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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

“Ah, trabalhas nisso da filosofia para crianças?”

 

 

Desde 2008 que trabalho na área da filosofia para crianças (FpC). Fiz formação - ainda faço – trabalho em jardins de infâncias, em escolas. Tive um projecto num ginásio. Levo as oficinas de filosofia a vários pontos do país – e não só. Dou formação a professores e educadores. Tenho recebido muitos e-mails a solicitar apoio, esclarecimento de dúvidas – sobretudo a quem desenvolve investigação nesta área.

Nem sempre é fácil explicar o que faço, pois há muitas ideias pré-concebidas e tudo o que é estranho provoca... estranheza.

Tenho coleccionado muitas perguntas sobre o meu trabalho e sobre a filosofia para crianças. Fiz uma lista das dez mais recorrentes – e partilho convosco algumas respostas curtas.

 

 

  1. «Joana, dás aulas de filosofia? »

Não. No sentido convencional e tradicional do termo « aula » = alguém que tem o saber (conteúdos) e os transmite a quem não sabe. Nesse sentido, não dou aulas – ainda que possa falar do espaço e tempo durante o qual a filosofia acontece como aula.

 

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  1. “Joana, então tu és professora?”

Não – no sentido clássico do termo, não sou professora.

Sou facilitadora – ou dificultadora como gosto de lhe chamar. O meu papel é o de “obrigar” a parar para pensar, a aprofundar. Mergulhar no mundo dos pensamentos.

 

 

  1. “Joana, o que tu fazes é pôr as crianças a conversar umas com as outras?”

Não, isso elas já fazem. O meu objectivo é que haja diálogo. Isso implica que se pratique a escuta e o parar para pensar. Além disso, pretendo aprofundar as questões de forma filosófica.

 

 

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  1. “Joana, nessas aulas podemos dizer o que quisermos?”

Sim e não. Podes dizer o que quiseres, mas isso tem que ser submetido ao grupo para avaliar se é pertinente para a discussão em curso.

Além disso, também avaliamos a sua qualidade filosófica – e é aí que eu intervenho mais e dificulto as coisas.

 

  1. “Joana, isso que fazes é um modelo pedagógico?”

Na verdade, a FpC é uma estrutura que facilita processos de aprendizagem. E é algo mais do que isso. Crio um espaço e um tempo em que é fundamental realizar exercícios de cariz filosófico. Sim, a filosofia para crianças transpira intencionalidade filosófica.

 

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  1. “Joana, então basta preparar e ter um plano ou uma planificação, para chegar ao objectivo filosófico?”

Não. A preparação, em jeito de planificação é útil. O mais importante é atender àquilo que as pessoas estão a dizer e captar as suas implicações filosóficas e a riqueza para o diálogo. É fundamental a disponibilidade para o improviso.

 

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  1. “Joana, basicamente o que fazes é treinar pensamento crítico?”

Também. O pensamento crítico é fundamental neste processo. Há outras dimensões: a criatividade, o caring thinking (Lipman) e a dimensão colaborativa (afinal, somos um grupo que se junta para pensar… em conjunto!).

 

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  1. “Joana, não achas que isso é muito difícil para as crianças? É muito abstracto.”

As crianças têm uma linguagem própria e uma experiência que é sua. A FpC abre espaço para que se possam manifestar, à medida da sua linguagem e da sua experiência. A partir daí, extraímos o sumo filosófico.

 

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  1. “Joana, então e tu jogas às cartas com as crianças, é isso?”

Faço jogos, sim. Utilizo muitos recursos que facilmente se associam ao jogo (quantos-queres, jogos de cartas, jogo do galo…). A ideia é partir de um recurso simples e lúdico para o trabalho filosófico. O jogo – tendo elementos físicos, nos quais as crianças podem mexer e até levar para casa – ajuda-me a tornar a filosofia palpável.

 

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  1. “Joana, e as crianças gostam?”

Nem todas. É como a sopa: nem todas gostam, mas nem por isso deixamos de lhes dar sopa. É importante para elas, certo?

Assim é a filosofia: difícil, pois obriga a parar . Divertida, por nos permitir brincar com o pensar. Gosto da imagem da FpC como um ginásio para os músculos do pensamento. E todos nós sabemos como treinar provoca dores, num momento inicial. Depois há que manter a disciplina de treino.

A facilitadora silenciosa

- The quiet facilitator, de Jana Mohr Lone (tradução de Joana Rita Sousa)

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No Outono, enquanto recomeçava a dinamizar sessões de filosofia com crianças no Zoom, passei parte do tempo a considerar de forma mais profunda a minha presença nessas sessões. Parte do meu trabalho enquanto educadora passa por ajudar crianças a aprender a articular e a examinar as suas questões e crenças de forma mais lúcida. Além disso, eu sou responsável por ajudar a criar um ambiente que cuide da compreensão, confiança e valores em cada uma das vozes da criança. Abordo as minhas sessões, de modo consciente, através do desenvolvimento de espaços para que as crianças possam explorar as perguntas que são importantes para elas, sem impor as minhas visões sobre quais as perguntas ou momentos de conversa são particularmente significantes ou interessantes.

 

Tenho vindo a pensar sobre a relação entre a responsabilidade do facilitador em construir uma moldura de trabalho que permite a emergência de conversas de elevada qualidade filosófica (introduzindo sugestões filosóficas sugestivas, fazendo boas perguntas, ajudando a garantir que todas as vozes são ouvidas, intervindo em discussões paralisadas) e a importância da conversa ser uma verdadeira investigação das crianças, de forma a que as minhas perguntas e os meus comentários não empurrem a discussão numa direcção que tem origem em mim e não nas crianças. É fácil dizer que o que importa é que as crianças devem controlar o sentido da investigação, mas a experiência pode ser bastante desafiadora no sentido de determinar quando deixar a investigação seguir sem qualquer interferência e, quando é necessária alguma intervenção, em dizer algo que seja útil para o processo, mas que não influencie o conteúdo.

 

Queremos assegurar-nos que estamos a dar às crianças o espaço de que precisam para pensar e exprimir os seus pensamentos sem a intrusão supérflua do facilitador. Há uma linha ténue entre responder de uma forma que ajuda os outros a construir as suas próprias ideias e alterar o que pretendem expressar. Pelo facto dos adultos exercerem algum poder perante as crianças e especialmente numa situação e sala de aula (seja ela virtual ou não) na qual eu sou vista como a especialista na sala, torna-se demasiado fácil para mim, ainda que sem querer, desviar o foco da conversa.

 

Por exemplo, parafraseando o que uma criança diz. Por vezes tentamos ajudar as crianças a traduzir o seu pensamento de forma mais clara ou mesmo sugerindo uma forma diferente para dizer algo. “Querias dizer que...?” Ainda que esta abordagem seja útil para ajudar uma criança a comunicar um pensamento, também pode resultar num colocar de palavras na boca das crianças, pensando que nós já entendemos o que querem dizer e que elas apenas precisam da nossa assistência para articular os seus pensamentos de forma mais precisa. Esta prática arrisca-se a distorcer ou silenciar o que a criança tem a dizer.

 

Além disso, quando interpretamos erradamente ou reformulamos o que pensamos que as crianças pretende exprimir, as crianças podem hesitar em dizer-nos que não estamos correctos. Nestas situações, uma criança pode assumir naturalmente que o adulto sabe mais e por isso concorda de forma instintiva, ainda que o comentário de reformulação não represente verdadeiramente o pensamento da criança.

 

Por vezes, tenho consciência que, depois de uma criança falar, me precipitei numa pergunta de clarificação ou numa descrição daquilo que eu pensava que a criança queria dizer; para me aperceber mais tarde que deixei as minhas ideias ou interesses atropelar o que a criança realmente queria dizer. Se eu quero mesmo compreender o ponto de vista da criança, esse ponto de vista tem de ser prioritário. Ouvir e fazer perguntas a partir de um local de curiosidade e de respeito, e abandonar a nossa própria agenda, pode cultivar um espaço no qual as crianças podem pensar os seus próprios pensamentos e exprimir as suas próprias ideias, à sua maneira.

 

Mas os desafios da prática permanecem. Se me dou conta que a observação de um aluno envolve uma linha filosófica que não é explicitamente declarada, devo fazer uma pergunta no sentido de investigar o significado mais profundo das palavras da criança? Há uma maneira para fazer isso sem que direcione a conversa naquilo que me interessa, mas sim naquilo que se encontra na mente das crianças? O meu trabalho não consiste em reconhecer os temas filosóficos subjacentes às perguntas e comentários das crianças e ajudá-las a vê-los, ou essa atitude corre o risco de distorcer aquilo que desejam explorar? Ou será que estarei a sobrevalorizar a minha potencial influência na investigação?

 

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Digo com frequência que as sessões de maior sucesso que tive com crianças envolveram discussões filosóficas que teriam continuado se eu tivesse saído da sala. Quanto mais silenciosa estou e quanto mais as crianças estão focadas na sua conversa e no que os outros elementos do grupo têm a dizer, mais acontece uma investigação que é autenticamente das crianças. Contudo, isto exige tempo e prática. O desafio do facilitador passa por equilibrar a assistência que proporciona às crianças no sentido de aprender a ter uma conversa filosófica vibrante e fundamentada com a garantia de que o espaço filosófico pertence às crianças. Talvez ser uma “facilitadora silenciosa” deva ser um dos objectivos de uma aula de filosofia, de modo a que, com o passar do tempo, as crianças se tornem cada vez mais hábeis e autónomas na gestão da investigação, e a facilitadora se torne cada vez mais silenciosa.  

 

*

Texto originalmente publicado no blog de Jana Mohr Lone, Wondering Aloud: philosophy with young people

Nota de tradução: o título do texto é The quiet facilitator. Tomei a decisão de traduzir por A facilitadora silenciosa, dado que é assinado por uma autora do género feminino. Em termos de sentido geral, o título poderia ser O facilitador silencioso.

Fotografias via unsplash. 

 

filosofia na gestão do tempo

- workshop na academia gerador

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Oficina online sobre filosofia e criatividade, para arrumar as ideias – e os dias.

 

Neste workshop, o primeiro desafio passa por parar para pensar. Segue-se a partilha de algumas técnicas que se podem transformar em hábitos e mudar o teu dia-a-dia. A filosofia e a criatividade seguem a teu lado para te munir de ferramentas simples e provocadoras ajudando na gestão do teu tempo.

 

Info: Academia Gerador

procura explicações de filosofia (10.º e 11.º anos)?

- opte pelas tutorias [online]

Copy of Horários disponíveis para tutorias de

 

O que são as tutorias de filosofia? 

📌 Trata-de de um trabalho de aprofundamento a partir dos conteúdos dos programas do 10.º e 11.º com base nos diálogos filosóficos. 

 

O trabalho é individual?

📌 Sim, a tutoria funciona num regime one-to-one (aluno e professora), em horário a acordar.

 

Qual é a diferença da tutoria para as explicações? 

📌 A base da tutoria colhe da metodologia e da estrutura da filosofia para crianças e jovens. Ao mesmo tempo que aprendemos os conteúdos programáticos, colocámos em prática competências do pensamento crítico e do pensamento criativo. O trabalho é ajustado e pensado "à medida" de cada aluno. A prática do pensamento crítico é algo que irá ajudar o seu filho ou a sua filha noutras áreas disciplinares, não somente na filosofia. 

 

Como faço para inscrever o/a meu/minha filho/a?

📌 Contacte-me através deste formulário.

 

 

nos dias 10 e 11 de Outubro, na Malaposta

- filosofia para famílias e café filosófico

 

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estas acções estavam pensadas para aquele distante mês de março durante o qual o mundo mudou. parece que já foi há muito, muito tempo!

em ambiente clean & safe, a Malaposta acolhe as oficinas de filosofia para famílias e um café filosófico, nos dias 10 e 11 de outubro, respectivamente. 

para mais informações, visite o website da Malaposta.

 

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"O que achas de usar quadrinhos e super heróis para filosofar?"

- uma pergunta e uma resposta acerca da filosofia para crianças e jovens

"O que achas de usar quadrinhos e super heróis para filosofar?"

(pergunta que o Leandro me fez no instagram) 

 

honestamente, podemos filosofar (praticar o diálogo filosófico) a partir de muitos e variados recursos. 

há livros escritos especificamente para o trabalho da filosofia para crianças (Lipman e Sharp foram os pioneiros). Karin Murris foi uma das primeiras pessoas a usar livros ilustrados (picture books) no ambiente da filosofia para crianças.actualmente, o facilitador (ou dificultador como prefiro chamar-lhe) pode fazer uso de recursos (a que chamo de provocações), tão variados como: 

- livros infantis;

- artigos do jornal;

- filmes ou excertos de filmes;

- uma pergunta;

- fotografias;

- uma afirmação;

- um objecto.

mais importante do que o motivo que nos leva a dialogar, é a forma como se orienta esse diálogo e é aí que a preparação do dificultador é essencial e faz toda a diferença. 

no início da prática é natural que o dificultador queira levar para a oficina de filosofia o material já validado pela comunidade. a pouco e pouco poderá ousar e usar a sua imaginação e, quem sabe, desenvolver os seus próprios materiais. 

 

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Mitos à volta da Filosofia

- desconstruindo erros comuns em torno da Filosofia

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Três dos mitos mais comuns sobre a filosofia traduzem-se em "a filosofia é antiga, impenetrável e irrelevante."

Este guia actua como uma refutação a esses mitos comuns sobre filosofia e funciona como um guia para educadores que gostariam de incorporar a filosofia na sala de aula, mas que podem enfrentar o cepticismo dos alunos ou mesmo dos responsáveis da escola.
 

 

1. "Os filósofos são sempre homens velhos e, por isso é difícil identificar-me com essas pessoas."

De acordo com Sara Goering, as crianças com menos de 10 anos podem ser algumas das pessoas mais filosoficamente comprometidas, o que é evidenciado pelo seu perguntar contínuo. Goering também argumenta que a filosofia não tem idade mínima. Lone e Burroughs afirmam que todas as crianças têm inclinações filosóficas. Se as crianças são involuntariamente capazes de fazer perguntas sobre o seu estado de ser, segue-se que os alunos de todas as idades são capazes de discutir as mesmas questões. Isso significa que se você já foi uma criança, provavelmente fez algum tipo de filosofia na sua vida. É importante lembrar que a filosofia pode ser feita por qualquer pessoa que o queira; não há idade específica  na qual uma pessoa viu e sentiu tanto que, de repente, é capaz de fazer perguntas filosóficas.

 

 

2. “A filosofia é pedante e impenetrável.”

De acordo com Lone e Burroughs, a filosofia trata de fazer perguntas e analisar as respostas, além de uma única perspectiva. Isso é mais eficaz com pessoas novas na filosofia, através do diálogo. Contudo, a maioria das escolas não participa do tipo de diálogo necessário. A filosofia, quando apresentada através de palestras, pode parecer esotérica. Sean A. Riley e Goering observam que mesmo em salas de aula onde é dada a oportunidade aos alunos para participar activamente da filosofia por meio do discurso, a filosofia pode ser ainda difícil de aprender. Os alunos podem desconsiderar o valor de investigar certas conversas, porque acreditam que “tudo é relativo de qualquer maneira”. Para responder a esses casos, os professores precisam ser persistentes de forma a que o diálogo continue. Uma forma de dar continuidade a esse diálogo passa por isolar uma afirmação particular e pedir ao aluno para esclarecer um determinado ponto.

 

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3. “A filosofia é irrelevante para a minha vida.”

Desenvolver um investimento pessoal em filosofia pode ser um dos maiores desafios para os alunos, especialmente para quem não quer estudar filosofia no nível universitário. No entanto, a filosofia tem benefícios para cada um dos alunos. De acordo com um relatório partilhado por Goering e Robert Figueroa sobre um instituto de verão, de filosofia, num colégio do Colorado,  os alunos que participaram nessa actividade de verão receberam melhores notas nos testes. Os alunos em situação de risco que participaram do programa também apresentaram notas finais mais elevadas. Riley também observou que, depois de implementar a filosofia nas suas aulas de história, os alunos revelaram mais habilidade para encontrar maneiras de incorporar a filosofia  na sua vida quotidiana e também em campos de estudo de nível universitário, independentemente da área em que estão a estudar. 


Artigo do Philosophy Outreach Project, disponível para leitura (em inglês) AQUI

As fotografias que ilustram o artigo pertencem ao projecto #filocri. 

Bibliografia do artigo:

Lone, Jana Mohr, and Michael D. Burroughs. Philosophy in Education: Questioning and Dialogue in Schools. Lanham, Maryland: Rowman & Littlefield Publishers, 2016.

Goering, Sara. “Finding and Fostering the Philosophical Impulse in Young People: A Tribute to the Work of Gareth B. Matthews.” Metaphilosophy 39, no. 1 (2008): 39–50. Riley, Sean A. “Building a High School Philosophy Program.” Teaching Philosophy 36, no. 3 (2013): 239- 252.

Figueroa, Robert and Sara Goering. “The Summer Philosophy Institute of Colorado: Building Bridges.” Teaching Philosophy 20, no. 2 (1997): 155-168.

[novas datas] oficina A perguntar é que a gente se entende

para pessoas interessadas em aprender sobre a arte de fazer perguntas

 

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A pergunta é a porta de entrada para tantas coisas na nossa vida. Quando conhecemos alguém pela primeira vez perguntamos: “Como se chama?”. Depois segue-se o “Como está?” e a conversa de circunstância que começa com perguntas.

No quotidiano precisamos de perguntas para trabalhar, para estudar, para nos relacionarmos com os outros à nossa volta. Como fazer perguntas simples? O que fazer para tornar as perguntas mais claras?

 

Nesta oficina vamos praticar a pergunta, exercitando o pensamento crítico e o pensamento criativo, bem como o pensamento colaborativo.

 

A quem se destina? A entrada é permitida a quem quer perguntar.

 

 Tópicos:

  • O que é uma pergunta?
  • Como perguntar de forma simples?
  • O que torna uma pergunta clara e distinta?
  • O que pergunta uma pergunta?

 

 Autores de referência:  René Descartes, Platão, Edward de Bono, Robert Fisher

 Duração: 10h (sessões síncronas e assíncronas) 

 Funcionamento da oficina:  Haverá sessões online, via zoom e síncronas, para a parte mais teórica da formação e para permitir o pensamento colaborativo e trabalho em grupo.

Também vamos trabalhar colaborativamente através da Google drive, havendo acompanhamento de trabalho através da Google classroom.

 

 Sobre a formadora:

Joana Rita Sousa é filósofa, formadora e mestre em filosofia para crianças. Trabalha na área da filosofia aplicada desde 2008.

 

 Calendário: 

1.ª sessão síncrona 2h – 17 de Agosto, quinta, 18h30/20h30

2.ª sessão assíncrona 2h

3.ª sessão síncrona 2h – 24 de Setembro, quinta, 18h30/20h30

4.ª sessão assíncrona 2h

5.ª sessão síncrona 2h – 1 de Outubro, quinta, 18h30/20h30

 

 

Informações e inscrições junto da Bertrand Livreiros

Dark e o eterno retorno de Nietzsche

- artigo de Leandro Raphael

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Série de grande sucesso da Netflix, Dark nos surpreende com suas diversas reflexões acerca do modo como nos relacionamos com o tempo, com as nossas escolhas e percepções diante da vida. Ao longo da estória, as personagens se envolvem em diversas situações dilemáticas e conflitantes, nos levando a pensar sobre como nós agiríamos se pudéssemos modificar o passado, o presente e o futuro.

Do ponto de vista filosófico, por exemplo, muitas questões podem ser observadas ao longo das três temporadas e filósofos como Zenão, Heráclito, Platão, Kant, Nietzsche e tantos outros, facilmente identificados. Desta forma, a série Dark apresenta-se como fonte fecunda de pensamento e indagação a respeito das leis da física e da natureza humana, partilhando teorias e ideias advindas de grandes pensadores como é o caso de Nietzsche e o seu conceito de eterno retorno. Mas, o que significa “eterno retorno”?

 

 

...”Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem – e assim também essa aranha e esse luar entre as árvores, e também esse instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente – e você com ela, partícula de poeira! Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal em que respondereis: “Tu é um deus, e nunca ouvi nada mais divino!”

- Nietzsche, Gaia Ciencia, §341

 

 

Como se pode observar, Nietzsche nos convida a reavaliar a forma como nos posicionamos diante da vida e encaramos nossa existência, ou seja, aceitamos a vida como ela se apresenta, com suas dores e alegrias, ou vivemos em negação, fugindo de tudo? Desta forma, o conceito de eterno retorno nos serviria para repensarmos o modo como percebemos a vida, já que tal possibilidade, de repetição eterna dos acontecimentos, nos provocaria para tal reflexão.

Mais do que uma metáfora para avaliarmos a nossa postura diante da vida, o conceito nietzschiano também pode ser interpretado como possibilidade cosmológica para descrever o funcionamento cíclico do universo. Tal perspectiva, se fundamenta na ideia de que o devir temporal seria infinito enquanto a matéria do universo seria finita, ou seja, em algum momento, seja o tempo que isso levar, tudo inevitavelmente teria que se repetir no universo, inclusive as nossas próprias existências. Neste sentido, o conceito de eterno retorno também compreenderia aspectos físicos da natureza, algo que pode ser verificado no movimento cíclico dos astros, das estações do ano e assim traduzidos por vida e morte, dia e noite e tudo mais que se repete na natureza.

Na série, tanto seu aspecto metafórico, para se repensar posturas diante da vida, quanto sua dimensão cosmológica são explorados, nos colocando num verdadeiro labirinto que desafia o raciocínio lógico e mental. Desta forma, Dark caracteriza-se como excelente recurso para a compreensão de diferentes questões filosóficas, tais como: Somos realmente livres? Quais são os limites e as possibilidades de nossas ações? O que é possível para o homem conhecer? Quais são os impactos de nossas escolhas? Aceitamos a vida como ela é ou gastamos nosso tempo e energia tentando mudar tudo a nossa volta?

 

*

 

conheci o Leandro no instagram e após o seu LIVE sobre Dark e Nietzsche desafiei-o a escrever um artigo sobre o assunto para publicar aqui no blog. 

obrigada, Leandro! 

(mais) 10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens)

o livro é um objecto que estimo e que não dispenso. gosto particularmente do gesto de abrir o livro e ir descobrindo as suas páginas.

e o cheiro dos livros?

há mais alguém fascinado com o cheiro dos livros, por aí?

depois do artigo 10 livros para trabalhar nas oficinas de filosofia (para crianças e jovens) surge a sequela, onde apresento um outro conjunto de 10 livros. garantidamente, continuarei a escrever sobre o tema e a fazer recomendações sobre os livros provocadores. 

 

*

 

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  • A Máquina dos Ses - Peter Worley, Edições 70

o Peter Worley pertence à The Philosophy Foundation e tem bastante trabalho publicado na área da filosofia (para crianças e jovens). este é um dos seus livros que me acompanha na construção de jogos e de propostas para filosofar. já tinha a versão original e fiquei bastante contente com a decisão das Edições 70 em publicar a tradução portuguesa. 

 

  • A Contradição Humana - Afonso Cruz, editorial Caminho

para mim, enquanto leitora, os livros do Afonso Cruz são sinónimo de provocação. enquanto facilitadora de oficinas de filosofia (para crianças e jovens), o sentimento é o mesmo. A Contradição Humana é um livro com várias histórias, que podem ser trabalhadas individualmente, pelo grande grupo. também podemos dividir o grande grupo em grupos mais pequenos e cada um trabalha uma história, para partilha posterior.

as possibilidades de trabalho são várias e o processo pode ser uma verdadeira descoberta de contradições que nos fazem humanos (demasiado humanos?).

 

  • 29 histórias disparatadas - Ursula Wolfel e Neus Bruguera, Kalandraka

foi o título que me chamou a atenção para este livro. histórias disparatadas parece-me provocador, em si mesmo. ao abrir o livro confirmei a minha intuição: que delícia de livro! não quero ser spoiler, por isso não vou contar os disparates das histórias. digo apenas que dão que pensar. 

 

  • A Grande Questão -  Wolf Erlbruch, Bruaá Editora

o que mais gosto neste livro? não tem perguntas e chama-se "a grande questão". é bom para fazer um exercício de "rewind": que pergunta pode ter dado origem a esta resposta? qual é, afinal, a grande questão?

 

  • Uma Mesa é uma Mesa. Será? - Isabel Martins e Madalena Matoso, Planeta Tangerina

este livro apresenta-nos uma diversidade de perspectivas sobre um objecto tão comum como uma mesa. afinal, o que é uma mesa? o que pode ser? 

 

  • O livro negro das cores - Menena Cottin e Rosana Faría, Bruaá Editora

o título fala por si. a descoberta deste livro, por parte das crianças, é uma experiência que vale a pena. 

 

  • O Livro da Avó - Luís Silva, Edições Afrontamento

não são muitos os livros infantis que eu conheço que falam da morte e o livro da avó consegue fazer isso de uma forma belíssima.

 

  • A história que acaba bem, a história que acaba assim-assim, a história que acaba mal - Marco Taylor

o Marco Taylor provoca-nos a escolher o final de uma mesma história. dá mesmo muito que pensar este "acaba bem", este "acaba mal" e o assim-assim. estou com muita vontade de trabalhar este livro (ou este 3 em 1) em oficina de filosofia. já estou a preparar oficinas nesse sentido.

 

  • O dia em que os lápis desistiram - Drew Daywalt e Oliver Jeffers, Orfeu Negro 

há já alguns anos que este livro me acompanha. recordo-me de uma oficina de filosofia em que fizemos a leitura do livro, eu e uma turma de 2.º e 3.º anos do 1.º ciclo e a conversa durou várias semanas. o que aconteceria se os nossos lápis de cor desistissem? que razões apresentam eles para desistir: são razões válidas? 

 

  • O que vês, o que vejo - Inês Marques e Madalena Moniz

este livro não será propriamente um livro, no sentido clássico do termo. encontrei-o por acaso, pois a edição foi limitada. trata-se de um livro que permite uma abordagem diferente da própria leitura e que ajuda a responder e a experienciar a pergunta: quantas formas há para ler um livro?

 

*

 [para as famílias] sugestão de trabalho a partir de um livro:

- leitura partilhada do livro: cada pessoa lê uma página do livro, por exemplo;

- no momento seguinte, cada uma das pessoas da família constrói um mapa mental da história. os mind maps - tal como Tony Buzan os concebe - devem ter desenhos e símbolos, pelo que se recomenda a prática do "dar asas à imaginação".

nota: vão precisar de folhas lisas (A3 ou A4) e de lápis de cor ou canetas de feltro.

depois de terem os mapas mentais individuais, podem partilhar com todos, para ver quantas perspectivas sobre a história existem. 

 

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*

 

 tem sugestões de livros infantis que sejam filosoficamente provocadores? partilhe nos comentários.

 aproveite para ler o artigo Como trabalhar perguntas filosóficas com o seu filho?

 

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