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filocriatiVIDAde | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal

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Liliane Sanchez: "Posicionem-se horizontalmente ao lado das crianças e permitam-se filosofar com elas."

Nesta viagem à volta do mundo - e da filosofia para crianças - chegou o momento de ir até ao Brasil, para conhecermos a Liliane Sanchez. A Liliane é formada em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado em Educação pela Universidade Federal Fluminense e doutoramento em educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

É professora de Filosofia da Educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e investigadora  do Laboratório de Práxis Filosófica, no qual coordena um projecto de extensão de Filosofia no Ensino Fundamental numa escola da rede pública do munícipio de Seropédica/RJ.

 

*

 

Lembras-te da primeira vez que ouviste falar de filosofia para crianças (FPC}?" Sim! Eu estava cursando o mestrado em educação, na Universidade Federal Fluminense (UFF), no estado do Rio de Janeiro, pesquisando sobre o ensino de filosofia no 2º. Grau no Brasil (atual Ensino Médio) e sua importância para a formação crítica de cidadãos, quando meu orientador à época (Prof. Dr. Ralph Ings Bannel) me mostrou um livro de Matthew Lipman (A Filosofia na sala de aula) que ele havia encontrado em uma livraria. Isso foi no ano de 1996. Ele não conhecia o assunto, mas achou interessante eu ler e investigar e me deu o livro de presente. Eu fiquei apaixonada pelo tema!"

 

O primeiro encontro com a FPC, para mim, também foi apaixonante. Liliane, como é que começaste a trabalhar nesta área? "Na época do mestrado, eu já estava quase concluindo a escrita da dissertação quando descobri o tal livro e não havia tempo hábil para investigar a fundo a temática de FPC. No entanto, o tema me interessou tanto, que mencionei a proposta de Lipman e sua relação com a formação ética ainda nesse trabalho, que defendi em 1997. Naquela época, já sabia que queria investigar mais sobre esse assunto e planejei realizar um curso de doutorado investigando essa temática. O que, devido a diversas questões pessoais, só pude fazer alguns anos depois. Em 2000, voltei a pesquisar sobre o tema, lendo a respeito e contatando pessoas que trabalhavam com FPC, como o prof. Dr. Walter Kohan, à época trabalhando na Universidade de Brasília (UNB). Passei a frequentar eventos, trocar ideias com pesquisadores a respeito, com a intenção de construir um projeto bem elaborado para o curso de doutorado. Em 2001, surgiram algumas oportunidades de fazer um curso de formação através do Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças (CBFC), em parceria com a escola Veiga de Almeida, da rede privada, na qual comecei a atuar como professora dessa disciplina, que estava sendo implantada no currículo da escola naquele ano. Trabalhei com o segundo segmento do Ensino Fundamental e com o Ensino Médio. Também no mesmo ano, trabalhei em outra escola da rede privada, a convite do CBFC, chamada Notre Dame, ministrando aulas dessa disciplina para o segundo segmento do Ensino Fundamental. No ano seguinte, 2002, fui convidada para trabalhar em mais outra escola da rede privada, o CEC, atuando também com o segundo segmento do Ensino Fundamental e com o Ensino Médio. E como professora substituta de Filosofia da Educação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), para onde o prof. Dr. Walter Kohan estava se transferindo, como professor titular. Ali, tive a oportunidade de auxiliá-lo a ministrar uma disciplina sobre essa temática no curso de Pedagogia, enquanto frequentava um grupo de estudos de Filosofia da Educação, coordenado pela profa. Dra. Lílian do Valle, responsável pela área. Nessa ocasião, deixei de trabalhar nas duas primeiras escolas mencionadas, por estar sobrecarregada de trabalho e por estar insatisfeita com a forma como o ensino era conduzido nessas instituições. Foi então que decidi cursar o doutorado na UERJ, com a prof. Dra. Lílian do Valle, investigando amplamente o processo de formação ética na história da filosofia, com especial destaque para a proposta de Lipman, a qual dedico um capítulo inteiro de análises críticas. Hoje em dia, como professora de Filosofia da Educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, ministro uma disciplina chamada Tópicos Especiais em Filosofia Com Crianças para o curso de pedagogia e coordeno um projeto de extensão de oficinas filosóficas no Ensino Fundamental no Centro de Atenção Integral à Infância e Adolescência (CAIC) Paulo Dacorso Filho, no município de Seropédica, no estado do Rio de janeiro."

 

Consideras que a fpc é necessária para as crianças? Porquê?

"Considero FPC importante para a formação crítica e reflexiva das crianças, pelo potencial problematizador e questionador da filosofia, que ajuda a ampliar o pensamento para além do senso-comum e desconstrução de dogmas e preconceitos. Mas, para tanto, depende muito de como será trabalhada. Não pode ser apenas mais uma disciplina isolada no currículo. É preciso haver uma integração dessa proposta com o projeto político-pedagógico (PPP) da escola na qual ela se insere."

Hoje em dia as crianças, em Portugal, têm muitas actividades na escolar e depois da escola. Por que havemos de levar a filosofia para as escolas? "Pelas razões mencionadas acima. Porém, talvez seja importante rever as diversas atividades que as escolas oferecem hoje em dia, entendendo as razões e necessidades dessas ofertas, analisando seus benefícios e dificuldades, para não sobrecarregar os alunos com elas. Nesse sentido, caberia também analisar a importância de FPC frente a essas múltiplas ofertas, sempre em consonância com os PPPs das escolas."

  

O que faz com que uma pergunta seja uma questão filosófica – do ponto de vista da fpc?

"Uma pergunta filosófica deve possibilitar uma ampla gama de reflexões, de questionamentos e investigações. Pode se construir espontaneamente, a partir de determinadas situações simples e cotidianas, porém se desdobra em abrangência e complexidade de interpretações. Tem um viés de “espanto”, de crítica e, muitas vezes, de criatividade na busca por um pensar diferenciado, desnaturalizado, possibilitando a ruptura de paradigmas, de preconceitos, de dogmas e do senso-comum, podendo instituir novos saberes, produzir novas teorias e conceitos. A pergunta filosófica é o fundamento de uma reflexão crítica e criativa sobre nós mesmos, sobre a relação do sujeito com o outro e com o mundo que nos rodeia."

 

Quais são os maiores desasfios que a Fpc enfrenta, nos nossos dias? "A conformidade ao estado das coisas, o desestímulo à liberdade de pensamento, críticas e questionamentos, a imposição de certa visão de mundo, de determinada ideologia, através de um sistema escolar engessado pelas exigências de formação limitadas ao mercado de trabalho. O convencimento midiático pela busca do prazer instantâneo e do esforço mínimo, que transforma as atividades filosóficas e artísticas em erudição ou banalidade."

 

Podes dar alguns conselhos aos professores e aos pais para os ajudar a lidar com as perguntas das crianças? "Estimulá-las sempre e mais, ampliando suas abrangências e complexidades, sem medo dos resultados, sem preconceitos em relação à capacidade infantil de refletir, de questionar, de criticar, de imaginar. Posicionem-se horizontalmente ao lado das crianças e permitam-se filosofar com elas. Não se coloquem em posição vertical, sempre hierárquica dos controles dos saberes. Não filosofem para as crianças. Filosofem com elas!"

 

Alguma vez foste surpreendida com uma pergunta de um criança? Podes partilhar connosco que pergunta foi essa? "Sou sempre surpreendida com várias respostas das crianças. Foram muitas as vezes em que isso aconteceu e não me recordo especificamente de um caso. Mas posso afirmar que me surpreendo porque me possibilito essa oportunidade de não limitar a abrangência dos temas e reflexões no trabalho com FPC."

 

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