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filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

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20 de Abril, 2012

Da tragédia grega revisitada - AGAMÉMNON - vim do supermercado e dei porrada ao meu filho

joana rita sousa
Agamemnon foi (ou melhor, terá sido)  um herói grego, o rei de Micenas que comandou o cerco dos Aqueus à cidade de Tróia.Esquilo escreveu uma tragédia com este nome, que foi representada nas festas dionisíacas de Atenas (por volta de 458 a.C). Neste texto, Agamemnon regressa vitorioso,dez anos após a guerra de Tróia, ao lar onde Clitemnestra o aguarda para o assassinar, conforme combinado com o seu amante Egisto.

Na peça em cena no Teatro da EscolaPolitécnica, Gonçalo Waddington é Agamemnon, um herói dos dias de hoje que regressa a casa, após a guerra em plena cidade do consumo (um supermercado onde tudo se compra e em barda) e aplica um valente enxerto de porrada no seu filho. Sim, isso mesmo. Entre a tragédia e a esperança, Gonçalo Waddington dá vida (o que inclui alma e corpo) ao pai Agamemnon, provocador e provocante, que «pinta»grafitis com ketchup.

«E explico-lhe que a TRAGÉDIA começa com o mundo industrializado.» - ouvimos dizer, a dada altura. Otexto, de Rodrigo Garcia, apela a um olhar profundo sobre o mundo em que vivemos, onde uns se matam através da fast food e outros morrem porque não têmo que comer. Estes últimos, os portadores da esperança, são heróis agamemnonianos assassinados pelas próprias mulheres, tal como no texto de Ésquilo.

As crianças Alexandre Pires, HenriquePires e Martim Barbeiro assumem o papel de coro trágico, numa peça onde a música está presente, bem ao gosto de Friedrich Nietzsche. Estamos em crer que o autor de Assim falava Zaratustra iria aplaudir esta peça, onde a destruição nos surge como o palco para a criação de uma nova consciência, nascida da esperança de poucos contra o poder de muitos. Onde o sonho e o ímpeto dionisíaco se degladiam com as forças apolíneas presentes na acção do coro.



A peça esteve em cena no São Luiz, noano passado, tendo passado também por Almada e Coimbra.  Está em cena no Teatro da Escola Politécnica, para seis únicas representações (19, 20, 21, 26, 27 e 28de Abril, sempre às 21h).