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como identificar momentos de pensamento crítico na sala de aula

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indicadores de pensamento crítico

no artigo 16 Characteristics Of A Critical Thinking ClassroomTerry Heick avança com uma proposta: encontrar alguns indicadores da presença do pensamento crítico na sala de aula. porém, o autor sublinha que, mais importante do que procurar indicadores claros que se colocam numa tabela, o professor ou professora devem procurar criar uma cultura de pensamento crítico na sala. 

"(...) o pensamento crítico não parece ser uma instância cognitiva recorrente nos seres humanos, e por isso é necessário que ele seja fomentado e fortalecido através da educação, nas escolas e universidades. Os estabelecimentos de ensino, por sua vez, devem dedicar-se à implementação de uma cultura do pensamento que forneça estímulo constante ao desenvolvimento intelectual dos estudantes, para que assim eles sejam desafiados a estruturar argumentos adequadamente embasados para justificar as suas ideias, e tenham as habilidades e a disposição necessárias para avaliar as afirmações a que forem apresentados, bem como as suas próprias crenças e ideias mais arraigadas." (Guzzo & Guzzo). 

voltaremos à cultura do pensamento um pouco mais à frente. vejamos a proposta de Heick e alguns dos indicadores apontados no artigo:

💬 as afirmações dos professores e dos alunos estão sujeitas a análise crítica, podendo ser revistas a qualquer momento

💬 a imprevisibilidade, a incerteza e a disrupção são acolhidas pelo grupo

💬 a aprendizagem acontece motivada pela investigação e pelo pensamento, mais do que pelos conteúdos

💬 aprende-se o que é uma falácia e um viés de pensamento, a partir dos diálogos que acontecem em grupo

💬 a humildade é praticada por todos, professores e alunos. dizer "não sei" ou "não tenho a certeza" faz parte do processo.

 

como é que colocamos estes indicadores em prática? fica o aviso: não será fácil e não será espontâneo. do meu ponto de vista exige treino da parte do professor ou professora na sala, que deverá estudar e saber aplicar o pensamento crítico. além disso, exige uma atitude de disponibilidade para aceitar a incerteza e o erro. ainda que Terry Heick defenda que esta sala de aula se deixa guiar pelas perguntas dos alunos, mais do que pelos conteúdos, considero que é possível partir dos conteúdos para praticar o pensamento crítico.

como?, pergunta o/ leitor/a. 

partilho algumas sugestões:

👉 aprenda o que é pensamento crítico e coloque em prática. 

👉 reveja os conteúdos que tem para abordar em sala e procure terreno fértil para aplicar o pensamento crítico (por exemplo, para trabalhar o que é um argumento). este momento leva-o/a a repensar a forma como normalmente aborda os conteúdos e pode exigir que pense "ok, vou fazer de conta que nunca trabalhei o conteúdo X. como é que o poderia fazer e ao mesmo tempo trabalhar pensamento crítico com o grupo?" - ou seja, se calhar terá de abandonar os hábitos que já têm e criar outros. 

👉 disponibilize-se a escutar as ideias e as perguntas dos alunos, pois por vezes são o ponto de partida para diálogos nos quais se podem treinar as falácias, por exemplo. 

👉 crie momentos de diálogo em sala de aula. não precisa ser uma hora inteira, avance com 10 ou 15 minutos. 

👉 não tenha receio de dizer "não sei" ou "não tenho a certeza" em frente ao grupo. ter consciência da nossa ignorância é um momento fundamental do pensamento crítico, para que possamos investigar mais e criar uma posição fundamentada sobre um tema. 

👉 estabeleça pequenas metas e não procure atingi-las ao mesmo tempo. um passo de cada vez!

 

tenho uma longa experiência de trabalho de mentoria, formação e consultoria com professores e educadores de várias disciplinas e graus de ensino que pretendem introduzir o pensamento crítico nas suas aulas. estou disponível para agendar um encontro (presencial ou online) no sentido de construirmos momentos de pensamento crítico 100% adaptados ao seu contexto. para o efeito, basta que me envie um e-mail para joana@filosofiaparacriancas.pt 

 

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a cultura de pensamento em sala de aula 

 

Uma cultura do pensar, argumenta Lipman, só pode ser criada a partir do comprometimento dos professores e da escola, com o desenvolvimento de habilidades cognitivas. A prática da maior parte dos professores, segundo Lipman, reflete um paradigma educacional tradicional, que objetiva a transmissão de conhecimento pronto e formatado do docente para o aluno, em um sistema no qual o professor é a autoridade detentora da informação, que precisa ser apreendida pelo aluno. Não há, dessa forma, grande espaço para o questionamento, para a investigação e para a discussão de ideias, e a sala de aula transforma-se em um espaço tomado pelo dogmatismo, um ambiente que tende a formar estudantes acríticos e passivos, incapazes de elaborar argumentos ou explicitar razões que sustentem as ideias com as quais tiveram contato em aula, e a questioná-las. (Guzzo & Guzzo). 

 

mais do que uma competência, o pensamento crítico é uma atitude, uma disposição para encarar a realidade (escolar e não só):

After watching the effect of disinformation on recent national and global events, it has occurred to me that critical thinking is less of a skill and more of a willingness or habit. In short, critical thinking is a mindset. As I’ve said before about reading–here, for example, in Why Students Should Read–is that while it’s important that students can read, it’s more important that they do read.

And critical thinking–thinking rationally, with reason and evidence, humility and knowledge, understanding and skepticism–is similar: it’s important that students can think critically but it’s more important that they do think critically.

In this way, critical thinking has to be a mindset. (Terry Heick

 

pensamento crítico é prática - e por isso insisto tanto que o professor ou a educadora que queira levar o pensamento crítico para os seus grupos se veja como um aluno ou uma aluna e se predisponha a treinar o pensamento crítico. pessoalmente, é como se o treino do pensamento crítico fosse a oportunidade perfeita para não deixar de ser aluna. 

ler e praticar pensamento crítico mantém-me perto do erro e daquela "f word" tão assustadora: falhanço. ainda que pareça algo super racional e alheado das emoções e do contexto onde é aplicado, o pensamento crítico é uma forma de praticarmos a nossa humanidade.

voltarei a este tema num próximo artigo.

até lá, acompanhe a filocriatividade aqui no blog, no instagram ou no facebook e também através da newsletter

 

 

 

 

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