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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

pensar

joana rita sousa, 24.08.22

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As pessoas, de forma muito natural, apresentam exigências conflituantes umas às outras e os costumes desenvolvem-se naturalmente de uma forma que por vezes faz com que esses conflitos azedem. Esses conflitos moldaram a forma como vivemos e pensamos. Têm profundas raízes no solo das nossas vidas e aí continuam a desenvolver os seus próprios padrões característicos, até que surge alguém que os repensa drasticamente. Essa é, na verdade, a razão pela qual as pessoas que se recusam a pensar por si próprias filosoficamente acabam com frequência enredadas em bocados de velhas filosofias que adotaram inconscientemente dos seus predecessores. Não existe um vácuo do pensamento para o qual estas pessoas possam escapar de toda a sua tradição. Temos de começar a partir do sítio onde nos encontramos.

 

Mary Midgley, Para que serve a filosofia?, p. 97

sobre a empatia cognitiva

joana rita sousa, 23.08.22

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no livro Know Thyself, de Mitchell S. Green há um capítulo dedicado ao auto-engano (self-misleading), empatia e humildade. confesso que este capítulo me chamou a atenção pela tríade apresentada e sobretudo por tratar de empatia. 

assumo que tenho algumas questões com a palavra empatia, por considerar que na maioria das vezes se traduz numa simpatia forçada e pouco honesta. é um viés assumido e que me faz rejeitar a palavra, por exemplo, quando tentam aplicá-la no contexto do diálogo filosófico. 

porém, Green apresenta uma perspectiva relevante sobre a empatia e que me fez rever a forma como entendia o conceito e até me motivou a pesquisar mais sobre as raízes do termo, consultando a Stanford Encyclopedia of Philosophy, por exemplo. 

 

o que é a empatia cognitiva? 

(...) although we have spoken so far about empathizing with someone's affective situation, nothing in the concept rules out the possibility of empathizing with someone's epistemic situation. (p. 102)

a empatia cognitiva pode ajudar-nos a compreender as pessoas com quem discordamos ou cujo discurso cremos estar errado, evitando ser condescendente:

Such an attitude promotes tolerance with those with whom we differ. It also helps us to confront situations in which people might disagree on a matter in which neither one seems to have compeeling reason for preferring her view to that of the other. (p. 103)

 

a empatia cognitiva e o diálogo

no âmbito do diálogo filosófico parece-me bastante relevante atender ao exercício da empatia cognitiva, uma vez que ter em conta as alternativas que o nosso par contempla permite-nos imaginar o que pode ter conduzido a outra pessoa a chegar àquela ideia. 

este exercício poderá levar-nos a adoptar a ideia da outra pessoa? talvez. Green diz-nos que ainda que isso possa não acontecer, é provável que, ao exercitar a empatia cognitiva, nos tornemos pessoas menos dogmáticas relativamente ao nosso próprio ponto de vista e mais capazes de ver o mesmo através de um olhar diferente. 

em suma, a empatia não se limita a ser um acto de imaginação da situação emocional da outra pessoas, mas também da sua situação epistémica.  praticar a empatia cognitiva abre caminho para que possamos ver as nossas próprias limitações, a rever as nossas ideias e as nossas crenças. desta forma, traduz-se num exercício de humildade intelectual. 

 

a empatia cognitiva e o desacordo 

praticar a empatia cognitiva num ambiente de diálogo no qual surgem posições opostas ou ideias que discordam entre si permite que o diálogo posso acontecer. por diálogo entenda-se um tempo e um espaço onde as pessoas se juntam para criar algo novo juntos (David Bohm, On Dialogue, p. 3).

este tipo de diálogo exige que as pessoas intervenientes estejam disponíveis para se escutarem umas às outras e manifestem um interesse genuíno na verdade e na coerência, de tal forma que poderá exigir que se abandonem as ideias próprias para pensar algo distinto e pensar o que até então era para si impensável. 

o desacordo faz parte do processo de diálogo: cada uma das pessoas que dialoga transporta uma forma de ver e perceber o mundo, os seus pressupostos, os seus enviesamentos, as suas crenças. é natural que nem sempre essa visão ou percepção do mundo coincida entre as pessoas intervenientes. 

no contexto do diálogo, parece-me importante esperar o desacordo (sem o forçar necessariamente), estar disponível para que aconteça e ver esse momento como uma possibilidade de exercício da empatia cognitiva. 

 

referências:

📚 Green, Mitchell S., (2018) Know Thyself, Routledge: Londres / Nova Iorque

📚 Bohm, D., (2014) On Dialogue, Routledge: Londres / Nova Iorque

 

 

 

 

#LERePENSARcom

joana rita sousa, 23.08.22

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sugestão de Júlia Martins, professora de filosofia, de Setúbal

o livro:

Ecologia, de Joana Berthólo (editorial Caminho)

imagem via wook

 

a citação:

"– Maaaãe…?

- Diz, Candela.

- Ó mãe, se o dinheiro falasse…

- O dinheiro não fala, querida, as coisas não falam.

- Sim, eu sei! Mas se! Se o dinheiro pudesse falar.

- Ok… - … O que é que tu achas que diria…?”

[...]

- Mãe, as palavras têm prazo de validade?

-Que eu saiba não, ainda não.

- Em breve vão ter, não vão? Porque as palavras agora são coisas e a maioria das coisas tem um prazo de validade.

[…]

-Ó mãe, e o que vamos fazer quando uma palavra expirar?

-Sei lá. Terás de comprar uma mais recente.

-Ah…

Lúcia senta-se e reabre o seu livro.

- E o dinheiro, mãe? Não tem prazo de validade?"

 

a reflexão:

Para nós, leitores, cada livro de Joana Bértholo é uma surpresa, das inesquecíveis. A sua escrita percorre diferentes géneros: romances, livros infantis, peças de teatro, entre outros. Ecologia é um livro reflexivo, incómodo, complexo, assustador, questionador, provocador e inovador. Mas também irónico, corrosivo, amargo e divertido. Numa só palavra: brilhante! As histórias cruzadas, as personagens dispersas mas entrelaçadas, a mescla de estilos narrativos e diferentes artes, a reflexão sobre os limites da linguagem e as questões da incomunicabilidade fazem com que este livro se torne numa experiência ímpar de leitura. São partilhadas com o leitor citações, informações, segredos escondidos em códigos QR que vão surgindo ao longo das páginas, induzindo uma oscilação nos ritmos de leitura e afirmando formas de comunicar distintas. É de palavras que se fala em Ecologia. Palavras que ecoam num novo tipo de sociedade – de cariz económico, onde tudo se compra e vende, até as palavras. Terão as palavras prazo de validade? Conseguirá o dinheiro comprar palavras? Será possível a “privatização da linguagem”? Serão as palavras privatizáveis?

 

a pergunta: 

Qual o valor da palavra?

 

👉 #LERePENSARcom é uma rubrica #filocri que pretende divulgar leituras, leitores, reflexões e perguntas. pretende-se também ampliar o entendimento de leitura: podemos ler e pensar com livros (literatura,  filosofia, ciência, álbuns ilustrados...), com documentários, com imagens ou com jogos e até com séries. procura-se aquilo que nos faz pensar, pratica-se o voltar a pensar e termina-se (se bem que o fim é um começo) com uma pergunta.  

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sugestões para a lista de desejos da feira do livro

joana rita sousa, 23.08.22

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para conhecer as mulheres filósofas

no último ano tenho privilegiado a aquisição e a leitura de obras de mulheres pensadoras e filósofas. só assim consigo conhecer o seu pensamento, dado que continuam a ficar de fora dos manuais e dos currículos de filosofia. 

por onde começar? 

👉 bell hooks tem livros traduzidos em português na editora Orfeu Negro, na temática do feminismo;

👉 A Liberdade é uma luta constante, de Angela Davis está disponível na Antígona; 

👉 Hannah Arendt tem várias obras traduzidas em português; recomendo A Condição Humana, traduzida na Relógio D'Água;

👉 Para que serve a filosofia?, de Mary Midgley, na Temas e Debates; 

👉 Uma Vindicação dos Direitos da Mulher, de Mary Wollstonecraft, editado na Antígona.

 

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para ler, aprender e treinar pensamento crítico

para quem acompanha o blog, certamente já conhece estes livros, dado que os cito frequentemente. 

👉 A arte de fazer perguntas, de Warren Berger, na editora VogaisM

👉  Racionalidade, de Steven Pinker, na Editorial Presença;

👉 de Daniel Kanheman, Pensar depressa e devagar, na Temas e Debates;

👉 Pensar de A a Z, de Nigel Warburton, editado na Bizâncio;

👉 de Rolf Dobelli, A arte de pensar com clareza, na Temas e Debates.

 

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para quem quer aprender sobre filosofia para / com crianças e jovens:

estes são alguns títulos que, além de apresentarem a perspectiva teória das pessoas autoras, também contêm sugestões de aplicação dessa mesma teoria.

👉  A máquina dos ses, de Peter Worley, nas Edições 70;

👉 o livro Hospital de bonecas, de Ann Sharp, e o manual de apoio Compreendendo o meu mundo, na Dinalivro;

👉 nas Edições Piaget é possível encontrar o trabalho de Maria José Figueiroa-Rego, com livros para várias faixas etárias e respectivos manuais de apoio;

👉 da autoria de Dina Mendonça e Maria João Lourenço, o livro editado na Plátano Editora, Brincar a Pensar.

 

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para quem gosta de #livrosperguntadores: 

já há algum tempo que os livros perguntadores são tópico aqui do blog e das demais redes sociais da filocriatividade, sobretudo no instagram. correndo o risco de alguns destes títulos serem repetidos face a essas partilhas, aqui ficam as sugestões: 

👉  de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, Como ver coisas invisíveis, na Planeta Tangerina;

👉 colecção filosofia para crianças, da autoria de Oscar Brenifier, na Dinalivro; 

👉 na Edicare, a colecção pequenos filósofos, de Oscar Brenifier;

👉 de Muriel Barbery, A Elegância do Ouriço, editado na Presença;

👉 Paz traz paz, de Afonso Cruz, na Companhia das Letras; 

👉 Isto não é, de Marco Taylor (edição de autor);

👉 de Ricardo Henriques e Nicolau, na Pato Lógico, o livro 1.º Direito;

👉 Barafunda, de Afonso Cruz e Marta Bernardes, na editorial Caminho;

👉 de Jutta Bauer, na Gatafunho, a Selma;

👉 na Kalandraka, Os Três Bandidos, de Tomi Ungerer.

 

 

*

💥 caso não possa adquirir estes livros poderá sempre visitar a biblioteca municipal e requisitá-los. se a sua biblioteca não tiver estes livros, sugira a sua aquisição! 

*

👉 a feira do livro do porto acontece de 26 de agosto a 11 de setembro 2022, nos jardins do palácio de cristal.

👉  a feira do livro de lisboa acontece de 25 de agosto a 11 de setembro 2022, no parque eduardo VII.

"everybody wins"

joana rita sousa, 18.08.22

giorgio-trovato-_XTY6lD8jgM-unsplash.jpg📷 Giorgio Trovato / Unsplash

 

In a dialogue, however, nobody is trying to win. Everybody wins if anybody wins. There is a different sort of spirit to it. In a dialogue, there is no attempt to gain points, or to make your particular view prevail. Rather, whenever any mistake is discovered on the part

of anybody, everybody gains.

It's a situation called win-win (...) a dialogue is something more of a common participation, in which we are not playing a game against each other, but with each other.

In a dialogue, everybody wins.

 

Bohm, On Dialogue, p. 7

#LERePENSARcom

joana rita sousa, 16.08.22

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sugestão da Júlia Martins, professora de filosofia, de Setúbal

o livro:

O Vício dos Livros, Afonso Cruz (Companhia das Letras)

 

a citação:

“Qualquer leitor apaixonado encontra um momento entre trabalhos e tarefas para abrir um livro, caminha enquanto lê, lê nos transportes, lê enquanto almoça, lê na casa de banho, lê antes de dormir.”

 

a reflexão:

O Vício dos Livros reúne cerca de trinta textos sobre a leitura e o amor aos livros, mas também sobre curiosidades literárias, reflexões e memórias pessoais. Por vezes num tom autobiográfico e confessional, dá ao leitor a liberdade de pular de texto em texto, vagueando por diferentes geografias, livros, escritores e leitores. A paixão pelos livros, o prazer de ler é transversal a todos os textos, não esquecendo a referência a esses espaços incríveis que são as bibliotecas, ao poder da leitura, entre outras matérias afins. O autor recorda o leitor que os livros são pacientes. Resignados à espera, ao momento em que o leitor decide lê-los. O livro pede atenção total e exclusiva. É necessário tempo para ler e reler. Respirar. Pensar. Usufruir da experiência incrível que é ler. Quem verdadeiramente sente prazer na leitura luta contra o tempo, procurando todos os momentos disponíveis para ler, de modo a saciar o vício. O Vício dos Livros é uma ode aos leitores e um belíssimo livro para quem não pode viver sem livros.

 

a pergunta: 

Como nasce o vício dos livros?

 

👉 #LERePENSARcom é uma rubrica #filocri que pretende divulgar leituras, leitores, reflexões e perguntas. pretende-se também ampliar o entendimento de leitura: podemos ler e pensar com livros (literatura,  filosofia, ciência, álbuns ilustrados...), com documentários, com imagens ou com jogos e até com séries. procura-se aquilo que nos faz pensar, pratica-se o voltar a pensar e termina-se (se bem que o fim é um começo) com uma pergunta.  

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Conhece-te a ti mesmo

joana rita sousa, 15.08.22

 

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📷  Gabriella Clare Marino / Unsplash  

 

DA INÚTIL SABEDORIA

“Conhece-te a ti mesmo”. Dessa agora,

O alcance não adivinho.

Muito mais útil nos fora

Conhecer nosso vizinho...

QUINTANA, Mario

 

A frase “Conhece-te a ti mesmo” é uma tradução do dito grego

Γ Ν Ω Θ Ι Σ Α Υ Τ Ο Ν (gnôthi seautón)

Essas palavras foram, segundo se conta, esculpidas em pedra na entrada do templo de Apolo em Delfos, na Grécia Antiga. Este templo data pelo menos do século VIII a.C., e esteve no auge de sua influência entre os séculos VI e IV a.C. O ditado é apenas um dos mais de 100 que eram visíveis em várias partes da construção. Entre os outros, estavam “Rejeite assassinato”, “Coroe seus ancestrais” e “Controle o olho”.

No entanto, a injunção para o autoconhecimento é provavelmente a mais famosa. Isso se deve em parte à associação com Sócrates e seu aluno Platão. No entanto, não está claro que tipo de conhecimento esse conselho nos incita a adquirir, ou como adquiri-lo.

Há sempre um risco de que esse preceito possa ser superestimado. Afinal, há muitas coisas interessantes para saber. Por que o conhecimento de nós mesmos deve ser destacado como especial? E mesmo que o autoconhecimento seja importante ou especial, cada um de nós já não sabe o suficiente sobre si mesmo?

Platão coloca na boca de Sócrates, em sua Apologia, a seguinte frase “a vida não examinada não vale a pena ser vivida”. A partir de então, inaugura-se um dos modelos mais célebres da História da Filosofia de como conduzir a própria existência.

Porém, e os outros estilos de vida?

  • Atenuar o sofrimento alheio (caridade)
  • Descobrir novas tecnologias (ciência)
  • Engajar-se para mudar a sociedade (política)

Se eles não se dedicarem ao autoexame, então não valem a pena?

Se respondermos que não valem, então soamos elitistas, o que é indesejável. Para responder melhor à questão, precisamos descobrir o que realmente quer dizer a vida autoexaminada.

De acordo com Richard Kraut, professor de Ciências Humanas na Northwestern University nos Estados Unidos, o preceito socrático pode ser interpretado assim: “A vida não examinada não é para ser vivida”.

Para entender a diferença entre “não vale a pena” e “não é para”, veja esta outra frase: “A vida não amada não é para ser vivida”. Como interpretá-la? A vida sem amor não é para ser vivida, no sentido de que viver sem amar ao menos uma vez é viver de modo não pleno. É como se, ausente o amor, houvesse um buraco na vida a ser preenchido. Sem amar, a vida não é desfrutada em sua plenitude, embora se possa viver sem amar. De modo similar, a vida sem autoexame não é para ser vivida, porque sem autoexame há um buraco a ser preenchido.

A vida examinada é a arte de tapar buracos existenciais, seja lá em que atividade for, não apenas a atividade filosófica.

 

Vitor Lima (professor de filosofia e co-fundador da escola INÉF - Isto Não é Filosofia)

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#LERePENSARcom

joana rita sousa, 09.08.22

 

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sugestão da Ana Filipa Gaspar, especialista em marketing digital, de Benfica, Lisboa

o livro:

As Ondas, de Virginia Wolf (Relógio D'Água)

imagem via wook

 

a citação:

“Palavras, palavras e palavras, observem o modo como galopam, como abanam as longas caudas e crinas, mas, e por qualquer falha minha, não me posso dar ao luxo de as montar; não posso voar junto com elas.”

 

a reflexão:

A desconstrução dos pensamentos, dos diálogos e das relações é feita em continuo nesta pequena obra, em que o leitor é convidado a participar no discurso psicológico de cada personagem. Não é fácil acompanhar o dia-a-dia dos outros nesta perspectiva tão íntima e individual. Estamos habituados a viver com os nossos pensamentos, mas não com os pensamentos dos outros.

 

a pergunta: 

O que move verdadeiramente cada pessoa?

 

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Conversa com notas de rodapé. Questões para a filosofia africana

joana rita sousa, 05.08.22

O livro do filósofo e professor Marcos Carvalho Lopes nos traz uma História da Filosofia Africana de maneira dialogada. Com leveza poética, apresenta e analisa as categorias e conceitos estruturantes do pensamento africano dentro do contexto histórico, fazendo anotações que permitem uma leitura didática e rigorosa. Ao mesmo tempo, percebem-se, no texto, duas tensões: a primeira aponta para a experiência bem sucedida do professor Marcos em ensinar, durante oito anos consecutivos (2014-2022), a disciplina de Filosofia Africana para estudantes brasileiros e de cinco países africanos, empreitada vivenciada na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) no Recôncavo da Bahia. Ensinar a um público mais ou menos homogêneo é imensamente diferente e menos desafiador do que ter em sala de aula pessoas de origens tão diversas: seis países, uma rica diversidade étnica e sociocultural, com situações políticas, muitas vezes, traumáticas e ainda manter consigo a utopia de compreender para transformar. A segunda tensão, diz respeito ao enorme esforço de auto reconhecimento do filósofo-professor Marcos Carvalho Lopes, como um acadêmico possuidor de sólida formação na Filosofia Ocidental, e que, de maneira incansável, buscou acessar e tornar acessíveis as bibliotecas “não coloniais” de estudiosos e estudiosas africanos e africanas. Humildemente, ele precisou sentar-se e apreender. O livro percorre uma longa viagem que inclui Zera Yacob (1599-1692), Wilhelm Amo (séc XVIII), Cheikh Anta Diop, Alexis Kagame, Hountondji, passando por temas como a força vital até o mais recente e importante debate sobre o feminismo africano. África é um imenso continente com 54 países e cada autor interpreta o mundo e a tradição filosófica desde sua própria história e há que ainda se levar em conta que a “filosofia” se escreve e se pensa em línguas ocidentais diferentes….em suma,  a obra de Marcos Carvalho Lopes nos brinda com uma síntese erudita, mas compreensível; crítica, mas não panfletária; ampla e apaixonante da   filosofias-pensamentos africanos. Uma contribuição inestimável deste grande intelectual para o campo dos estudos africanos.

 

pode fazer o download do livro AQUI

#ICPIC2022 - de Tóquio para o mundo

joana rita sousa, 04.08.22

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realiza-se nos dias 8, 9, 10 e 11 de Agosto a conferência bianual do ICPIC.

esta é a 20.ª conferência que reune pessoas de todo o mundo que se envolvem na pesquisa e na prática da filosofia para / com crianças e jovens. 

o tema da conferência é "philosophy in and beyond the classroom: P4C across cultural, social, and political differences" e acontece em Tóquio, em formato híbrido.  

eis a mensagem de Arie Kizel, presidente do ICPIC: 

On behalf of the ICPIC Executive committee, I would like to welcome you to the 20th biennial ICPIC conference website in Rikkyo University, Tokyo, Japan. We are confident that this conference will offer rich educational and philosophical experiences through presentations and dialogues, formal and non-formal and informal, with a diverse and international company of scholars, academics, and practitioners.
We are devoting this conference to philosophy in and beyond the classroom: P4C across cultural, social, and political differences. Philosophy for/with Children and other forms of philosophical practices such as philosophy café has been developing rapidly and powerfully in Japan over the last two decades. Significantly, the major earthquakes and Tsunami in the Tohoku area in 2011 urged the Japanese people to reflect deeply on the fundamental value of life, human bonds, and the direction of their society and civilization. Under such circumstances, the Japanese people have seen the importance of dialogue on philosophical topics and its importance for citizens and school children.
Many Japanese children enjoy discussing philosophical subjects in a P4wC class, doing better than their teachers and parents’ expectations. More and more teachers are becoming eager to introduce the P4wC methods in their studies.

 

avizinham-se dias de intensa partilha. grande parte das pessoas que me inspiram neste trabalho e que já citei inúmeras vezes vão estar presentes nesta conferência. terei a oportunidade de dinamizar um workshop sobre o tema "is voting a sign of democracy?", que decorre de um conjunto de diálogos e de trocas com o Pieter Mostert e com a comunidade #P4Cthursday. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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