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filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

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06 de Novembro, 2025

Não podias ter dito logo, Joana?

joana rita sousa / filocriatividade

 

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“Então, mas demorámos estas aulas todas para chegar a esta conclusão? Não podias ter dito logo, Joana?”, disse-me o Leandro, no final da terceira aula sobre a investigação “o que é uma pergunta?”. Sim, três aulas, isto é, três semanas às voltas com aquilo que faz com que uma frase seja uma pergunta.

 

Parece um trabalho inútil, no sentido de salientar o óbvio – afinal, todos nós sabemos o que é uma pergunta, certo? Basta ter um ponto de interrogação? Ou há outros critérios que fazem parte da pergunta e que, por serem óbvios, nem sempre são tidos em conta?

 

Estas são as questões que motivam o meu trabalho, a minha preparação para aulas ou oficinas como esta. É importante alinhavar o tipo de interrogações e caminhos que se podem traçar em aula, a partir do jogo, livro ou outro trampolim que seja o motivo do diálogo. Todavia, o grupo é quem mais ordena e navegamos pelo mar que for escolhido pelas pessoas que fazem parte do grupo, como aquele que lhes parece mais curioso ou mais relevante num dado momento.

 

Assim sendo, é muito natural que aconteçam caminhos diferentes, nos diferentes grupos, a partir de um mesmo trampolim. E isso é muito rico, pois faz-me descobrir coisas que não tinha (pre)visto quando desenhei o meu mapa orientador de trabalho e, além disso permite-me levar as ideias de um grupo para outro no sentido de enriquecer mutuamente as investigações.

 

O trabalho do pensar, do investigar, exige tempo e dedicação. Temos procurar manter o foco, a atenção.  Há crianças que têm pressa em saber – não pelo facto de terem já a resposta “na ponta da língua”, mas por que têm pressa. Não têm paciência para caminhar lado a lado com as outras pessoas do grupo que precisam de mais tempo para saborear a investigação. É o caso do Leandro, que gostou muito de chegar a uma conclusão, mas que estranhou o facto de eu, a “professora”, não lhes ter oferecido, logo, uma conclusão possível. Sim, uma conclusão possível, pois isto de ter UMA resposta certa e definitiva nem sempre acontece na filosofia e noutros campos do saber.

 

Como escrevia um amigo e companheiro destas lides: “as estrelas são as crianças, e não nós”. E há estrelas mais apressadas do que outras; também há as que dormem e as que precisam de acelerar. Afinal, somos todos diferentes. A vantagem de trabalhar em grupo é que podemos encontrar o equilíbrio dos tempos de cada um, em comunidade. Pensar em conjunto torna-nos muito mais ricos.

Concorda?

 

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