"isso, miúdos na escola das 8h/17h. mas com coisas giras p fazer. e ñ p estar sentados numa cadeira a ouvir a prof do Charlie Brown ..."
esse é o problema essencial, para mim. o tipo de escola que temos, as condições logísticas e acústicas que nelas encontramos. já trabalhei em escolas que eram casas e que foram adaptadas. há escolas onde não há um espaço livre para trabalhar com os alunos, uma sala para onde se possa ir e fazer actividades diferentes. noutras nem sequer há biblioteca. e o ginásio, o espaço para fazer educação física em segurança e com qualidade? nem se fala. há TANTO para fazer neste sentido, da manutenção e da recuperação das próprias estruturas das escolas.
(também há escolas públicas onde os crucifixos ainda se encontram na parede, por cima do quadro. mas isso são outros quinhentos, como diz o povo!)
"A tutela dirigida por Tiago Brandão Rodrigues esclarece que, “embora pareça que é uma coisa obrigatória, não é” e dá como exemplo as já existentes atividades de enriquecimento curricular (AEC), que os pais já fazem usufruto conforme a sua vontade.
“A única que é obrigatória é o horário efetivo da escola até às 15h30 e o horário letivo curricular, por assim dizer”, esclareceu fonte do ministério, indicando que a suposição em contrário “é uma redundância porque qualquer tipo de atividade extracurricular que a escola oferece é sempre uma opção”."
e começam as conversas em torno das AEC. e sobre o extracurricular e a necessidade da filosofia fazer parte do currículo. claro que a filosofia deveria fazer parte do currículo - a começar no jardim de infância - para mim, isto é muito claro. também é claro e importante que há necessidade de regulamentar tanta e muita coisa no que à filosofia para crianças diz respeito. ando há muitos anos a trabalhar nesse sentido, assim como outros amigos que trabalham nesta área, têm formação contínua, desenvolvem projectos e fazem investigação académica. todavia, enquanto esse dia não chega, opto por deixar sementes em todos os lugares onde as portas se abrem para acolher a filosofia. AEC, centros de estudo, ginásios, sociedades recreativas, livrarias: onde haja crianças e pais com vontade de descobrir os "trabalhos do pensar" que a filosofia pode promover junto de miúdos e graúdos - é aí que estarei, assim haja vontade e condições para o fazer.
nem sempre encontro as condições ideais para a prática, é certo. a verdade é que todos os dias faço o melhor que posso. neste caminho, tenho que lidar com situações como esta ou aquela. mas também com a mãe da J. que me diz: "sabe, eu pensei muito se devia deixar a minha filha frequentar as AEC, afinal já são muitas horas na escola... mas depois vejo que é a única forma deles terem actividades diferentes, o teatro ou a filosofia. e prefiro que ela fique e aproveite para conhecer outras coisas".
além disso, há isto. e outras coisas que me enchem o coração e das quais vos vou falando por aqui.
«se somos todos iguais?» - foi a pergunta da aula dos «miúdos»
SIM, temos um corpo humano igual, as actividades básicas são iguais... e os direitos são iguais.
NÃO, porque temos pele, cara, olhar diferentes e o nosso aspecto físico é diferente.
E eis que falámos de direitos humanos, «os meninos deviam ter todos direito a uma casa, a ter o que comer, a ter escola, a ter roupa... e os adultos também»
Depois do T. nos falar sobre a crise e a «Unidade» Europeia, voltámos a falar dos direitos. E do que podemos fazer para ajudar quem precisa.
Sim, podemos fazer qualquer coisa. E esse «qualquer coisa» vai traduzir-se num contributo, em leite, para a Comunidade Vida e Paz.
Sofia Valente, (a voluntária, que é uma «pessoa que se oferece para ajudar») prepara-te! Missão #leitecvpaz em curso!
[no final da sessão]
então do que gostaste mais?
e a I. respondeu: dos desenhos.
e do que gostaste menos?
e timidamente, a resposta: das perguntas, porque é muito difícil e dá muito trabalho
com direito a quebras de tábuas, barretes de Pai Natal, prémios originais (eu recebi o prémio Chapéu 2010!!), entregas de certificados para os alunos que participaram nos ateliers do Dia Mundial da Filosofia... e com direito a perguntas, como esta:
- Joana, quando é que vens cá outra vez, para as aulas de Filosofia?
em Janeiro estou de volta.
e com um desafio... para os pais!
até lá, ficam os votos de BOM NATAL para todos os atletas e amigos do Taekwondo Casal Novo e os votos de rápida recuperação para o Kyosa Nim Alexandre Lopes.
caras novas no seio de um grupo com pequenos filósofos de outros anos.
a pergunta surgiu, pela voz do Gonçalo: o que é a Filosofia?
«ideias criativas»
«ter a mente aberta»
«pensamentos, ideias»
«ter ideias para fazer obras de arte»
conjugámos o verbo «chapelar» e aprendemos um pouco sobre os seis chapéus do pensamento. os alunos «mais velhos» ajudaram os «mais novos» e o resultado foi um mapa mental com um chapéu de seis cores (o chapéu da imaginação, como diz o Tiago) no centro
e tempo houve ainda para uma conversa com os «graúdos», sobre filosofia, ética, ignorância e ganância. houve de tudo, num grupo onde as ideias são partilhadas sem juízos de valor, mas com a «mente aberta» para conhecer o pensamento do outro.
«precisamos sempre de respostas para as perguntas?»
«há perguntas que não têm resposta?»
«se houver sempre resposta, deixamos de questionar, de formular outras questões»
isto e muito mais, no Ginásio da Escola Taekwondo Casal Novo, que abraçou o meu projecto desde a primeira hora e me permite visitar os seus alunos, com uma mala cheia de chapéus às cores e afins!
muito obrigada ao Alexandre Lopes, à Sara Prisal e ao João Sousa pelo apoio durante os ateliers
ahhh! e tivémos um convidado especial... depois conto-vos tudo! mas fica já um muito obrigada ao Sérgio pela visita :)
A Escola TKD Casal Novo abriu as suas portas aos atletas, amigos, familiares e colaboradores para comemorar o Natal; tivémos oportunidade de assistir a uma demonstração da arte marcial coreana, que nos divertiu e «quebrou o gelo» de uma noite fria. A animação e a entrega de prémios preencheram a noite, onde reinou o bom humor que caracteriza a família TKD Casal Novo.
Da minha parte, agradeço a medalha com que fui presenteada, pela realização dos Ateliers de Filosofia Prática desde Dezembro 2008. Tem sido um enorme prazer colaborar com a Escola, com um proposta de treino dos músculos... do pensamento!