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filocriatividade | #filocri

filosofia para/com crianças e jovens | mediação cultural e filosófica | #ClubeDePerguntas | #LivrosPerguntadores | perguntologia | filosofia, literatura e infância

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07 de Junho, 2024

a escola não existe

- existem escolas e as escolas são feitas de pessoas

joana rita sousa / filocriatividade

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No passado ano lectivo tive oportunidade de visitar muitas escolas, de Norte a Sul do país. Desde 2008 que assim é, já que a filocriatividade teve sempre uma dinâmica de itinerância. Pratico uma espécie de "filosofia ao domicílio" o que me faz viajar bastante e conhecer escolas do Litoral Alentejano, do Alto Minho, da zona Oeste, do Ribatejo, da zona da grande Lisboa. 

Ao longo destes anos de projecto tive a oportunidade de visitar escolas públicas e privadas, escolas que seguem o chamado ensino tradicional e escolas que praticam outras metodologias (MEM, Montessori, Comunidade de Aprendizagem, Floresta), bem como creches, jardins de infância e todos os outros ciclos de ensino. 

Cada escola é uma escola. Dentro do mesmo agrupamento encontramos escolas bem distintas. Seja pelo facto de habitarem espaços físicos diferentes, seja pelo facto das equipas terem formas de trabalhar que se distanciam.

Dentro de uma mesma escola também há salas de aula bastante diferentes e abordagens à aprendizagem distantes umas das outras. Por esse motivo digo: a escola não existe. Existem escolas, no plural. Escolas plurais. Formas de ser-escola plurais. 

Esta experiência de itinerância (e de uma certa errância) traz-me uma aprendizagem tremenda, não só para perceber o que fazem, como fazem, mas também para compreender as razões para fazerem assim e não de outra maneira.

Além disso, tenho o privilégio de presenciar dinâmicas de relação pedagógica que dizem muito sobre a forma como cada profissional do ensino lida com a voz das crianças e dos jovens. A observação  e a escuta que pratico nesses momentos permitem-me recolher pistas de interacção com as crianças e jovens que quero replicar ou que quero evitar. 

A escola não existe. Existem escolas. As escolas são feitas de pessoas. 

 

📷 Anton Sukhinov / Unsplash

 

 

06 de Junho, 2024

manifesto anti-chiuuu

joana rita sousa / filocriatividade

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Chiuuu. Chiuuu.

O que fazemos quando faz falta o silêncio? Fazemos chiuuu. Fazemos ruído. Alguém começa com um chiuuu e depois seguem-se outros chiuuu.

Uns mais curtos (CHIU) outros mais longos (CHIUUUUUUUU). Muitas vezes estes ruídos fazem-se acompanhar de um dedo indicador à frente da boca.

O chiuuu manda calar. Nos diálogos não queremos que as vozes se calem, mas sim que as vozes se organizem e encontrem o seu espaço para falar. Esse respeito pela vez de fala de cada pessoa é algo que temos de treinar.

Crianças, jovens e pessoas adultas falam em cima das vozes das outras pessoas com muita facilidade. Por vezes é a vontade imensa de contribuir, ou uma ideia que surge de repente; outras vezes é a falta de hábito de participação num diálogo, sem pressas.

 

Pergunto: não há outra maneira de convidar as pessoas ao silêncio? Por exemplo, uma maneira que não seja ruidosa? Há várias maneiras. Eis algumas:

 

- semáforo do silêncio: criar um semáforo com três cores, o verde, o amarelo e o vermelho. Pode usar cartolinas coloridas; o verde significa que temos um bom ambiente para falar, o amarelo significa que já há algum ruído e o vermelho significa que há ruído a mais. Podemos solicitar a colaboração de uma das crianças para gerir este semáforo e ir levantando as cartolinas de acordo com o ruído que existe. A cartolina deve ser visível para todas as pessoas, pelo que sugiro que a criança responsável pela tarefa fique posicionada num sítio onde todas as pessoas a vejam.

 

- levantar a mão aberta e abanar, como se estivessemos a acenar: a ideia passa por alguém levantar a mão e todos vão levantando para dar sinal de que compreendem que é necessário contribuir para o silêncio. Qualquer pessoa pode fazê-lo e pedir esse silêncio; no início a pessoa adulta na sala deve modelar este gesto até que o grupo se aproprie dele.

 

- fazer um som suave: pode ser um estalar de dedos. Se ouvirmos este som é sinal que alguém identificou que precisamos de silêncio. Cada pessoa vai repetindo o som até que estejamos todos em sintonia.

 

- usar o gesto “silêncio” em Língua Gestual Portuguesa: esta é uma das minhas formas preferidas de solicitar silêncio, pois considero que o gesto é muito bonito e transmite a ideia de que há barulho e precisamos de deixar de ter barulho. Apresento o gesto no início e indico que se houver muito ruído este gesto serve como sinal para darmos lugar ao silêncio.

 

O silêncio é algo que temos tendência a preencher e a evitar. Para algumas pessoas, o silêncio soa a abismo. Porém, é fundamental para criar um ambiente de escuta, de respeito pelo ritmo de pensamento de cada pessoa, pelo diálogo ou pela actividade que estamos a desenvolver em grupo.

Vamos acabar com o chiuuu?

Experimente uma das sugestões que considera que poderá funcionar melhor na sua sala. Apresente a ideia ao grupo; em alternativa, peça sugestões para que se possam comprometer com este ritual e não se esqueça de modelar esse ritual e ajustar, se necessário. 

Não desista. Provavelmente não vai correr bem logo à primeira, faz parte. Não deixe de tentar.

O que pode deixar de fazer AGORA? Chiuuu. Deixe de fazer chiuuu.

“Morra o chiuuu! Morra. Pim!”

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