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filocriatividade | #filocri

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

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28 de Agosto, 2025

5 ideias (mais ou menos) novas para o ano lectivo 2025/2026

joana rita sousa / filocriatividade

 

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O ano lectivo 2025/2026 está à porta. Por esse motivo, gostaria de partilhar algumas ideias (mais ou menos) novas que poderá levar consigo para a sala de aula e partilhar com as crianças e os jovens. 

 

ideia #1: matar o "mas"

ideia #2: eliminar o chiuuu da sala de aula

ideia #3: considerar diferentes formas de participação em sala de aula

ideia #4: confiar - nas crianças, nos jovens e em nós mesmas/os

ideia #5: afinar e modelar a escuta

 

Vamos a isso? 

Feliz ano novo!

 

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Foto de Jess Bailey na Unsplash

 

26 de Agosto, 2025

desconstruir os mitos relacionados com o direito das crianças à participação

- Lundy

joana rita sousa / filocriatividade

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Os Estados Partes garantem à criança com capacidade de discernimento o direito de exprimir livremente a sua opinião sobre as questões que lhe respeitem, sendo devidamente tomadas em consideração as opiniões da criança, de acordo com a sua idade e maturidade. (Artigo 12.º da Convenção sobre os Direitos da Criança assinada por Portugal em 1990)

 

Tenho vindo a abordar o tema da participação das crianças nas escolas e noutros contextos, bem como da necessidade de escuta e de consideração dessa participação. A este propósito, abordei aqui no blog o modelo Lundy, bem como a recomendação do Conselho Nacional de Educação sobre a voz das crianças na participação escolar. 

 

Num artigo publicado no linkedin, Laura Lundy partilha 12 mitos comuns em torno dos direitos das crianças à participação.

Que mitos são esses? 

1) as pessoas adultas é que sabem:

frequentemente, as pessoas adultas sabem muitas coisas, mas não conseguem saber o que as crianças sabem e sentem, não sabem como são as suas experiências, a não ser que perguntem às próprias crianças.

 

2) as crianças são AS especialistas da sua própria vida:

as crianças têm conhecimento e experiência, mas muitas vezes não são as únicas com conhecimento sobre os assuntos que lhes dizem respeito.

 

3) as crianças são demasiado novas:

o direito à participação é reconhecido a todas as crianças com capacidade para formar uma opinião.

Todas as crianças podem expressar-se sobre os assuntos que lhes dizem respeito — mesmo as mais pequenas.

 

4) ter em conta a participação das crianças demora muito tempo e/ou torna-se caro:

estamos a falar de um direito, não de algo opcional. Existem muitas formas de envolver rapidamente as crianças, com custos muito baixos ou nulos; aliás, o envolvimento das crianças pode ajudar a identificar desperdícios e a poupar tempo e dinheiro.

 

5) seria apenas simbólico:

trata-se de um direito humano — por isso, não pode haver desculpa para não fazer nada. A participação nunca é perfeita; devemos fazer o melhor que pudermos com os recursos disponíveis, aprendendo e melhorando.

 

6) as crianças não são representativas:

poucos grupos o são (incluindo as pessoas adultas que fazem este tipo de afirmações). No entanto, cada criança tem direito a ser escutada. A tarefa passa por garantir que o grupo de crianças envolvido represente uma diversidade de experiências.

 

7) ou participam ou são protegidas:

é uma dicotomia falsa: não se pode proteger verdadeiramente as crianças sem as escutar — e as crianças não irão falar se não se sentirem seguras.

 

8) o assunto é demasiado sensível:

se o assunto afecta as crianças, têm o direito de ser escutadas — especialmente em temas “sensíveis”. A melhor forma de saber como abordar esses temas de forma segura e respeitadora passa por... fazer perguntas às crianças.

 

9) as crianças não vão compreender:

este argumento é usado de uma forma geral, mas especialmente no caso de crianças com deficiência, sobretudo deficiências cognitivas. O Art.º 7 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD/UNCRPD) afirma que todas as crianças têm o direito de ser escutadas em igualdade de condições, devendo ser-lhes prestado o apoio adequado à idade e à deficiência.

 

10) as crianças são demasiado vulneráveis:

quanto mais vulnerável for a criança, mais importante é escutá-la. Excluí-la torna-a ainda mais vulnerável. Aquilo que importa, como sempre, é garantir segurança e oferecer apoio.

 

11) as crianças são o futuro: 

sim, as crianças são o futuro, mas não é essa a principal razão para as escutar. As crianças têm o direito de ser escutadas no presente  — sobre o seu passado, o presente e o futuro.

 

12) temos de dar uma voz às crianças:

não temos de dar, nem de amplificar a voz das crianças — as crianças já têm voz. O papel das pessoas adultas é levar a sério aquilo que as crianças dizem.

P.S. — as crianças não deviam precisar de um megafone para serem escutadas. um sussurro — ou mesmo silêncios significativos — também precisam de ser escutados.

 

*

 

Para saber como é que Lundy apresenta e desmitifica estas ideias, pode aceder ao artigo original através deste link .

 

A UNICEF disponibiliza um documento intitulado Manual para as Escolas pelos Direitos da Criança da UNICEF — Participação Infantil, cuja leitura recomendo. Espero que o documento inspire a comunidade educativa adulta a rever os seus procedimentos no que respeita à escuta e à participação das crianças.

 

Aproveito para destacar um excerto desse documento: 

As crianças têm o direito de serem ouvidas em todos os assuntos que as afetem, para além dos direitos e liberdades de se apropriarem de informação, pensamento, expressão, associação e reunião pacífica. As crianças podem exercer o direito à participação de várias maneiras, individualmente ou em grupo, incluindo a participação na tomada de decisões em casa, na escola ou na comunidade, e isto aplica-se a todas as crianças capazes de formar uma opinião. Esta obrigação reflete-se também a nível local, e exige que as escolas, as comunidades e as cidades promovam e possibilitem práticas e estruturas de participação de crianças, assegurando que as crianças possam ser ouvidas com segurança e eficácia. Não só é um direito autónomo, mas também um princípio geral da CDC. Isto significa que o exercício do direito à participação é um instrumento essencial para a realização de todos os direitos da criança. O Artigo 12.º tem uma correlação direta a outros direitos, incluindo os direitos à liberdade de expressão (Artigo 13.º), à liberdade de pensamento, de consciência e de religião (Artigo 14.º), à liberdade de associação e de reunião pacífica (Artigo 15.º), à privacidade (Artigo 16.º) e à informação (Artigo 17.º). O Estado, como principal responsável, tem a obrigação de criar um ambiente favorável para permitir que as opiniões das crianças sobre as práticas e políticas que as afetem, direta ou indiretamente, sejam ouvidas. Portanto, as escolas públicas têm a responsabilidade de ouvir as crianças e ter em conta as suas opiniões. 

*

 

PDF do texto "desconstruir os mitos relacionados com o direito das crianças à participação" disponível AQUI.

20 de Agosto, 2025

6.º Congresso Internacional de Filosofia

de 1 a 3 de Setembro, em Lisboa

joana rita sousa / filocriatividade

 

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A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em colaboração com o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, organiza o seu 6º Congresso Internacional, que decorrerá na Faculdade de Letras da mesma universidade, de 1 a 3 de setembro de 2025.

ORADORES CONVIDADOS

Genia Schönbaumsfeld (Universidade de Southampton)
João Carlos Salles (Universidade Federal da Bahia)
Olga Pombo (Universidade de Lisboa)
Viriato Soromenho-Marques (Universidade de Lisboa)

 

Programa disponível AQUI.

 

19 de Agosto, 2025

sugestões para a lista de compras na Feira do Livro do Porto

joana rita sousa / filocriatividade

feira do livro do porto cartaz

Os Jardins do Palácio de Cristal recebem a Feira do Livro do Porto, de 22 de Agosto a 7 de Setembro.

Sérgio Godinho, homem da palavra dita, cantada e escrita, é a pessoa homenageada nesta edição da Feira.  O seu último livro, Como se não houvesse amanhã, faz parte da minha wish list desde que foi publicado. Sem ter lido, não posso recomendar. Ou será que posso? Afinal, o autor é o Sérgio Godinho!

Seguem-se outras recomendações de leitura que poderá acrescentar à sua lista de compras.

Boa Feira! 

 

sugestões de livros sobre filosofia e filosofia para/com crianças e jovens

🟩 Como desenvolver o pensamento crítico das crianças, de joana rita sousa, Manuscrito 

🟩  O que é a Filosofia?, de António de Castro Caeiro, Tinta-da-China

🟩  O Mundo de Sofia de Jostein Gaarder (Elsinore)

🟩  Brincar a Pensar, de Dina Mendonça e Maria João Lourenço (Plátano Editora)

🟩  Toma um café com Sócrates, de Elke Wiss (Planeta de Livros)

 

sugestões de livros perguntadores

🟪 O Labirinto dos Sentidos, de Laura Luz Silva e Ana Luísa Oliveira (Fábula)

🟪 O que a chama iluminou, de Afonso Cruz (Companhia das Letras)

🟪 Quando as coisas desacontecem, de Alessandra Roscoe e Odilon Moraes (Alfarroba)

🟪 Gato Comum, de Joana Estrela (Planeta Tangerina)

🟪  mais sugestões de #LivrosPerguntadores através deste link

 

 

14 de Agosto, 2025

O rapaz e o gorila

Jackie Azua Kramer (Orfeu Negro)

joana rita sousa / filocriatividade

O vazio é avassalador.

A perda é triste

A morte é assustadora e provadora de um turbilhão de sentimentos.

Há perguntas para as quais dificilmente encontramos respostas.

Há perdas irreparáveis.

 

O Rapaz e o Gorila é a história de uma criança que perde a sua mãe e sente-se completamente só e sem rumo.  

 

Revisitar os lugares preferidos da mãe, assim como as conversas e perguntas colocadas ao amigo imaginário – o Gorila - ajudam a superar a descomunal ausência. O amigo vai respondendo às questões, de forma simples e honesta, e num diálogo tranquilo e afetuoso o pequeno rapaz vai-se reconciliando com a perda e aproxima-se do pai, nem sempre presente. O alheamento dá lugar à partilha e ao aconchego. Juntos, pai e filho, fazendo o luto, recordam bons momentos vividos em família e esboçam um futuro mais esperançoso.

 

Ao longo da narrativa encontramos algumas perguntas, como por exemplo:

 

Para onde é que foi a Mamã?

A minha mamã não pode voltar para casa?  

Acabamos todos por morrer?  

Como é que sabemos que uma pessoa morreu?  

Porque é que ela teve de morrer?  

Quando é que vou sentir-me melhor?

 

Júlia Martins, para a newsletter #LivrosPerguntadores

 

08 de Agosto, 2025

Mentes Humanas, Animais e Artificiais - O Trabalho das Palavras a Partir de Daniel Dennett

- novo livro de Sofia Miguens

joana rita sousa / filocriatividade

sofia miguens

 

Este é um livro sobre inteligência, consciência e senciência. É também sobre mentes humanas, animais e artificiais e sobre as semelhanças e diferenças entre elas. Tomando como referência a obra do filósofo americano Daniel Dennett, são convocados filósofos e cientistas que marcaram as discussões sobre mente e linguagem nas últimas décadas. Em pano de fundo, um desafio: se a linguagem é a marca da nossa humanidade, ela acaba também de ser apoderada pela Inteligência Artificial, no que poderá ser apenas mais uma ferida narcísica ou, desta vez, uma transformação civilizacional. (fonte: Almedina)

07 de Agosto, 2025

ser Jurema

joana rita sousa / filocriatividade

“não é que está toda a gente a falar disto?”

 

Chega ao café ou à sua rede social preferida e percebe que há um tema “quente” do qual todos falam. Esforça-se por ler ou ouvir para perceber do que ou de quem se fala. Neste processo é comum perceber que há  diferentes lados da barricada: uns são contra, outros são a favor. Pelo meio vão apelando a que a pessoa leitora também seja contra ou a favor.

O que fazer? É fácil ceder à vontade de começar a disparar, pois até nem gosta muito da pessoa X ou “ah pois, aquele ali? nunca me enganou!” e de repente já está a repetir frases feitas sobre a pessoa ou o acontecimento, sem saber a fundo o que motivou a “guerra”.

E se alguém lhe perguntar o que motivou a sua fala, nem sabe explicar bem. “Ouvi dizer” ou “li o que fulano e sicrano disse”.

 

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aprenda a ser como a Jurema. ou como o Bill.

A Jurema e o Bill são os protagonistas de memes muito famosos na internet. A ideia principal é “a Jurema viu uma publicação na internet da qual não gostou e passou à frente, sem puxar o saco de ninguém.” O mesmo texto pode ser encontrado na internet com o Bill como personagem.

Ver uma publicação da qual não se gosta, na internet, é comum. Ver uma publicação de alguém que não estimamos, também é comum. O mesmo vale para as pessoas que admiramos.

A pergunta que faço é: temos de nos posicionar sobre tudo aquilo que vemos?

A minha resposta é: não. Passo a justificar o porquê desta minha resposta.

 

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a Jurema sabe que comentar com propriedade exige tempo

Defendo que se é para comentar e para nos envolvermos na indignação do dia, que seja com propriedade. Se passar na timeline um vídeo ou um excerto de um texto que indicia que há um vídeo ou um texto maiores do que aquele pedaço, convém que não fique só por aquele excerto.

Isso vai consumir algum tempo, é certo. Deverá ir ver a fonte do vídeo ou texto, averiguar o contexto, verificar também onde está publicado (um blog? um órgão de comunicação social? quem assina?).

Depois de ver o todo do qual recebeu uma parte, verifique se não há ali nenhum termo ou expressão específicos que mereçam alguma atenção e estudo de sentido.

Até aqui está a viver aquilo a que os gregos chamam epoché, a suspensão do juízo. Ou seja, ainda não está a pronunciar-se sobre aquilo que o autor diz.

Há que identificar qual é a ideia do autor, o que está a defender, bem como os argumentos para defender essa ideia. Nem sempre encontramos um “eu defendo isto e isto”, temos mesmo de ler e fazer essa identificação com clareza.

 

a Jurema pergunta: o que tenho eu a dizer sobre isto?

Como é que se posiciona perante o autor?

Tem noção dos seus argumentos?

São argumentos válidos?

E a sua posição sobre o assunto é igual ou diferente daquela que é defendida pelo autor?

Poderá ter verdadeiras surpresas: descobrir que afinal o autor não está a dizer o que todos os outros estão a dizer que diz ou que o autor está rotulado como sendo “X” e afinal defende posições que associas a “Y”.

Também a pessoa leitora deste texto poderá descobrir que, ainda que não seja fã daquele autor (ou autora), naquele ponto em particular até concorda com o que diz ou com o que escreve.

 

a Jurema resume os passos a dar: 

– pesquisar contexto;

– suspender o juízo;

– investigar termos e ideias;

– identificar claramente as ideias e os argumentos;

– apreciar esses argumentos;

– posicionar-se perante a ideia do autor, esclarecendo as razões para o fazer.

 

Uma canseira, não é? Nem que seja só por isto, pelo consumo de tempo e de energia, seja como a Jurema. Escolha sabiamente as “batalhas” e os temas pelos quais quer ir à luta, ao invés de ir atrás da “manada”. Jurema é uma pensadora independente e sabe que isso é uma prática diária.

 

[Uma nota: Juremar tornou-se um verbo desde que comecei a frequentar um curso de pensamento crítico orientado pelo colectivo Isto Não É Filosofia – Vitor e Evelyn Lima, cujo trabalho recomendo e convido a conhecer no youtube]

 

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