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Ecos de Marinoff em Portugal



Lou Marinoff tirou a filosofia do mundo recolhido da academia, onde ela viveu nos últimos cem anos, chamou-se a si próprio praticante de filosofia e iniciou, não uma nova corrente teórica, mas uma prática filosófica. É conselheiro filosófico e garante que o sucesso da sua ideia é proporcional à necessidade que as pessoas têm de uma abordagem filosófica nas suas vidas. Explica-o no livro Mais Platão, menos Prozac (Editorial Presença), que já vendeu aqui 10 mil exemplares. Está em Portugal para participar (amanhã e terça-feira, na Universidade Católica, no Porto) num congresso sobre ética aplicada. Depois do êxito do aconselhamento individual, que já se pratica em 15 países, incluindo o nosso, está agora a levar a filosofia às organizações. E há mais um livro, sobre esta temática, a sair. Há um Platão em cada um de nós?Há. Mas não tem que ser um Platão. Pode ser um Sartre, um Confúcio, ou outro. Todos os seres humanos são guiados por alguma filosofia de vida. A diferença entre filósofos e não-filósofos é que os primeiros sabem que o são, e talvez passem demasiado tempo a sê-lo, e os outros nem sempre sabem que têm um filósofo em si. Nós ajudamo-las a entrar em contacto com essa parte de si. As pessoas que o descobrem ficam mais ricas. É a busca permanente de respostas para as questões que nos vamos colocando na vida. E não há dúvida de que isso ajuda as pessoas.Qual é a chave? O diálogo, a interacção, a filosofia? Todos precisamos de ser compreendidos e para isso é preciso alguém. Depois já não nos sentimos tão sós. Mas o sucesso vem no passo seguinte, quando as pessoas entram em contacto com os seus recursos interiores, que são muito poderosos, e que a nossa cultura não mobiliza. Ajudamos as pessoas a tomar consciência da sua força interior.E quando não há respostas?A busca continua. Em filosofia há sempre lugar para o questionamento e a dúvida.As pessoas perderam contacto com o filósofo dentro de si, mas a filosofia também perdeu peso social.É verdade. E o meu trabalho está a mudar nessa direcção. Comecei por trabalhar ao nível do indivíduo, mas muito do que faço agora é dirigido aos líderes que têm influência cultural. Estamos a atravessar um período muito difícil da história do mundo. Há muitos extremismos e desequilíbrios e é necessária uma nova visão das coisas. Acima de tudo, temos que compreender o que significa viver numa aldeia global e construir uma identidade humana para este século. A filosofia pode contribuir para isso.Ao nível do aconselhamento individual recorre a todos os tipos de filosofia, menos à de Marx. Porquê?Fazer filosofia enquanto diálogo, como conselheiro, é como uma dança. Para isso são necessárias duas pessoas e têm que se dar bem. Eu não danço bem com Marx. Ele foi muito importante para chamar a atenção das pessoas para as terríveis injustiças que havia, e que ainda há, no mundo, muitas delas devido a problemas económicos. Mas a solução dele foi talvez pior do que os problemas que era preciso resolver.A solução dele, ou a forma como outros a levaram a prática?Há quem diga isso. Mas a minha questão é esta: será que as teorias de Marx alguma vez poderiam ser levadas à prática, em larga escala, sem os erros que se cometeram? Conheço experiências comunistas em pequenas comunidades, e funcionam. Em pequena escala é possível, de outra maneira não dá. Quando a política se subordina ao poder económico, numa escala alargada, as coisas não funcionam bem.Mas isso é o que está acontecer hoje no mundo. O poder económico tornou-se dominante.É verdade, mas não é marxismo. É um padrão idêntico, com a dominação das forças económicas sobre as políticas. Os políticos têm um poder localizado, mas são obrigados a envolver-se com a economia global e as multinacionais tornaram-se as forças mais poderosas do mundo. São elas que dirigem as coisas, mais do que os políticos ou a religião. E o que lhes falta são questões relativas aos valores. A prosperidade material não resolve os problemas dos valores. Precisamos de uma boa vida e, para a filosofia, isso não se fica pela satisfação material. As empresas têm hoje a responsabilidade tremenda de apoiar a cultura e não o fazem suficientemente.Disse que o seu trabalho estava a caminhar nessa direcção. Está a fazer esse diálogo com os líderes das multinacionais?Estou, mas não sei se eles ouvem. Tenho estado envolvido com o Fórum Económico Mundial [encontro que reúne anualmente os principais líderes políticos e económicos do mundo, muito contestado por manifestantes antiglobalização] e tenho-me encontrado com líderes religiosos também para tentar fazer esta dança, digamos. As multinacionais têm tanto poder que têm que compreendam que é necessário não fazer só dinheiro, mas criar valores também. Têm que dar atenção também à educação e à cultura. E não estão a fazer o suficiente nesse sentido. Um dos problemas é que estão sempre a pensar a curto prazo, nos lucros a três meses. Muitas vezes precisamos de soluções de longo prazo, e isso não é compatível com o seu funcionamento. Isto é um grande problema.O que pode o seu diálogo filosófico fazer aí?Há um trabalho individual com o homem que lidera a empresa, que também é um ser filosófico. Os líderes precisam de dar mais atenção à ética e aos valores, de ser mais humanistas. Mas não chega, de facto. No século XX, os filósofos arranjaram maneira de se tornar socialmente irrelevantes, e tornaram privado e académico o seu debate. Mas a filosofia é necessária à vida de todos os dias. Além dos outros profissionais, também devia haver lugar nas organizações para os filósofos, para cuidar dos valores, para inculcar essa cultura. Mas isso, e a mudança que a filosofia pode trazer não são para já. O universo social é mais complexo que o individual.

texto de Filomena Naves

DN - 22 Out 2006

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