ecos do 6.º Congresso Internacional de Filosofia

O 6.º Congresso Internacional de Filosofia arrancou no dia 1 de Setembro. Pela manhã, o anfiteatro 1 da FLUL foi brindado com a intervenção do Professor Viriato Soromenho-Marques (Universidade de Lisboa) que nos provocou com uma pergunta: Poderá a época do Antropocénico tornar-se numa nova Idade Axial (Achsenzeit)?
Até quarta, dia 3, serão muitas as perguntas que serão abordadas nas diversas sessões paralelas, bem como nas conferências de Genia Schönbaumsfeld (Universidade de Southampton), João Carlos Salles (Universidade Federal da Bahia) e Olga Pombo (Universidade de Lisboa).
Um dos exercícios que gosto de praticar nestes eventos passa por visitar sessões cujas temáticas me são desconhecidas. Chamo a isto o exercício activo da ignorância: é bom escutar quem estuda áreas novas para mim, ganhando consciência do muito que ainda não sei. Por vezes apanho pistas de leitura e de aprofundamento; noutras vezes anoto apenas algumas ideias no caderno que me ajudam a acompanhar o pensamento da pessoa comunicadora, sem a pretensão de vir a ler mais sobre o assunto.
Também me interessa escutar as perguntas ou os comentários das pessoas que intervêm, pois isso também me ajuda a pensar sobre o que acabei de escutar.
É impressionante a variedade de temas neste Congresso; creio que isso é sinal de que a investigação da Filosofia segue muitas vias, atalhando com outras áreas.
Tive oportunidade de realizar uma comunicação, a única do Congresso na área da Filosofia para/com Crianças e Jovens, que convida a pensar em polarização, neutralidade e no papel da pessoa facilitadora dos diálogos.
A apresentação decorre de um trabalho de pensamento colaborativo partilhado com Pieter Mostert (The Philosophy Foundation, Reino Unido) e desenvolvido com o apoio de duas comunidades de investigação filosófica: SOPHIA Network e P4C Thursday. Tivemos oportunidade, eu e o Pieter, de apresentar e recolher algumas reflexões na reunião anual da SOPHIA, em Junho de 2023 (Polónia).
O painel no qual fui incluída denominava-se Filosofia Prática e foi com muito gosto que vi temáticas como a Filosofia do Desporto e a Filosofia Africana lado a lado com a Filosofia para/com Crianças. São áreas que podemos denominar como emergentes e que são, certamente, novas para muitas pessoas.
Paulo Antunes (U. Minho) partilhou connosco o estudo Philosophy of Sport: Entre a Perspetiva “Internalista” e a Influência Social – Uma Análise Crítica. Por sua vez, Fidel Jaime Jorge (Universidade da Beira Interior) partilhou um estudo sobre Identidade Africana Contemporânea e Cosmopolitismo em Appiah.
Tendo em conta o programa intenso, o número de sessões paralelas, não me foi possível assistir a todas as mesas que gostaria. Tive o gosto de escutar Viriato Soromenho-Marques na abertura dos trabalhos e Olga Pombo no encerramento.
Foi um gosto participar no Congresso, depois de ter participado no 3.º Congresso, em Setembro de 2018, na Universidade da Beira Interior, na companhia de : José Barrientos-Rastrojo (Universidade de Sevilha), Dina Mendonça (Universidade Nova de Lisboa) e Magda Costa-Carvalho (Universidade dos Açores), numa mesa dedicada à Filosofia para Crianças. Já em 2021, no 4.º Congresso que aconteceu em formato online, partilhei uma mesa com Maria Teresa Santos (Universidade de Évora e Tomás Magalhães Carneiro (Investigador Independente).
O Congresso acontece de dois em dois anos. Aguardemos por 2027.
[última actualização: 4 de Setembro]