o professor Oscar Brenifier vai estar em Portugal para ministrar mais um workshop de filosofia prática que acontece no dia 17 de fevereiro, domingo, em Oeiras.
tenho falado com alguma frequência sobre o professor Oscar neste blog pois considero-o uma das minhas referências na área da filosofia prática, nomeadamente no que diz respeito à filosofia para crianças e jovens. foi um dos autores com quem dialoguei, através dos seus textos, na investigação que fiz durante a minha dissertação de mestrado em filosofia para crianças.
a quem se destina este workshop?
a quem queira exercitar os músculos do pensamento, o seu pensamento crítico e criativo. professores, alunos, educadores, pais, agentes educativos, gestores de projecto, CEO e, na verdade, qualquer pessoa (humana) que pretenda praticar o parar para pensar.
estes foram os últimos reforços "contratados" para a equipa da biblioteca cá de casa. livros que já andava "a namorar" há algum tempo, confesso. o Museu do Pensamento e o Cá Dentro são livros que nos permitem praticar o pensar sobre o pensamento. já a Barafunda é um daqueles livros que certamente me vai permitir criar jogos para levar para as oficinas com a criançada.
e por aí? quais vão ser as vossas leituras de verão?
a oficina do Platão reune de quinze em quinze dias. há filosófos residentes, que já fazem parte do grupo desde o início (em outubro do ano passado) e, de vez em quando, aparece alguém novo.
na última oficina sentei-me com a C., a L., e o G.
"hoje somos só três?"
"sim", respondeu alguém.
perguntei: "então e eu? tornei-me invisível?"
e eis que a pergunta surge e salta "para cima da mesa": o que farias se fosses invisível?"
Platão (o próprio) conta-nos a história de Giges, rei da Lídia. Giges ascendeu ao poder depois de ter assassinado o monarca anterior. é Platão que narra esta história do anel, no livro II d' A República, para trabalhar o tema da justiça. na oficina do Platão foi colocada esta hipótese: haver um anel que, quando usado de uma certa forma, nos tornaria invisíveis. e o que faríamos, nesta condição de invisibilidade?
entre fazer partidas e assustar pessoas, surgiu a possibilidade de roubar sem ser visto. roubar é sempre mau, mas quando podemos ser vistos e apanhados é pior, pois vamos presos e vamos ter más condições de vida.
foi uma oficina divertida pois surgiram ideias engraçadas sobre a invisibilidade. a I. (que se juntou a nós a meio do diálogo) acabou por partilhar que a maioria das coisas que fazemos quando somos invisíveis não teriam muita graça, pois ninguém nos ia ver.
vamos voltar a esta questão, das coisas que podemos fazer quando somos invisíveis - e daquelas que devemos ou não fazer.
Na sala dos 3/4 anos (Era uma vez) os nossos "trabalhos do pensar" levam-nos a investigar o que é "perguntar", o que é "responder" e o que é "dizer uma coisa". Descobrimos perguntas parecidas e algumas para as quais imaginámos uma resposta. E até houve quem mudasse de ideias: coisas de pequenos-grandes-filósofos! Na sala dos 4/5 anos (Castelo Encantado) o "Se eu fosse" transformou-se, agora, numa investigação pelas diferenças e semelhanças. É verdade, estamos à procura das razões para o "se eu fosse ..." e descobrimos que é possível querer muito ser um tubarão ou um morcego e apresentar a mesma razão para tal. Foi muito divertido e vamos continuar com este jogo, na próxima oficina de filosofia!
é sempre um gosto trabalhar com a rapaziada do jardim de infância. há espontaneidade, há aquele olhar genuíno de quem está a pensar numa coisa pela primeira vez.
tenho vindo a colaborar com a ACIJR, com oficinas mensais na sala dos 3/4 anos e dos 4/5 anos. com este trabalho de continuidade tem sido possível ver o pensamento destes pequenos-grandes-filósofos a "crescer", a amadurecer, a afinar questões lógicas e também a desafiar a lógica, com o recurso à imaginação.
na sala dos 3/4 anos os nossos "trabalhos do pensar" levam-nos a investigar o que é "perguntar", o que é "responder" e o que é "dizer uma coisa".
descobrimos perguntas parecidas e algumas para as quais imaginámos uma resposta.
e até houve quem mudasse de ideias: coisas de pequenos-grandes-filósofos!
Nna sala dos 4/5 anos o livro "Se eu fosse" transformou-se, agora, numa investigação pelas diferenças e semelhanças.
é verdade, estamos à procura das razões para o "se eu fosse ..." e descobrimos que é possível querer muito ser um tubarão ou um morcego e apresentar a mesma razão para tal.
foi muito divertido e vamos continuar com este jogo, na próxima oficina de filosofia!
"porque é que os animais existem?" (I.) - foi o mote para um diálogo com um grupo de crianças (5/6 anos)
a partir dali verificámos diferenças e semelhanças entre animais e humanos até que surgiu outra pergunta:
"porque é que as girafas existem?" - perguntou a S. o G. levantou o dedo, rapidamente: "mas essa pergunta já foi feita!" ai sim? então...? "quando perguntamos porque é que os animais existem também estamos a perguntar pelas girafas. as girafas estão dentro dos animais!"
parece simples, mas é sempre um desafio, isto de me sentar no chão para filosofar com um grupo que não me conhece e que eu não conheço.
há regras para apresentar, há nomes para fixar, há palavras estranhas para "entranhar", como "filosofia". começamos com passos pequenos (e ao mesmo tempo de gigantes): exploramos o perguntar, a curiosidade, a resposta - e eis que, sem esperar, o diálogo acontece. o concordar, o não concordar. os "porquês".
...e a pergunta que estivemos a trabalhar foi "o que é uma pergunta?"
o ponto de interrogação é suficiente para podermos dizer que uma coisa é uma pergunta? se eu tiver um ponto de interrogação desenhado no meu braço, será que isso faz do meu braço uma pergunta?
das perguntas "pessoais" às "impessoais" - esta oficina teve muitas interrogações, questões e perguntas.
estamos a usar sinónimos? e não está a ajudar a perceber o que é, afinal, uma pergunta - pois não?
vamos ter que continuar a fazer perguntas à pergunta.
o dia mundial da filosofia (UNESCO) é comemorado na terceira quinta-feira do mês de novembro - abrantes junta-se à festa e brinda-nos com muitas actividades, para miúdos e graúdos.
O Festival de Filosofia de Abrantes quer ser uma praça aberta. Pretende convocar-nos a refletir e marcar posição. Pretende reunir políticos e intelectuais. Dar-lhes voz e fazer-lhes perguntas. Trazer os cidadãos aos problemas e às soluções.
voltei ao jardim de infância, na ACIJR. é verdade, o trabalho da filosofia está de volta às salas dos 3/4 anos (era uma vez) e dos 4/5 anos (castelo encantado).
foi muito bom rever alguns "pimpolhos" com quem trabalhei no ano lectivo passado e conhecer caras novas.
o pensamento foi provocado com um livro muito especial: "em que estás a pensar?". as ilustrações são maravilhosas! saltámos para as cadeiras e colocámos mãos à obra: vamos desenhar os nossos pensamentos? vamos!
na próxima oficina vamos voltar a olhar para os nossos desenhos e pensar sobre e com eles. o que vai acontecer? curiosos?