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02 de Outubro, 2025

algumas notas de leitura

livros A Geração Ansiosa e A Infantilização da Mente Moderna

joana rita sousa / filocriatividade

 

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“Prepare a criança para a estrada, não a estrada para a criança.”

(A Infantilização da Mente Moderna, p. 344)

 

A Geração Ansiosa e A Infantilização da Mente Moderna são dois livros que habitam a minha estante há algum tempo. Resolvi mergulhar em ambos durante o tempo de pausa do trabalho.

Confesso que não li os livros de fio a pavio; explorei o índice e fui anotando as ideias presentes nos resumos, no final de cada capítulo. Ignorei algumas partes mais descritivas relacionadas com estudos e saltei para as conclusões.

A Infantilização da Mente Moderna é um livro pensado e redigido por Jonathan Haidt e Greg Kukianoff. No meu entender, a ideia principal do livro consiste em sublinhar um excesso de protecção levado a cabo pelas famílias perante as crianças que teve como consequência a denominada infantilização.


apressar o tempo da infância vs infantilizar

É curioso como, por vezes, exigimos as crianças que sejam muito adultas, ocupando-lhes os tempos livros com inúmeras actividades que lhe roubam o tempo para brincar. Porém, também as protegemos ao ponto de serem jovens adultos incapazes de ir à faculdade tratar da sua entrevista ou deslocar-se sozinhos a uma entrevista de emprego.

Há uma ideia que o psicólogo Eduardo de Sá repete muitas vezes e que se trago para esta partilha: os pais e as mães tomam as decisões com as melhores intenções. Ainda assim, isso não significa que estejam a fazer o melhor pelos seus filhos e pelas suas filhas.

Alison Gopnik, psicóloga do desenvolvimento e autora do livro O Bebé Filósofo, revela-se bastante crítica das ideias de parentalidade no livro The Gardener and the Carpenter.

Passo a partilhar a forma como entendo estas duas ideias, a da jardinagem e a da carpintaria, relativamente à educação.


lançar a semente à terra e cuidar

Uma mãe (ou um pai) pode ter uma atitude de carpinteira, olhando para a criança como um pedaço de madeira a ser esculpido para chegar a um determinado resultado. Uma mãe (ou um pai) pode ter uma atitude de jardineira, encarando a criança como uma semente que se deita ao chão, do qual se pode cuidar para proporcionar boas condições ambientais.

No caso da carpintaria há um certo resultado final que se persegue; no caso da jardinagem há a consciência de que não controlamos tudo no ambiente ao ponto de estarmos disponíveis para ver no que é que a semente se vai tornar.

A ideia da jardinagem e da semente é-me bastante familiar, pois uso-a quando abordo o meu trabalho e em particular as oficinas de filosofia que dinamizo.

A minha atitude alinha-se com a jardinagem: considero que, ao convidar as crianças e os jovens para dialogar e e pensar em voz alta, estamos a lançar sementes de pensamento crítico e criativo. Porém, não controlamos o ambiente e tudo aquilo a que uma semente pode estar exposta, uma vez lançada à terra.

O que posso fazer é ajudar o grupo a pensar com clareza, a aprofundar as perguntas e os comentários (entre outras coisas), à maneira do que faz alguém que se dedica à jardinagem.


vou continuar a consultar e a ler os livros

Vale muito a pena ler com tempo e atenção estes livros. Além da questão do uso dos écrans por parte das crianças e dos jovens, há outros temas bastante relevantes, como a polarização do discurso, a presença dos enviesamentos e a tendência humana para o tribalismo. 

Também vale a pena ler este artigo de Jon Severs que questiona algumas das afirmações de Haidt.

Foto de Annie Spratt na Unsplash