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filocriatividade | filosofia e criatividade

>> oficinas de filosofia, para crianças, jovens e adultos >> formação para professores e educadores (CCPFC) >> nas redes sociais: #filocri | #filopenpal | #FilosofiaAoVivo

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Kant no jardim de infância

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Posso concordar com alguém que não é meu amigo?

Dizer que não concordamos com aquela pessoa que não é nossa amiga é típico nos grupos de crianças. O Pedro diz que concorda com a Margarida pelo facto de serem amigos. E que não concorda com o Rafael, pois não são amigos.

 

Ora, quando aprofundamos as ideias do Pedro e do Rafael verificamos que a ideia é muito parecida, senão mesmo igual, mas dita por outras palavras. Não é estranho que o Pedro diga o mesmo que o Rafael mas diga que não concorda com ele? 

 

para ler, no website Pumpkin

 

 

ideias para fazer em casa

- nos dias de recolhimento

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Posso partilhar consigo algumas ideias para os próximos dias de recolhimento?

Cá vão: 


📌 o #ClubeDePerguntas procura membros para o mês de Dezembro... que tal subscrever e começar já a desafiar-se na "arte de fazer perguntas"?


📖 que tal fazer um concurso de teatro aí em casa, a partir de um livro? Sugiro as "Famílias Destrambelhadas, de Claudio Hochman e @joaovazdecarvalho (@livroshorizonte). Espreite as estantes aí de casa e inspire-se noutro livro!


🤓 se aí em casa há crianças com idades entre os 7 e os 12 anos... que tal participar na Oficina do Platão (online)? Peça informações via mensagem privada!


🕵️‍♂️ se tem curiosidade para saber mais sobre história da filosofia, visite o canal YouTube istonaoefilosofia e comece já hoje a estudar! O curso está disponível gratuitamente.


🧩 para quem pretende treinar a escrita, nada melhor do que visitar o projecto @rewordit_ onde encontra muitos desafios para pensar e escrever, sozinho ou em família!


Divirta-se, descanse e, acima de tudo, mantenha-se em segurança!

livros filosoficamente provocadores

- recomendações de Júlia Martins e Joana Rita Sousa

 

(clique na seta que encontra à direita

para ver as imagens e as sugestões de livros) 

 

 

mais detalhes sobre estas recomendações no instagram e no artigo publicado no PNL2027.

 

 

 

"Na maior parte das vezes tomam-se decisões na escola, na família, da sociedade, sobre o que é melhor para as crianças, acerca do que as crianças são e querem ser, do que gostam e precisam e não se ouvem as crianças."

- uma conversa com a Paula Vieira, a propósito da presença da filosofia e da infância no Global Teac

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no passado dia 30 de Outubro aconteceu a cerimónia da 3ª Edição do Global Teacher Prize Portugal. estiveram representados os professores portugueses que de uma ponta à outra do país dão o seu melhor pela educação e pela infância.

a Paula Vieira foi uma das professoras nomeadas para este prémio. conheci a Paula durante o meu percurso no mestrado da Universidade dos Açores. não podia deixar de assinalar este momento importante para a Paula e para a filosofia (para crianças) e foi assim que surgiu este diálogo, estas perguntas e respostas, à distância, via e-mail. esta partilha é mais uma forma de celebrar o Dia Mundial da Filosofia (19 de Novembro de 2020). como sabe, aqui na filocriatividade a filosofia celebra-se todos os dias! 

 

*

olá, Paula. antes de mais, parabéns pela nomeação para o Global Teacher Prize. o que significa para ti, enquanto professora, este reconhecimento?

Bom dia alegria. Olá Joana. Obrigada pela lembrança, pela simpatia e pelo interesse.

A nomeação para o Global Teacher Prize é uma nomeação para a força da ideia de juntar a filosofia e as crianças. A filosofia convidou as crianças e elas aceitaram o convite, trouxeram todas as infâncias e nada ficou como dantes.

A força da ideia de juntar a filosofia e as infâncias, cria outras possibilidades e outros modos de ser-se escola, de estar-se na escola, de fazer-se escola. E isto não acontece por causa de uma ou outra professora, de uma ou outra personalidade.

Toda a estrutura do concurso e a lógica do Global Teacher Prize é a de nomeação de uma pessoa, porém eu sou somente a face visível de um grupo de pessoas filosofantes, de todas as idades, que acreditaram e deram corpo à ideia de promover o encontro entre a filosofia e infâncias. Refiro-me, naturalmente a crianças, adolescentes, jovens, adultos, professorxs, estudantes, órgãos diretivos da escola Armando Côrtes-Rodrigues (Vila Franca do Campo, São Miguel, Açores), Autarquia de Vila Franca do Campo e o Mestrado de Filosofia para Crianças da Universidade dos Açores.

 

o mestrado foi o espaço e o tempo onde nos conhecemos. não posso esquecer que foste apoiar-me no dia da defesa da minha dissertação, naqueles tempos longíquos em que era preciso viajar de lisboa para são miguel para defender uma dissertação. agora conseguimos fazê-lo com uma simples viagem zoom.

para quem não conhece, podes falar um pouco sobre as Filosofâncias? como começou este projeto?

Sabes, Joana, existirão muitas maneiras de se contar uma história. Uma delas, suponho será contar a história a partir daquilo a que chamo “ideias tipo murro no estômago”. São aquelas ideias que nos deixam sem ar, nos tiram o chão e fazem-nos pensar a partir de outros lugares que não os habituais e costumeiros. Posso dizer-te que foi assim que começaram as Filosofâncias na EBS Armando Côrtes-Rodrigues em Vila Franca do Campo, São Miguel Açores.

Passo a contar a história.

Em 2012, numa ação de formação da Universidade dos Açores subordinada ao tema “Filosofia para Crianças”, conheci Matthew Lipman, o filósofo norte-americano que afirma que as crianças têm fome de sentido e que a escola está a matar à fome a fome de sentido que as crianças têm. Foi uma ideia tipo “murro no estômago”. Como poderia eu, enquanto professora, e a escola enquanto sistema e instituição, estar a matar à fome esta fome de sentido?

 

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Em 2014/2015, o grupo de filosofia da escola criou o projeto Filosofâncias: comunidades de investigação filosófica. Iniciou-se com 39 alunos, duas turmas do primeiro ciclo. No ano letivo de 2020/2021, são 580 estudantes-filosofantes (27 turmas) desde o pré-escolar até ao 8.º ano de escolaridade que têm sessões regulares e continuadas de investigação filosófica em comunidade (45 minutos todas as semanas). O modelo educativo é o da experiência de pensamento em comunidade de investigação filosófica que acontece em contexto de sala de aula. As mediadoras (com formação em filosofia e algumas também em fpc) são recebidas nas salas de aula, a convite dxs professorxs da turma e, todxs juntos, fazemos sessões de diálogo filosofante com crianças. O projeto Filosofâncias é reconhecido no Projeto Educativo da escola como um projeto identitário e constituindo esta Instituição a única na Região Autónoma dos Açores, e uma das poucas no País, com um projeto estruturado e transversal na área.

A relação estreita entre o projeto Filosofâncias da escola Armando Côrtes-Rodrigues e o Mestrado em Filosofia para Crianças da Universidade dos Açores, protocolizado desde 2015, tem trazido à escola filósofos da área para investigarmos filosoficamente em conjunto: crianças-filosofantes, professores filosofantes e filosófos-filosofantes. E a escola Armando Côrtes-Rodrigues tem sido convidada a estar presente em fóruns internacionais da especialidade. A parceria entre escola Armando Côrtes-Rodrigues, pela mão das Filosofâncias, e  a Universidade dos Açores, pela mão do Mestrado em Filosofia para Crianças, derrubou alguns muros tradicionais entre a academia e a escola: as crianças, jovens e professores entram na universidade não como objetos de estudo mas como parceiros na construção de conhecimentos e os professores universitários entram na escola não como especialistas com receitas a implementar mas como parceiros de experiência de pensamento, e esta é mais uma ideia tipo “murro no estômago”.

 

do teu ponto de vista, qual é a mais valia da filosofia no percurso escolar da criança?

A pergunta do impacto ou da mais valia da filosofia no percurso escolar da criança é uma das que mais me colocam… E, suspeito, que esta é uma questão que se pode transformar numa armadilha para este encontro entre a filosofia e as crianças.

Será necessário uma mais valia para a presença da filosofia no percurso escolar da criança? Não poderemos ser conduzidos a pensar que, de certa maneira, o que se passa no percurso escolar é uma espécie de investimento no futuro e que encaramos as crianças/jovens como pessoas em compasso de espera, a quem lhes falta ser no presente? Não será isso que se adivinha em afirmações tão comuns e bem-intencionadas como “as crianças e os jovens são o futuro, o amanhã de uma sociedade”? Na maior parte das vezes tomam-se decisões na escola, na família, da sociedade, sobre o que é melhor para as crianças, acerca do que as crianças são e querem ser, do que gostam e precisam e não se ouvem as crianças.

Ora, uma comunidade de diálogo filosofante com crianças, como a entendemos no projeto Filosofâncias, é um lugar de encontro entre pessoas de todas as idades, em torno de perguntas que nos fazem pensar em conjunto em que mundo vivemos e em que mundo queremos, em conjunto, viver. É um encontro num tempo presente que dura. É um encontro onde a pergunta “o que é que queres ser quando fores grande”, por exemplo, parece menos interessante do que perguntar “enquanto não for grande o que sou ou é preciso ser grande para ser?” As sessões de diálogo filosofante promovem a escuta das vozes infantis e, o maior desafio, para além de escutar as vozes é pensar com elas.

A tua pergunta, Joana, provocou em mim uma outra pergunta: qual seria a mais valia do pensamento filosófico infantil para o percurso da filosofia?

 

boa pergunta, essa. tenho outra para ti, aqui no bolso.

podemos dizer que a filosofia é necessária nesse percurso escolar?

Atrever-me-ia a dizer que sim. A filosofia entendida como um modo de estar no mundo, como uma olhar infantil para a escola, cria possibilidades de abrir brechas dentro da instituição escolar para novos modos de relações educativas, novas relações com o conhecimento a partir da pergunta. É que as respostas podem estar certas ou erradas e introduzem clivagens entre as pessoas que sabem e as que não sabem. As perguntas não estão certas nem erradas, serão interessantes, serão início de pensamento, permitem que os assuntos continuem e o pensamento se desdobre e, suspeito, que as perguntas sejam mais democráticas do que as respostas.

O encontro entre a filosofia e as crianças pro-voca uma certa perturbação, um certo desassossego, uma certa mudança na ordem comum, e indica-nos novos olhares sobre a filosofia e o filosofar. Em certo sentido, lança um olhar diferente acerca do que é uma criança, não enquanto potência para o que pode ser, mas para o que é. A filosofia cumpre, desde modo, mais algumas das suas vocações: a filosofia para/com crianças trouxe para a filosofia o filosofar infantil e reconhece as crianças como sujeitos válidos de um pensar filosófico, dá voz a uma diáspora humana: à infância; derruba muros entre diferentes espaços educativos como seja a escola e a universidade; abre na escola espaço para a skolé, um lugar de encontro com a pergunta, de encontro entre humanos de diferentes idades, de encontro com o tempo presente…

A título de exemplo: António, uma criança de oito anos, afirmava em 2016: “As sessões de filosofia não são aulas. Nas aulas fala-se de coisas que aconteceram no passado e coisas que servem para o futuro. Nas sessões de filosofia tratamos de coisas da nossa vida, o que importa no presente, por exemplo, o que é a vida, o que é a felicidade e outras coisas…” O menino verbaliza que o processo de pensamento de uma comunidade de investigação filosófica é um pensar relativo à experiência de vida significativa, presente, vivenciada na e pela comunidade, isto é, não se trata de preparar-se para algo que está para vir. As sessões de filosofia, este espaço que é o mesmo de uma aula comum, enche-se de vida presente, da presença da vida e torna-se num lugar, uma presença no presente.

 

se um pai ou uma mãe te pedirem um conselho, uma sugestão sobre como praticar as perguntas, em casa, que sugestão farias?

Sugeria que escutassem as perguntas das crianças e as alimentassem com mais perguntas, e resistissem à tentação e, acrescentaria, à tirania de dar respostas. Sugeria que experimentassem deixar impregnar o próprio pensamento com as perguntas infantis, dito de outro modo, tornar a pergunta infantil num perguntar-se. Talvez possamos pensar que um caminho que se inicia com a pergunta, que se alimenta com o perguntar e se transforma num perguntar-se seja um modo de nos encontrarmos infantilmente uns com os outros, independentemente das idades.

 

podes falar um pouco sobre o projecto ¿filo... quÊ? Do que se trata e como podemos ter acesso a ele?

O ¿filo... quÊ? é uma rubrica de filosofia para crianças incluída no programa televisivo “Aprender em Casa” da Direção Regional da Educação (DRE). Após a experiência de confinamento no ano letivo anterior, o Diretor Regional da Educação pensou que seria importante que a filosofia para crianças também tivesse o seu espaço no “Aprender em Casa”.  A nova rubrica ¿filo... quÊ? do programa Aprender em Casa, nasce da parceria já existente entre a Universidade dos Açores, através do Mestrado em Filosofia para Crianças, e da Escola Armando Côrtes-Rodrigues, no âmbito das Filosofâncias.

Esta rubrica não assume como público-alvo uma faixa etária única, mas dirige-se a qualquer ser humano que se relacione filosoficamente com o mundo através de perguntas, ideias e conceitos que decorrem da sua própria experiência.

Os programas, nas suas diferentes fases de conceção, escrita e gravação, contam com a colaboração das crianças. Considera-se que esta é uma oportunidade de escutar as vozes, pensamentos e perguntas das crianças enquanto construtoras dos mundos em que habitam, reafirmando alguns pressupostos que a própria filosofia assume no modo como está na escola. Neste contexto, o programa conta com um Conselho de Conselheiros formado por crianças de diferentes idades. Este Conselho acolhe diferentes crianças ao longo do ano letivo, reúne-se semanalmente para a realização de sessões de filosofia que servirão, elas próprias, de sementes para os guiões dos programas.

A rubrica é da responsabilidade de uma equipa multidisciplinar, quer do Mestrado em Filosofia para Crianças, quer do projeto Filosofâncias, o que reafirma também a dimensão transversal do pensamento filosófico.

É uma rubrica que não assume um formato fechado, mas que se pensa e se reinventa a partir da posição filosófica de maravilhamento em relação ao mundo, assim como do ponto de partida de não-saber. Espera-se que o ¿filo... quÊ? seja um tempo para que a infância brinque filosoficamente e a filosofia se pense infantilmente.

Todos os programas estão disponíveis no canal de Youtube Filosofia para Crianças na Universidade dos Açores.

 

além da filosofia e da filosofia para crianças, eu e tu temos outra coisa em comum: o gosto pela leitura e pelos livros.

por isso, termino este vai e vem de perguntas e respostas com uma curiosidade: que livro estás a ler neste momento?

Se te referes aos livros de cabeceira, leio sempre muitos livros ao mesmo tempo e, alguns deles, são releituras. Não sei bem porquê… Talvez porque sim.

Os que me acompanham agora são: Conversação com Diotima de Agostinho da Silva, O Leitor de Bernhard Schlink, Meu Pé de Laranja Lima de Pedro Mauro de Vasconcelos e Vamos Comprar um Poeta de Afonso Cruz.

 

Agostinho da Silva e  Afonso Cruz, esse autores filosoficamente provocadores!

obrigada, Paula, pela disponibilidade. e parabéns!

5 razões para que os adultos leiam livros infantis

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Sempre convivi com livros, desde pequena. O gosto pela leitura e pela escrita manifestaram-se desde cedo: com um irmão três anos mais velho acompanhei os seus primeiros anos de escola e tentava copiar tudo em cadernos que a minha mãe me comprava. 

Eu e os livros

De que livros gosto? Tenho um fascínio grande pelo sentido das palavras e isso leva-me a ter dicionários de várias línguas, incluindo língua gestual portuguesa. Um dos armários que forra as paredes do home office tem livros de filosofia. Outro desses armários é inteiramente dedicado aos livros infantis. O motivo? Sou facilitadora e investigadora na área da filosofia para crianças e jovens. 

Eu, os livros infantis e a filosofia (para crianças)

Na filosofia para crianças e jovens o desafio passa por encontrar recursos que se revelem boas provocações filosóficas; que permitam a prática do parar para pensar e que sejam suficientemente abertos para permitir que as perguntas aconteçam. Regra geral, os livros infantis permitem essa prática e abertura ao perguntar. 

Adquiro regularmente livros infantis com esta “desculpa” profissional. A verdade é que defendo que os mais crescidos deveriam ler livros infantis e até partilho consigo algumas razões para o fazerem. 

Eu e (algumas) razões para que os adultos leiam livros infantis 

Partilho 5 razões para que os mais crescidos leiam livros infantis. Tome nota:

 

permitir um tempo para a imaginação 

Alguns dos meus livros infantis preferidos não têm texto: os livros ilustrados são uma oportunidade incrível para imaginar histórias a partir das páginas ilustradas. Os livros da Suzy Lee têm esse efeito e permitem praticar uma competência importante nos dias de hoje: olhar para a mesma coisa, de formas diferentes. Fica a proposta de exercício: imaginar uma história diferente sempre que lemos os livros da Suzy Lee. 

praticar a curiosidade 

As pessoas crescidas tendem a ser mais sérias e a desviar o olhar das coisas óbvias. Esta atitude faz-nos perder alguma curiosidade perante aquilo que nos rodeia. Os livros infantis obrigam-nos a ser curiosos, pois a história vai avançando e queremos saber o que se passa na página seguinte. 

as histórias 

Numa altura em que tanto se fala de storytelling importa recordar que contar histórias é algo que nos constitui enquanto seres humanos. A narrativa. O Era uma vez. Todos os dias fazia isto. E aquilo. Depois aconteceu algo que mudou tudo. – e a história caminha para o “viveram felizes para sempre” (ou nem por isso).

Um dos meus autores preferidos, o Afonso Cruz, apresenta uma história com várias histórias lá dentro no livro A Contradição Humana que, a meu ver, deveria ser lido pelos adultos, pelo menos uma vez por mês. 

a riqueza das ilustrações 

Vou repetir a importância das ilustrações por considerar que é dos grandes pontos positivos dos livros infantis. Mesmo um livro que tenha ilustrações a preto e branco será sempre mais colorido na sua leitura. Para a maioria dos crescidos, os dias têm poucos momentos coloridos e por isso recomendo a leitura de livros ilustrados, uma vez por dia, para garantir que os nossos dias têm sempre alguma cor. 

o momento de partilha entre adultos e crianças 

Quando temos crianças por perto, seja em contexto familiar ou profissional, a partilha que acontece em torno de um livro infantil é única. Escolher o livro, cheirar o livro, o contacto com as páginas, ver as letras e as ilustrações, imaginar a história ainda antes de abrir o livro: são muitos os momentos de vínculo que podemos estabelecer entre adultos e crescidos, à volta de um livro. 

 

Aproveito para partilhar dois livros infantis que conheci recentemente e que me surpreenderam: 

  • 29 histórias disparatadas, editado pela Kalandraka, da autoria de Ursula Wolfel e com ilustrações de Neus Bruguera; e
  • Famílias Destrambelhadas, editado pela Livros Horizonte, da autoria de Claudio Hochman e com ilustrações de João Vaz de Carvalho.

 

(artigo publicado no blog Joana dos Livros, em abril 2020)

Café Filosófico (online)

em parceria com o Clube de Filosofia de Abrantes

no próximo dia 30 de Novembro, segunda-feira, vou moderar um Café Filosófico na companhia do Clube de Filosofia de Abrantes.

será a chave de ouro no encerramento das comemorações do Dia Mundial da Filosofia (que se celebrou a 19 de Novembro de 2020). 

 

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a entrada é gratuita, mas sujeita a inscrição. pf preencha este formulário para receber o link (zoom) para participar. 

Café com ideias [online]

- venha daí praticar o diálogo filosófico

 

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25 de Novembro: Podemos confiar nos nossos sentidos?

 

16 de Dezembro: Escolher é um caminho para a felicidade?

(sempre às quartas - 21h às 22h30)

 

*

Moderação: Joana Rita Sousa

Duração: 1h30

Organização: Joana Rita Sousa (filocriatividade)

 

informações e inscrições através de formulário

colecção de perguntas

- continuamos a adicionar perguntas à lista

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neste artigo estou a construir uma colecção de perguntas.

da primeira vez reuni 136 perguntas, espalhadas em cadernos e apontamentos de oficinas de filosofia e cafés filosóficos. agora com o #ClubeDePerguntas e outras oficinas, a colecção vai crescendo, graças aos contributos dos participantes.

 

quer deixar a sua pergunta para a colecção? partilhe nos comentários! 

 

 

 

 

“Ah, trabalhas nisso da filosofia para crianças?”

 

 

Desde 2008 que trabalho na área da filosofia para crianças (FpC). Fiz formação - ainda faço – trabalho em jardins de infâncias, em escolas. Tive um projecto num ginásio. Levo as oficinas de filosofia a vários pontos do país – e não só. Dou formação a professores e educadores. Tenho recebido muitos e-mails a solicitar apoio, esclarecimento de dúvidas – sobretudo a quem desenvolve investigação nesta área.

Nem sempre é fácil explicar o que faço, pois há muitas ideias pré-concebidas e tudo o que é estranho provoca... estranheza.

Tenho coleccionado muitas perguntas sobre o meu trabalho e sobre a filosofia para crianças. Fiz uma lista das dez mais recorrentes – e partilho convosco algumas respostas curtas.

 

 

  1. «Joana, dás aulas de filosofia? »

Não. No sentido convencional e tradicional do termo « aula » = alguém que tem o saber (conteúdos) e os transmite a quem não sabe. Nesse sentido, não dou aulas – ainda que possa falar do espaço e tempo durante o qual a filosofia acontece como aula.

 

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  1. “Joana, então tu és professora?”

Não – no sentido clássico do termo, não sou professora.

Sou facilitadora – ou dificultadora como gosto de lhe chamar. O meu papel é o de “obrigar” a parar para pensar, a aprofundar. Mergulhar no mundo dos pensamentos.

 

 

  1. “Joana, o que tu fazes é pôr as crianças a conversar umas com as outras?”

Não, isso elas já fazem. O meu objectivo é que haja diálogo. Isso implica que se pratique a escuta e o parar para pensar. Além disso, pretendo aprofundar as questões de forma filosófica.

 

 

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  1. “Joana, nessas aulas podemos dizer o que quisermos?”

Sim e não. Podes dizer o que quiseres, mas isso tem que ser submetido ao grupo para avaliar se é pertinente para a discussão em curso.

Além disso, também avaliamos a sua qualidade filosófica – e é aí que eu intervenho mais e dificulto as coisas.

 

  1. “Joana, isso que fazes é um modelo pedagógico?”

Na verdade, a FpC é uma estrutura que facilita processos de aprendizagem. E é algo mais do que isso. Crio um espaço e um tempo em que é fundamental realizar exercícios de cariz filosófico. Sim, a filosofia para crianças transpira intencionalidade filosófica.

 

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  1. “Joana, então basta preparar e ter um plano ou uma planificação, para chegar ao objectivo filosófico?”

Não. A preparação, em jeito de planificação é útil. O mais importante é atender àquilo que as pessoas estão a dizer e captar as suas implicações filosóficas e a riqueza para o diálogo. É fundamental a disponibilidade para o improviso.

 

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  1. “Joana, basicamente o que fazes é treinar pensamento crítico?”

Também. O pensamento crítico é fundamental neste processo. Há outras dimensões: a criatividade, o caring thinking (Lipman) e a dimensão colaborativa (afinal, somos um grupo que se junta para pensar… em conjunto!).

 

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  1. “Joana, não achas que isso é muito difícil para as crianças? É muito abstracto.”

As crianças têm uma linguagem própria e uma experiência que é sua. A FpC abre espaço para que se possam manifestar, à medida da sua linguagem e da sua experiência. A partir daí, extraímos o sumo filosófico.

 

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  1. “Joana, então e tu jogas às cartas com as crianças, é isso?”

Faço jogos, sim. Utilizo muitos recursos que facilmente se associam ao jogo (quantos-queres, jogos de cartas, jogo do galo…). A ideia é partir de um recurso simples e lúdico para o trabalho filosófico. O jogo – tendo elementos físicos, nos quais as crianças podem mexer e até levar para casa – ajuda-me a tornar a filosofia palpável.

 

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  1. “Joana, e as crianças gostam?”

Nem todas. É como a sopa: nem todas gostam, mas nem por isso deixamos de lhes dar sopa. É importante para elas, certo?

Assim é a filosofia: difícil, pois obriga a parar . Divertida, por nos permitir brincar com o pensar. Gosto da imagem da FpC como um ginásio para os músculos do pensamento. E todos nós sabemos como treinar provoca dores, num momento inicial. Depois há que manter a disciplina de treino.

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