O desafio? Realizar oficinas de filosofia, para crianças entre os 3 os 12 anos, a propósito do Festival de Filosofia de Abrantes, cujo tema é A inteligência artificial, o trabalho e o humano. Nesse sentido, procurei inspiração no jogo "I, Person", da dupla Duthie & Martagón. Levo na mochila provocações para pensar a relação entre as pessoas e os robots, procurando o que temos em comum e o que nos diferencia.
Até 18 de Novembro, Abrantes é o local onde a Filosofia vai sair à rua, questionando, incomodando, procurando perguntas e respostas que nos aproximem da humanidade.
no sábado passado fomos até ao palácio do sobralinho, ali perto de alhandra, para filosofiar com crianças, entre os 4 e os 10 anos.
a inestética - companhia teatral convidou-nos para facilitar duas oficinas integradas no festival IMAGINA, onde era possível participar em várias actividades (para crianças e para pais e filhos), bem como assistir a peças de teatro.
foi um dia bem passado, com algum calor. valeu-nos a sombra proporcionada pelas árvores do palácio do sobralinho. o espaço é muito bonito e acolhedor.
quanto aos diálogos em si: houve muitas ideias "imaginadas", coisas que existem dentro e fora da imaginação.
as oficinas "IMAGINA SÓ" fazem parte do IMAGINA FESTIVAL:
IMAGINA é um festival de Artes especialmente dedicado ao público infanto-juvenil, a decorrer na Quinta Municipal do Sobralinho, Vila Franca de Xira, no fim-de-semana de 22 e 23 de Setembro de 2018. Tendo como ponto de partida o tema “Arte e Pensamento”, esta edição apresenta uma programação diversificada, que aposta no cruzamento de arte, ciência e filosofia, e no contacto com a Natureza que o próprio espaço oferece. O Festival decorre nos vários espaços interiores e exteriores da Quinta Municipal do Sobralinho, nomeadamente no salão nobre, claustro, torreão, jardins, relvado, mata e pomares de citrinos.
O IMAGINA pretende proporcionar um fim de semana de novas experiências e fruição artística para toda a família, através de uma programação que inclui espectáculos de teatro, marionetas e música, bem como uma série de oficinas dedicadas às artes visuais, astronomia, teatro e filosofia, destinadas a várias faixas etárias.
durante a semana passada a filosofia bateu à porta de sete turmas do 1º ciclo, a propósito da "semana dos afectos".
a convite da Verbos Inúmeros, tive a oportunidade de filosofar sobre a amizade, com crianças dos 7 aos 10 anos.
parece fácil dizer quem é nosso amigo - mais fácil ainda é afirmar o "temos" em vez do "podemos" ser amigos de todos. parece que há aqui uma obrigação... ou será que aquilo que fazemos com os nossos amigos também se aplica aos desconhecidos? por exemplo, ajudar alguém a levantar-se, depois de cair?
houve muitos aspectos interessantes nestes diálogos: o fazer uma pausa na amizade, podemos fazer de conta que somos inimigos e, na verdade, sermos amigos. podemos escolher os amigos e arranjar outros.
a amizade é um dos temas que tomamos por adquirido: toda a gente sabe o que é. e explicar? e compreender o que pensamos e sentimos face aos nossos amigos? e partilhar essas ideias com os outros? - foi talvez aquilo que mais agradou à pequenada, poder parar para pensar sobre a amizade. sem julgamentos pessoais, só a partilhar e a trabalhar sobre as nossas ideias.
a oficina do Platão reune de quinze em quinze dias. há filosófos residentes, que já fazem parte do grupo desde o início (em outubro do ano passado) e, de vez em quando, aparece alguém novo.
na última oficina sentei-me com a C., a L., e o G.
"hoje somos só três?"
"sim", respondeu alguém.
perguntei: "então e eu? tornei-me invisível?"
e eis que a pergunta surge e salta "para cima da mesa": o que farias se fosses invisível?"
Platão (o próprio) conta-nos a história de Giges, rei da Lídia. Giges ascendeu ao poder depois de ter assassinado o monarca anterior. é Platão que narra esta história do anel, no livro II d' A República, para trabalhar o tema da justiça. na oficina do Platão foi colocada esta hipótese: haver um anel que, quando usado de uma certa forma, nos tornaria invisíveis. e o que faríamos, nesta condição de invisibilidade?
entre fazer partidas e assustar pessoas, surgiu a possibilidade de roubar sem ser visto. roubar é sempre mau, mas quando podemos ser vistos e apanhados é pior, pois vamos presos e vamos ter más condições de vida.
foi uma oficina divertida pois surgiram ideias engraçadas sobre a invisibilidade. a I. (que se juntou a nós a meio do diálogo) acabou por partilhar que a maioria das coisas que fazemos quando somos invisíveis não teriam muita graça, pois ninguém nos ia ver.
vamos voltar a esta questão, das coisas que podemos fazer quando somos invisíveis - e daquelas que devemos ou não fazer.
5 de maio, às 11h, na Livraria Bertrand (Chiado - Lisboa)
Habituamo-nos a procurar respostas em livros: o desafio desta oficina é o de fazer perguntas aos livros. Brincar com o livro, com o que o livro nos diz – e brincar com o nosso pensamento. No mês em que se comemora o Dia Internacional do Brincar vamos descobrir: há lá coisa mais séria do que o brincar?
"Costumo dizer que estas oficinas equivalem a um treino de ginásio: em vez dos músculos do corpo, trabalhamos os músculos do pensamento"
Joana Rita Sousa, Filósofa, facilitadora e formadora na área de filosofia para crianças e criatividade, desde 2008.
Duração: 45 a 60 minutos | Para crianças dos 6 aos 10 anos
"Aqui nós aprendemos o que as coisas são, o que são as palavras. andamos a ver o que existe, o que é real, explicamos as palavras e as perguntas!" - dizia o Marco, ao avaliar uma das oficinas de filosofia. Estas pretendem ser um espaço e um tempo para parar para pensar, "treinar" o olhar crítico, explorar possibilidades e investigar - em conjunto.
O que é que se aprende?
Costumo dizer que estas oficinas equivalem a um treino de ginásio: em vez dos músculos do corpo, trabalhamos os músculos do pensamento. Fazemos exercícios de resistência – verificamos se a nossa ideia é forte, se há boas razões para a aceitar e se resistem aos argumentos contra – treinamos a flexibilidade – será que eu sou capaz de defender o ponto de vista do outro? E se eu mudar de ideias? – e, sobretudo, trabalhamos com as ideias uns dos outros. Podemos “adoptar” perguntas e ideias dos amigos, oferecer perguntas, explorar hipóteses de respostas, descobrir outros pontos de vista e, sobretudo, construir um espaço de liberdade onde posso dizer aquilo que penso, sem que seja julgada por isso. Podemos testar ideias, avançar, voltar atrás – tudo isso faz parte do processo que nos encaminhará para o aprofundamento filosófico. (Joana Rita Sousa)
Na sala dos 3/4 anos (Era uma vez) os nossos "trabalhos do pensar" levam-nos a investigar o que é "perguntar", o que é "responder" e o que é "dizer uma coisa". Descobrimos perguntas parecidas e algumas para as quais imaginámos uma resposta. E até houve quem mudasse de ideias: coisas de pequenos-grandes-filósofos! Na sala dos 4/5 anos (Castelo Encantado) o "Se eu fosse" transformou-se, agora, numa investigação pelas diferenças e semelhanças. É verdade, estamos à procura das razões para o "se eu fosse ..." e descobrimos que é possível querer muito ser um tubarão ou um morcego e apresentar a mesma razão para tal. Foi muito divertido e vamos continuar com este jogo, na próxima oficina de filosofia!
é sempre um gosto trabalhar com a rapaziada do jardim de infância. há espontaneidade, há aquele olhar genuíno de quem está a pensar numa coisa pela primeira vez.
tenho vindo a colaborar com a ACIJR, com oficinas mensais na sala dos 3/4 anos e dos 4/5 anos. com este trabalho de continuidade tem sido possível ver o pensamento destes pequenos-grandes-filósofos a "crescer", a amadurecer, a afinar questões lógicas e também a desafiar a lógica, com o recurso à imaginação.
na sala dos 3/4 anos os nossos "trabalhos do pensar" levam-nos a investigar o que é "perguntar", o que é "responder" e o que é "dizer uma coisa".
descobrimos perguntas parecidas e algumas para as quais imaginámos uma resposta.
e até houve quem mudasse de ideias: coisas de pequenos-grandes-filósofos!
Nna sala dos 4/5 anos o livro "Se eu fosse" transformou-se, agora, numa investigação pelas diferenças e semelhanças.
é verdade, estamos à procura das razões para o "se eu fosse ..." e descobrimos que é possível querer muito ser um tubarão ou um morcego e apresentar a mesma razão para tal.
foi muito divertido e vamos continuar com este jogo, na próxima oficina de filosofia!
parece simples, mas é sempre um desafio, isto de me sentar no chão para filosofar com um grupo que não me conhece e que eu não conheço.
há regras para apresentar, há nomes para fixar, há palavras estranhas para "entranhar", como "filosofia". começamos com passos pequenos (e ao mesmo tempo de gigantes): exploramos o perguntar, a curiosidade, a resposta - e eis que, sem esperar, o diálogo acontece. o concordar, o não concordar. os "porquês".