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filocriatividade | filosofia e criatividade

>> oficinas de filosofia, para crianças, jovens e adultos >> formação para professores e educadores (CCPFC) >> nas redes sociais: #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

filocriatividade | filosofia e criatividade

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guia para acabar com a curiosidade das crianças

 

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❌ este é um guia simples para quem pretende acabar com a curiosidade das crianças.

❌ algumas destas ideias já foram ouvidas por mim em contexto escolar ou entre pais e filhos. note: nem sempre tenho a possibilidade de perguntar pelo porquê de um adulto não querer sequer ouvir uma ideia vinda de uma criança e que não corresponde àquilo que esperava ouvir.

❌ bem sei que as vidas das pessoas são complexas e a prática do oposto deste guia exige disponibilidade e tempo, bem como uma abertura ao desconhecido, por parte dos adultos. não é fácil e exige esforço, é certo!

❌ acabar com a curiosidade das crianças é simples. vamos NÃO seguir este guia? vamos!

 

[para ler o nosso guia, visite o perfil instagram da filocriatividade]

 

"todos" ou "cada um"

 

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"no final da sessão, todos..."

quando preparo uma formação e me deparo com aqueles formulários de intenções e de conteúdos e de objectivos dou por mim a escrever: "no final da sessão, os formandos irão compreender que..." 

ultimamente tenho reflectido muito sobre este "os formandos" ou "as crianças" ou "os participantes" e as nossas intenções para incluir todos, para comunicar com todos, para chegar a todos, para dialogar com todos. a palavra "todos" começou a soar-me a ambição desmedida e falta de noção da realidade. 

passo a explicar. 

afirmar que numa oficina de filosofia "todos os formandos vão" é muito ambicioso.

seja em formato online ou presencial, os formadores ou os professores não têm tempo nem as ferramentas para, a todo o momento, acompanhar o que todos estão a apreender da nossa sessão.

assim, proponho que se parta para uma sessão com o desafio de tentar chegar a cada uma das pessoas presentes, procurando dar liberdade para que as próprias manifestem o que é que as mobiliza ao envolvimento na sessão. 

repare que escrevo "tentar chegar" e "procurar dar", pois tenho consciência de que tudo o que acontece à nossa volta incentiva a alguma pressa que nos atropela esta intenção e que os hábitos que temos são difíceis de mudar. 

 

as crianças e o diálogo 

no contexto particular das oficinas de filosofia para crianças e jovens procuro que todos possam participar do diálogo. todavia, nem todos participam e nem todos participam da mesma maneira. se abandonar a ideia de que todos têm de participar de uma certa maneira (por exemplo, colocando o dedo no ar para fazer uma pergunta relacionada com o tópico sobre o qual estamos a dialogar), estarei muito mais próxima da realidade, daquilo que realmente acontece.

o texto de Ellen Duthie ajuda-nos a entender que temos de rever o conceito de participação, bem como estar disponível para respeitar os ritmos e os tempos de cada pessoa (criança ou adulto)  que participa na oficina. 

há dias deixaram-me esta pergunta depois de um encontro de formação para técnicos/as que trabalham em jardim de infância: 

Quando as crianças não estão disponíveis para o diálogo, que estratégias podemos usar para as envolver?

a minha resposta passa convidar os professores ou educadores a ampliar a forma como entendemos o diálogo. nem tudo passa pela palavra, podemos abrir-nos para outras formas de diálogo, como o desenho, a construção em plasticina ou com legos. em vez de pedirmos à criança que contribua com um braço no ar e um conjunto de palavras, considere pedir outras formas de diálogo. em jardim de infância o desenho é algo que faz parte das suas rotinas. 

como construir um diálogo através do desenho? bom, considere abandonar as folhas A4 e adoptar folhas A3 ou rolos de papel cenário onde se pode construir um diálogo em que cada um cria o seu desenho, desenho que pode comunicar com o desenho do amigo ou da amiga que desenhou antes ou vai desenhar depois. podemos desenhar um a um, podemos desenhar ao mesmo tempo, cada um num canto da folha gigante de papel cenário. deixe que as crianças desenhem sem grandes regras (na vertical ou na horizontal). permita que haja uma exploração do espaço da folha e um diálogo visual com os outros participantes. 

esta é uma forma de trabalhar o diálogo e de procurar envolver as crianças que não participam como esperamos (colocar a mão no ar para dizer algo relevante sobre o tópico em discussão). mas prepare-se: nem todas as crianças vão gostar ou envolver-se no desenho da mesma maneira. cada um irá envolver-se de uma forma e cabe-nos a nós, aos adultos na sala, permitirmo-nos a essa abertura aos diferentes olhares e posturas de CADA UM dos participantes. 

o desenho é apenas um exemplo. os jogos são outra forma de envolvimento que permite uma participação silenciosa se, por exemplo, tivermos de colocar certas peças num certo sítio para partilhar o nosso pensamento. 

 

neste vídeo Sara Stanley partilha um pouco da sua experiência de abertura àquilo que as crianças trazem para o tempo e o espaço do diálogo: 

 

 

uma última reflexão

julgo que é necessário abandonar essa ambição desmedida e a falta de noção da realidade, para dar lugar à prática da profunda sensibilidade ao contexto.

a formação (ou sessão ou oficina) é pensada para todas as pessoas (crianças, jovens ou adultos) que estão em sala (presencial ou online), sabendo que cada uma das pessoas ali presente é única, tem expectativas únicas e irá acolher o conteúdo de uma certa forma. e nós, formadores ou professores, também temos as nossas expectativas e formas de ver o mundo. estar "deste lado" da formação ou do ensino é um bom treino para poder "beber" essa diversidade. ainda que tenhamos as nossas formas preferidas de fazer as coisas, há que estar disponível para acolher formas que não tínhamos ainda contemplado.

entendo essa atitude ou disposição como a prática do espanto, do thaumatsen:

O thaumatsen é encantamento, movimento, experiência, relação do ser que pensa o mundo, no mundo e com o mundo. Essa relação não é propriedade de ninguém, está a saltitar pelo universo, provocando a todos os atentos. Não tem nacionalidade nem paradeiro, é peregrina. (Lara Sayão

 

 

agenda #filocri em outubro

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outubro: o mês em que a hora vai mudar (no dia 31 de outubro) - porém na filocriatividade há algo que não muda neste mês: a agenda está recheada de oficinas, para crianças, para jovens e para adultos. tome nota: 

👉 o #ClubeDePerguntas está neste momento à procura de novos membros e o encontro online está agendado para 27 de Setembro;

👉 no dia 12 de Outubro tem início a formação [online] ferramentas para pensar, em parceria com a Best Care Agency;

👉 no dia 27 de Outubro tem início a formação [online] pensar antes de gostar, em parceria com a Bertrand Livreiros;

👉 cafés filosóficos [online] em parceria com a @bertrandlivreiros  (nos dias 11 e 25 de outubro);

👉 oficina presencial  na @oficina_local_carnide já no dia 16 de outubro; 

📚 o Clube de Leitura em Voz Alta #filocri (@pnl2027) também está de volta no dia 31 de Outubro. trata-se de uma actividade gratuita, para miúdos e graúdos.

👉  as oficinas do Platão e #philoteen regressam no dia 30 de Outubro, sábado;

👉 tem início a 4.ª edição da Pós-Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens (@fchcatolica)!

 

espero poder encontrá-la/o num destes eventos. até lá? 

 

oficinas de filosofia para crianças e jovens - #filocri - 2020 / 2021

🎒 estou preparada para colocar a mochila às costas e viajar até ao jardim de infância e às escolas dos vários ciclos para levar a filosofia às crianças e jovens.

💬 neste ano lectivo as oficinas para cada um dos ciclos de ensino têm o nome de uma mulher filósofa. é uma forma de homenagear estas mulheres que ficam "de fora" das histórias da filosofia e sobre as quais considero importante falar e mencionar. 

👁 espero criar curiosidade em torno dos seus nomes e levar as pessoas a pesquisar os seus nomes, a descobrir quem são. 🙂 ainda estou a aprender quem são essas mulheres, o que pensaram, como fizeram filosofia, bem como a repensar a filosofi📧a e o modo de a fazer.

 

📧 se pretende proporcionar à sua turma uma oficina de filosofia, contacte-me via e-mail: joana@filosofiaparacriancas.pt 

 

👉as oficinas podem acontecer de forma presencial ou online síncrona. 

 

*

 

oficinas no jardim de infância

(pressione a seta no lado direito da imagem para ver em detalhe as informações sobre as oficinas) 

 

oficinas no 1.º ciclo do ensino básico 

(pressione a seta no lado direito da imagem para ver em detalhe as informações sobre as oficinas) 

 

oficinas no 2.º ciclo do ensino básico

 

(pressione a seta no lado direito da imagem para ver em detalhe as informações sobre as oficinas) 

 

oficinas no 3.º ciclo do ensino básico

 

(pressione a seta no lado direito da imagem para ver em detalhe as informações sobre as oficinas) 

 

oficinas no secundário 

 

(pressione a seta no lado direito da imagem para ver em detalhe as informações sobre as oficinas) 

filosofia para crianças - formação

- pretende levar formação na área da filosofia para crianças e jovens à sua escola ou biblioteca esc

desde 2008 que a filocriatividade desenvolve acções de formação para professores, educadores, professores bibliotecários e demais agentes educativos. nesse sentido, preparei três formações que podem viajar até à sua escola e/ou biblioteca escolar ou centro de formação.

 

que acções são essas? 

* Os porquês da palavra porquê - o que é a filosofia para crianças e jovens?

* Fazer da criatividade um hábito - mapas mentais e chapéus às cores em sala de aula

* Ler para perguntar, perguntar para ler - o que são livros perguntadores?

 

qual é a duração de cada acção?

a duração das acções é ajustada às necessidades do grupo. 

consoante a duração das acções (3h, 6h ou 9h) os conteúdos serão mais ou menos aprofundados e haverá mais ou menos possibilidade de fazer exercícios que permitam aos formandos apropriar-se das ferramentas. 

 

estas acções podem ser acreditadas junto do centro de formação?

sim, as acções podem ser acreditadas. 

 

as acções são online ou presenciais? 

as acções podem acontecer no formato presencial ou online. na opção online podemos trabalhar de forma síncrona e/ou assíncrona. é uma questão de conversarmos e ajustarmos "o fato à medida". 

 

como posso saber mais? 

basta que envie um e-mail para joana@filosofiaparacriancas.pt ou que me contacte através das redes sociais. 

 

 

 

filosofia para crianças - formação online

- Academia Best Care Agency

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Se é professor ou auxiliar do pré-escolar ou 1º ciclo básico, e procura formas diferentes de estimular as suas crianças, este curso foi a pensar em si.

💡 𝐓𝐞𝐦𝐚: A filosofia enquanto ferramenta que provoca o pensamento crítico e criativo
💡 𝐐𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨: 12, 19, 26 de outubro, e 2 e 9 de novembro 2021 das 19h às 21h
💡 𝐎𝐧𝐝𝐞: Online (aulas síncronas)
💡 𝐎𝐛𝐣𝐞𝐭𝐢𝐯𝐨: Criar espaço e tempo para desenvolver competências de pensamento crítico, criativo, colaborativo e cuidativo
💡 𝐅𝐨𝐫𝐦𝐚𝐝𝐨𝐫𝐚: Joana Rita Sousa 
💡 𝐕𝐚𝐥𝐨𝐫: 150€  (promoção por 144€ até 1 de outubro 2021) 

 

mais informações AQUI 

aproveite para conhecer o trabalho e as soluções da Best Care Agency 

«A voz das crianças e dos jovens na educação escolar»

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o Conselho Nacional de Educação publicou em Diário da República (n.º 135/2021, Série II de 2021-07-14) uma recomendação sobre a voz das crianças e dos jovens na educação escolar.

Entendemos por "voz das crianças e dos jovens na Educação Escolar" a possibilidade e o direito das crianças e dos jovens terem oportunidade para exprimir as suas ideias e opiniões ao longo de todo o processo educativo, bem como de verem a sua participação ser respeitada e considerada em todas as opções que lhes digam respeito.

Referimo-nos a várias dimensões transversais da voz: como instrumento de interação, de participação, de apropriação do conhecimento e de empoderamento social, promotores de desenvolvimento humano e de afirmação de cidadania.

Não basta apenas ouvir a voz do aluno. Os professores têm um imperativo ético de fazer algo a esse propósito com os alunos, e é por isso que o envolvimento significativo dos alunos é vital para a melhoria da escola. (Fletcher, 2005)

 

o documento reconhece que não tem havido uma prática de escuta por parte da comunidade escolar adulta perante as vozes das crianças e dos jovens: 

Ouvir e considerar as opiniões dos/as alunos/as não tem sido uma preocupação frequente entre os profissionais de educação. Nas suas formas mais tradicionais, a escola desenvolveu uma cultura de transmissão de conhecimentos de sentido único: da escola para os alunos/as, com reduzidas possibilidades de acolher as suas intervenções.

 

ainda que não tenha elementos estatísticos para partilhar consigo, a verdade é que a minha experiência itinerante com a filocriatividade, que me tem feito viajar e conhecer diferentes escolas por todo o país, tem-me dado a conhecer escolas muito diversas. escolas onde essa escuta acontece e tem consequências (por exemplo, é implementada uma sugestão de uma criança) e escolas onde a escuta acontece, sem consequências e escolas onde se ouve, mas não se escuta.

devo dizer também que uma mesma escola pode albergar estilos diferentes, pois cada sala é uma realidade em si mesma. 

 

voltarei à reflexão sobre este tema, nos próximos tempos, pois o documento merece uma leitura dedicada e demorada.  além disso, gostaria de fazer uma leitura acompanhada com alguns dos pensadores e pensadoras da filosofia para / com crianças e jovens, no sentido de compreender como é que esta área filosófica se constitui como um espaço de escuta de todas as vozes do grupo, indepentemente da sua idade: 

A igualdade e o equilíbrio cognitivo entre todos os membros procuram materializar-se na própria ideia de comunidade. As perguntas filosóficas são feitas em comunidade, o que significa que não são dirigidas ao professor ou a outra figura tutelar do conhecimento, mas a quem está presente. Num espaço preferencialmente em círculo, em que não há posições físicas de destaque porque todos se sentam ao mesmo nível, fala-se no grupo, com o grupo e como um grupo. Isso não significa uma homogeneidade ou consenso permanente de posições. Antes, é sinónimo de construção de um espaço partilhado de vozes múltiplas que se tocam em confrontos e concordâncias. Cada um partilha ideias que, começando por serem suas, são colocadas no espaço comum do diálogo e da reflexão. Não é o professor que pergunta o que já sabe, aguardando que os alunos se juntem a ele num caminho trilhado e sem surpresas. São todos, professor e alunos, que acolhem filosoficamente as suas perguntas e procuram descobrir-lhes sentidos, detetar inconsistências, colocar hipóteses, matizar sentidos e até encontrar o seu irredutível incómodo. (Magda Costa-Carvalho

 

 

 

hoje e amanhã: 4.º congresso internacional da sociedade portuguesa de filosofia

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o programa do 4.º congresso é bastante rico e inclui duas mesas dedicadas à filosofia para crianças, nas quais participam:
 
• Dina Mendonça (Universidade Nova de Lisboa): Filosofia para Crianças e Filosofia das Emoções
• Magda Costa Carvalho (Universidade dos Açores): A filosofia para crianças na Universidade
• Florian Fraken Figueiredo (Universidade Nova de Lisboa): Philosophy for Children and new possibilities for the practice
• Dilar Cascalheira & Chrysi Rapanta (Universidade Nova de Lisboa): Argumentação como método de ensino em Filosofia
• Maria Teresa Santos (Universidade de Évora) Filosofia para Crianças: necessidades e possibilidades para a projetar nas linhas de um horizonte futuro
• Joana Rita Sousa (Filocriatividade): Uma prática teórica, uma teoria prática: filosofia para crianças e criatividade
• Tomás Carneiro (Investigador independente): Filosofia para crianças: uma filosofia do comum
 
para mais informações sobre o congresso, visite o website da sociedade portuguesa de filosofia

como identificar momentos de pensamento crítico na sala de aula

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indicadores de pensamento crítico

no artigo 16 Characteristics Of A Critical Thinking ClassroomTerry Heick avança com uma proposta: encontrar alguns indicadores da presença do pensamento crítico na sala de aula. porém, o autor sublinha que, mais importante do que procurar indicadores claros que se colocam numa tabela, o professor ou professora devem procurar criar uma cultura de pensamento crítico na sala. 

"(...) o pensamento crítico não parece ser uma instância cognitiva recorrente nos seres humanos, e por isso é necessário que ele seja fomentado e fortalecido através da educação, nas escolas e universidades. Os estabelecimentos de ensino, por sua vez, devem dedicar-se à implementação de uma cultura do pensamento que forneça estímulo constante ao desenvolvimento intelectual dos estudantes, para que assim eles sejam desafiados a estruturar argumentos adequadamente embasados para justificar as suas ideias, e tenham as habilidades e a disposição necessárias para avaliar as afirmações a que forem apresentados, bem como as suas próprias crenças e ideias mais arraigadas." (Guzzo & Guzzo). 

voltaremos à cultura do pensamento um pouco mais à frente. vejamos a proposta de Heick e alguns dos indicadores apontados no artigo:

💬 as afirmações dos professores e dos alunos estão sujeitas a análise crítica, podendo ser revistas a qualquer momento

💬 a imprevisibilidade, a incerteza e a disrupção são acolhidas pelo grupo

💬 a aprendizagem acontece motivada pela investigação e pelo pensamento, mais do que pelos conteúdos

💬 aprende-se o que é uma falácia e um viés de pensamento, a partir dos diálogos que acontecem em grupo

💬 a humildade é praticada por todos, professores e alunos. dizer "não sei" ou "não tenho a certeza" faz parte do processo.

 

como é que colocamos estes indicadores em prática? fica o aviso: não será fácil e não será espontâneo. do meu ponto de vista exige treino da parte do professor ou professora na sala, que deverá estudar e saber aplicar o pensamento crítico. além disso, exige uma atitude de disponibilidade para aceitar a incerteza e o erro. ainda que Terry Heick defenda que esta sala de aula se deixa guiar pelas perguntas dos alunos, mais do que pelos conteúdos, considero que é possível partir dos conteúdos para praticar o pensamento crítico.

como?, pergunta o/ leitor/a. 

partilho algumas sugestões:

👉 aprenda o que é pensamento crítico e coloque em prática. 

👉 reveja os conteúdos que tem para abordar em sala e procure terreno fértil para aplicar o pensamento crítico (por exemplo, para trabalhar o que é um argumento). este momento leva-o/a a repensar a forma como normalmente aborda os conteúdos e pode exigir que pense "ok, vou fazer de conta que nunca trabalhei o conteúdo X. como é que o poderia fazer e ao mesmo tempo trabalhar pensamento crítico com o grupo?" - ou seja, se calhar terá de abandonar os hábitos que já têm e criar outros. 

👉 disponibilize-se a escutar as ideias e as perguntas dos alunos, pois por vezes são o ponto de partida para diálogos nos quais se podem treinar as falácias, por exemplo. 

👉 crie momentos de diálogo em sala de aula. não precisa ser uma hora inteira, avance com 10 ou 15 minutos. 

👉 não tenha receio de dizer "não sei" ou "não tenho a certeza" em frente ao grupo. ter consciência da nossa ignorância é um momento fundamental do pensamento crítico, para que possamos investigar mais e criar uma posição fundamentada sobre um tema. 

👉 estabeleça pequenas metas e não procure atingi-las ao mesmo tempo. um passo de cada vez!

 

tenho uma longa experiência de trabalho de mentoria, formação e consultoria com professores e educadores de várias disciplinas e graus de ensino que pretendem introduzir o pensamento crítico nas suas aulas. estou disponível para agendar um encontro (presencial ou online) no sentido de construirmos momentos de pensamento crítico 100% adaptados ao seu contexto. para o efeito, basta que me envie um e-mail para joana@filosofiaparacriancas.pt 

 

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a cultura de pensamento em sala de aula 

 

Uma cultura do pensar, argumenta Lipman, só pode ser criada a partir do comprometimento dos professores e da escola, com o desenvolvimento de habilidades cognitivas. A prática da maior parte dos professores, segundo Lipman, reflete um paradigma educacional tradicional, que objetiva a transmissão de conhecimento pronto e formatado do docente para o aluno, em um sistema no qual o professor é a autoridade detentora da informação, que precisa ser apreendida pelo aluno. Não há, dessa forma, grande espaço para o questionamento, para a investigação e para a discussão de ideias, e a sala de aula transforma-se em um espaço tomado pelo dogmatismo, um ambiente que tende a formar estudantes acríticos e passivos, incapazes de elaborar argumentos ou explicitar razões que sustentem as ideias com as quais tiveram contato em aula, e a questioná-las. (Guzzo & Guzzo). 

 

mais do que uma competência, o pensamento crítico é uma atitude, uma disposição para encarar a realidade (escolar e não só):

After watching the effect of disinformation on recent national and global events, it has occurred to me that critical thinking is less of a skill and more of a willingness or habit. In short, critical thinking is a mindset. As I’ve said before about reading–here, for example, in Why Students Should Read–is that while it’s important that students can read, it’s more important that they do read.

And critical thinking–thinking rationally, with reason and evidence, humility and knowledge, understanding and skepticism–is similar: it’s important that students can think critically but it’s more important that they do think critically.

In this way, critical thinking has to be a mindset. (Terry Heick

 

pensamento crítico é prática - e por isso insisto tanto que o professor ou a educadora que queira levar o pensamento crítico para os seus grupos se veja como um aluno ou uma aluna e se predisponha a treinar o pensamento crítico. pessoalmente, é como se o treino do pensamento crítico fosse a oportunidade perfeita para não deixar de ser aluna. 

ler e praticar pensamento crítico mantém-me perto do erro e daquela "f word" tão assustadora: falhanço. ainda que pareça algo super racional e alheado das emoções e do contexto onde é aplicado, o pensamento crítico é uma forma de praticarmos a nossa humanidade.

voltarei a este tema num próximo artigo.

até lá, acompanhe a filocriatividade aqui no blog, no instagram ou no facebook e também através da newsletter

 

 

 

 

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