parece simples, mas é sempre um desafio, isto de me sentar no chão para filosofar com um grupo que não me conhece e que eu não conheço.
há regras para apresentar, há nomes para fixar, há palavras estranhas para "entranhar", como "filosofia". começamos com passos pequenos (e ao mesmo tempo de gigantes): exploramos o perguntar, a curiosidade, a resposta - e eis que, sem esperar, o diálogo acontece. o concordar, o não concordar. os "porquês".
...e a pergunta que estivemos a trabalhar foi "o que é uma pergunta?"
o ponto de interrogação é suficiente para podermos dizer que uma coisa é uma pergunta? se eu tiver um ponto de interrogação desenhado no meu braço, será que isso faz do meu braço uma pergunta?
das perguntas "pessoais" às "impessoais" - esta oficina teve muitas interrogações, questões e perguntas.
estamos a usar sinónimos? e não está a ajudar a perceber o que é, afinal, uma pergunta - pois não?
vamos ter que continuar a fazer perguntas à pergunta.
o dia mundial da filosofia (UNESCO) é comemorado na terceira quinta-feira do mês de novembro - abrantes junta-se à festa e brinda-nos com muitas actividades, para miúdos e graúdos.
O Festival de Filosofia de Abrantes quer ser uma praça aberta. Pretende convocar-nos a refletir e marcar posição. Pretende reunir políticos e intelectuais. Dar-lhes voz e fazer-lhes perguntas. Trazer os cidadãos aos problemas e às soluções.
voltei ao jardim de infância, na ACIJR. é verdade, o trabalho da filosofia está de volta às salas dos 3/4 anos (era uma vez) e dos 4/5 anos (castelo encantado).
foi muito bom rever alguns "pimpolhos" com quem trabalhei no ano lectivo passado e conhecer caras novas.
o pensamento foi provocado com um livro muito especial: "em que estás a pensar?". as ilustrações são maravilhosas! saltámos para as cadeiras e colocámos mãos à obra: vamos desenhar os nossos pensamentos? vamos!
na próxima oficina vamos voltar a olhar para os nossos desenhos e pensar sobre e com eles. o que vai acontecer? curiosos?
OFICINAS DE FILOSOFIA PARA CRIANÇAS - PENSAR A BRINCAR
TEMA: "Em que pensas tu?" - Inspirada no livro de Laurent Moreau
O QUE SÃO AS OFICINAS A filosofia é coisa para miúdos (e graúdos). Nestas oficinas vamos convidar pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, padrinhos e afilhados a pensar, brincando. A brincar, pensando. As oficinas, orientadas pela Joana Rita Sousa, visam ser um espaço de exercício para o pensar, tendo como base jogos e actividades lúdicas. Pensar é divertido!
JOANA RITA SOUSA Filósofa, formadora e facilitadora de oficinas de filosofia, para crianças e jovens, desde 2008. Responsável pelo projecto filocriatiVIDAde - filosofia e criatividade.
HORÁRIO DAS OFICINAS crianças dos 4 aos 6 anos: 10h30- 11h25 crianças dos 7 aos 10 anos: 11h30 - 12h25 - oficinas para pais e filhos (quem diz pai, diz tio, irmão mais velho, avô, avó)
VALORES * - criança 8,50 euros - criança + acompanhante adulto 12,50 euros - 2 irmãos - 12,50 euros - 2 crianças + 1 acompanhante adulto 16,50 euros (* valor sujeito a IVA, à taxa legal em vigor) *Não dispomos de Multibanco*
INSCRIÇÃO: bookings@positiveminds.pt ou info@joanarita.eu com os seguintes dados: - nome da criança e data de nascimento; - contacto telefónico do pai/mãe/avó (...).
A inscrição é válida após recepção de e-mail de confirmação. Todos os participantes deverão levar consigo meias anti derrapantes: vamos sentar-nos no chão, em almofadas.
o desafio inicial foi "lançado" pela leitura do livro de Platão, Banquete. foi na leitura desta obra que me inspirei para criar, investigar e propor, ao grupo, as provocações para o pensar.
o trabalho aconteceu durante uma semana, da parte da manhã. houve tempo para ler uma história, fazer perguntas, procurar respostas e fazer comentários. brincámos muito, a pensar. pensámos muito, a brincar - e também a sério!
houve momentos em que tivemos dúvidas, em que nos sentimos confusos. com a ajuda dos amigos, não baixámos os braços perante os obstáculos.
foi um prazer filosofar convosco: R., L., M., A. e A. espero que nos possamos encontrar de novo.
quisemos saber a razão do P. para fazer esta pergunta. após perguntas e respostas, concluímos que afinal todos temos curiosidade em saber o que é o sentido da vida.
algumas respostas:
é algo individual, que cada um tem que descobrir.
é algo ao qual nos dedicamos muito.
pode mudar ao longo da vida, conforme vamos envelhecendo.
o importante, dizia a L. "é que temos que estar vivos". e depois, então, podemos fazer essa descoberta.
durante o diálogo, houve necessidade de fazer uma pergunta: o G. perguntou ao P: "o que é que tu queres ser quando fores grande?" - a razão para a pergunta é "simples": "o sentido da vida é aquilo que fazemos agora, que gostamos de fazer, mas também o que eu quero ser no futuro".
e quem não sabe, ainda, o que quer ser quando for grande? não encontrou o sentido para a vida?
podemos ter uma ideia provisória do que é o sentido da vida, até encontrarmos a definitiva: "é como o meu cartão de sócio do Sporting: tinha um provisório, de cartão e agora tenho um mesmo à séria."
o diálogo acabou por ser um espaço para o meta-diálogo: a M. quis saber porque é que saímos destas oficinas com poucas conclusões. afinal, o que a M. queria mesmo era sair dali com certezas - ter certeza é algo muito importante para a M. (e para todos nós, não?)
- a Oficina do Platão acontece no Centro SER MAIS, em Telheiras -
um dos exercícios mais interessantes de se fazer, no âmbito da filosofia para crianças, é o de avaliar criticamente o ponto de vista do outro, sob a forma de uma ideia ou de um argumento apresentado.
pegar na ideia do outro e explorá-la - ainda que não concordemos com ela - faz-nos assumir um ponto de vista diferente sobre o nosso próprio ponto de vista. é como se saíssemos de dentro de nós para nos colocarmos no lugar do outro, assumindo a sua ideia e deixando a nossa em suspenso.
em conversa com algumas pessoas com quem estou a desenvolver um projecto específico, falámos da forma como olhar a Terra, a partir do espaço, muda a forma de estar, de ser, de pensar das pessoas que têm essa experiência. lembrei-me do Mike Massimino, que ouvi no web summit 2016 a falar da sua experiência enquanto astronauta.
fica aqui a sugestão para um exercício de "assumir outro ponto de vista" - a partir de um dado adquirido para muitos de nós: o mapa mundo e a Europa que está ali mesmo ao centro.
pedia ajuda no twitter e no facebook e chegaram-me algumas imagens que desafiam o nosso ponto de vista habitual.
afinal, quantas formas há de olhar para o mundo?
como é que um mapa pode determinar a forma como vejo o mundo?
tenho o mundo todo à minha volta? serei o centro do mundo?
one of the most interesting exercises to do in the philosophy of children is to critically evaluate the point of view of the other in the form of an idea or a presented argument.
picking on the other's idea and exploiting it-even if we do not agree with it-makes us take a different view of our own point of view. It is as if we come out from within ourselves to put ourselves in the place of the other, assuming his idea and leaving ours in suspense.
in a conversation I had with some people with whom I am developing a specific project, we talked about how to look at the Earth, from space, changes the way of being, of being, of thinking of the people who have this experience. I remembered Mike Massimino, who heard on the web summit 2016 about his experience as an astronaut.
here is the suggestion for an exercise of "assuming other point of view" - from a fact acquired for many of us: the world map and Europe that is right there in the center.
I asked for help on twitter and facebook and some images came to me that defied our usual point of view.
After all, how many ways are you going to look at the world? How can a map determine how I see the world? I have the whole world around me? Will I be the center of the world?
(if the english is not so perfect, please excuse me. I asked for google translator's help)