Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

filocriatividade | filosofia e criatividade

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

oficinas de filosofia e de criatividade, para crianças, jovens e adultos / formação para professores e educadores (CCPFC) / mediação da leitura e do diálogo / cafés filosóficos / #filocri

17 de Março, 2012

Florbela | Da dor que nos faz sentir a vida.

joana rita sousa
Realizado por Vicente Alves do Ó, “Florbela” apresenta-nos a vida de Florbela Espanca (Dalila do Carmo), a poetisa portuguesa que quis «amar, amar, perdidamente». O filme faz-nos viajar até ao momento em que Florbela deixa o seu segundo marido, António Guimarães (José Neves), e volta a casar com Mário Lage (Albano Jerónimo).
Apeles Espanca (Ivo Canelas), o irmão, surge como o grande amor da sua vida, o pilar, o tecto, a janela, a porta da alma de Florbela; uma alma perdida a loucura de viver e o tormento. Tormento esse que se adensa após a morte de Apeles, num trágico acidente com um hidroavião, no rio Tejo.
«Escreve, Florbela» – é uma das frases que se ouve mais durante o filme. Um imperativo categórico que Florbela só consegue cumprir após um «apelo» do irmão, já morto. Na fronteira entre o sonho e a realidade, Florbela pega no lápis e começa a escrever. Não resiste à terceira tentativa de suicídio e aos trinta e seis anos abandona este mundo.
Florbela (ou Flor d’Alma da Conceição) não era uma mulher do seu tempo. Florbela ousava usar calças. Florbela casou e descasou, sofreu abortos e nunca teve filhos. Estava longe de pertencer ao Clube das Esposas Perfeitas e Dedicadas. Florbela não era feliz. «Não sei viver» – diz ela ao pai, após este a resgatar do fundo de um poço. Florbela amou, amou perdidamente. Florbela perdeu-se algures entre o ser e o tornar-se. Florbela é intemporal: pela escrita que nos deixou e pelas vidas que tocou.
O cinema português está de parabéns: esta obra brinda-nos com uma excelente realização e com um naipe de actores de grande estirpe, a quem a tela fica tão bem!
17 de Março, 2012

vergonha | Entre o amor de desejo e o desejo do amor.

joana rita sousa
Realizado por Steve McQueen, “Vergonha” conta-nos a história de um homem bem sucedido, bem parecido, que foge à rotina do quotidiano através do sexo. Entre a sedução e a pornografia, entre o one night stand e a prostituição, Brandon (Michael Fassbender) vê-se encurralado pela visita “súbita” da irmã, Sissy (Carey Mulligan), que lhe “invade” o apartamento em Nova Iorque.

Brandon não vê para lá do imediato prazer. Acumula revistas pornográficas. Acumula vídeos no seu computador. Brandon é um ávido consumidor de sexo. De mulheres. De si mesmo. De homens. Do sexo pelo sexo. Sem emoção, sem compromisso, sem entrega que vá para lá daquela noite.

É entre um borrego mal assado e um copo de vinho que Brandon vislumbra algo mais do que o seu dia-a-dia de imediatez. É perante uma irmã vertiginosamente atraída para a destruição que Brandon sente a vergonha de simplesmente estar e não ser capaz de ser.

“Vergonha” proporciona-nos uma viagem ao interior de nós mesmos, à culpa que se sente no prazer, ao sentimento de finitude pelo prazer que rapidamente acontece e desaparece. Talvez Brandon procure a eternidade da vida num momento de prazer, que insiste em repetir noite após noite, dia após dia. Uma eternidade instantânea, à distância de uma troca entre corpos onde o amor se incompatibiliza com o sexo e vice-versa. Brandon procura sexo. E devido a essa busca desenfreada, o amor acaba por lhe fugir por entre os dedos. E aí Brandon também sente vergonha.

O filme estreou no Festival de Veneza e Michael Fassbender foi galardoado com o troféu de melhor actor. Em Portugal, “Vergonha” abriu o Fantasporto a 24 de Fevereiro de 2012.

t