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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / cafés filosóficos / educação / filosofia da educação / #filocri

filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / cafés filosóficos / educação / filosofia da educação / #filocri

“Praticar a boa filosofia é a melhor ligação à cidadania. É a arma mais eficaz e pacífica contra a desinformação."

- Augusto Santos Silva, na sessão de abertura do Parlamento dos Jovens

joana rita sousa, 31.05.22

FUGcDU2WQAAqVnt.jpgfonte: Twitter

 

O impacto da desinformação na Democracia - o tema do Parlamento dos Jovens, 31 de Maio de 2022 

Como contrariar o impacto da desinformação na Democracia? Sermos nós a pensar pela nossa cabeça, a pensarmos em conjunto e de forma organizada. Essa é a melhor arma contra os factos alternativos e a pós-verdade. (Augusto Santos Silva) 

 

o Pedro Figueiredo alertou-me para esta sessão com o seguinte tweet:

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o discurso completo pode ser ouvido aqui. logo no início Augusto Santos Silva, Presidente da Assembleia da República elogia o lado prático da filosofia, fazendo referência a Kant, Descartes e Sócrates (entre outros). Santos Silva sublinhou ainda a importância do diálogo e do pensamento colaborativo no exercício da cidadania. 

gostaria de um dia conversar com Augusto Santos Silva para partilhar o que tem vindo a ser feito em Portugal no âmbito da filosofia aplicada: cafés filosóficos, filosofia no jardim de infância, 1.º, 2.º e 3.º ciclos. pelo seu discurso de hoje talvez até já conheça bem o que se faz - eu é que assumo sempre que a filosofia aplicada é algo novo para a grande maioria das coisas. 

 

Não se aprende filosofia, mas a filosofar, já disse Kant. A filosofia não é um conjunto de ideias e de sistemas que possamos aprender automaticamente, não é um passeio turístico pelas paisagens intelectuais, mas uma decisão ou deliberação orientada por um valor: a verdade. É o desejo do verdadeiro que move a filosofia e suscita filosofias. (Marilena Chaui, Convite à Filosofia, p. 112)

 

durante o ano lectivo 2021/2022 tive oportunidade de passar por algumas escolas e trabalhar a questão da desinformação com alunos do ensino secundário, através do diálogo filosófico. 

 

em busca da verdade

- café filosófico #filocri

joana rita sousa, 30.05.22

Truth is one of the central subjects in philosophy. It is also one of the largest. Truth has been a topic of discussion in its own right for thousands of years. Moreover, a huge variety of issues in philosophy relate to truth, either by relying on theses about truth, or implying theses about truth. (Stanford Encyclopedia of Philosophy)

 

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verdade, um adjectivo

dinamizar um café filosófico sobre o tema "em busca da verdade" parece ambicioso? talvez, sobretudo se estivermos alinhadas com a ideia de que por verdade estarmos a entender verdade absoluta ou única ou definitiva. 

não é dessa leitura de verdade que estamos a falar. 

neste vídeo Vitor e Evelyn Lima (INÉF - Isto Não É Filosofia) começam por afirmar que a verdade não é tratada como um substantivo, como uma entidade no mundo e que existe por si. na linha da filosofia contemporânea analítica investigamos a verdade enquanto adjectivo.

"o francisco está a ler um artigo sobre verdade no blog da joana" - é verdadeira esta afirmação? substitua francisco pelo seu nome e responda: é verdadeira esta afirmação?

 

Afirmar que a verdade é um valor significa que o verdadeiro confere às coisas, aos seres humanos, ao mundo um sentido que não teriam se fossem considerados indiferentes à verdade e à falsidade. (Marilena Chaui, Convite à filosofia, p. 112)

 

pensar a verdade leva-nos a pensar na insegurança, na incerteza e na ignorância:  "O espanto e a admiração, assim como antes a dúvida e a perplexidade, nos fazem querer saber o que não sabíamos, nos fazem querer sair do estado de insegurança ou de encantamento, nos fazem perceber nossa ignorância e criam o desejo de superar a incerteza. Quando isso acontece, estamos na disposição de espírito chamada busca da verdade." (Ibidem)

 

é difícil buscar a verdade? é. 

ainda na linha do texto de Marilena Chaui, apontamos aqui duas dificuldades contemporâneas que dificulta o papel de quem busca a verdade: o excesso de informação e a propaganda. 

hoje em dia as pessoas estão sujeitas a informação que nos chega de todos os lados e direcções. o excesso de informação traduz-se por vezes em desinformação:

(...) como há outras pessoas (o jornalista, o radialista, o professor, o policial, o repórter) dizendo a elas o que devem saber, o que podem saber, o que podem e devem fazer ou sentir, ao confiar na palavra desses "emissores de mensagens", as pessoas se sentem seguras e confiantes. Ou seja, não há incerteza porque há ignorância. (Idem, p. 114)

por sua vez, a propaganda leva-nos a considerar o cigarro como um sinal de sofisticação, o creme da cara à segurança interior para enfrentar o público numa apresentação, o automóvel como veículo de confiança e de afirmação no mundo:

A propaganda nunca vende um produto dizendo o que ele é e para que serve. Ela vende uma imagem (de felicidade, de sucesso, de juventude, de saúde, de riqueza, de beleza, etc.) que é transmitida por meio do produto, rodeando-o de magias, belezas, dando-lhe qualidades que são de outras coisas (a criança saudável, o jovem bonito, o adulto inteligente, o idoso fezli, a casa agradável, etc.), produzido um eterno "faz de conta". (Idem, p. 115)

 

o que não é a verdade?

neste vídeo, Vitor Lima contrapõe verdade a simples crença, a verdade verificável e verdade subjectiva. eis algumas das perguntas levantadas pelo filósofo brasileiro: 

- basta que eu acredite para algo seja verdade? 

- toda a verdade é verificável, entenda-se, é passível de confirmação? 

- todas as verdades são subjectivas? 

recomendo que veja o vídeo, porém avanço com as respostas às perguntas: não basta a crença para que algo seja reconhecido como verdadeiro, nem todas as verdades são verificáveis e nem todas as verdades são subjectivas. o vídeo explica com detalhe cada um destes pontos. 

já agora, recomendo ainda outro vídeo do INÉF, sobre teorias da verdade

 

um café filosófico [sobre verdade] 

o que ambiciona um café filosófico [sobre verdade]?

- promover um espaço de diálogo e de prática do pensar - escutar - falar (Peter Worley);

- criar um ambiente seguro para a manifestação da ignorância;

- cultivar a honestidade intelectual;

- praticar a autonomia de pensamento;

- promover um espaço de acolhimento para o desacordo;

- reconciliar a pessoa humana com a sua falibilidade. 

 

*

poderá consultar a agenda de eventos da Bertrand Livreiros e considerar a participação num dos cafés filosóficos online. também tenho algumas datas agendadas na Malaposta. a Academia do Diálogo também promove cafés filosóficos. 

a minha agenda completa está disponível AQUI e inclui outros eventos além dos cafés filosóficos. subscrever a newsletter filocriatividade irá garantir que recebe as novidades de agenda no seu e-mail. 

 

 

give philosophy a chance

joana rita sousa, 17.05.22

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um ano depois, volto a ser convidada pela AEFCM (Associação de Estudantes da NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas) para falar de filosofia. 

o apelo é claro: "give philosophy a chance". a pergunta que se segue: porquê?

vou elencar três motivos para que os alunos desta Faculdade - e qualquer pessoa leitora deste artigo - considerem a filosofia nas suas vidas: a obsessão pela transparência, a pergunta e a resposta.

 

*

filosofia: obsessão pela transparência 

num curso sobre filosofia no CCB, o professor António de Castro Caeiro refere um outro sentido para a filosofia, diferente do carimbo de pensamento amor pela sabedoria. 

"a palavra sofia quer dizer transparência. o saber prático resulta de uma resolução da opacidade numa determinada actividade. aquilo que filosofia quer dizer em platão (...) é um saber prático que lida com a opacidade e a filia quer precisamente dizer uma obsessão pela transparência, via opacidade." (transcrição de parte do ep. podcast)

nesse mesmo episódio de podcast, Caeiro sublinha a actividade prática da filosofia, um saber que é fazer - e quem não sabe, não faz. a pessoa filósofa é uma pessoa que entende de uma determinada matéria. 

filosofia remete para uma obsessão pela transparência - algo que não abona muito a favor das pessoas filósofas, devo dizer. somos pessoas de ideias fixas, no sentido de procurar resolver a opacidade e obter a informação mais clara, resolver os problemas identificando as suas variáveis. no caso dos médicos, estes profissionais procuram o diagnóstico mais afinado, procuram resolver o problema do paciente, procurando a transparência dos sintomas, trançando a causa ou sem sintomas procura identificar a doença (ainda estou a fazer uso das palavras de Caeiro). 

a filosofia procura identificar os problemas e traçar um caminho para resolver esses problemas. há algo mais quotidiano do que isto? 

 

filosofia: a arte de fazer perguntas

o processo de identificação de problemas acontece por meio de perguntas (e de respostas, mas já lá vamos). ora, ainda que a pergunta seja uma ferramenta de todos os dias ("olá, como estás?"), nem todos sabemos o que e como perguntar - sobretudo quando estamos a procurar diagnosticar um problema.

continuando a falar das pessoas que trabalham em medicina, é bastante diferente perguntar a um paciente: "o seu intestino funciona bem?" ou "pode indicar-me quantas vezes o seu intestino funciona, por dia?".  a primeira pergunta é vaga e necessitaria de uma explanação do que significa "funcionar bem" (do ponto de vista do intestino). a segunda pergunta é mais clara naquilo que procura: indique-me o n.º de vezes e depois podemos falar de um bom ou mau funcionamento. 

a filosofia ajuda-nos a contemplar a pergunta e a compreender o que queremos saber ao fazer as perguntas, que respostas procuramos. nem todas as perguntas perguntam o mesmo - o contexto também é fundamental para compreender o alcance da pergunta e aquilo que se lhe segue. 

 

filosofia: a arte de arriscar respostas 

a resposta surge como uma proposta de resolução de transparência. perante aquela pergunta que me apresenta um problema, arrisco algo que o pode resolver, que o pode tornar mais transparente. nem todos os problemas têm soluções: há alguns problemas que nos colocam em estado de aporia, sem um caminho claro a seguir. 

talvez isto fosse suficiente para voltar atrás e evitar a pergunta. 

não temos respostas para todas as perguntas que nos incomodam. ao longo da nossa vida, mudamos a resposta para uma mesma pergunta. ao longo da história da humanidade, avaliamos e revemos várias respostas a uma mesma pergunta. 

será que vale a pena? se não conseguimos resolver esta opacidade, que sentido tem persistir no perguntar e no responder? 

(19:40 / 24:00)

 

 

*

📚 sugestões de leitura neste link.

❤️ se reconhece valor nos conteúdos que partilho por aqui, considere pagar-me um café.

 

 

 

à luz da razão - antena 2

joana rita sousa, 10.05.22

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estão disponíveis na plataforma rtp play vários episódios do programa "à luz da razão", da antena 2, com Ana Paula Ferreira. na semana passada foi partilhado o episódio sobre razão e emoção, no qual a Dina Mendonça foi convidada. 

no dia 1 de Junho o tema abordado será a filosofia para crianças, no qual tive o gosto de participar. 

em 2019 a revista fórum estudante visitou a oficina do Platão

joana rita sousa, 20.01.22

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"Aqui, nós aprendemos o que as coisas são, o que são as palavras. andamos a ver o que existe, o que é real, explicamos as palavras e as perguntas!", diz Marco, um dos alunos participantes na Oficina do Platão, experiência que já funciona há 3 anos e que estimula, a FORUM comprovou ao vivo, o poder de debate e de argumentação, bem como a tolerância.

Mariana, Catarina, Diogo, Francisco, Carlota, Laura, Rita, Sofia e Mário, todos entre os 11 e os 13 anos, frequentam esta oficina de filosofia que pretende ser “um espaço e um tempo para parar para pensar, treinar o olhar crítico, explorar possibilidades e investigar - em conjunto”. “Fazemos perguntamos, damos respostas, às vezes fazemos jogos, pensamos”, resume Mário sobre a ordem de trabalhos.

“Nas oficinas, procuramos identificar problemas, sob a forma de perguntas, para investigar em conjunto”, explica Joana Rita Sousa. Este trabalho pode partir da leitura de um texto ou de uma notícia de jornal, por situações vividas pelos participantes ou até imagens ou vídeos. A partir daí, explica a mentora desta oficina, constroem-se “condições para o diálogo, estabelecendo algumas regras, como por exemplo, para falar, pedimos a palavra”.

 

para ler na íntegra na revista Fórum Estudante

 

nota: neste artigo eu digo que "não há uma grande preocupação com respostas certas ou erradas, mas mais com as perguntas: os problemas”. parece uma afirmação contraditória com este meu posicionamento - mas não é. 

trata-se de uma frase apelativa e que convida todas as pessoas a arriscar respostas. porém, exige algum enquadramento e por isso convido à leitura deste artigo para o qual convido Alves Jana, Jose Barrientos Rastrojo e Peter Worley para a roda do diálogo. 

 

uma recomendação para quem desenvolve oficinas de filosofia, para crianças e jovens

joana rita sousa, 13.01.22

leia filosofia. estude filosofia. participe de um grupo de diálogo filosófico.

afinal, trata-se de filosofia para crianças e jovens e não de inteligência emocional para crianças ou mindfulness para crianças. é importante que a pessoa facilitadora seja treinada no pensamento filosófico, a identificar problemas, a conceptualizar, a procurar clareza no discurso, a testar possibilidades, a identificar e construir argumentos. 

aprendemos a fazer isso lendo livros de filosofia e praticando exercícios de pensamento crítico e criativo. 

 

a filosofia para crianças e jovens não é um simples procedimento de diálogo e não basta sentar as pessoas em círculo, ler um texto, pedir perguntas, votar perguntas e conversar. há algo mais para lá destas características que habitualmente associamos à filosofia para crianças. esse "algo mais" é a filosofia a acontecer e por vezes é tão súbtil que só alguém com ouvido filosófico consegue detectar.

 

por onde começar? 

 

- isto não é filosofia

o Vitor Lima disponibiliza dois cursos gratuitos no canal de youtube Isto Não É Filosofia. pode fazer uma aula por semana, uma aula por mês: pode definir o seu ritmo. o Vitor disponibiliza bibliografia na descrição dos vídeos, o que também é muito útil. 

 

- leia um texto filosófico

Apologia de Sócrates, de Platão, Meditações de Marco Aurélio ou Para que serve a filosofia?, de Mary Midgley - cada um destes textos pode ser uma boa porta de entrada para começar a ler um texto filosófico. 

 

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- estude e treine pensamento crítico 

Steven Pinker, Warren Berger, Tom Chatfield e Rolf Dobelli são autores que recomendo para quem quer treinar pensamento crítico - e sim, isso inclui "aquelas coisas da lógica".  

 

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- estude com quem trabalha e investiga na área da filosofia para crianças e jovens

Oscar Brenifier, Peter Worley, Dina Mendonça e Maria João Lourenço são algumas das pessoas que publicaram livros onde podemos aprender teoria e prática.

 

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- estude e treine pensamento criativo

Robert Fisher, Edward de Bono, Tony Buzan, Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso são óptimas referências na área do pensamento criativo. 

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e ainda... 

se pretende fazer parte de uma comunidade de prática do diálogo filosófico, considere fazer parte do Clube INÉF, da Academia do Diálogo ou do #ClubeDePerguntas.

se já tem formação na àrea da filosofia para crianças e jovens, considere juntar-se à comunidade de Diálogos Filosóficos ou ao grupo de estudos e de leitura - filosofia para / com crianças e jovens

algumas destas opções são gratuitas, outras envolvem o pagamento de subscrições - TODAS exigem compromisso da sua parte. vamos a isso? 

 

perguntar e arriscar respostas - a partir do natal

joana rita sousa, 12.12.21

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#pararparapensar o natal a partir de uma peça de b0rdalo ii

 

🎄 o natal proporciona boas oportunidades para perguntar e arriscar respostas.

🎄 a partir desta provocadora peça de Bordalo II (partilhada pelo próprio na sua página de facebook, no dia 24 de dezembro de 2016), vamos perguntar.

🎄 prepare uma folha e uma caneta ou em alternativa abra um document word no seu computador.

🎄 atente à imagem. olhe para os seus pormenores. sem pressa.

🎄 na folha ou document word escreva no mínimo 10 perguntas a partir da observação que fez da imagem.

🎄 escolha uma das perguntas que registou e arrisque uma resposta.

🎄 poderá ter necessidade de investigar alguma coisa para responder. poderá responder "não sei".

🎄 o exercício pode ser feito individualmente ou em grupo, com os seus filhos ou com os seus alunos. parece-me uma excelente provocação para pensar o natal, a sustentabilidade e a responsabilidade individual e social.

 

🎄 esta imagem fez parte das oficinas "a cidade e a arte" que dinamizei no #festivaldefilosofiadeabrantes (nov. 2021) e o exercício proposto fez parte do #clubedeperguntas, bem como de um dos #cafefilosoficofilocri sobre a arte.

 

agenda #filocri em dezembro

joana rita sousa, 01.12.21

 

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a agenda de dezembro tem tons de verde e de esperança de que possamos receber 2022 com saúde e curiosidade! 

tome nota e participe das actividades #filocri: 

💬 13 e 27 de dezembro: cafés filosóficos (online) em parceria com a Bertrand Livreiros - para jvoens e adultos / inscrições AQUI

💬 18 de dezembro: oficina do Platão às 15h (sem vagas) e oficina #philoTEEN às 17h - online. há vagas para as oficinas dos jovens dos 13 aos 17 anos - saiba mais AQUI.

💬 28 de dezembro, às 21h: encontro dos membros do Clube de Perguntas para partilha do desafio deste mês. para fazer parte do Clube, preencha o formulário (sujeito a pagamento de subscrição)

 

se não pode participar nestas actividades e ainda assim gostaria de apoiar a filocriatividade e o meu trabalho, convido-o/a a pagar um café através desta plataforma. outra forma de apoiar a filocriatividade passa por subscrever a newsletter ou divulgar as minhas publicações junto de potenciais interessados.

muito obrigada! 

 

#livrosperguntadores para celebrar o #diamundialdafilosofia

joana rita sousa, 01.12.21

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no dia 23 de novembro encontrei-me "na esquina" do instagram com a Júlia Martins para partilharmos #livrosperguntadores.

no âmbito das comemorações do dia mundial da filosofia a filocriatividade e o pnl2027 organizaram um conjunto de sugestões e de reflexões disponíveis no portal e cuja visita muito recomendo!

 

eis a lista dos livros escolhidos no encontro do dia 23 de novembro: 

📚 Diógenes, de Pablo Ablo e Pablo Auladell /  Kalandraka 

📚 A grande questão, Wolf Erlbruch / Kalandraka

📚 O menino que coleccionava palavras, Peter Hamilton Reynolds / Presença

📚 Palomar, de Italo Calvino / Dom Quixote

📚 Migrantes, Issa Watanabe / Orfeu Negro 

📚 Notas sobre um naufrágio, David Enia. / Dom Quixote 

📚 Era uma vez, Johanna Schable / Planeta Tangerina

📚 Como ver coisas invisíveis, Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso / Planeta Tangerina

📚 O homem que carregava pedras, O rapaz que conheceu o homem que caregava pedras, O cão do rapaz que conheceu o homem que carregava pedras / Marco Taylor

📚 Feliz, de Mies Van Hout / Poets & Dragons Society

📚 Mary John, de Ana Pessoa / Planeta Tangerina

📚 Migrando, Mariana Chiesa Mateos / Orfeu Negro
 
📚 Si no te gusta leer no es culpa tuya, Jimmy Liao / Barbara Fiore Editora
 
📚 Seis Propostas para o Próximo Milénio começar e acabar, Italo Calvino / Teorema 
 
 
 

 

estes foram os livros partilhados durante a live no instagram. porém... temos mais sugestões de #livrosperguntadores (e algumas recomendações nem são livros...). por isso, fique atento/a ao blog e ao instagram.

 

filosofar a brincar

joana rita sousa, 27.11.21

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filosofia, uma brincadeira muito séria 

uma nota: por filosofia entenda-se um espaço e um tempo que convida um grupo de pessoas a fazer acontecer a filosofia. entendo a filosofia como um verbo, um movimento que nos desloca da pergunta para a resposta, para o comentário ou para a outra pergunta. 

 

há dias numa tímida turma de 3.º ciclo perguntavam-me onde é que eu era professora. segundo um dos participantes eu seria demasiado bem disposta para ser professora.  respondi que sou uma pessoa sem escola e que o meu trabalho passa por dinamizar oficinas de filosofia com todas as idades, a partir dos 3 anos. não ter escola permite-me conhecer várias escolas de Portugal, continente e ilhas - e também noutros países.

não irei expor o porquê desta minha prática filosófica, pois o assunto que me traz aqui é mais o "como". como acontecem estas oficinas?

um dos trampolins para estas oficinas é o jogo. o jogo tem uma dimensão lúdica, tem regras e normalmente permite vários jogadores. o jogo não é a realidade, porém pode fazer-nos pensar a realidade. 

na minha experiência de dinamização de oficinas de filosofia com pessoas das mais diferentes idades e geografias, a apresentação da proposta do "trabalho de pensar" (Saramago) através do jogo é meio caminho andado para envolver as pessoas participantes. a outra metade do caminho prende-se com o trabalho filosófico em si mesmo. como é que este trabalho acontece? 

 

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o pensamento crítico e a sua aplicação cuidadosa

uma das competências que se trabalha nas oficinas de filosofia diz respeito ao pensamento crítico. de acordo com Lima, o pensamento crítico

"é a aplicação cuidadosa da razão para decidir em que acreditar e, portanto, como agir. destaque para as partes importantes da definição:

Pensamento cuidadoso (sensatez)  

Uso da razão (lógica)  

Julgamento sobre crenças (avaliação

Aplicação a problemas reais (ação)”

não é fácil, nem rápido. é bastante exigente: exige treino, bem como atenção à complexidade e ao detalhe. exige compromisso com a investigação filosófica (philosophical enquiry - Peter Worley). exige sensibilidade ao contexto (filosofia para crianças, M. Lipman e A. Sharp). 

 

"e se...?" - as portas que o pensamento criativo nos abre 

na linha de Robert Fisher, o pensamento criativo diz respeito à criação de atalhos, a questionar a forma habitual de fazer as coisas, à curiosidade e à investigação, à associação de ideias, à observação de semelhanças e de diferenças, bem como à flexibilidade.

ainda que eu não defenda "X", posso imaginar como será o pensamento de alguém que defende "X" numa dada situação. esta atitude permite-me inclusivamente testar a solidez da minha posição, quem sabe melhorá-la e até abandoná-la. é possível que eu possa estar errada e observar a ideia dos outros pode fazer com que eu regresse à minha ideia com mais clareza.

 

pensar, escutar e falar: o pensamento colaborativo 

Peter Worley apresenta numa das suas últimas obras - Corrupting Youth - um triângulo dialéctico muito simples que estrutura o trabalho que desenvolvo nas oficinas de filosofia:

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há diferentes formas de participar numa oficina de filosofia: há pessoas que falam bastante, outras ficam em silêncio, há quem observe e só fale no momento de avaliar o trabalho - há quem se aborreça e há quem se entusiasme muito.

mais importante do que a quantidade de participações é atender à qualidade da participação: passo a passo, aprendemos que a filosofia é um espaço para eu dizer o que penso, para dar as razões para pensar dessa forma e também para pensar com os outros, partindo das suas ideias, criticando-as ou acrescentando algo. 

a escuta é fundamental nesse processo - e noutros, se tivermos em conta a recomendação  2/2021, 2021-07-14 - DRE, sobre A voz das crianças e dos jovens na educação escolar

 

*

na minha prática parto do pressuposto que as crianças, os jovens, os adultos - as pessoas que participam nestas oficinas -  são capazes de conjungar o verbo "filosofia".

o meu papel passa por assinalar alguns momentos, focar o grupo no tópico, convidar ao aprofundamento filosófico, identificar as ferramentas da filosofia (conceptualizar, problematizar...), manter o lado lúdico do diálogo e espantar-me com  o rumo dos diálogos. 

 

*

nas oficinas o verbo filosofia conjuga-se em forma de um diálogo comprometido com uma certa investigação e orientado pela obsessão pela transparência (António de Castro Caeiro). nesse diálogo-jogo  há movimentos de pensamento (crítico, criativo, colaborativo e cuidadoso) que nos permitem avanços e recuos - e no fim, quem ganha? definitivamente eu ganho imenso, pois trago sempre algo novo comigo, em cada oficina de filosofia, recarregando os meus níveis de espanto e de abertura para dizer "nunca tinha pensado nisso". 

 

*

 

curadoria de links sobre a temática disponível AQUI

 

referências: 

Lima, Evelyn; Lima, Vitor (2020), Pensando bem, o básico do Pensamento Crítico, [ebook] Rio de Janeiro, INÉF

Sousa, Joana Rita (2014), "Fazer acontecer a Filosofia –da criação de condições para o surgimento dos "porquês", IV Encontro de Filosofia para Crianças e Criatividade Sentir Pensamentos | Pensar Sentidos, 6 e 7 de Novembro, Universidade do Minho [não publicado]

Sousa, Joana Rita, (2016), “Going down the rabbit hole”, I CICA – Congresso Internacional e Interdisciplinar da Criança e do Adolescente, 21 e 22 de Outubro, Universidade dos Açores – Ponta Delgada [não publicado]

Sousa, Joana Rita (2017b), Laurance Splitter: "(...) we need to take their questions seriously, and check with them before assuming we know exactly what they mean." [blog post] in https://joanarssousa.blogs.sapo.pt/laurance-splitter-we-need-to-take-481425  (acedido em julho 10, 2018)

Sousa, Joana Rita (2019), Queres saber? Pergunta., [dissertação de mestrado] in https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/5258/1/DissertMestradoJoanaRitaSilvaSousa2019.pdf (acedido em 1 de novembro de 2021)

Worley, Peter (2021), Corrupting Youth, Reino Unido, Rowman & Littlefield