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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

30 de Janeiro, 2021

como dinamizar oficinas de filosofia em formato online?

- sugestões para pensar e estruturar uma oficina online, de filosofia

joana rita sousa

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a pandemia e o confinamento a ela associado "empurrou" as oficinas de filosofia para o mundo online. desde o verão de 2020 que tenho estado a moderar oficinas de filosofia em plataformas online, tendo recuperado a oficina do Platão (para crianças dos 7 aos 12 anos) para esse formato. 

 

escolher a plataforma e as ferramentas

há várias plataformas que podem acolher as oficinas online. o zoom, o google meet, o teams são algumas hipóteses. o importante é que o facilitador que acolhe as oficinas esteja confortável com a plataforma e seja capaz de ajudar os participantes a lidar com os "botões" que nela constam. 

ferramentas não nos faltam: neste documento encontra uma lista com ferramentas para uso nas mais diversas situações.  

a formação online exige preparação adequada, por parte do formador. escrevi sobre esse tema no journal da ActiveMedia e convidei a Helena Dias para falar sobre a sua experiência como formadora numa das edições do #twitterchatpt

 

definir e partilhar as regras 

é importante definirmos as regras de funcionamento do diálogo, tal como acontece nas sessões presenciais.

na grande maioria das vezes peço que os participantes estejam com os microfones desligados e só liguem quando lhes for passada a vez. para dar a conhecer a intenção de falar, basta levantar a mão ou colocar o dedo no ar. há plataformas que também têm essa funcionalidade: se a quisermos usar, temos de garantir que todos sabem onde está o "botão" para pedir a vez.

peço aos participantes que liguem a webcam, pois é simpático vermos os rostos uns dos outros; mas lembre-se que nem todos podem ter uma webcam ou esta pode não estar a funcionar.

outro pormenor: o acesso em mobile (tablet ou telemóvel) faz com que as pessoas vejam a plataforma de um modo diferente em relação ao acesso que fazemos através de um computador. portanto, teste a plataforma em mobile para poder ajudar quem acede desta forma a encontrar este ou aquele botão!

 

ligar o online ao offline

sempre que possível, crie ligações entre a sala virtual e o espaço físico onde a criança se encontra. por exemplo, a criança pode ser convidada a ir buscar um objecto para se apresentar

outra forma de pôr as pessoas a mexer é sugerir a criação de um quantos queres, partilhando o momento de construção do mesmo com o grupo. as crianças podem ajudar-nos a explicar como se constrói o quantos queres e assim conseguimos um momento de entreajuda entre todos.

a Katia Souza  partilhou no grupo Filosofia e Ensino uma forma de sinalizar as respostas SIM e NÃO, usando objectos comuns em casa: uma colher e um garfo: 

 

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a utilização de objectos envolve os participantes no diálogo, mesmo que não possa ser manipulado por todos os participantes. 

dou o exemplo da Kátia Souza, que usa este dado: 

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"Apresento um cubo e pergunto se quer que eu lance o cubo muito alto, médio, ou fraquinho. Assim que escolhem, lanço o cubo e a face que cair para cima é o "comando" para dizer algo sobre o tema, como por exemplo: "Dizer algo que considera certo"; "Dizer algo que considera errado", "Dizer o que apetece"; "dizer o que não gosta"; "fazer uma pergunta"; "passar a vez"... Tudo em relação ao tema escolhido."

 

partilhar a gestão da oficina com os participantes

os participantes da oficina podem partilhar connosco a gestão da oficina; por exemplo, ficando mais atentos à gestão do tempo.

o Guardião do Tempo foi uma figura que apareceu numa das oficinas de filosofia online, precisamente por estarmos a dialogar sobre o tempo e a importância que os relógios têm no nosso dia. 

é uma óptima ideia convidar os participantes a escolher uma dinâmica ou uma pergunta para a oficina. quanto mais os envolvermos, melhor. 

outra opção passa por convidar um dos participantes a fazer resumos ou pontos de situação em momentos diferentes da oficina. 

 

a importância do silêncio 

no formato presencial ou no formato online, o silêncio deve ser algo que não devemos temer. o silêncio é importante para termos tempo para pensar.

no formato online o silêncio também é uma forma de dar tempo para que o som chegue a todos. nem sempre a conexão da internet é favorável e temos de contar com essas dificuldades na gestão da oficina. 

 

que tipo de estímulos / provocações filosóficas usar em ambiente online? 

a grande limitação do online é que não podemos partilhar objectos ou trocar uma carta com uma ideia com o amigo que está sentado ao nosso lado.

na verdade, com as questões #covid19pt a partilha de objectos quanto estamos em formato presencial também conhece algumas limitações.

assim, é bom prepararmos uma provocação que possa ser partilhada e visualizada / escutada por todos os participantes. eis algumas ideias:

-  usar imagens alojadas num power point que será partilhado na plataforma;

- ler um pedaço de uma história e partilhar as ilustrações no écran, com o grupo;

- partilhar um vídeo directamente do youtube;

- plataformas como o zoom permitem opções de quadro branco, onde todos podem construir algo de forma colaborativa;

- partilhar uma pergunta num documento colaborativo, google drive, e fazer o registo das ideias nesse documento.

 

a leitura partilhada de um texto nem sempre funciona bem, pelo atraso que por vezes há na chegada do som a todos os participantes. poderá sempre experimentar e talvez este recurso da Topsy Page, um círculo online,  seja útil para visualizarmos a ordem de leitura ou de vez numa dada tarefa. 

 

há dias dinamizei uma oficina de filosofia a partir de duas histórias do livro "A Contradição Humana", de Afonso Cruz e do "Museu do Pensamento", de Joana Bértholo.

também estive a filosofar com crianças dos 7 aos 12 anos a partir destes limões que o meu vizinho me trouxe: 

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sobre a oficina dos limões irei escrever um artigo mais detalhado, sobre o processo de criação da oficina e também do processo de pensamento que os limões provocaram no diálogo. 

 

o que pensam as crianças das oficinas online?

perguntei a um grupo de crianças o que mais gostavam nas aulas presenciais e nas aulas online. das aulas presenciais sente-se a falta da "conversa com o vizinho", dos intervalos e dos convívios.

nas aulas online podemos estar mais confortáveis (por exemplo, estar de pantufos) e há menos ruído, pois podemos escolher ter o microfone desligado. 

outra vantagem apontada é a possibilidade de participar numa oficina com pessoas de sítios muito diferentes. por exemplo, a D. não precisa vir do alentejo a lisboa (onde eu vivo) para fazer uma oficina de filosofia. além disso, ainda pode encontrar os amigos nesta oficina, amigos que moram longe dela. 

*

é muito importante assegurar que os participantes (crianças, jovens ou adultos) numa oficina online estejam confortáveis com a plataforma. por isso, se a oficina começa às 15h, abra a sala às 14h50 para testar imagem, som e começar a envolver o grupo no processo. 

não tenho pressa em partir para a provocação filosófica: o foco número 1 está no grupo, em perceber se precisam de algum apoio. desta forma poderemos todos usufruir da oficina e do diálogo com  tranquilidade. 

tenho por hábito enviar um e-mail aos participantes com algumas instruções de uso da plataforma. alguns já têm experiência e não vão considerar a informação útil; outros poderão estar naquele ambiente pela primeira vez e é importante ajudar os participantes a manobrar a plataforma e a conhecer as regras de funcionamento. 

 

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se tiver outras sugestões para oficinas online, por favor partilhe nos comentários! 

> este artigo foi actualizado a 22 de Fevereiro, com os contributos da Kátia Souza.

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