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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

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Ensino online: uma série com várias temporadas

- ode ao trabalhador do ano, por Tatiana Marques

É a segunda vez que a Tatiana Marques "invade" este blog. Sendo um blog dedicado à filosofia e à filosofia para crianças e jovens, é aberto aos tópicos da educação. 

Uma das coisas que a filosofia para crianças me ensinou foi a questão da sensibilidade ao contexto. É nesse sentido que este texto ganha aqui o seu lugar. 

 

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Como mãe tenho assistido a uma série maravilhosa, todos os dias da semana, das 8:25 às 15:50, não na Netflix mas na Real Life. Esta série chama-se ”Ensino online”.

O enredo no início foi assustador, imprevisível, no ano 2020, onde uma pandemia virou o mundo ao contrário. O clímax da série foi quando foi definido o término do ano letivo, o qual exigia uma solução. A meio da segunda temporada, o desenvolvimento da narrativa começa a ter contornos de uma luz ao fundo do túnel e começa-se a ir em direção a um bom porto.

Os coprotagonistas são as nossas crianças e jovens que já não têm a motivação de se levantarem, tomarem um pequeno-almoço saudável, lavarem-se, vestirem-se e irem para a escola se não for o professor a impeli-los mais do que nunca. Os pais já não os conduzem em direção à escola, no sentido físico, dentro de um carro. Mas no sentido moral, mesmo que com algum trânsito, quero acreditar que todos os Encarregados de Educação levam os seus filhos à escola dentro do seu coração. E estamos agradecidos mais do que nunca pela inspiração que os protagonistas desta história - os PROFESSORES têm sido ao conseguirem encaminhar as nossas crianças em direção da secretária, onde passam grande parte do seu dia sentados, virados para um ecrã pequeno e não têm os colegas para descomprimir com um olhar, uma piada ou o recreio para correr, brincar e respirar. Esta personagem principal costumava ser ator dentro de uma sala de aula, em que a sua plateia são mentes muitas vezes ainda inocentes, ávidas para aprender, que gostam de ter o seu mestre de carne e osso em cima do palco. Agora esse ator está numa tela, à distância, com o som muitas vezes destorcido e com uma assistência completamente esgotada (em todos os sentidos). Este novo público, que inclui figurantes, pode fazer todos os julgamentos possíveis porque não está na pele do herói que é o professor.

Quero acreditar que estes figurantes se irão tornar em personagens coadjuvantes, e juntos ajudar a fazer da escola em casa um modelo compatível de ensino.

Até os heróis têm de sair da sua zona de conforto e reinventarem-se perante as adversidades. Vestiram a capa e agarraram-se a novas plataformas para voarem. Aprenderam da noite para o dia novas formas de comunicação, que mais parecem canções para os nossos ouvidos. E descobriram estratégias mais apelativas, construindo asas para levarem os coprotagonistas a voarem consigo também.

Quando os atores saem de cena, tiram a máscara e aí choram. Choram de frustração, choram pelas dificuldades e exigências. Mas choram sobretudo por não ter a razão de ser de toda a sua vocação perto de si. Há uma linha que os separa, neste caso um ecrã.

Já para nem falar que o protagonista desta história ainda tem de lidar com o antagonista. Os professores embora seres excecionais são pessoas comuns que também têm medo do tão afamado Covid-19, têm receio de ficar doentes por si e pelos seus. Este herói que veste a capa todos os dias agora não pode ficar doente. Agora não tem de acordar tão cedo, percorrer uma longa distância, beber o café à pressa e picar o ponto. Mas tem de ter sempre bateria, Wi-Fi, boa luz, voz afinada e energia para se fazer ouvir e ver num quadradinho. Este herói também tem família que se encontra confinada no mesmo espaço onde é agora a escola. A sua família inclui bebés que choram, gatinham sobre os fios do único meio de ligação ou ficam sentados numa cadeirinha tempo demasiado também. A sua família pode incluir dois ou três filhos que precisam igualmente da sua atenção. Inclui jovens que decidem ter música aos altos berros a meio de um Live. Inclui membros familiares que têm lombrigas e a cada meia hora estão a pedir comida. Inclui cônjuges que não entendem porque é que os educadores têm de cantar tanto e falar de forma tão expressiva. Este protagonista também tem pais e sofre por não os poder abraçar. Já para nem falar da casa que não se arruma sozinha, a comida que se tem de fazer pois não podemos almoçar pão ou cereais todos os dias e a roupa pronta para o Take 2.

Faz-se história nesta série e o desfecho acredito que vá ser feliz.

Aplaudo de pé a interpretação destes protagonistas mais desvalorizados deste país.

E neste Dia do Trabalhador, estimados professores dos meus filhos, e de todos os filhos deste país, aproveitem bem este feriado mais do que merecido para se congratularem e acreditarem que se não fosse o vosso trabalho este país parava.

E não parou mesmo.

Obrigada.

 

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