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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

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o que pode fazer uma pergunta?

joana rita sousa, 26.10.22

towfiqu-barbhuiya-oZuBNC-6E2s-unsplash.jpg📷 Towfiqu barbhuiya / Unsplash

 

“As perguntas são os motores das máquinas intelecto-cerebrais que convertem a curiosidade em interrogações controladas.”

(David Hackett Fischer, citado por W. Berger)

 

Por que é que fazemos perguntas?

"Perguntamos pois percebemos que não sabemos. Temos consciência da nossa ignorância: “é uma forma de consciência mais elevada que não só nos separa do macaco, como também separa a pessoa inteligente e curiosa do idiota que não sabe nem quer saber.” (W. Berger, A Arte de Fazer Perguntas, p. 27)

 

A pessoa perguntadora está disponível para sentir confiança quanto toma consciência da sua ignorância.
A pergunta é uma ferramenta que nos permite aprofundar essa ignorância, mergulhar nela para podermos voltar à superfície com mais clareza, com algo que entretanto descobrimos e perante o qual já não somos assim tão ignorantes.

Berger refere o Ken Heilman e os estudos neurológicos sobre o pensamento divergente, “o processo mental que tenta levar às ideias alternativas.” Segundo o neurologista existe uma ligação entre o pensamento divergente e o “e se eu pensar em X de outra forma”. Por esta razão, Berger defende que o pensamento divergente é uma forma de fazer perguntas.

O que pode uma pergunta?

Segundo Berger, as perguntas abrem ou ampliam o pensamento e também têm o papel de nos focar ou orientar. Como? Considere vários passos no acto de perguntar. Um “e se...?” tem esse efeito de me fazer procurar por outras formas de fazer o mesmo, alternativas, hipóteses. Mas uma pessoa perguntadora tem um problema para resolver e por isso utiliza as perguntas, no momento posterior, para focar e direccionar o pensamento. A pergunta permite aprofundar o problema, tomar consciência da sua complexidade e, a partir daí, começar a trabalhar na solução, dividindo o problema em partes simples, o que nos ajuda a gerir a complexidade.
É um processo semelhante ao que Edward de Bono advoga com o uso do chapéu verde (criatividade): este tem um tempo específico e depois precisamos de outras linhas de pensamento (outros chapéus) para orientar o passo seguinte do pensamento.

Perguntar exige humildade, para reconhecer que sou ignorante, que me falta saber algo.
Perguntar exige confiança para expor essa ignorância perante os outros.

Fazer uma pergunta é, simultaneamente, um acto humilde e corajoso.

“Estar disposto a fazer perguntas é uma coisa; perguntar bem e com eficácia é outra.”, diz Berger na p. 30.

É preciso ter em conta a fórmula do perguntar – um “porquê?” pede explicação e aprofundamento; o “e se...?” leva-me a explorar hipóteses; o “como...?” exige que partilhe um caminho, uma forma de fazer algo. São perguntas abertas, porém exigem que se lhes dedique tempo e consideração na resposta. São perguntas que accionam o pensamento divergente.

Depois há ainda o tom da pergunta. Berger dá um exemplo: entre um “Ó meu deus, o que é que vamos fazer?!” ou um “e se esta mudança representa uma oportunidade para nós?” – a última pergunta tem um tom mais positivo e, segundo o autor, pode conduzir a melhores respostas.

A pessoa perguntadora tem menos receio da mudança e da incerteza: “(...) se nos sentirmos confortáveis a fazer perguntas, a experimentar e a interligar as coisas, a mudança já se tornará uma aventura. E se a pudermos ver como aventura, já estaremos lançados.” (John Seely Brown citado por Berger, p. 44).

Além da ignorância, da humildade, da confiança, do conforto perante a mudança, a pessoa perguntadora está mais disponível para inovar. Porquê? A razão prende-se com o facto da pessoa perguntadora perguntar porquê, procurando perceber o que falta, identificando e descobrindo problemas.

“(...) se procurarmos problemas existentes nas nossas vidas antes de eles se tornarem óbvios, antes de atingirem uma fase de crise, podemos detecá-los a tempo e tratar deles enquanto ainda oferecem as melhores oportunidades para a melhoria e a reinvenção.” (p. 47)

 

A fórmula de Berger, baseada na sua observação de como as pessoas perguntadoras lidam com problemas:

 
Perguntar + Acção = Inovação

 

“A pessoa encontra uma situação que é menos do que ideal, pergunta Porquê? A pessoa começa a ter ideias para possíveis melhorias / soluções, com ideias que normalmente progridem sob a forma de possibilidades E se? A pessoa opta por uma dessas possibilidades e tenta aplicá-la; na maior parte dos casos, isto envolve a tentativa de calcular Como?” (p. 48).


”O que separa os pensadores inovadores dos restantes é a sua capacidade – na maior parte dos casos nascida da persistência e da determinação – de dar forma às suas ideias e torná-las reais.” (p. 55)

 

”Uma pergunta pode ficar na nossa mente durante muito tempo – talvez mesmo para sempre – sem ser colocada a ninguém.” (W. Berger)

 

”Cada “resposta” a que chegam [as pessoas perguntadoras] traz-lhes uma nova vaga de perguntas. Continuar a perguntar é, para eles, tão natural como respirar. Mas como é que ficaram assim? E porque é que não há mais gente como eles?” (W. Berger, p. 57)

fonte: A Arte de Fazer Perguntas, de Warren Berger

 

(se gostaria de treinar a arte de fazer perguntas, considere juntar-se ao #ClubeDePerguntas)

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