Beleza: Uma Muito Breve Introdução
Roger Scruton, Editora Guerra & Paz
“O melhor lugar para se começar a exploração da beleza do dia-a-dia é o jardim, onde o lazer,
a aprendizagem e a beleza confluem numa experiência do lar que é libertadora.”
Beleza: Uma Muito Breve Introdução, do professor Roger Scruton, é um livro que, ao longo de nove capítulos, convida o leitor a compreender o conceito de beleza a partir de objetos concretos, de ideias, de obras de arte, obras criadas pela natureza, e/ou pelos seres humanos. Este é o ponto de partida, mas, pouco a pouco, há um fundamento, um argumento que recorre ao pensamento e às obras de diferentes filósofos, de épocas distintas.
Platão viu a beleza como o objeto do desejo e uma porta de entrada no transcendental. S. Tomás de Aquino viu-a como uma dádiva de Deus. Proust encontrou beleza na palavra escrita. Kant refletiu sobre os juízos de gosto. Schiller envolveu a arte e o divertimento e alertou-nos que nem sempre o resultado é belo. Manet encontrou beleza no corpo desinibido. Em Tchaikovsky a beleza vive na música, como por exemplo, na Sexta Sinfonia. Bergman captou o belo através da lente e na arte de filmar. Collingwood alertou-nos que a beleza existe nas formas, na harmonia das linhas e cores. Marcel Duchamp abalou o meio artístico com a sua “A Fonte” e obrigou-nos a questionar, de novo, o que é a arte?
A arte poderá ser emoção, comunicação, sensualidade, arrebatadora, perigosa, perturbante, sagrada, mas também profana e imoral.
Não estamos perante uma obra para especialistas, com uma linguagem hermética, própria dos filósofos, pelo contrário. Este é um livro para os apaixonados pelas questões estéticas, pelo exercício do questionar e da reflexão. Para todos os apreciam aprofundar perspetivas, partilhar ideias e dialogar, mas também para os que encontram beleza no cruzamento de diferentes tipos de arte e manifestações culturais. Experienciar o belo é uma vivência humana ímpar. Uma emoção singular.
As interrogações são fortes, presentes, muito presentes ao longo do livro. As respostas vagas, imprecisas e ausentes. No último capítulo o autor esclarece:” (…) terá notado que eu não disse o que a beleza é.”
Roger Scruton reforça a ideia de que a beleza está na nossa vida. Todos desejamos coisas belas. A beleza é uma dimensão do ser, «a beleza está nos olhos daquele que contempla».
O filósofo e ensaísta, por fim, esclarece: “A minha resposta é simplesmente esta: tudo o que disse sobre a experiência de beleza implica que ela tem uma fundação racional. Desafia-nos a encontrar significado no seu objeto, a fazer comparações críticas e a examinar as nossas próprias vidas e emoções à luz do que encontramos.”
Uma das questões que encontramos ao longo desta leitura é:
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Afinal, o que acontece, em nós, quando somos confrontados pela beleza?
Júlia Martins
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