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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

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#FilosofiaAoVivo convida Santo Agostinho e apoia a #uppa_animais

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#FilosofiaAoVivo pretende dar a conhecer filósofos e ideias, criando pontes com a nossa vida quotidiana.


👉🏽 Na sexta, dia 5 de Junho, às 12h30, convido o autor das "Confissões", Santo Agostinho.
Esta será uma #FilosofiaAoVivo e solidária: irei activar o botão "fundraiser" 💰 para que possam contribuir para a compra de arroz 🍚 para o albergue da #uppa_animais.


Para complementar com a ração, cozinhamos arroz e gastamos um total de 5kg por dia.
Um kg de arroz custa +/- 0,80€.
Com 4€ garantimos arroz para um dia.
1€ faz toda a diferença 🧡!


Sou voluntária na #uppa_animais desde 2014 e convido-vos a conhecer o trabalho que levamos a cabo, visitando o website: www.uppa.pt 


Obrigada 💚 pelo contributo que possam dar!

 

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#FilosofiaAoVivo convida Santo Agostinho

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na próxima semana convidamos Santo Agostinho para a #FilosofiaAoVivo: 

 

"Confessarei, pois, o que sei de mim, só o sei porque Vós o que de mim ignoro, pois o que sei de mim, só o sei porque Vós me iluminais; e o que ignoro, ignorá-lo-ei somente enquanto as minhas trevas se não transformarem em meio-dia, na vossa presença."

(Confissões, livro X, p. 219)

 

às 12h30, no instagram (pesquise por filocriatividade).

 

 

 

quem eram as mulheres da escola Pitagórica?

#FilosofiaAoVivo

para preparar este episódio da #FilosofiaAoVivo ouvi atentamente o trabalho de pesquisa e as conversas entre as investigadoras do grupo Uma Filósofa por mês

o objectivo deste grupo de pesquisa é dedicar cada um dos meses do ano a uma filósofa. afinal, qual o papel das mulheres na filosofia? onde podemos encontrar a sua voz? quem são? quais as fontes para podermos ler e dialogar com estas mulheres? o que as preocupava? 

 

Ao longo de todo o ano, com uma filósofa por mês, nossos esforços estarão voltados a reflexões que nos encaminhem para algumas respostas possíveis a perguntas que uma perspectiva feminista sobre a história da filosofia não cessa de colocar a nossa cultura filosófica e ao nosso currículo acadêmico.

 

assim, este episódio da #FilosofiaAoVivo é uma dupla homenagem: às Pitagóricas e ao projecto Uma Filósofa por mês. 

 

a descoberta das Pitagóricas

através do projecto Uma Filósofa por mês e da partilha que têm vindo a fazer nas redes sociais, pude tomar conhecimento das várias mulheres que terão feito parte da escola Pitagórica. "parece qeu houve uma escola onde as mulheres faziam filosofia juntas", podemos ouvir na conversa entre as investigadoras Ilze Zirbel e Janyne Sattler. 

do que falavam estas mulheres? encontramos registos de várias cartas trocadas entre as mulheres; muitas dessas cartas tratavam de temas domésticos; como por exemplo, do papel de mãe e de esposa e também do papel da mulher na sociedade.

o projecto Uma Filósofa por mês disponibiliza um ebook com as Traduções dos Textos das Pitagóricas. consultando o índice temos acesso aos nomes dessas mulheres. há dúvidas sobre os nomes de algumas, sobre a sua exactidão - e essas dúvidas são partilhadas pelos investigadores. 

uma destas mulheres, Perictione, poderá ter sido a mãe de Platão. como dizem as investigadoras, não só a mãe que cuida e alimenta, mas a mãe intelectual ou a mãe responsável pela educação de Platão.

 

 

Fintis (séc. III a.C.) e a valorização das virtudes do corpo

após a leitura e audição do material disponibilizado pelo projecto Uma Filósofa por mês, escolhi uma das filósofas para uma leitura mais atenta. chamou-me a atenção o facto do texto se referir às virtudes do corpo. 

no Tratado sobre a moderação da mulher,  Fintis aborda a questão da ética e distancia-se um pouco da linha grega que sublinha a importância das virtudes da alma. 

Fintis valoriza as virtudes do corpo, a saber: a saúde, a boa percepção, o vigor e a beleza. nas notas de rodapé à tradução do texto, as investigadores sublinham: 

"(...) falar de virtudes do corpo não é frequente nem muito menos esperado num contexto pitagórico e puritano, onde predomina o papel negativo do corpo como prisão da alma."

 

a filósofa aborda neste texto aquilo que está destinado a homens e a mulheres. apresenta a ideia vigente da sociedade onde se encontra um fundo patriarcal bastante marcado, onde o homem tem como tarefa ocupar-se com o que acontece para lá das paredes da casa e a mulher está encarregue do que acontece dentro de casa.

tal visão da sociedade dificultou o acesso das mulheres à participação na vida pública, no séc III a.C. (época na qual Fintis é considerada, em termos cronológicos). essa visão da sociedade entranhou-se na sociedade, de tal forma que no séc. IV a figura de Hipácia de Alexandria fosse colocada em causa, pela sua participação activa na vida política. bem vistas as coisas, nos nossos dias ainda é notícia quando uma mulher assume um cargo político de grande destaque. estamos em 2020.

 

o pensamento de Fintis mostra-nos uma visão de equidade, entre homem e mulher, no que respeita às virtudes: 

"(...)as virtudes chamadas cardeais (prudência, justiça, fortaleza e moderação ou temperança) são comuns ao homem e à mulher."

 

recomendo vivamente que acompanhe o trabalho da equipa Uma Filósofa por mês. certamente se irá surpreender com a quantidade de mulheres identificadas e, também, com o que pensaram e disseram, entre si e na comunidade. 

na enciclopédia Logos não há uma entrada referente a Fintis.

fiz uma pesquisa no google e ainda tive esta sugestão de pesquisa:

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o google conhece-me bem e sabe que há muitos anos que falo da prática da filosofia como um ginásio.

penso, logo fittness! 

 

o audio deste episódio está disponível no twitter, basta clicar AQUI. e não é preciso ter conta no twitter para ouvir! 

 

 

 

agenda #FilosofiaAoVivo

- maio e junho

#FilosofiaAoVivo pretende dar a conhecer filósofos e ideias, estabelecendo pontes com a nossa vida quotidiana.
 
Durante meia hora estarei em directo no instagram para partilhar algumas provocações para pensar.
 
Eis a agenda das próximas semanas:
 
22 de Maio: Nietzsche
29 de Maio: Pitagóricas
5 de Junho: Santo Agostinho
12 de Junho: Wittgenstein
19 de Junho: Mary Midgley
26 de Junho: Aristóteles
 
[sextas, às 12h30]
 
 
 

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Apoio à divulgação: Rádio Miúdos - radiomiudos.pt

Agostinho da Silva, conversas vadias e pensamentos à solta

- ep. 5 da #FilosofiaAoVivo

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sábio, visionário, homem comum 

nasceu no Porto em 1906 e morreu em Lisboa em 1994. foi um homem que dedicou muito do seu tempo a aprender, tendo estudado Filologia Clássica. doutorou-se e passou uma temporada no Brasil como professor na Universidade, tendo contribuído para a fundação de várias universidades. 

diz Paulo Borges, na Logos: "a sua pessoa e ideias assumiram invulgar popularidade, sobretudo entre a juventude, nos finais da década de 80. desde sempre marcada pelo gosto do paradoxo e da superação de contrários, pela independência e inconformismo das ideias e intervenções, e por invulgares dons de comunicação oral e escrita, a figura de Agostinho da Silva desenha-se num singular misto de sábio, visionário e homem comum, no qual o pensamento e a vida se indistinguem, e a erudição alimenta um modo de ser proposto pela convivência directa e por um discurso simples.

Agostinho da Silva recusou a designação de filósofo, em vários momentos. também rejeitou o rótulo de pensador. a sua vida não terá sido aquela que se reconhece ao filósofo académico, mas sim ao filó-sofo, ao homem que ama a sabedoria, que a busca. a sua vida é um agir filosófico, é um colocar em prática dessa busca pela sabedoria. 

 

"os meninos, melhor que nós (...) já sabem que (...) muitas das coisas que ensinamos nas nossas escolas são desnecessárias para eles." 

 

agostinho da silva em modo mind map 

 

 

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hoje não cumpri com o texto corrido sobre Agostinho da Silva, preferi partilhar convosco a base do meu estudo, do meu diálogo com Agostinho da Silva. 

"pensar é pensar com", disse Kant. esse é um grande mote desta #FilosofiaAoVivo! 

 

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"não é vergonha nenhuma não saber, a pessoa está no mundo para perguntar."

 

sugestões de leitura:

- entrada na Logos sobre Agostinho da Silva

- colecção Círculo de Leitores dedicada a Agostinho da Silva, onde se podem encontrar as Sete Cartas a um Jovem Filósofo

para ouvir Agostinho da Silva na primeira pessoa: conversas vadias no YouTube 

 

 

o audio deste episódio está disponível no twitter, basta clicar AQUI.

e não é preciso ter conta no twitter para ouvir! 

 

 

 

 

 

 

 

"A inacção pode salvar?" - #FilosofiaAoVivo & Santa Teresa d'Ávila

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Teresa

na passada sexta a convidada especial do ep. de #FilosofiaAoVivo foi a Doutora da Igreja e filósofa mística, Santa Teresa d'Ávila ou Santa Teresa de Jesus.

nasceu em 1515 e faleceu em 1582, tendo escrito a sua obra prima aos 62 anos. O Castelo Interior é uma obra de referência para quem pretende aproximar-se da filosofia mística de Teresa. nesta obra, a filósofa assume três pontos essenciais no caminho: o ponto de partida (deus está dentro de nós), o caminho para o alcançar (a oração e a interioridade) e o fim a atingir (a santidade, em união com deus). 

 

Carmelitas Descalças e os escritos teresianos 

desde cedo que Teresa revelava devoção aos santos e inclinação para a vida de mosteiro. ao lado de São João da Cruz, outro filósofo místico, reformou as Carmelitas e fundou as Carmelitas Descalças. 

os escritos teresianos revelam quatro momentos no processo de ascensão da alma: a oração mental, a oração do silêncio, a oração da união e a devoção ao êxtase. as suas obras são, acima de tudo, relatos com bastante pormenor analítico das suas experiências pessoais. 

as suas obras foram redigidas com o intuito de serem partilhadas entre pares e não "para o mundo exterior". acontece que as obras acabaram por ser copiadas por monges e foi a própria filósofa que fez emendas aos textos antes de serem impressos. 

 

qual a pertinência de ler Santa Teresa d'Ávila nos tempos que correm?

vivemos tempos de confinamento. em nome da saúde pública pedem-nos para agir o mínimo possível, para sair na medida do estritamente necessário. pergunto: é a inacção que nos salva? que valor tem o recolhimento? 

a oração parece um tema pouco actual e textos como os de Teresa correm o risco de serem enquadrados no conjunto de condutas caracterizadas como alienatórias e irracionais. o professor Carlos Silva sublinha mesmo que a ascese é frequentemente mal vista, rotulada como absurda ou até como um sinal doentido de isolamento. será um trabalho inútil. 

volto a repetir: nos nossos dias o recolhimento revelou-se um trabalho útil e uma tarefa nada fácil para muitos. 

pergunto aos leitores deste artigo: que perguntas vos assaltaram durante o isolamento? que dificuldades tiveram (ou têm)? como lidam com a incerteza? 

 

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sugestões de leitura:

as obras completas de Santa Teresa d'Ávila estão disponíveis nas Edições Carmelo.

o professor Carlos Silva tem um texto muito pertinente sobre a experiência orante.

a enciclopédia LOGOS tem uma entrada sobre a filósofa. 

 

o audio deste episódio está disponível no twitter, basta clicar AQUI. e não é preciso ter conta no twitter para ouvir! 

#FilosofiaAoVivo - ep. 3 - Immanuel Kant

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uma aldeia de seu nome Filosofia

[para falar de Kant, recupero esta crónica que escrevi, em tempos, sobre as minhas aventuras numa aldeia chamada Filosofia]

 

Há dias deparei-me com uma cena que, não sendo inédita para mim, não deixa de me causar asco. Um senhor, sentado no interior do seu carro, estacionado, saca de uma pastilha do interior de uma caixa. Abre a porta do carro e lança a caixa no chão. Eu passava e ia, curiosamente, em direcção ao ecoponto. Parei, peguei na caixa e bati no vidro: desculpe, deixou cair isto. Ele, espantado, abriu a porta e disse um ah sim, obrigado.

Ambos assumimos o papel de poetas (não é o poeta o maior fingidor?): ele fingiu que tinha deixado cair uma caixa (vazia) de pastilhas para o chão e eu fingi que estava convencida de que tudo não passou de uma distracção.

Quem me conhece sabe que o meu carro anda sempre com lixo. Note-se, somente lixo imperecível, como as caixas de pastilhas vazias. Quem não me conhece fica, desde já, avisado. E muitos tentam explicar isso como «ah e tal as mulheres e os carros». Pois desenganem-se. O género não é para aqui chamado. Esta postura radica no ensinamento que o vizinho da rua de baixo partilhou comigo, em tempos: age como se a máxima da tua acção devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal. Neste caso, age como se não quisesses ver o mundo transformado numa grande lixeira. No limite, circunscreves essa lixeira ao teu carro. E não a partilhas com a humanidade.

Esse meu vizinho, Kant, partilhou comigo alguns dos seus escritos sobre ética. Disse-lhe que Fundamentação da Metafísica dos Costumes seria um título um pouco longo e que provavelmente não teria possibilidade de competir, nas livrarias, com títulos como Sei lá, Anjos e demónios e Férias em Saint Tropez. Assim não vais vender nada, Immanuel, confessei, enquanto bebíamos um chá verde.

O Kant é um bom rapaz: metódico, racional, crítico. Uma vez vi-o sorrir: ele apanhou-me no largo da igreja, aqui, na aldeia, a saltar à corda com o Pitágoras. Riu-se porque o Pitágoras se enganou a contar. Mas desses saltos falamos num outro dia. Tenho um banquete daqui a nada, com um vizinho que se mudou agora para a rua de cima. Chama-se Sócrates. E ainda tenho que passar no supermercado para escolher um vinho. Até à próxima, malta.

 

 

sugestões de leitura:

obras de Immanuel Kant, publicadas em português: Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Crítica da Razão Prática, Crítica da Razão Pura e Crítica da Faculdade do Juízo.

- numa linha académica, o professor Leonel Ribeiro dos Santos é um dos investigadores portugueses que se dedicou muito ao estudo de Kant.

- recomendo a leitura da obra Janelas para a Filosofia, de Aires Almeida e Desidério Murcho.

 

o audio deste episódio está disponível no twitter, basta clicar AQUI. e não é preciso ter conta no twitter para ouvir! 

 

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