então, vês ela quieta e a portar bem ou a pensar baixinho."
pensar é portar bem?
"não".
"oh joana, estamos a pensar como é que é pensar?"
sim!
"eu já disse que o pensamento é uma ideia!"
sim, disseste. onde é que aparecem essas ideias?
"na aula de filosofia! é que aqui temos de pensar primeiro e depois é que fazemos a pergunta. aqui é a filosofia de pensar"
"as ideias vêm da nossa cabeça, aqui na testa!"
(e esta afirmação foi polémica, pois estivemos a verificar onde começa a cabeça e se a testa serve mesmo para pensar...)
como é que acontece isso das ideias que vêm na cabeça?
"uma pessoa está a sentir que a ideia vem para a cabeça e quer falar. se a ideia não for boa, ela fica lá para baixo, fica nas costas ou na barriga. não sobe para a boca, para o queixo se mexer e começar a falar"
"às vezes a ideia vem para cima e há um amigo que quer falar. então vai para baixo, à espera"
[sala dos 3 / 4 anos]
humm mas afinal onde estão os pensamentos?
"os pensamentos são ideias. as ideias estão guardadinnhas onde deviam estar"
e onde fica isso?
"ao lado das outras ideias"
e alguém diz: "então, se abanares as cabeça as ideias vão para esse sítio, onde deviam estar"
[sala dos 4 / 5 anos]
para acompanhar o trabalho no jardim de infância 2018/2019:
DE QUE COR SÃO OS PENSAMENTOS? Vamos iniciar a aventura do parar para pensar. Partimos de uma pergunta pela cor. Esta existe no mundo à nossa volta, na natureza. E de que cor são os meus pensamentos? De que cor é o verde que penso, na minha cabeça? De que cor é o verde da natureza? A dinamização da atividade está a cargo de Joana Rita Sousa.
QUANDO 27 de abril de 2019, sábado. 10:30-11:30 (pais e crianças dos 4 aos 6 anos). 11:40-12:40 (pais e crianças dos 7 aos 10 anos). Máximo de 10 participantes em cada sessão.
PREÇO 5€ por participante.
INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES movimentoroda@gmail.com 91 4471070
ONDE Biblioteca Municipal dos Olivais Palácio do Contador-Mor, Rua Cidade de Lobito, Lisboa
há duas semanas, o encontro com as meninas e os meninos do jardim de infância aconteceu em torno do jogo dos pensamentos. estamos a tentar descobrir que coisas fazemos e que exigem pensar e que coisas fazemos e que não exigem pensar.
visitámos as histórias presentes no livro "Em que pensas tu?" e eu aprendi que, se quiser brincar às escondidas, vou precisar pensar muito. perguntei porquê. a resposta foi: "joana, como és maior do que nós tens de procurar um sítio melhor para te esconderes, tens mais corpo para tapar. nós somos pequenos e conseguimos encontrar mais fácil."
vamos continuar a brincar ao jogo dos pensamentos.
para acompanhar o trabalho no jardim de infância 2018/2019:
"há perguntas probidas?" - foi o mote para a oficina do Platão. não vou poder explicar todos os passos que demos nesta oficina, mas a síntese foi algo assim:
nem sempre o que planeamos para a oficina de filosofia acontece durante a mesma. o motivo? dou prioridade aos interesses do grupo, às suas perguntas, às situações que apontam e que podem vir a ser tratadas filosoficamente. nada como praticar o "vamos ver onde é que isto nos leva".
na semana passada, na sala dos 3/4 anos e entre alguma agitação típica das crianças que tinham vivido dias agitados e carnavalescos, eis que surgiu um dedo no ar acompanhado de uma cara muito interrogativa. o A. disse:
"tenho uma pergunta".
ah sim? então conta lá.
"e se calhar é uma pergunta um bocadinho difícil. porque é que isto se chama filosofia?"
e por que é que achas que a pergunta é difícil?
"joana, acho que vai ser difícil para tu responderes"
e antes mesmo de abrir a provocação ao grupo, o pequeno A. fez uma viagem no tempo às primeiras oficinas de sempre e contou o que tínhamos feito no primeiro dia. o que fizemos depois disso e como chegámos até aqui. com a minha ajuda e de outros amigos, fizemos o percurso até chegar aqui, como se estivessemos a contar uma história.
falámos de perguntas e de dizer coisas: e assim começámos a investigar a diferença entre perguntar e dizer uma coisa.
[sala dos 4/5 anos]
quando entrei na sala do reino da fantasia já a criançada estava sentada em círculo, à minha espera. resolvi abandonar o que tinha pensado trabalhar, pois lembrei-me de pedir ajuda a este grupo para investigar a pergunta do A.
eis algumas razões para "isto" se chamar filosofia:
tu [ou seja, eu] fazes muitas perguntas
ajudas a pensar [referindo-se a mim]
nós também fazemos perguntas
nós aprendemos coisas
tu escreves o que nós dizemos e depois podemos ver o que aprendemos contigo
depois de avançarmos no diálogo, no sentido de explorar as perguntas e o perguntar, ficámos com esta investigação para dar continuidade:
"há alguma coisa de especial nas perguntas da filosofia?"
para acompanhar o trabalho no jardim de infância 2018/2019:
ontem foi o "último dia" de aulas da Pós-Graduação em Filosofia para Crianças e Jovens, na Universidade Católica Portuguesa.
foi uma manhã intensa, de prática, de "trabalhos de pensar". avaliámos o percurso feito até aqui, com um cunho crítico, pois há muito a fazer. temos planos, temos objectivos e vamos arregaçar as mangas para continuar a levar a filosofia às crianças e aos jovens.
este "último dia" é o começo de tantos outros dias para darmos continuidade a esta prática, a esta investigação.
seguimos caminho, com objectivos planeados em grupo, pois somos team pensamento colaborativo.
já disse que foi um privilégio partilhar este caminho na companhia deste grupo de alunos? foi mesmo!
a próxima edição da PG já está agendada para Outubro e as inscrições estão abertas.
podem informar-se através do e-mail epgfa@ucp.pt ou telefone: (+351) 217 214 060
a convite da Biblioteca Municipal Manuel Alegre, vou estar em Águeda para filosofar com pais e filhos. obrigada à Léa por ter feito todos os esforços para que o projecto filocriatiVIDAde "viajasse" até Águeda.
na sala dos 3/4 anos, os caçadores de sonhos foram desafiados a desenhar "verdades" e "não verdades". houve quem pegasse no lápis e não perdesse tempo, outras pessoas precisaram de um bocadinho de tempo para pensar. já vimos isto várias vezes, na nossa hora da filosofia: temos ritmos diferentes e temos de ir aprendendo a respeitar o tempo dos outros.
no reino do fantasia o jogo "o que é uma pessoa?" continua a desafiar-nos o pensamento.
(sobre o Zarco, o cão menos peludo ali da fotografia)
"por que é que as orelhas dele não estão para cima?" - "porque ele estava com medo da luz e pôs as orelhas para trás."
"por isso é que chamamos os cães de cães, porque é diferente do nome pessoa.
"os braços dos cães estão no chão, chamam-se patas."
e quando chegou a hora de investigar estes robots... o grupo dividiu-se e ficámos na dúvida se aquela senhora era um robot ou uma pessoa.
"se calhar já inventaram pessoas-robots e nós ainda não vimos!"
durante a nossa oficina, a O. mudou de ideias e nós estivemos a investigar como é que isso aconteceu: foi com a ideia de um dos amigos na sala. quando pensamentos em conjunto estas coisas podem acontecer: alguém vê e diz algo que nós não vimos e isso pode ajudar-nos a mudar a perspectiva sobre as coisas.
para acompanhar o trabalho no jardim de infância 2018/2019: