Linda de Suza & sua mala de cartão que tem levado o projecto filocriatiVIDAde pelo mundo fora (do Faial a Maputo, passando pelo Funchal e por Braga, entre outros) para formar professores e educadores na área da filosofia aplicada e criatividade, abrimos a possibilidade de formação/consultoria individual.
O formando tem, assim, a possibilidade de usufruir de uma formação personalizada, cujos objectivos, conteúdos e duração são acordados com a formadora, Joana Sousa.
Trata-se de um processo de aprendizagem dinâmico, em que o formando assume um papel activo, que inclui momentos de prática e, até, a possibilidade de assistir a ateliers/oficinas de filosofia aplicada ou criatividade, ministradas pela formadora.