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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

"O que achas de usar quadrinhos e super heróis para filosofar?"

- uma pergunta e uma resposta acerca da filosofia para crianças e jovens

"O que achas de usar quadrinhos e super heróis para filosofar?"

(pergunta que o Leandro me fez no instagram) 

 

honestamente, podemos filosofar (praticar o diálogo filosófico) a partir de muitos e variados recursos. 

há livros escritos especificamente para o trabalho da filosofia para crianças (Lipman e Sharp foram os pioneiros). Karin Murris foi uma das primeiras pessoas a usar livros ilustrados (picture books) no ambiente da filosofia para crianças.actualmente, o facilitador (ou dificultador como prefiro chamar-lhe) pode fazer uso de recursos (a que chamo de provocações), tão variados como: 

- livros infantis;

- artigos do jornal;

- filmes ou excertos de filmes;

- uma pergunta;

- fotografias;

- uma afirmação;

- um objecto.

mais importante do que o motivo que nos leva a dialogar, é a forma como se orienta esse diálogo e é aí que a preparação do dificultador é essencial e faz toda a diferença. 

no início da prática é natural que o dificultador queira levar para a oficina de filosofia o material já validado pela comunidade. a pouco e pouco poderá ousar e usar a sua imaginação e, quem sabe, desenvolver os seus próprios materiais. 

 

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Mitos à volta da Filosofia

- desconstruindo erros comuns em torno da Filosofia

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Três dos mitos mais comuns sobre a filosofia traduzem-se em "a filosofia é antiga, impenetrável e irrelevante."

Este guia actua como uma refutação a esses mitos comuns sobre filosofia e funciona como um guia para educadores que gostariam de incorporar a filosofia na sala de aula, mas que podem enfrentar o cepticismo dos alunos ou mesmo dos responsáveis da escola.
 

 

1. "Os filósofos são sempre homens velhos e, por isso é difícil identificar-me com essas pessoas."

De acordo com Sara Goering, as crianças com menos de 10 anos podem ser algumas das pessoas mais filosoficamente comprometidas, o que é evidenciado pelo seu perguntar contínuo. Goering também argumenta que a filosofia não tem idade mínima. Lone e Burroughs afirmam que todas as crianças têm inclinações filosóficas. Se as crianças são involuntariamente capazes de fazer perguntas sobre o seu estado de ser, segue-se que os alunos de todas as idades são capazes de discutir as mesmas questões. Isso significa que se você já foi uma criança, provavelmente fez algum tipo de filosofia na sua vida. É importante lembrar que a filosofia pode ser feita por qualquer pessoa que o queira; não há idade específica  na qual uma pessoa viu e sentiu tanto que, de repente, é capaz de fazer perguntas filosóficas.

 

 

2. “A filosofia é pedante e impenetrável.”

De acordo com Lone e Burroughs, a filosofia trata de fazer perguntas e analisar as respostas, além de uma única perspectiva. Isso é mais eficaz com pessoas novas na filosofia, através do diálogo. Contudo, a maioria das escolas não participa do tipo de diálogo necessário. A filosofia, quando apresentada através de palestras, pode parecer esotérica. Sean A. Riley e Goering observam que mesmo em salas de aula onde é dada a oportunidade aos alunos para participar activamente da filosofia por meio do discurso, a filosofia pode ser ainda difícil de aprender. Os alunos podem desconsiderar o valor de investigar certas conversas, porque acreditam que “tudo é relativo de qualquer maneira”. Para responder a esses casos, os professores precisam ser persistentes de forma a que o diálogo continue. Uma forma de dar continuidade a esse diálogo passa por isolar uma afirmação particular e pedir ao aluno para esclarecer um determinado ponto.

 

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3. “A filosofia é irrelevante para a minha vida.”

Desenvolver um investimento pessoal em filosofia pode ser um dos maiores desafios para os alunos, especialmente para quem não quer estudar filosofia no nível universitário. No entanto, a filosofia tem benefícios para cada um dos alunos. De acordo com um relatório partilhado por Goering e Robert Figueroa sobre um instituto de verão, de filosofia, num colégio do Colorado,  os alunos que participaram nessa actividade de verão receberam melhores notas nos testes. Os alunos em situação de risco que participaram do programa também apresentaram notas finais mais elevadas. Riley também observou que, depois de implementar a filosofia nas suas aulas de história, os alunos revelaram mais habilidade para encontrar maneiras de incorporar a filosofia  na sua vida quotidiana e também em campos de estudo de nível universitário, independentemente da área em que estão a estudar. 


Artigo do Philosophy Outreach Project, disponível para leitura (em inglês) AQUI

As fotografias que ilustram o artigo pertencem ao projecto #filocri. 

Bibliografia do artigo:

Lone, Jana Mohr, and Michael D. Burroughs. Philosophy in Education: Questioning and Dialogue in Schools. Lanham, Maryland: Rowman & Littlefield Publishers, 2016.

Goering, Sara. “Finding and Fostering the Philosophical Impulse in Young People: A Tribute to the Work of Gareth B. Matthews.” Metaphilosophy 39, no. 1 (2008): 39–50. Riley, Sean A. “Building a High School Philosophy Program.” Teaching Philosophy 36, no. 3 (2013): 239- 252.

Figueroa, Robert and Sara Goering. “The Summer Philosophy Institute of Colorado: Building Bridges.” Teaching Philosophy 20, no. 2 (1997): 155-168.

P4C in the Time of Corona

- filosofia para crianças e jovens em contexto #covid19pt

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um conjunto de facilitadores e investigadores na área da filosofia para crianças e jovens criou este documento que poderá ser muito útil em tempos "cóvidianos". 

o propósito do documento é bastante claro na primeira página; nunca é demais lembrar que é importante sabermos quais são as regras WHO/DGS nos espaços onde vamos trabalhar. 

a partir deste documento, podemos adaptar algumas das ideias à realidade que encontrarmos no regresso às aulas e/ou aos contextos onde habitualmente levamos a cabo as oficinas de filosofia. 

 

 

 

 

Believers and Doubters - Steve Williams

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The believing and doubting game was invented by Peter Elbow (‘Writing Without Teachers’, Oxford University Press, 1974). I’ve used it many times in an adapted way for P4C and in other educational contexts.



IN GROUP DIALOGUE


1. A view is advanced by pupils or the teacher. First, all members of a group work together to support the view. They try to come up with the best justifications they can. The are ‘believers’. Then they all switch perspective and turn into ‘doubters’. They try to list the best reasons to doubt the view in question.

2. After the whole group has worked together, individuals can then consider the points raised and seek clarification and understanding by asking questions. Then put forward their own judgements and give
reasons. Those reasons often involve an explanation of which justifications, doubts and criticisms were most important to them.


ADVANTAGES


1. Finding a worthy rival. Many facilitators of group dialogue will say: “Imagine what someone who disagreed with you might say”. This is a good move but rarely one that is taken seriously enough. It’s a worthwhile challenge to make the best argument you can against your own. The believers and doubters game is a structured activity to make sure rival ideas are explored.

2. Delaying the influence on the outcome of the most dominant, respected or articulate members on the group. Those members begin by putting their influence and abilities to use trying to support arguments other than their own.

3. Taking the pressure off one member of the group who is might otherwise be arguing alone for a point of view.

The believing and doubting game is a simple and effective activity that can be used for small-group breakouts or in whole-group discussions.



IN READING

When reading texts, students can be encouraged to read first as 'believers' (wanting to understand fully what a writer has to say) and then as 'doubters' (with their own flow of critical questions in response to the text).



IN WRITING

Writers can be encouraged to read their own writing as they would read texts written by others – first, by making their own arguments and perspectives as strong as possible and second, by doubting and
questioning what they write in order to uncover weaknesses and imagine responses from other readers with different perspectives.

 

Steve Williams

Dark e o eterno retorno de Nietzsche

- artigo de Leandro Raphael

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Série de grande sucesso da Netflix, Dark nos surpreende com suas diversas reflexões acerca do modo como nos relacionamos com o tempo, com as nossas escolhas e percepções diante da vida. Ao longo da estória, as personagens se envolvem em diversas situações dilemáticas e conflitantes, nos levando a pensar sobre como nós agiríamos se pudéssemos modificar o passado, o presente e o futuro.

Do ponto de vista filosófico, por exemplo, muitas questões podem ser observadas ao longo das três temporadas e filósofos como Zenão, Heráclito, Platão, Kant, Nietzsche e tantos outros, facilmente identificados. Desta forma, a série Dark apresenta-se como fonte fecunda de pensamento e indagação a respeito das leis da física e da natureza humana, partilhando teorias e ideias advindas de grandes pensadores como é o caso de Nietzsche e o seu conceito de eterno retorno. Mas, o que significa “eterno retorno”?

 

 

...”Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem – e assim também essa aranha e esse luar entre as árvores, e também esse instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente – e você com ela, partícula de poeira! Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal em que respondereis: “Tu é um deus, e nunca ouvi nada mais divino!”

- Nietzsche, Gaia Ciencia, §341

 

 

Como se pode observar, Nietzsche nos convida a reavaliar a forma como nos posicionamos diante da vida e encaramos nossa existência, ou seja, aceitamos a vida como ela se apresenta, com suas dores e alegrias, ou vivemos em negação, fugindo de tudo? Desta forma, o conceito de eterno retorno nos serviria para repensarmos o modo como percebemos a vida, já que tal possibilidade, de repetição eterna dos acontecimentos, nos provocaria para tal reflexão.

Mais do que uma metáfora para avaliarmos a nossa postura diante da vida, o conceito nietzschiano também pode ser interpretado como possibilidade cosmológica para descrever o funcionamento cíclico do universo. Tal perspectiva, se fundamenta na ideia de que o devir temporal seria infinito enquanto a matéria do universo seria finita, ou seja, em algum momento, seja o tempo que isso levar, tudo inevitavelmente teria que se repetir no universo, inclusive as nossas próprias existências. Neste sentido, o conceito de eterno retorno também compreenderia aspectos físicos da natureza, algo que pode ser verificado no movimento cíclico dos astros, das estações do ano e assim traduzidos por vida e morte, dia e noite e tudo mais que se repete na natureza.

Na série, tanto seu aspecto metafórico, para se repensar posturas diante da vida, quanto sua dimensão cosmológica são explorados, nos colocando num verdadeiro labirinto que desafia o raciocínio lógico e mental. Desta forma, Dark caracteriza-se como excelente recurso para a compreensão de diferentes questões filosóficas, tais como: Somos realmente livres? Quais são os limites e as possibilidades de nossas ações? O que é possível para o homem conhecer? Quais são os impactos de nossas escolhas? Aceitamos a vida como ela é ou gastamos nosso tempo e energia tentando mudar tudo a nossa volta?

 

*

 

conheci o Leandro no instagram e após o seu LIVE sobre Dark e Nietzsche desafiei-o a escrever um artigo sobre o assunto para publicar aqui no blog. 

obrigada, Leandro! 

(mais) 10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens)

o livro é um objecto que estimo e que não dispenso. gosto particularmente do gesto de abrir o livro e ir descobrindo as suas páginas.

e o cheiro dos livros?

há mais alguém fascinado com o cheiro dos livros, por aí?

depois do artigo 10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens) surge a sequela, onde apresento um outro conjunto de 10 livros. garantidamente, continuarei a escrever sobre o tema e a fazer recomendações sobre os livros provocadores. 

 

*

 

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  • A Máquina dos Ses - Peter Worley, Edições 70

o Peter Worley pertence à The Philosophy Foundation e tem bastante trabalho publicado na área da filosofia (para crianças e jovens). este é um dos seus livros que me acompanha na construção de jogos e de propostas para filosofar. já tinha a versão original e fiquei bastante contente com a decisão das Edições 70 em publicar a tradução portuguesa. 

 

  • A Contradição Humana - Afonso Cruz, editorial Caminho

para mim, enquanto leitora, os livros do Afonso Cruz são sinónimo de provocação. enquanto facilitadora de oficinas de filosofia (para crianças e jovens), o sentimento é o mesmo. A Contradição Humana é um livro com várias histórias, que podem ser trabalhadas individualmente, pelo grande grupo. também podemos dividir o grande grupo em grupos mais pequenos e cada um trabalha uma história, para partilha posterior.

as possibilidades de trabalho são várias e o processo pode ser uma verdadeira descoberta de contradições que nos fazem humanos (demasiado humanos?).

 

  • 29 histórias disparatadas - Ursula Wolfel e Neus Bruguera, Kalandraka

foi o título que me chamou a atenção para este livro. histórias disparatadas parece-me provocador, em si mesmo. ao abrir o livro confirmei a minha intuição: que delícia de livro! não quero ser spoiler, por isso não vou contar os disparates das histórias. digo apenas que dão que pensar. 

 

  • A Grande Questão -  Wolf Erlbruch, Bruaá Editora

o que mais gosto neste livro? não tem perguntas e chama-se "a grande questão". é bom para fazer um exercício de "rewind": que pergunta pode ter dado origem a esta resposta? qual é, afinal, a grande questão?

 

  • Uma Mesa é uma Mesa. Será? - Isabel Martins e Madalena Matoso, Planeta Tangerina

este livro apresenta-nos uma diversidade de perspectivas sobre um objecto tão comum como uma mesa. afinal, o que é uma mesa? o que pode ser? 

 

  • O livro negro das cores - Menena Cottin e Rosana Faría, Bruaá Editora

o título fala por si. a descoberta deste livro, por parte das crianças, é uma experiência que vale a pena. 

 

  • O Livro da Avó - Luís Silva, Edições Afrontamento

não são muitos os livros infantis que eu conheço que falam da morte e o livro da avó consegue fazer isso de uma forma belíssima.

 

  • A história que acaba bem, a história que acaba assim-assim, a história que acaba mal - Marco Taylor

o Marco Taylor provoca-nos a escolher o final de uma mesma história. dá mesmo muito que pensar este "acaba bem", este "acaba mal" e o assim-assim. estou com muita vontade de trabalhar este livro (ou este 3 em 1) em oficina de filosofia. já estou a preparar oficinas nesse sentido.

 

  • O dia em que os lápis desistiram - Drew Daywalt e Oliver Jeffers, Orfeu Negro 

há já alguns anos que este livro me acompanha. recordo-me de uma oficina de filosofia em que fizemos a leitura do livro, eu e uma turma de 2.º e 3.º anos do 1.º ciclo e a conversa durou várias semanas. o que aconteceria se os nossos lápis de cor desistissem? que razões apresentam eles para desistir: são razões válidas? 

 

  • O que vês, o que vejo - Inês Marques e Madalena Moniz

este livro não será propriamente um livro, no sentido clássico do termo. encontrei-o por acaso, pois a edição foi limitada. trata-se de um livro que permite uma abordagem diferente da própria leitura e que ajuda a responder e a experienciar a pergunta: quantas formas há para ler um livro?

 

*

 [para as famílias] sugestão de trabalho a partir de um livro:

- leitura partilhada do livro: cada pessoa lê uma página do livro, por exemplo;

- no momento seguinte, cada uma das pessoas da família constrói um mapa mental da história. os mind maps - tal como Tony Buzan os concebe - devem ter desenhos e símbolos, pelo que se recomenda a prática do "dar asas à imaginação".

nota: vão precisar de folhas lisas (A3 ou A4) e de lápis de cor ou canetas de feltro.

depois de terem os mapas mentais individuais, podem partilhar com todos, para ver quantas perspectivas sobre a história existem. 

 

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*

 

 tem sugestões de livros infantis que sejam filosoficamente provocadores? partilhe nos comentários.

 aproveite para ler o artigo Como trabalhar perguntas filosóficas com o seu filho?

 

 subscreva a newsletter do projecto #filocri

 

recursos para a prática da filosofia para crianças

em Portugal ainda há muito material de Lipman por traduzir; arrisco mesmo a dizer: está quase tudo por fazer. 

ainda que eu não seja uma lipmaniana de raiz e tenha começado o meu trabalho com outros recursos (como as imagens, os seis chapéus do pensamento, os livros infantis), reconheço que é importante conhecer o material de Lipman e de Sharp. 

o currículo de filosofia para crianças de Lipman é composto pelas histórias (ou novelas) e o manual do professor. neste é possível encontrar muitas ideias para trabalhar em oficina, ou seja, mapas de trabalho.

convém lembrar que o mapa não é o território e que essas propostas de trabalho presentes nos manuais de Lipman e de Sharp são isso mesmo: propostas. durante uma oficina de filosofia a imprevisibilidade dita o curso do diálogo e a qualidade filosófica deste vai depender, numa primeira fase,  em muito do trabalho do facilitador. com o tempo, a comunidade irá incorporar autonomia e responsabildiade nesse campo.

 

hoje em dia é possível encontrar ideias e recursos em vários sítios da internet. reuni alguns dos meus websites preferidos para partilhar consigo. 

 

SAPERE 

- recursos online e sugestões de actividades validadas pela equipa SAPERE.

 

The Philosophy Man

- Jason Buckley e Tom Bigglestone apresentam várias actividades para crianças, em diferentes faixas etárias. 

 

Dialogue Works 

- a equipa Dialogue Works é constituída por Roger Sutcliffe, Bob House e Nick Chandley. vale a pena conhecer (e praticar) as hometalks

 

Tomás Magalhães Carneiro 

- no seu blog, o Tomás apresenta várias possibilidades de trabalho em ambiente de diálogo filosófico

 

The Philosophy Foundation 

- Peter e Emma Worley partilham alguns recursos bastante úteis para quem pretende praticar a filosofia para crianças e jovens. 

 

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SAFE P4C (#covid19pt)

- um conjunto de facilitadores de P4C juntou-se para criar este documento com ideias para implementar o nosso trabalho em tempos de #covid19pt. pode fazer o download gratuito AQUI.

 

JANA MOHR LONE - UNIVERSITY OF WASHINGTON 

- o website do Centro de Filosofia para Crianças é muito rico em materiais e ideias para a prática da filosofia para crianças. a pensar nos pais, foi disponibilizado este documento para ajudar a responder à pergunta: How can parents and grandparents inspire philosophical conversations with your children and grandchildren?

 

WONDER PONDER 

- este é um dos websites mais acarinhados aqui no blog: a filosofia visual para crianças e jovens surpreende-nos a cada momento. vale MUITO a pena visitar este trabalho

 

JANE YATES - PHILOSOPHER'S BACKPACK 

- o website da Jane tem um conjunto de recursos que a Jane vai actualizando ao longo do tempo. sugiro que coloque este link nos favoritos. 

*

 

aqui mesmo, neste blog, é possível encontrar sugestões de trabalho a partir dos relatos das oficinas que desenvolvo:

- jardim de infância

- oficina do platão (para crianças e jovens)

também aqui é possível ler um conjunto de entrevistas com investigadores e facilitadores de todo o mundo sobre esta temática. 

 

este artigo foi útil? tem sugestões? partilhe nos comentários!

 

10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens)

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os livros infantis e a filosofia

os livros infantis são um recurso que levo comigo para as oficinas de filosofia, para crianças e jovens. 

é comum usar os livros infantis no trabalho de bastidores, ou seja, são o suporte para me ajudar a criar jogos ou provocações filosóficas para os grupos com os quais vou trabalhar - e nem chego a partilhar o livro com a criançada. noutras ocasiões, é a leitura partilhada do livro que serve de ponto de partida para o diálogo.

os livros filosoficamente provocadores foram abordados numa das acções da escola de verão #filocri.

mais recentemente os alunos da Pós-Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens da UCP pediram-me algumas recomendações de livros. resolvi escrever este artigo, pois imagino que possa ser útil a várias pessoas. 

 

nota: esta lista será sempre um pouco injusta e o mais certo é voltar a escrever sobre o assunto, sugerindo mais livros, num outro artigo.

 

10 livros que são trampolins para diálogos sumarentos

 

  • Em que pensas tu? - Laurent Moreau - editora O Bichinho de Conto

não fosse a #covid19pt e o trabalho iniciado a partir deste livro teria conhecido continuidade. dei conta de alguns momentos aqui mesmo neste blog.  

 

  • O que fazer com um problema? - Kobi Yamada e Mae Besom - editora Zero a Oito

um dos livros que me acompanha na reflexão e preparação das oficinas, mas que ainda não levei para a sala, para partilhar com a criançada. 

 

  • Com o tempo - Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso - editora Planeta Tangerina

partilhei aqui no blog um exercício com mapas mentais e que tem este livro como base. podem (re)visitar o artigo aqui mesmo.

 

  • Balbúrdia - Teresa Cortez - editora Pato Lógico

este era o livro que estava a acompanhar o trabalho do ano lectivo 2019/2020 na sala dos 3/4 anos onde estava a trabalhar. a #covid19pt deixou-nos o trabalho da Balbúrdia a meio. 

 

  • Grande coisa - William Bee - editora Planeta Tangerina

este é um dos livros que tem servido de apoio para a criação de jogos, de propostas para pensar com a pequenada. ainda não o levei para a sala - é egoísta da minha parte, não é? 

 

  • Museu do Pensamento - Joana Bértholo, Pedro Semeano e Susana Diniz - editora Caminho

além de provocar o pensar, este livro provoca o pensar sobre o pensamento. estes momentos são fundamentais numa oficina de filosofia, pois é um elemento que distingue a conversa do diálogo

 

  • Agora! - Tracey Corderoy e Tim Warnes - editora Minutos de Leitura (dos mesmos autores, Porquê? e Não!)

esta colecção é muito provocadora para os mais novos: os livros são grandes e têm ilustrações muito apelativas. depois há a empatia que se cria com o Rodrigo e as suas atribulações diárias, em família. o "Porquê" tem sido uma companhia constante no meu trabalho com grupos do jardim de infância. 

 

  • O Monstro das Cores - Annalennas - editora Nuvem de Letras

confesso que gosto particularmente da versão pop up deste livro, que capta a atenção dos mais pequenos.

 

  • Se eu fosse... - Richard Zimler - Porto Editora

este livro é inspirador para proporcionar uma momento para nos conhecermos e nos apresentarmos, em grupo. já faz parte da prateleira cá de casa há algum tempo e também tem lugar cativo na mochila que me acompanha nos trabalhos da filosofia.

 

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  • [alguns destes recursos não são livros (ou serão?), mas fica a recomendação] WonderPonder - Ellen Duthie e Daniela Martagón

as caixas WonderPonder já me acompanham há algum tempo, nos mais diversos contextos: em sala do 1.º ciclo, no festival de filosofia de Abrantes e também nos diálogos filosóficos com os mais crescidos. as imagens são provocadoras e é difícil ficar indiferente. é difícil não fazer perguntas perante estas propostas de filosofia visual. 

 

NOTA: na editora Dinalivro é possível encontrar uma colecção de Oscar Brenifier e Aurelien Débat dedicada à filosofia para crianças. o mesmo acontece na Edicare. 

 

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"então... basta ter o livro certo para que o diálogo filosófico aconteça?"

não, não basta ter o livro "certo", nem o exercício filosófico validado pelos investigadores da área. até que o grupo com o qual trabalhamos se torne autónomo e maduro, o trabalho do facilitador é FUNDAMENTAL para que a prática da filosofia aconteça. 

 

a meu ver, estas deverão ser as motivações de quem embarca na tarefa de facilitar ou orientar um diálogo filosófico:

1) a necessidade de aprofundamento filosófico;

2) a necessidade de manter o foco do diálogo e da investigação em curso;

3) o conhecimento e a aplicação de ferramentas de questionamento, de forma a que sejam apropriadas pelos participantes; e

4) a promoção de momentos em que os participantes pensem sobre o pensamento em si (o seu e o dos outros). 

(Cf. Sousa, J., Queres saber? Pergunta. - dissertação de mestrado)

 

 às sextas há recomendações de livros no instagram e no facebook do projecto filocriatividade.

 o PNL 2027 partilha recomendações de livros para todas as idades no seu website.

 a Rita Domingos do Kit Literário poderá ajudar as famílias a encontrar livros provocadores. 

 

tem sugestões de livros para adicionar a estas recomendações? partilhe nos comentários!

Como trabalhar perguntas filosóficas com o seu filho?

- um artigo de Lukasz Krzywon (Little Rainbow Ireland), traduzido por Joana Rita Sousa

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O que é a felicidade? O universo tem um fim? O que é a vida?

Alguma vez investigou as grandes questões da vida com o seu filho ou a sua filha? A filosofia, que significa "o amor pela sabedoria", faz estas perguntas há mais de 2500 anos. Desde os primeiros filósofos gregos até agora, a curiosidade dos seres humanos não parou de crescer. E quem é mais curioso do que uma criança? 

 

A disposição natural das crianças para se espantar precisa ser cultivada e encorajada para que possa florescer. Ainda que haja professores fantásticos por aí que inspiram os seus alunos, no geral as escolas não são sempre o lugar fértil para a investigação e para o espanto, mas sim para a repetição e para o aborrecimento. Os professores apresentam as suas respostas prontas que precisam ser memorizadas. Frequentemente, é a necessidade de seguir um programa que se torna a prioridade sobre a necessidade de exploração e de espanto de uma criança. Mas há um lugar para esta prática, algures...

 

Lembra-se da história do Robin Hood? Seria ele uma boa pessoa? Pode um ladrão ser uma boa pessoa? O que significa ser boa pessoa?

 

Por ser um praticanete apaixonado da investigação filosófica com crianças, gostaria de partilhar algumas sugestões que ajudam a avançar quando se encontra perante as grandes questões e ideias que a sua criança partilha, em casa. 

1. Encontre uma pergunta que queira investigar. Assim que tiver a pergunta definida, enquanto pai, pode fazer esta pergunta à noite, no momento de leitura de uma história, ou mesmo durante o juntar - mas lembre-se que é frequente as crianças identificarem estas perguntas por si mesmas. As perguntas podem ser inspiradas por livros, filmes ou situações da vida, mas no campo da filosofia, procuramos as perguntas que não têm respostas simples, mas que nos levam a aprofundar a compreensão de algumas grandes ideias - a justiça, o bem, a beleza e a coragem, para mencionar algumas. 

2. Pergunte à criança para explorar e trabalhar a sua resposta. O que queres dizer quando dizes isto...? Podes dizer-me algo mais sobre o assunto? 

3. Peça e investigue exemplos. Podes dar-me um exemplo de uma pessoa que é boa? É justo comer metade do bolo quando o vais partilhar com mais dois amigos? 

4. Recue no processo e foque a criança na pergunta à qual estão a tentar responder. Então... (inserir a pergunta principal)?

5. Peça argumentos e razões. Pergunte porquê. Podes dizer-me porquê? Porque é que pensas isso? Porque é que pensas que é assim? Porque é que é importante? 

6. Faça de advogado do diabo. Tente discordar da criança de uma forma muito óbvia para testar o argumento e deixe que a criança prove que você está errado. 

7. Pergunte à criança, como é que pode discordar de si mesma ou o que diria  uma pessoa que pensa o contrário. 

Recentemente conversei com Jason Buckley (The Philosophy Man, UK) que partilhou comigo esta metáfora. Filosofar com os nossos filhos é um pouco como fazer de conta que estamos a lutar com eles. Nós queremos que eles sejam resistentes no processo de luta, mas não queremos que fiquem oprimidos. Adopte uma postura lúdica e tire o melhor partido das conversas mais profundas. As crianças são capazes de nos surpreender e no final quem será que aprende mais? 

Se procura alguma inspiração para investigar algumas perguntas filosóficas visite a série YouTube Thinking together at home, onde eu e os meus dois filhos (de 5 e 10 anos) fazemos algumas perguntas a partir dos nossos livros infantis preferidos. Gostaria muito de saber o que pensa sobre as nossas conversas. 

 

Lukasz Krzywon - How to ask your child philosophical questions?

tradução de Joana Rita Sousa

fotografia via unsplash 

 

 

leituras de Verão

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Philip Cam é uma referência no que diz respeito ao trabalho de diálogo filosófico e há muito que tinha este livro na minha wish list.

além de boas ideias para a minha prática, este será um dos textos a incluir nos próximos cursos #filocri, bem como na pós-graduação em filosofia para crianças e jovens, da UCP (já agora, a segunda fase de inscrições está em curso!) 

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