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filocriatiVIDAde | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal

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treinar os "porquês"

 

o livro Porquê  (Tracey Corderoy, Tim Warnes, da editora minutos de leitura) fala-nos de um rinoceronte chamado Rodrigo e que fazia muitas perguntas, a todo o momento. ele queria saber muitas, muitas coisas.

nas últimas semanas levei este livro para duas turmas do 1º ano. depois da leitura do livro desafiei-os a fazer como o Rodrigo e a pensar em perguntas começadas pelo "porque..." 

 

eis as perguntas que a criançada partilhou: 

 

porque é que o D. porta todos os dias bem? (o D. ofereceu uma pergunta ao A, que não tinha nenhuma)

porque é que as flores não são às cores? (a M. ofereceu uma pergunta à D, que não tinha nenhuma)

porque é que os animais correm tanto e há animais que chocam, um contra o outro? (I)

porque é que os autocarros não voam? (D)

* alguém disse, de repente: por que não têm asas!

porque é que as pessoas não fazem silêncio quando é preciso? (P)

porque é que os telemóveis velhos não dão para baixar os jogos novos? (R)

porque é que os carros não estão a parar quando as pessoas querem passar? (D)

porque é que as ambulâncias não páram de fazer barulho? (M)

porque é que os tubarões não podem ficar fora de àgua? (H)

porque é que o K. não pára de bater às pessoas?(D)

porque é que os peixes não saltam da àgua? (M)

porque é que os limões não páram no caixote do lixo? (C)

porque é que a camioneta anda muito? (M)

porque é que a piranha tem o dente afiado? (A)

porque é que os astronautas voam? (J)

porque é que a professora não deixa sentar noutro lugar? (P)

porque é que o meu pai não me deixa fazer os 8 anos por agora? (M)

porque é que as aranhas têm muitas pernas? (A)

porque é que as pessoas voam no planeta? (J)

porque é que a sala está tão desarrumada? (L)

porque é que as pessoas falam muito? (B)

porque é que a minha mãe não me deixa fazer os trabalhos de casa sozinha? (L)

porque é que as pessoas comem? (L)

porque é que as pessoas fazem cocó? (K)

porque é que existem polícias e ladrões? (A)

porque é que as estrelas são pequeninas? (A)

porque é que nós temos que ser pessoas e não robots? (G)

porque é que a lua é muito cheia? (D)

 

"porquê, porquê, porquê..."

 

 

 

 

 

 

 

parar para pensar - e dizer algo sobre a filosofia #p4c

- foi este o desafio lançado a um grupo de alunos do 1º ano, do 1º ciclo, que frequenta 1h de filosofia por semana. afinal, andamos "às voltas" com a filosofia, desde meados de setembro. o que têm eles a dizer sobre aquilo que acontece por ali? 

 

"estivemos a dizer quais são os animais rápidos, fofinhos e perigosos"

"estivemos a arrumar os animais"

"estivemos a arrumar nos balões" ( = diagramas de venn)

"a chita estava no meio dos balões por que era as três coisas" 

 

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este grupo fez um percurso muito próprio: começámos com o jogo de apresentação "se eu fosse um animal, seria..." +  "se eu fosse um animal, seria... por que...". daí estivemos a verificar razões iguais para animais diferentes e razões diferentes para animais iguais.

durante estes diálogos surge a ideia do I. "há animais que correm rápido, cada um à sua velocidade".

pegando nas características mais vezes indicadas para justificar a escolha de um animal: rapidez, fofinho, perigoso, partimos para a "arrumação dos animais" em três "escalas" diferentes: pouco, mais ou menos e muito.  essas três escalas foram utilizadas para as três características, de forma a pensarmos o mesmo animal, de três maneiras diferentes. 

foi um trabalho que aconteceu a passo e passo, "demorámos" várias semanas e pelo meio houve lugar ao desenhar do animal que queríamos ser. reparámos que desde o primeiro dia até àquele momento, algumas pessoas mudaram de ideias, por terem ouvido "coisas" (as tais razões) por parte dos amigos.  

da "arrumação em escala" aos diagramas de venn foi um pulinho. os círculos foram apresentados isoladamente, identificados com cores (as crianças não sabem, ainda, ler) e foi muito rápido o movimento dos alunos no sentido de interceptar os três conjuntos, de forma a arrumar a chita, esse animal que é fofinho (sobretudo quando é bebé), perigoso (pode atacar) e rápido (corre muito, muito depressa). houve lugar a tentativas, para ver como é que podíamos colocar a chita no sítio certo (do ponto de vista dos alunos, claro). a chita "tem que ficar dentro de todos e ver-se".

 

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pedi aos meninos para fazermos a avaliação das aulas, até agora. podiam dizer o que tinham gostado, o que não tinham gostado, o que aprenderam e o que sentiram. aqui ficam algumas ideias:

 

gostei de

a professora Joana deixar pintar 

do jogo dos animais 

quando a professora Joana ensinou as regras

do silêncio

de trabalhar no caderno da filosofia

 

não gostei de 

acordar cedo para vir para a escola 

que me incomodem na aula

 

aprendi (que)

as regras

a fazer os jogos

de trabalharmos em conjunto e que podemos melhorar

 

sinto (que)

estamos a aprender mais

os meninos portam-se muito mal

gosto de trabalhar e conjunto e ajudar quem mais precisa 

 

 

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na próxima quinta-feira celebra-se o dia mundial da filosofia. e é um grande prazer, um desafio, uma inspiração trabalhar com crianças, nos jardins de infância, nas escolas do 1º ciclo e por aí fora. trabalhar a filosofia aplicada, provocar o parar para pensar, colocar os músculos do pensamento em movimento, para sermos cidadãos "incómodos": racionais, críticos, criativos, capazes da prática do êthos e do "cuidado" para com o outro. 

 

acompanhem as minhas aventuras diárias, no país das maravilhas (do perguntar) no instagram @filocriatividade e também no twitter @filocri_p4c

 

continuamos a fazer a filosofia acontecer...

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 ...com crianças de 4 e 5 anos, os verdadeiros artistas e super-heróis que andam às voltas com os "porquês", as "perguntas" e os critérios.

as provocações para pensar são os nossos amigos animais: com os artistas, andamos à procura das razões para ter ou não animais em casa. há várias: "o pai não deixa ter animais, por que depois vai sujar tudo", "os pássaros ficam na rua para voar mais" ou "as cobras podem morder, não podemos ter em casa". 

já com os super-heróis começámos a trabalhar a pergunta "como é sentir como um morcego?" e daí começámos a trabalhar semelhanças e diferenças. escolhemos critérios e andamos a fazer conjuntos com morcegos, pássaros, ratos e o Batman. 

descobrimos que o Batman, na verdade, queria muito ser um morcego. e que os morcegos são "noctívagos" (foi a L. que disse!) por que fazem as coisas da vida deles à noite e dormem de dia! já os pássaros, esses, vivem ao contrário dos morcegos.

 

no final, a avaliação por parte das crianças:

"gostei de pensar"

"gostei de falar"

"gostei de ver o morcego"

"gostei de ver o rato"

"não gostei de não tirar a carta"

 

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com os mais velhos (1º ano, 1º ciclo)  estamos à procura de ideias e/ou de perguntas para trabalhar na filosofia. não está fácil. parece que quando não pedimos perguntas, elas aparecem todas. quando procuramos pensar nelas... fogem! 

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coisas que se repetem?

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e para quê? e porquê?

 

"o porquê repete-se muito na aula de filosofia. estamos sempre a falar disso. acho que é para vermos melhor as coisas que estamos a falar".

 

(C., 7 anos) 

 

estamos a trabalhar o "dar razões" e para isso recorremos à ajuda do amigo porquê, que está afixado numa das cortiças da sala. "joana, tu deixaste isso aí para nos lembrarmos da filosofia quando estamos nas outras aulas", diz a C.

o andamento deste grupo é especial - como é o de qualquer grupo que mergulha na filosofia, pela primeira vez. há lugar para descobrir coisas que ainda não tínhamos pensado. e a propósito de um exercício que começou há já algumas semanas, estamos a falar de sonhos. 

ninguém diria que era aqui que nós iríamos chegar. e vamos continuar a investigação. segundo o T. "nesta filosofia nós repetimos as perguntas para trabalhar coisas diferentes. não temos tempo numa aula, temos que fazer várias."

 

 

 

coisas que "só neste país"

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abrimos a porta da nossa sala à Rita Fernandes, jornalista da Antena 1 - que por sua vez vai levar os nossos diálogos ao mundo inteiro

 

obrigada aos "pequenos filósofos" que, com apenas 3 aulas de filosofia já demonstram algum à vontade com as "ferramentas" do pensar 

 

obrigada  também às professoras Sílvia, Isabel e Vera por terem colaborado nesta iniciativa do programa "Só neste país" - que passa aos sábados, depois das 12h (antena 1); bem como à associação de pais e encarregados de educação que, pelo segundo ano consecutivo, considera a filosofia na oferta de AEC para os alunos desta escola 

 

 

 

 

 

aquele momento delicioso em que...

...são os alunos que te corrigem, que te apontam pormenores (com grande importância). é comum perguntar aos alunos "o que é que tu achas...?" - sobretudo quando eles me fazem uma pergunta e aguardam que eu, "A" professora, dê uma resposta. devolvo-lhes a pergunta com um "e o que é que tu achas?" 

por isso, acabo por utilizar o "achar" no sentido de perceber o que é que a pessoa com quem estou a dialogar está a pensar. 

hoje uma das minhas alunas do 2º ano resolveu chamar-me a atenção para este "pormenor", da seguinte maneira:

 

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(eu) então, depois de ouvirmos as ideias de todos descobrimos que há duas pessoas na sala que acham que é possível lembrarmo-nos dos nossos sonhos...


(C. interrompe) não é acham, joana. é pensam. essas pessoas pensam mesmo isso!

 

ficou por apurar com a C. qual é a diferença entre achar e pensar. mas fica registado este momento, para trabalharmos numa próxima aula.

descobrir o mistério - ou como acontece a filosofia no 1º ano do 1º ciclo

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nos primeiros dias de trabalho com os grupos, é importante que tenhamos contacto com algumas regras da aula de filosofia: que estamos ali para pensar, para partilhar as nossas ideias, que é importante o silêncio e o tempo de cada um para esse efeito, que é importante colocar o dedo no ar e esperar pela vez... é também habitual mostrar-lhes o ?

 

é comum, com as crianças mais novas, que o ? seja apontado como o mistério. pelo que indaguei junto deles, há uns desenhos animados nos quais o ? é apresentado como mistério. e hoje, assim aconteceu. estava a abrir a minha capa e eis que a I. viu a folha com o ? e exclamou: tens aí o mistério!

 

e pronto. estava dado o "mote" para o trabalho. estivemos a investigar o que é o mistério. neste diálogo, surgiu várias vezes o "adivinhar". 

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através de exemplos, uns que surgiram espontaneamente, outros que foram pedidos por mim, pensámos sobre o que é isso de pensar sobre qualquer coisa ou adivinhar qualquer coisa. 

a I. deu o exemplo do jogo do telefone estragado, mas não sabia bem se nesse caso acontecia o pensar ou o adivinhar. lançámos o desafio de pensar sobre isto, ao grupo, e o diálogo que se seguiu foi mesmo muito interessante.

de tal forma, que a I. sugeriu que se fizermos o jogo podemos ver o que acontece: o pensar ou o adivinhar. 

 

o diálogo foi rico e motivador. experimentámos o efeito do "porquê", uma coisa muito importante na filosofia e foi difícil - sentiram alguns dos meninos. 

 

como estamos a trabalhar em grupo, tivemos a ajuda uns dos outros. pelo meio, houve muitos dedos no ar - uns para dar ideias, para dar perguntas sobre o trabalho que estavamos a fazer, outros para contar o que tinha acontecido ontem, para dizer que "na segunda-feira faço anos" e também os habituais pedidos para ir à casa-de-banho.

 

assim vai acontecendo a filosofia, com o 1º ano do 1º ciclo. 

 

 

"são alunos com 5 e 6 anos - não há bons nem maus"

 

gosto de trabalhar em parceria com professores e educadores: foi assim que comecei a trabalhar em jardim de infância, por exemplo. 

se há quem conhece bem a turma ou o grupo, é o professor ou educador que com eles está durante todo o dia. ainda assim, não gosto de entrar na sala com ideias pré-concebidas sobre as crianças, nomeadamente o "porta-se bem", o "porta-se mal" ou o bom ou mau aluno. são crianças, cada uma delas é única e traz consigo um determinado contexto. 

no tempo e no espaço que me é dado para com eles trabalhar, concentro-me em conhecê-los, observando os seus gestos, o olhar, a vontade ou a timidez que comandam o colocar ou não do braço no ar para dar uma ideia. como dizia uma professora ao apresentar a sua turma à colega do Yoga: "não há bons nem maus: são crianças de 5 e 6 anos e pedem muitas vezes para ir à casa-de-banho. faz parte." 

é o início do ano e tudo é novo: a turma, os professores, as regras, os espaços... estamos todos a adaptar-nos uns aos outros e isso demora tempo. em regime de AEC, esse trabalho é demorado, dado que, por regra, trabalho 1h por semana com cada grupo e sem acompanhamento do professor titular. há que fazer o melhor possível, para ir ao encontro de cada uma daquelas crianças.

 

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o que é uma pergunta?

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começam as primeiras investigações "à volta" da pergunta e do perguntar. surgem as ideias, as partilhas, os braços no ar e a vontade de acrescentar alguma coisa.

há alguns olhares tímidos, outros curiosos, outros ainda de estranheza: "não quero fazer isto, quero ir brincar". mas depois o jogo começa e afinal "também quero tirar uma carta e experimentar".

 

com algum ruído pelo meio, com agitação: tudo isso faz parte do processo. passo a passo, chegamos lá e começamos a "desvendar" os caminhos da filosofia. 

 

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no final espreguiçamos e até temos tempo livre para fazer o que queremos 

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