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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / nas redes sociais: #filocri

oficinas de filosofia, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / nas redes sociais: #filocri

28 de Fevereiro, 2022

uma reflexão sobre abordar (ou não) o tema da guerra

joana rita sousa

priscilla-du-preez-xy0JBTQlRuY-unsplash.jpg📷 Photo by Priscilla Du Preez on Unsplash

 

o mundo despertou para guerra no dia 24 de fevereiro, com as notícias dos ataques da Rússia à Ucrânia. é o assunto do momento e tem tomado conta das nossas preocupações e é natural que as crianças já nos tenham ouvido falar sobre o assunto ou que tenham visto algo na comunicação social. assim sendo, o que fazer? devemos esconder o assunto ou trazê-lo para a conversa? 

na semana passada o Jason Buckley abordou o assunto num grupo relacionado com a filosofia para crianças e acabou por partilhar algumas ideias bastante pertinentes na sua newsletter. gostaria de chamar a atenção do/a leitor/a para alguns pontos, inspirada pela reflexão de Buckley. 

 

depois da pandemia covid19, uma guerra

o mundo ainda está a lidar com a pandemia e cada um de nós está a adaptar-se às regras, às novas formas de conduta. não podemos pensar que estamos todos no mesmo ponto de entendimento do que é a vida pandémica. alguns de nós perderam familiares, outros passaram por sucessivos isolamentos profilácticos, alguns adoeceram e vivemos confinamentos com emoções diversas. 

neste contexto é natural que haja crianças que queiram falar sobre a guerra, deixando de lado a pandemia; outras, nem por isso. é fundamental que sejamos sensíveis a estas diferenças. é fundamental escutar as crianças, as suas perguntas e os seus comentários: 

The best approach is to listen carefully to children's spontaneous questions and comments, and then respond to them in an appropriate, supportive way. Let children's concerns, in their own words, guide the direction and depth of the discussion. (Sheldon Berman, Sam Diener, Larry Dieringer, and Linda Lantieri)

no que diz respeito às oficinas de filosofia para/com crianças, não creio que se deva forçar o tema ao grupo, mas sim encontrar um espaço e um tempo para que aqueles que querem conversar sobre o tema possam fazê-lo. poderá ser um tempo no intervalo, antes ou depois da oficina de filosofia. tudo dependerá do contexto em que trabalha com as crianças. 

é natural que as crianças tenham perguntas muito concretas sobre a guerra; para responder temos de estar bem informados ou então responder "não sei" quando de facto não sabemos. tratar a guerra pelo nome, dizer quais são os países envolvidos, é importante para não criar a ideia de que as guerras são todas iguais ou que são todas a mesma. infelizmente, há outras guerras em curso no mundo, umas que duram há vários anos, outras menos mediáticas. 

The answers to some questions that children ask are not always clear and straightforward. Some are much deeper. When children ask such questions as, "How come we have war?" or, "What will happen when the war is over?" we can explain that some people think one way about it and others think another. We might ask, "What do you think?" It is important for children to hear that there are differences of opinion and different ways of seeing the conflict. (Sheldon Berman, Sam Diener, Larry Dieringer, and Linda Lantieri)

 

uma estratégia mental para lidar com a angústia

nos últimos dias tenho sentido bastante ansiedade e angústia com as notícias que chegam da Ucrânia. há inúmeros relatos que nos desassossegam e  que nos revoltam. o que fazer?

nestes momentos os estóicos são os meus melhores amigos. diariamente tenho lido a proposta estóico todos os dias, para poder reflectir sobre aquilo que posso e não posso mudar.

 

no livro a arte da boa vida, Rolf Dobelli partilha uma ferramenta mental para que seja possível lidar com as notícias catastróficas do mundo, procurando manter o equilíbrio. eis as suas sugestões: 

👉 compreender que não posso fazer muito perante problemas como as guerras, os conflitos e o terrorismo, que encerram complexidade e cujo desfecho é imprevisível;

👉 para a maioria das pessoas que está a ler este artigo, a melhor forma de ajudar passa por fazer um donativo para uma associação ou organização que esteja a desenvolver trabalho no terreno. informe-se bem sobre as organizações, verifique a sua credibilidade e contribua com o que for possível;

👉 consumir notícias em doses moderadas. não adianta querer ver tudo e querer saber de tudo. por exemplo, a guerra que tomou conta da Europa na última semana é demasiado complexa e a par de informação, há muita desinformação na comunicação social e nas redes sociais online. escolha bem as fontes e actualize-se de vez em quando. 

👉 assumir uma postura estóica perante o sofrimento,  focando naquilo que podemos fazer, como escolher uma associação de apoio humanitário e comprometer-se com uma ajuda. nem eu nem o/a leitor/a vamos poder terminar com o mal que existe no mundo. 

⚠️ (o último ponto da estratégia de Dobelli pode ser um pouco duro. cá vai.)

👉 interiorizar a ideia de que não somos responsáveis pelo mundo em que nos encontramos. Dobelli explica: "O prémio Nobel Richard Feynman evoca este pensamento de John von Neumann, o genial matemático e pai da informática. "John von Neumann ofereceu-me esta interessante ideia: que não temos de ser responsáveis pelo mundo em que nos encontramos. Desenvolvi, por isso, um sentido muito poderoso de irresponsabilidade social (...)". o que quer isto dizer? "não se sinta mal por se concentrar no seu trabalho, em vez de estar em África a construir hospitais. Não há motivo algum para se sentir culpado por estar, por acaso, numa situação melhor do que a de uma vítima de uma bomba em Alepo - podia ser perfeitamente ao contrário. Viva uma vida decente e produtiva, e não seja um monstro." 

*

seja qual for a sua estratégia pessoal, tenha uma. na medida do possível, inclua as crianças na sua estratégia de forma a procurar equilibrar as emoções e os pensamentos acerca dos acontecimentos terríveis que assolam o mundo. 

 

termino com as palavras do Jason Buckley:

Another sort of failing to think is to only think about one side of things. The pandemic was awful, but millions of people gave up freedoms and worked incredibly hard for the health of others; during this war, many nations and thousands of people who are not directly affected will help those who are, and very brave individuals within Russia itself are already protesting the war. Of course, it would be much better if there weren’t pandemics and wars, and the good they bring out of people doesn’t make up for the suffering they cause. But there is good in the world as well as bad, and if we forget that we are lapsing into lazy thinking, which is the opposite of good philosophy.

 

(e ainda)

- para ler: Talking With Children About War and Violence In the World How to talk to pupils about the news;

- a Rita do Kit Literário fez uma selecção de livros que abordam o tema da guerra, que pode consultar na sua  página de instagram. caso haja um pedido por parte das crianças para falar sobre o tema, um livro pode ser uma boa forma de criar o espaço para essa conversa;

- para voltar a ler: 8 dicas para topar desinformação online.

 

25 de Fevereiro, 2022

pretende saber mais sobre filosofia para/com crianças e jovens?

- sugestões de bibliografia

joana rita sousa

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a pergunta chega-me via e-mail e/ou nas redes sociais e por isso considerei pertinente partilhar com todas as pessoas que visitam este blog: "qual a bibliografia que recomendas para quem quer saber mais sobre filosofia para/com crianças e jovens?" 

as pessoas que mais fazem esta pergunta estão ligadas à educação, daí que tenha optado por sugerir livros teóricos e não os livros que posso usar nas oficinas de filosofia, junto das crianças e dos jovens.

 

cá vai:

- M. Lipman: A filosofia vai à escola 

- D. Mendonça: Brincar a Pensar

- P. Cam: Philosophical Inquiry

- D. Shapiro: Plato was wrong!

- J. R. Sousa: Queres saber? Pergunta.

- C. M. Machado: Educar (para) o pensar : desenvolvimento de competências reflexíveis em professores e alunos do 1º CEB : contributos da "Filosofia para Crianças"

- no website do Institute de Pratiques Philosophiques há livros disponíveis para download gratuito, a saber: A prática da filosofia na escola primária e Enseigner par le debát.

 

aproveito para partilhar um conjunto de links que pode ser útil para quem quer saber mais sobre esta área de trabalho, aqui neste wakelet

 

*

 

se é uma pessoa ligada à educação e pretende aprender ferramentas de diálogo filosófico para desenvolver estas e outras actividades, contacte-me através deste formulário.

aproveite para espreitar a oferta formativa que está em curso no 1.º semestre de 2022 junto da Bertrand Livreiros. 

 

24 de Fevereiro, 2022

8 dicas para topar desinformação online

- a partir de Tom Chatfield

joana rita sousa

 

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terminou na semana passada a oficina "pensar antes de gostar - manual do utilizador de redes sociais" durante a qual procurámos conciliar pensamento crítico e uma presença nas redes sociais online.

no livro Critical Thinking, Tom Chatfield sumariza algumas dicas que nos permitem topar a desinformação, a saber: 

💬 seja céptico/a perante os títulos (headlines)

💬 preste atenção ao link do conteúdo

💬 investigue a fonte

💬 preste atenção a formatações estranhas, no texto ou nos formatos

💬 preste atenção às imagens que acompanham o conteúdo

💬 verifique as datas de publicação e/ou actualização

💬 verifique as fontes citadas

💬  pesquise por outras fontes sobre o mesmo assunto

 

em caso de dúvidas, não partilhe e não emita uma opinião sobre o tema.

evite a pressa e tenha consciência de que talvez a sua opinião não seja relevante para os outros. aproveite para praticar um dos conselhos de Rolf Dobelli no livro A Arte da Boa Vida e não se valorize em excesso:

O excesso de valorização de cada um transformou-se numa verdadeira doença civilizacional. Atirámo-nos ao nosso ego como um cão a um osso. Porém, livre-se do osso. Não tem valor nutricional e não tardará a ficar feito em papas. (Rolf Dobelli, p. 319)

 

21 de Fevereiro, 2022

perguntas a propósito do carnaval

joana rita sousa

[parar para pensar a partir do carnaval]

qualquer situação pode traduzir-se numa bom trampolim para o diálogo e para praticar o parar para pensar - e o carnaval não constitui uma excepção.

em casa ou na escola, aproveite o ambiente das máscaras [no sentido de nos vestirmos de outra pessoa, de um animal ou até de um objecto; de nos fazermos passar por outro alguém ou por algo] para pensar a brincar. 

 

actividade para as crianças dos 3 aos 5 anos:

a partir do livro Em que pensas tu?, de Laureant Moreau, inicie um diálogo sobre aquilo que habita as nossas cabeças. que pensamentos temos? em que pensamos? e será possível mascarar um pensamento? como se mascara um pensamento feliz com um pensamento triste? como se mascara um pensamento grande de pensamento pequeno? 

aproveite para explorar a expressão plástica, desenhando pensamentos ou desenhando máscaras de pensamentos. quem diz desenhar, diz outras actividades que pretenda fazer para desenvolvimento da motricidade fina. 

*

actividade para as crianças dos 6 aos 9 anos: 

por que é que celebramos o carnaval? peça às crianças para investigar em casa - ou investigue em sala de aula - quais são as origens desta tradição?  há maneiras diferentes para celebrar o carnaval? como se celebra em diferentes países do mundo? 

aproveite para reflectir com as crianças sobre a forma como uma mesma celebração pode ser vivida em pontos diferentes do mundo - e se há povos que nem sequer a comemoram. 

 

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actividade para as crianças dos 10 aos 12 anos:

escolha uma das perguntas acima partilhadas para iniciar um diálogo. não se esqueça de perguntar "porquê?" para que as crianças possam dar as razões ou o "podes explicar melhor?" para ajudar ao desenvolvimento das ideias.

 

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para os jovens > 13 anos: 

em vez de perguntar "quem sou eu?", desenvolva um trabalho de pensamento a partir da pergunta "quem não sou eu?" e/ou "quem gostaria de ser?" 

aproveite para dialogar sobre as possibilidades que temos para ser quem somos e o que não somos, o que nos limita, o que nos amplia e dá espaço de manobra. 

 

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se é uma pessoa ligada à educação e pretende aprender ferramentas de diálogo filosófico para desenvolver estas e outras actividades, contacte-me através deste formulário.

aproveite para espreitar a oferta formativa que está em curso no 1.º semestre de 2022 junto da Bertrand Livreiros. 

 

 

 

 

 

 

 

 

importante: dialogue sem pressa. afinal, a vida são dois dias e o carnaval são três (ditado popular). 

 

 

20 de Fevereiro, 2022

"inventar o que já existe? mas isso não tem sentido!"

joana rita sousa

 

inventar o que já existe foi uma oficina que me surgiu após a leitura do livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago. li e voltei a ler o livro várias vezes para poder criar as oficinas que pretendem celebrar o #centenarioSaramago. 

talvez por estar constantemente a estudar processos criativos, surgiu-me esta frase: "inventar o que já existe". a partir dela criei um jogo para o diálogo, que passava  por espreitar a Inventolândia ou Museu das Invenções (São Paulo, Brasil). 

a verdade é que nem tive possibilidade de apresentar o jogo, pois assim que apresentei o nome da oficina houve alguma estranheza quando à afirmação: inventar o que já existe não faz sentido. se já existe, vamos inventar o quê?

o diálogo começou assim, com esta estranheza e com outras perguntas: já inventaste alguma coisa? e como foi essa invenção? foi uma coisa nova ou foram coisas que já existiam?

descobrimos que o P. inventou um trompete a partir de materiais recicláveis, que o G. inventa desenhos, que a A. inventou um jogo novo, mas com um nome que já era de outro jogo. 

arriscámos um entendimento do que é a invenção: 

uma invenção é um conjunto de materiais que juntos formam uma coisa diferente e que podem ajudar  ou prejudicar a sociedade.

a partir daí fomos verificar se as nossas invenções cabiam neste entendimento. o primeiro problema: a L. inventou uma palavra nova, a partir de duas palavras que já existem. formou uma coisa diferente, é certo. mas as palavras não são materiais, já que materiais para nós são coisas que podemos tocar. 

outras questões que surgiram: quando não temos a escova de dentes e lavamos os dentes com o dedo, estamos a inventar alguma coisa? inventar é uma coisa que vem do nada?

nesta oficina tentámos compreender o que era uma invenção e a partir desse entendimento verificámos se os nossos exemplos de invenção "cabiam" nesse entendimento - ou se precisamos de rever o nosso entendimento.

há dois tipos de invenções: aquelas que tiramos da nossa cabeça e surge do nada e aquelas que vimos num vídeo, por exemplo, e tentamos recriar.

 

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a oficina do Platão [online] regressa em Março - consulte as vagas disponíveis.

caso queira receber a agenda #filocri referente às oficinas de filosofia, para crianças e jovens, pf. subscreva a newsletter.

se é professor/a ou educador/a e pretente levar estas oficinas à sua escola, contacte-me através deste formulário

18 de Fevereiro, 2022

oficinas de filosofia a partir das palavras de Saramago

joana rita sousa

 

3 livros de josé saramago: a maior flor do mundo, o lagardo e nas suas palavras

a propósito do #centenariosaramago desenvolvi um conjunto de oficinas de filosofia cujo trampolim para dialogar são as palavras do escritor nascido na Azinhaga.
 
estas oficinas podem acontecer em formato online ou presencial e estão disponíveis para ser acolhidas em bibliotecas, nas escolas ou em centros de estudo.
 
solicite mais informações através deste formulário
15 de Fevereiro, 2022

vamos falar sobre regras

joana rita sousa

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actividades para crianças a partir dos 3 anos disponíveis para download gratuito no website Dialogue Works, em inglês, em espanhol e em português 

 

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se é uma pessoa ligada à educação e pretende aprender ferramentas de diálogo filosófico para desenvolver estas e outras actividades, contacte-me através deste formulário.

aproveite para espreitar a oferta formativa que está em curso no 1.º semestre de 2022 junto da Bertrand Livreiros. 

13 de Fevereiro, 2022

criatividade, brincadeira e comunidades criativas

joana rita sousa

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o livro Criatividade, de John Cleese é uma boa porta de entrada para quem quer saber mais sobre processos criativos. gostaria de destacar uma passagem na qual o autor fala de brincar e do envolvimento infantil na resolução de problemas. 

já observou um grupo de crianças a brincar? ou uma criança a brincar sozinha? há um lado muito espontâneo e exploratório nas brincadeiras e como refere Cleese, as crianças "não procuram evitar os erros. não seguem regras." temos a sensação que as suas brincadeiras não servem qualquer propósito, não têm finalidade. do ponto de vista da pessoa adulta, há alguma dificuldade em atender ao processo, pois estamos constantemente à procura dos resultados. 

Os adultos criativos, no entanto, não se esquecem de brincar. (p. 50)

a resolução infantil de problemas envolve curiosidade, brincar, envolvimento no processo e exploração. parece simples - e é, o que não significa que não exija algum esforço, alguma prática diária. 

Michael Atavar, Edward de Bono, Angélica Sátiro são pessoas que têm trabalhado este tema e têm livros com inúmeros exercícios de criatividade. 

uma vez que é difícil encontrar ou definir espaços e tempos exclusivos para o treino de criatividade (e isso faz toda a diferença) resolvi criar as Comunidades Criativas #filocri.

do que se trata? são grupos pessoas que se juntam 2x por mês para treinar exercícios de pensamento criativo. 

pretende-se que seja uma comunidade intergeracional, por isso não há uma faixa etária no chamado público-alvo. o público são pessoas que estejam disponíveis para treinar criatividade com outras pessoas (conhecidas ou desconhecidas), que tenham acesso a um computador e internet.

a participação nas Comunidades Criativas [online] pode ser uma actividade desenvolvida em família - a minha única questão com a idade prende-se com a autonomia das crianças perante um computador. assim, diria que crianças a partir dos 7 anos poderão participar de forma autónoma e que crianças mais novas podem participar na companhia de uma pessoa adulta. 

o grupo pode variar de encontro para encontro e poderá inscrever-se somente uma vez, numa data e hora à sua escolha. 

para saber mais sobre as Comunidades Criativas #filocri, contacte-me através deste formulário

 

se gostaria de usufruir destas Comunidades Criativas #filocri em formato presencial, entre em contacto comigo. estou disponível para desenvolver estas Comunidades em espaços como bibliotecas municipais, centros de estudo ou associações culturais. 

 

 

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