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À volta das dúvidas e dos tachos, com Descartes

 

 

René, René. Mas que menu é este?, disse, espantada perante o cenário: mesa impecavelmente colocada, com pauzinhos no lugar dos talheres (numa próxima crónica irei explicar) e o menu manuscrito, em jeito de documento antigo, ao centro. Se soubesse que era um jantar tão aprumado, René, tinha calçado o meu melhor par de ténis!

 

Vejam só o repasto:

Batatas a murro entadaladas, com molho de empirismo lockiano

Bacalhau com todos (inlcuindo aqueles que não existem, pela ausência de pensamento)

Areias movediças de chocolate, confitadas em algoritmos de limão

 

Parece-me que não vamos ter estômago para comer os jesuítas que o meu amigo Guilherme me trouxe de Santo Tirso, oh René!, disse-lhe abanando a caixa dos jesuítas de um lado para o outro, como se estivesse a hipnotizar o autor do Discurso do Método. Joana, isso é um golpe baixo. Sabes bem como gosto de jesuítas; faz-me lembrar os velhos tempos no College de la Flèche!, respondeu René, salivando.

 

Rapidamente nos sentámos para jantar. E a meio da conversa surgiu o livro de Damásio, O Erro de Descartes. Não achas que foste vítima de marketing?, perguntei ao filósofo. Ficaste reduzido ao penso, logo existo e ao dualismo. E ninguém deu grande importância à tua glândula pineal, salvo seja!, disse.

 

Sim, Joana, tens razão. Não tenho grandes dúvidas disso. Mas no fundo até foi bom para muitos. Por exemplo, para o António Damásio. Viste a quantidade de livros que ele vendeu? Não são muitos os filósofos que se podem gabar de ter contribuído para que o livro de um neurocientista se tornasse num best seller. Ainda vou a tempo de reclamar direitos de imagem ou coisa que o valha?, brincou René, entre uma e outra lasca de bacalhau.

Já o nosso vizinho da rua de cima, o Platão, tem o mesmo problema: o estigma do dualismo. Ainda há dias ele se queixava que de tudo aquilo que escreveu, o mais importante, a carta VI, é completamente ignorada., respondi.

 

E eis que chegou o momento da sobremesa. Areias movediças? René, que óptimo aspecto. E nem vos conto o sabor, nem sei mesmo se sou capaz de o descrever. O chocolate e o limão... deuses, era como se a mente e o corpo fossem só um. René, exclamei, com esta sobremesa, não há dualismo que resista! E acrescentei, deverias ter –te dedicado à culinária. A sério. E depois escrevias coisas como o Discurso do Método do Cozinheiro, as Meditações Culinárias, o que achas? Ainda vais a tempo!

 

O jantar terminou já tarde, a conversa foi longa. No dia seguinte tive que me levantar cedo e confesso que tinha umas olheiras que me chegavam à zona dos tornozelos. Mas a alma e o corpo eram um só, tal não foi a boa comida e a boa troca de ideias. Sim, com alguma parvoíce pelo meio, não tenham... dúvidas!

 

O próximo jantar será em minha casa e vou convidar, para além do René, o próprio António Damásio. Do menu irá constar qualquer coisa como

Lombinhos de glândula pineal assada no forno, com molho de dúvida metódica.

Que tal?

 

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