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filocriatividade | filosofia e criatividade

>> oficinas de filosofia, para crianças, jovens e adultos >> formação para professores e educadores (CCPFC) >> nas redes sociais: #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

filocriatividade | filosofia e criatividade

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em 2019 a revista fórum estudante visitou a oficina do Platão

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"Aqui, nós aprendemos o que as coisas são, o que são as palavras. andamos a ver o que existe, o que é real, explicamos as palavras e as perguntas!", diz Marco, um dos alunos participantes na Oficina do Platão, experiência que já funciona há 3 anos e que estimula, a FORUM comprovou ao vivo, o poder de debate e de argumentação, bem como a tolerância.

Mariana, Catarina, Diogo, Francisco, Carlota, Laura, Rita, Sofia e Mário, todos entre os 11 e os 13 anos, frequentam esta oficina de filosofia que pretende ser “um espaço e um tempo para parar para pensar, treinar o olhar crítico, explorar possibilidades e investigar - em conjunto”. “Fazemos perguntamos, damos respostas, às vezes fazemos jogos, pensamos”, resume Mário sobre a ordem de trabalhos.

“Nas oficinas, procuramos identificar problemas, sob a forma de perguntas, para investigar em conjunto”, explica Joana Rita Sousa. Este trabalho pode partir da leitura de um texto ou de uma notícia de jornal, por situações vividas pelos participantes ou até imagens ou vídeos. A partir daí, explica a mentora desta oficina, constroem-se “condições para o diálogo, estabelecendo algumas regras, como por exemplo, para falar, pedimos a palavra”.

 

para ler na íntegra na revista Fórum Estudante

 

nota: neste artigo eu digo que "não há uma grande preocupação com respostas certas ou erradas, mas mais com as perguntas: os problemas”. parece uma afirmação contraditória com este meu posicionamento - mas não é. 

trata-se de uma frase apelativa e que convida todas as pessoas a arriscar respostas. porém, exige algum enquadramento e por isso convido à leitura deste artigo para o qual convido Alves Jana, Jose Barrientos Rastrojo e Peter Worley para a roda do diálogo. 

 

uma recomendação para quem desenvolve oficinas de filosofia, para crianças e jovens

leia filosofia. estude filosofia. participe de um grupo de diálogo filosófico.

afinal, trata-se de filosofia para crianças e jovens e não de inteligência emocional para crianças ou mindfulness para crianças. é importante que a pessoa facilitadora seja treinada no pensamento filosófico, a identificar problemas, a conceptualizar, a procurar clareza no discurso, a testar possibilidades, a identificar e construir argumentos. 

aprendemos a fazer isso lendo livros de filosofia e praticando exercícios de pensamento crítico e criativo. 

 

a filosofia para crianças e jovens não é um simples procedimento de diálogo e não basta sentar as pessoas em círculo, ler um texto, pedir perguntas, votar perguntas e conversar. há algo mais para lá destas características que habitualmente associamos à filosofia para crianças. esse "algo mais" é a filosofia a acontecer e por vezes é tão súbtil que só alguém com ouvido filosófico consegue detectar.

 

por onde começar? 

 

- isto não é filosofia

o Vitor Lima disponibiliza dois cursos gratuitos no canal de youtube Isto Não É Filosofia. pode fazer uma aula por semana, uma aula por mês: pode definir o seu ritmo. o Vitor disponibiliza bibliografia na descrição dos vídeos, o que também é muito útil. 

 

- leia um texto filosófico

Apologia de Sócrates, de Platão, Meditações de Marco Aurélio ou Para que serve a filosofia?, de Mary Midgley - cada um destes textos pode ser uma boa porta de entrada para começar a ler um texto filosófico. 

 

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- estude e treine pensamento crítico 

Steven Pinker, Warren Berger, Tom Chatfield e Rolf Dobelli são autores que recomendo para quem quer treinar pensamento crítico - e sim, isso inclui "aquelas coisas da lógica".  

 

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- estude com quem trabalha e investiga na área da filosofia para crianças e jovens

Oscar Brenifier, Peter Worley, Dina Mendonça e Maria João Lourenço são algumas das pessoas que publicaram livros onde podemos aprender teoria e prática.

 

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- estude e treine pensamento criativo

Robert Fisher, Edward de Bono, Tony Buzan, Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso são óptimas referências na área do pensamento criativo. 

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e ainda... 

se pretende fazer parte de uma comunidade de prática do diálogo filosófico, considere fazer parte do Clube INÉF, da Academia do Diálogo ou do #ClubeDePerguntas.

se já tem formação na àrea da filosofia para crianças e jovens, considere juntar-se à comunidade de Diálogos Filosóficos ou ao grupo de estudos e de leitura - filosofia para / com crianças e jovens

algumas destas opções são gratuitas, outras envolvem o pagamento de subscrições - TODAS exigem compromisso da sua parte. vamos a isso? 

 

perguntar e arriscar respostas - a partir do natal

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#pararparapensar o natal a partir de uma peça de b0rdalo ii

 

🎄 o natal proporciona boas oportunidades para perguntar e arriscar respostas.

🎄 a partir desta provocadora peça de Bordalo II (partilhada pelo próprio na sua página de facebook, no dia 24 de dezembro de 2016), vamos perguntar.

🎄 prepare uma folha e uma caneta ou em alternativa abra um document word no seu computador.

🎄 atente à imagem. olhe para os seus pormenores. sem pressa.

🎄 na folha ou document word escreva no mínimo 10 perguntas a partir da observação que fez da imagem.

🎄 escolha uma das perguntas que registou e arrisque uma resposta.

🎄 poderá ter necessidade de investigar alguma coisa para responder. poderá responder "não sei".

🎄 o exercício pode ser feito individualmente ou em grupo, com os seus filhos ou com os seus alunos. parece-me uma excelente provocação para pensar o natal, a sustentabilidade e a responsabilidade individual e social.

 

🎄 esta imagem fez parte das oficinas "a cidade e a arte" que dinamizei no #festivaldefilosofiadeabrantes (nov. 2021) e o exercício proposto fez parte do #clubedeperguntas, bem como de um dos #cafefilosoficofilocri sobre a arte.

 

agenda #filocri em dezembro

 

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a agenda de dezembro tem tons de verde e de esperança de que possamos receber 2022 com saúde e curiosidade! 

tome nota e participe das actividades #filocri: 

💬 13 e 27 de dezembro: cafés filosóficos (online) em parceria com a Bertrand Livreiros - para jvoens e adultos / inscrições AQUI

💬 18 de dezembro: oficina do Platão às 15h (sem vagas) e oficina #philoTEEN às 17h - online. há vagas para as oficinas dos jovens dos 13 aos 17 anos - saiba mais AQUI.

💬 28 de dezembro, às 21h: encontro dos membros do Clube de Perguntas para partilha do desafio deste mês. para fazer parte do Clube, preencha o formulário (sujeito a pagamento de subscrição)

 

se não pode participar nestas actividades e ainda assim gostaria de apoiar a filocriatividade e o meu trabalho, convido-o/a a pagar um café através desta plataforma. outra forma de apoiar a filocriatividade passa por subscrever a newsletter ou divulgar as minhas publicações junto de potenciais interessados.

muito obrigada! 

 

#livrosperguntadores para celebrar o #diamundialdafilosofia

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no dia 23 de novembro encontrei-me "na esquina" do instagram com a Júlia Martins para partilharmos #livrosperguntadores.

no âmbito das comemorações do dia mundial da filosofia a filocriatividade e o pnl2027 organizaram um conjunto de sugestões e de reflexões disponíveis no portal e cuja visita muito recomendo!

 

eis a lista dos livros escolhidos no encontro do dia 23 de novembro: 

📚 Diógenes, de Pablo Ablo e Pablo Auladell /  Kalandraka 

📚 A grande questão, Wolf Erlbruch / Kalandraka

📚 O menino que coleccionava palavras, Peter Hamilton Reynolds / Presença

📚 Palomar, de Italo Calvino / Dom Quixote

📚 Migrantes, Issa Watanabe / Orfeu Negro 

📚 Notas sobre um naufrágio, David Enia. / Dom Quixote 

📚 Era uma vez, Johanna Schable / Planeta Tangerina

📚 Como ver coisas invisíveis, Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso / Planeta Tangerina

📚 O homem que carregava pedras, O rapaz que conheceu o homem que caregava pedras, O cão do rapaz que conheceu o homem que carregava pedras / Marco Taylor

📚 Feliz, de Mies Van Hout / Poets & Dragons Society

📚 Mary John, de Ana Pessoa / Planeta Tangerina

📚 Migrando, Mariana Chiesa Mateos / Orfeu Negro
 
📚 Si no te gusta leer no es culpa tuya, Jimmy Liao / Barbara Fiore Editora
 
📚 Seis Propostas para o Próximo Milénio começar e acabar, Italo Calvino / Teorema 
 
 
 

 

estes foram os livros partilhados durante a live no instagram. porém... temos mais sugestões de #livrosperguntadores (e algumas recomendações nem são livros...). por isso, fique atento/a ao blog e ao instagram.

 

filosofar a brincar

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filosofia, uma brincadeira muito séria 

uma nota: por filosofia entenda-se um espaço e um tempo que convida um grupo de pessoas a fazer acontecer a filosofia. entendo a filosofia como um verbo, um movimento que nos desloca da pergunta para a resposta, para o comentário ou para a outra pergunta. 

 

há dias numa tímida turma de 3.º ciclo perguntavam-me onde é que eu era professora. segundo um dos participantes eu seria demasiado bem disposta para ser professora.  respondi que sou uma pessoa sem escola e que o meu trabalho passa por dinamizar oficinas de filosofia com todas as idades, a partir dos 3 anos. não ter escola permite-me conhecer várias escolas de Portugal, continente e ilhas - e também noutros países.

não irei expor o porquê desta minha prática filosófica, pois o assunto que me traz aqui é mais o "como". como acontecem estas oficinas?

um dos trampolins para estas oficinas é o jogo. o jogo tem uma dimensão lúdica, tem regras e normalmente permite vários jogadores. o jogo não é a realidade, porém pode fazer-nos pensar a realidade. 

na minha experiência de dinamização de oficinas de filosofia com pessoas das mais diferentes idades e geografias, a apresentação da proposta do "trabalho de pensar" (Saramago) através do jogo é meio caminho andado para envolver as pessoas participantes. a outra metade do caminho prende-se com o trabalho filosófico em si mesmo. como é que este trabalho acontece? 

 

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o pensamento crítico e a sua aplicação cuidadosa

uma das competências que se trabalha nas oficinas de filosofia diz respeito ao pensamento crítico. de acordo com Lima, o pensamento crítico

"é a aplicação cuidadosa da razão para decidir em que acreditar e, portanto, como agir. destaque para as partes importantes da definição:

Pensamento cuidadoso (sensatez)  

Uso da razão (lógica)  

Julgamento sobre crenças (avaliação

Aplicação a problemas reais (ação)”

não é fácil, nem rápido. é bastante exigente: exige treino, bem como atenção à complexidade e ao detalhe. exige compromisso com a investigação filosófica (philosophical enquiry - Peter Worley). exige sensibilidade ao contexto (filosofia para crianças, M. Lipman e A. Sharp). 

 

"e se...?" - as portas que o pensamento criativo nos abre 

na linha de Robert Fisher, o pensamento criativo diz respeito à criação de atalhos, a questionar a forma habitual de fazer as coisas, à curiosidade e à investigação, à associação de ideias, à observação de semelhanças e de diferenças, bem como à flexibilidade.

ainda que eu não defenda "X", posso imaginar como será o pensamento de alguém que defende "X" numa dada situação. esta atitude permite-me inclusivamente testar a solidez da minha posição, quem sabe melhorá-la e até abandoná-la. é possível que eu possa estar errada e observar a ideia dos outros pode fazer com que eu regresse à minha ideia com mais clareza.

 

pensar, escutar e falar: o pensamento colaborativo 

Peter Worley apresenta numa das suas últimas obras - Corrupting Youth - um triângulo dialéctico muito simples que estrutura o trabalho que desenvolvo nas oficinas de filosofia:

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há diferentes formas de participar numa oficina de filosofia: há pessoas que falam bastante, outras ficam em silêncio, há quem observe e só fale no momento de avaliar o trabalho - há quem se aborreça e há quem se entusiasme muito.

mais importante do que a quantidade de participações é atender à qualidade da participação: passo a passo, aprendemos que a filosofia é um espaço para eu dizer o que penso, para dar as razões para pensar dessa forma e também para pensar com os outros, partindo das suas ideias, criticando-as ou acrescentando algo. 

a escuta é fundamental nesse processo - e noutros, se tivermos em conta a recomendação  2/2021, 2021-07-14 - DRE, sobre A voz das crianças e dos jovens na educação escolar

 

*

na minha prática parto do pressuposto que as crianças, os jovens, os adultos - as pessoas que participam nestas oficinas -  são capazes de conjungar o verbo "filosofia".

o meu papel passa por assinalar alguns momentos, focar o grupo no tópico, convidar ao aprofundamento filosófico, identificar as ferramentas da filosofia (conceptualizar, problematizar...), manter o lado lúdico do diálogo e espantar-me com  o rumo dos diálogos. 

 

*

nas oficinas o verbo filosofia conjuga-se em forma de um diálogo comprometido com uma certa investigação e orientado pela obsessão pela transparência (António de Castro Caeiro). nesse diálogo-jogo  há movimentos de pensamento (crítico, criativo, colaborativo e cuidadoso) que nos permitem avanços e recuos - e no fim, quem ganha? definitivamente eu ganho imenso, pois trago sempre algo novo comigo, em cada oficina de filosofia, recarregando os meus níveis de espanto e de abertura para dizer "nunca tinha pensado nisso". 

 

*

 

curadoria de links sobre a temática disponível AQUI

 

referências: 

Lima, Evelyn; Lima, Vitor (2020), Pensando bem, o básico do Pensamento Crítico, [ebook] Rio de Janeiro, INÉF

Sousa, Joana Rita (2014), "Fazer acontecer a Filosofia –da criação de condições para o surgimento dos "porquês", IV Encontro de Filosofia para Crianças e Criatividade Sentir Pensamentos | Pensar Sentidos, 6 e 7 de Novembro, Universidade do Minho [não publicado]

Sousa, Joana Rita, (2016), “Going down the rabbit hole”, I CICA – Congresso Internacional e Interdisciplinar da Criança e do Adolescente, 21 e 22 de Outubro, Universidade dos Açores – Ponta Delgada [não publicado]

Sousa, Joana Rita (2017b), Laurance Splitter: "(...) we need to take their questions seriously, and check with them before assuming we know exactly what they mean." [blog post] in https://joanarssousa.blogs.sapo.pt/laurance-splitter-we-need-to-take-481425  (acedido em julho 10, 2018)

Sousa, Joana Rita (2019), Queres saber? Pergunta., [dissertação de mestrado] in https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/5258/1/DissertMestradoJoanaRitaSilvaSousa2019.pdf (acedido em 1 de novembro de 2021)

Worley, Peter (2021), Corrupting Youth, Reino Unido, Rowman & Littlefield

 

 

o papel da filosofia na Recomendação n. º2, de julho de 2021

sobre A voz das crianças e dos jovens na educação escolar

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eu e a Júlia Martins (da equipa PNL2027) encontrámo-nos num Google doc para pensar colaborativamente a partir da Recomendação n. º2, de julho de 2021 sobre A voz das crianças e dos jovens na educação escolar. a reflexão pode ser lida AQUI.

 

[Joana] O documento é muito assertivo na defesa da voz das crianças e dos jovens. Podemos ler: “Efetivamente, exige-se um novo papel à escola atual: mais do que a transmissão de saberes, que hoje estão à distância de um clique, espera-se que possa promover a partilha, a problematização e a estruturação dos conhecimentos.” Afirmações destas fazem-me pensar no papel do professor e até no desaparecimento desta figura. O que seria da escola se em vez de professores tivéssemos figuras como tutores ou até curadores?

[Júlia] Seria uma escola diferente. De certeza! Gosto da ideia de uma escola com curadores. A curadoria não é uma tarefa fácil, pelo contrário, exige dedicação, carinho e muita paixão. O curador cuida da aprendizagem, isto é: suscita experiências, cria cenários de aprendizagem, proporciona a problematização, a argumentação e a conceptualização. Induz “a participação dialógica", a partilha e uma comunicação efectiva, mas também cuida da escuta e dos afetos. Sabemos que estas não são práticas habituais na vida da escola. No documento, em análise, lê-se: “[...] parece existir uma dificuldade de os/as professores/as repartirem com as crianças e os jovens o seu poder de decisão no trabalho de gestão e de desenvolvimento do currículo [...] “a questão que se coloca é: como superamos esta dificuldade? Pela implementação de novas metodologias? Poderá a filosofia dar algum contributo?

 

"foi errado abrir o livro?"

- investigações no jardim de infância

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abrir ou não abrir o livro?

na oficina passada virámos todas as páginas do livro "Não abras este livro". houve todo um entusiasmo para descobrir cada uma das páginas.

hoje pensámos um pouco sobre o que fizemos. afinal, o livro diz lá "NÃO". e nós não respeitámos o não!  por que é que abrimos o livro?

💬 "foi errado abrir o livro", disse uma das crianças. porquê? 💬 "porque dizia lá que NÃO" e💬 "o monstrinho azul ficou num sapo". 

o virar das páginas mudou a vida do nosso amigo o monstrinho azul. não podemos voltar atrás. então e se a história continuar? 

"Não abras este livro outra vez" - e agora?  abrimos o livro amarelo? 

entre SINS e NÃOS, pedi às crianças para levantar o braço e escolher. as mesmas pessoas levantaram o braço no SIM e no NÃO. eu fiquei muito confusa e sem saber o que fazer.

💬 "nós queremos saber o que vai acontecer mas diz para não abrir"

💬 "mas nós queremos saber o que vai acontecer!"

💬 "abre, abre."

bom, e abrimos o livro. e a vida do nosso amigo monstrinho azul mudou de novo. e agora? 

 

 

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investigação: será que este livro fala de amizade? 

 

na sala de amizade o grupo tem estado a trabalhar o tema dos animais. assim, resolvi levar o livro "Os animais estavam zangados" para falar de amizade. bom, na verdade precisava da ajuda do grupo para compreender se tinha escolhido bem o livro para falar de amizade.

depois da partilha da história - que trouxe recordações da visita que as crianças fizeram recentemente ao jardim zoológico - partimos para a investigação: este livro fala da amizade? 

💬 "o livro não diz que é da amizade"

💬 "os animais também são amigos?"

💬 "o que é ser amigo de alguém?" 

ser amigo de alguém é 💬 "brincar" e 💬 "partilha coisas". também pode ser 💬 "conversar sobre aquilo que aconteceu". será que os animais têm conversas dessas?

💬 "sim, os flamingos do jardim zoológico estavam a conversar".

porém, o nome da história deixou-nos a pensar se seria mesmo uma história de amizade. afinal, estar zangado não "bate certo" com a ideia da amizade. 

💬 "os animais estavam zangados porque partiu-se a amizade"

 

*

pensar, escutar e falar (peter worley) 

regresso a Peter Worley e ao seu mais recente livro Corrupting Youth para lembrar que o triângulo pensar, escutar e falar constitui o movimento básico e essencial para que a filosofia e o diálogo filosófico possam acontecer. 

não é fácil praticar o pensar e escutar e falar, um de cada vez. por vezes entusiasmamo-nos muito e falamos por cima uns dos outros e não conseguimos escutar-nos. outras vezes pensamos, mas não conseguimos muito bem falar do que pensamos. escutar é quase uma arte, nos dias que correm, com tantos estímulos a captar a nossa atenção.

estas dificuldades não são exclusivas das crianças do jardim de infância, são até bastante comuns entre os adultos 

temos todo um ano lectivo pela frente para praticar o pensar, escutar e falar! 

 

*

se pretende que as oficinas #filocri viajem até à sua escola,

jardim de infância ou biblioteca escolar, contacte-me através deste formulário

 

 

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