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Dizer ou perguntar

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“Se calhar devíamos ter começado logo por dizer o que é uma pessoa, escusávamos de ter andado aqui às voltas”, dizia-me o pai no final da oficina de filosofia, para crianças. A pergunta que ali nos levou era “o que é uma pessoa?” e o exercício proposto passou por olhar à volta e identificar se haveria pessoas na sala e depois “arrumar” uma série de imagens de “coisas” que podiam ou não ser pessoas. Exemplos: um robot, um bebé, o super-homem, o desenho de uma pessoa (feito por uma crianças de 5 anos) e um cão chamado Félix.

À medida que as imagens iam sendo olhadas e pensadas pelo grupo, começou a sentir-se alguma dificuldade em opinar de forma definitiva sobre o cão, que por acaso é o meu. Várias foram as características apontadas pelas crianças – com idades entre os 7 e os 10 anos – que apontavam que o Félix não é uma pessoa. Mas um dos meninos não abandonou a sua ideia, de que o Félix é uma pessoa e quisemos ouvir os seus argumentos. Estes foram fortes, de tal forma que fizeram duas pessoas mudar de ideias. Os pais presentes na oficina assistiam ao diálogo, evitando falar sobre o assunto. Parecia-lhes tão óbvio “isso” de ser uma pessoa que a discussão em torno do tema começava a incomodar.

“Nunca tinha pensado nisso”, dizia-me uma mãe. Nisso?, perguntei. “Sim, nisso do que é ser uma pessoa. Não costumo pensar nessas coisas, dessa maneira. Achei muito interessante.” E, se me permitem dizer, é mesmo muito interessante, isso de propor perguntas a um grupo de crianças e de perceber que sentido têm as coisas para elas. Sem preconceitos, sem ideias feitas. Escutar e dialogar sobre isso, pelo prazer de parar para pensar.

Quando o tal pai me disse que tinha sido melhor começar por dizer o que é uma pessoa, respondi-lhe que isso seria matar o processo de pensamento , de descoberta e de investigação. O senhor estava nitidamente incomodado com o facto de ali se dizer que o Félix, um cão, podia ser uma pessoa. De tal forma que isso o terá impedido de usufruir do momento de pensar.

Curioso é o facto de, em grupos mais novos, o Félix ser rapidamente “arrumado” na gaveta “não é uma pessoa”. E as crianças argumentam facilmente, pelas diferenças que encontram, por exemplo em relação a um ser humano. Já os mais velhos tendem sempre a considerar que é uma pessoa, pela humanidade que encontram no fiel amigo.

Entre o dizer e o perguntar – e no qual a filosofia para crianças diz respeito – eu opto por perguntar, sem saber muitas vezes as respostas que vou encontrar.

E se me perguntarem, fora da oficina de filosofia, se o Félix é uma pessoa, digo sem hesitar: SIM. É uma pessoa e muito humana.

 

artigo originalmente publicado no site Up To Kids

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