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filocriatiVIDAde | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal

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CONTRA A DEMOCRACIA, de Jason Brennan

[divulgação]

 

A maioria das pessoas acredita que a democracia é a única forma justa de governo.
No seu mais recente livro, editado em Portugal pela Gradiva, o filósofo americano Jason Brennan defende que não e apresenta uma alternativa.

Venha conhecer e debater connosco os argumentos de Brennan no espírito cordial e civilizado de livre discussão de ideias que cultivamos no Clube Filosófico do Porto.

Entrada livre

2 de setembro Fnac Norteshopping às 18h

3 de setembro Fnac Gaiashopping às 18h

 

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Tomás Magalhães Carneiro: "A pergunta é apenas a porta de entrada de um processo que a criança quer saborear e vivenciar."

 

Conheci o Tomás há já alguns anos, num encontro sobre filosofia aplicada. Sou fã assumida do seu trabalho, pelo rigor que o norteia e a capacidade para provocar o pensamento - junto de crianças e adultos. O Tomás não só está a trabalhar a filosofia em contexto escolar, como promove cafés filosóficos na zona do Porto. Conta com mais de trezentos. É muita cafeína e muita pergunta. São muitos momentos de prática do "parar para pensar". Não podia deixar de desafiar o Tomás para este "pergunta e resposta". Aqui fica a nossa conversa, "facilitada" pelas tecnologias que permitem a nossa troca de ideias, à distância. 

 

Nota: o Tomás utiliza a expressão filosofia com crianças (fcc).  Eu mantenho a expressão original, de Lipman, filosofia para crianças (fpc). 

 

*

 

Tomás, lembras-te da primeira vez que ouviste falar de filosofia para crianças? "Olá ;) Sim, foi em 2000 ou 2001 na secretaria da FLUP quando me aconselharam a frequentar um curso de Filosofia com Crianças. Na altura recusei e lembro-me do meu comentário sarcástico: “Filosofia com Crianças? As crianças têm é de brincar.” Na altura ainda não me tinha libertado daquela irritante concepção académica, sobranceira e séria de Filosofia. Ainda não tinha percebido que é divertido fazer Filosofia.

E como foram os primeiros passos, "a sério", nesta área? "Em 2007 comecei a dar um curso de Pensamento Crítico para Jovens num centro de estudos no Porto, a Studiosus. Foi ao lidar com as dificuldades de pôr um grupo de crianças a pensar que me fui dando conta de que a minha abordagem era demasiado redutora no sentido em que para trabalhar o “pensar bem” não era suficiente trabalhar apenas uma “técnica” de pensamento crítico (análise e avaliação de argumentos) e que era necessário algo mais. Era preciso um trabalho sobre as atitudes, ou as virtudes do saber pensar (capacidade de ouvir o outro, de mudar de opinião, humildade para reconhecer o erro, etc.). Também me fui apercebendo que a melhor forma de cultivarmos essas virtudes passava pelo diálogo com os outros. Este necessidade do outro no meu próprio pensar filosófico era algo completamente estranho para mim. Via o pensar como uma actividade solitária, isolada e séria. Tudo o que não considero hoje ser a Filosofia.

Acho que vais responder SIM, mas pergunto para poder ouvir (ler) a tua resposta: consideras que a fpc é necessária para as crianças? Porquê?

"Sim, sem dúvida. A FcC é necessária por aquilo que disse em cima, mas também pelo espaço de liberdade que cria na escola e na sala de aula. Gosto da expressão, que fui buscar a outro lado (às artes) de que “a Filosofia dá poder às crianças”. Isto porque numa sessão de FcC os alunos aprendem que a sua voz conta, que a sua opinião não vale em si mesmo, mas vale tanto mais quanto mais se esforçarem por lhe dar força e consistência. A Filosofia quando feita em Diálogo, como fazemos na FcC , torna-nos, ao mesmo tempo, poderosos e humildes. Poderosos pois nos habitua a agir e decidir de acordo com a razão, e humildes pois de forma muito natural nos vai revelando aos poucos a dimensão da nossa ignorância face à dimensão dos problemas que nos ocupam e da variedade de pontos de vista com sentido em torno desses mesmos problemas."

 

Há um grande debate em torno da escola, das actividades que as crianças têm - durante e depois da escola. Por que havemos de levar a filosofia para as escolas?  "Por que é lá que ela deve estar. Ao lado das expressão artística e dramática, da educação física, do desporto, da literatura, da matemática, da história, etc. A Filosofia deve fazer parte de um currículo abrangente e variado. Em relação às outras disciplinas a Filosofia traz algo de novo. Permite uma abordagem ao saber democrática e igualitária. Democrática no sentido em que permite uma participação activa de todos na construção do saber. Igualitária pois todos os alunos podem contribuir igualmente para essa construção independentemente do nível do seu desenvolvimento noutras disciplinas curriculares. Numa sessão de FcC mais que aquilo que sabemos importa a vontade que temos em descobrir alguma coisa com os nossos colegas. Num certo sentido uma sessão de FcC começa sempre do zero, o que para alguns alunos poderá representar a possibilidade de um novo começo."

 

Uma pergunta que me persegue há muito: o que faz com que uma pergunta seja uma questão filosófica – do ponto de vista da fpc? "Essa é uma boa questão filosófica. Apetece-me devolver-te a pergunta." Tomás, prometo responder-te! Mas continua lá a tua resposta: "Acho que, no que à FcC diz respeito, sobretudo com os mais pequeninos, mais importante que saber se uma questão é ou não filosófica, é saber o que faz com que uma questão prenda a atenção das crianças e, em seguida, que procurem responder-lhe de forma filosófica, ou seja, respeitando as regras do jogo filosófico. Por vezes questões empíricas podem dar lugar a excelentes diálogos filosóficos. Questões acerca da origem da vida, ou da existência de extra-terrestres por exemplo, terão resposta nas ciências mas as crianças, não tendo acesso a essas respostas, podem abordá-las de uma forma filosófica, ou seja especulando, avançando hipóteses e razões, dando exemplos e contra-exemplos, fazendo mais perguntas sobre essas perguntas. As crianças estão na mesma situação que primeiros filósofos. Sabem muito pouco e querem muito saber muito."

 

Para ti, quais são os maiores desafios que a fpc enfrenta, nos nossos dias? "Reconhecimento por parte dos nossos colegas de outras disciplinas (inclusive da disciplina de Filosofia no secundário) da possibilidade e necessidade de se fazer filosofia desde muito cedo."

 

Que conselhos podes dar aos professores e aos pais para os ajudar a lidar com as perguntas das crianças? "O meu conselho é que entendam as perguntas das crianças como pedidos de diálogo e não de explicações. A pergunta é apenas a porta de entrada de um processo que a criança quer saborear e vivenciar. O início de uma busca, de uma aventura. Se damos logo à criança a resposta, muitas vezes apenas a nossa resposta, ela perde imediatamente o interesse e isso vê-se nos seus olhos."

 

Alguma vez foste surpreendido com uma pergunta de um criança? Podes partilhar connosco que pergunta foi essa? "Não me estou a lembrar de nenhuma. São tantas... Mas o que mais me surpreende é a forma como as crianças são generosas ao aceitarem e trabalharem sobre as perguntas dos seus amigos. Quando penso num exercício e depois o aplico em aula, por muito que me esforce encontrar um problema, por limar uma pergunta e encontrar a sua formulação ideal nunca consigo fazer perguntas tão boas, tão bem aceites e que funcionem tão bem como quando são os próprios alunos a fazê-las. Entre as crianças há um compromisso com a investigação filosófica, com o próprio processo de diálogo e de procura de conhecimento que é difícil para um professor recriar e, além disso, é muito raro encontrar entre os adultos, mais preocupados com a gestão de egos que com a investigação descomprometida. Num diálogo entre crianças as perguntas servem muitas vezes de pretexto para, a partir daí, pensarem livremente umas com as outras. Mas para não fugir totalmente à tua pergunta, deixo um link para um pequeno apanhado de questões filosóficas que têm surgido em diálogos quer com crianças quer com adultos." Visitem AQUI

 

Obrigada, Tomás! Até breve! 

 

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notas:

as expressões a bold são da minha responsabilidade  

fpc = filosofia para crianças

fcc = filosofia com crianças 

de vez em quando...

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...vou espreitar os cadernos da filosofia da criançada. alguns têm muitos desenhos, outros apenas a data da aula e uma frase perdida.

a regra é: cada um escreve o que quer no seu caderno da filosofia. cada um desenha, escreve, traça o seu caminho na filosofia. e é muito interessante ver o caminho que têm feito até agora. 

 

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ainda sobre o jogo do conhecimento...

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hoje levei o jogo para trabalhar com um outro grupo de meninos. tendo em conta a disposição física desta sala, foi fácil todos se colocarem à volta do puzzle (que estava em cima da mesa, sem uma das peças) para averiguar "Como podemos saber se estão aqui as peças todas?". 

"falta pelo menos uma peça"

"temos que montar o puzzle, só assim é que sabemos"

"eu acho que falta uma peça dos cantos e mais três"

 

e partimos para a construção do puzzle. o primeiro menino que tentou acabou por desistir. "é muito difícil, pois não tem imagens, nem cor, nem palavras. está todo branco" 

houve outra menina que se ofereceu para montar. "eu acho que é fácil, é só encontrar os cantos". 

 

até chegarmos aqui eu peguei descontraídamente na caixa de cartão, de onde tinha retirado o puzzle e onde estava UMA peça, por acaso uma dos cantos. peguei na caixa e enquanto falava (como gesticulo muito) abanava a caixa. e ninguém, ninguém perguntou pela caixa. ninguém deu como hipótese a abertura da caixa para verificar. e senhores, eu andei pela sala com a caixa na mão, fi-la abanar. e fiquei à espera que o grupo reparasse nela. 

os meninos ficaram focados na ideia de haver um puzzle completamente diferente do habitual - por isso, recuperamos um exercício que já tínhamos feito no 2º período em torno dos "contrários" e do significado do "mas" numa frase. exemplo: o puzzle que está ali é branco, mas normalmente os puzzles têm cores. 

 

descubri uma coisa nova: este puzzle permite-se a ser montado de forma diferente àquela que podemos encontrar na sua base (que levo na mochila para o caso de ser necessário ter uma ajuda para montar o puzzle - já me aconteceu com dois grupos). e se for montado assim como a D. fez (cf fotografia) faltam mesmo quatro peças - "é só ver os espaços que faltam".

entretanto, estava na hora de espreguiçar, recolher os cadernos da filosofia e rumar para o descanso merecido após um dia de escola.

 

combinamos continuar o jogo. vamos ver se a hipótese da caixa vai ser colocada (ver o que lá está dentro) e verificar quantas maneiras há de montar o puzzle quando não sabemos qual é o número total de peças ou estamos a "navegar sem referências", sem imagens ou desenhos para nos apoiar na montagem. 

 

até agora todos os grupos, sem excepção, tinham colocado a hipótese de ver na caixa, a seguir a montar o puzzle. a minha experiência há muito me diz que cada criança é diferente - e cada grupo de crianças também o é, necessariamente.

foi super giro descobrir que há outras formas de montar o puzzle - o trabalho de perícia da D. levou algum tempo mas fê-la chegar a bom porto). foi giro vê-los hipnotizados com um objecto totalmente estranho, até então.

desliguei-me do "plano do jogo" e guardei os passos do jogo na mochila. é bom dar espaço e tempo para estas descobertas, espontâneas. afinal, quem "manda" nas sessões, oficinas e aulas de filosofia são as pessoas que nelas participam. o rumo é decidido por eles. nós temos que garantir que aquilo que se faz é filosoficamente interessante e se presta ao aprofundamento - também ele filosófico. de hoje a oito dias voltamos a este grupo e prometo contar como continuou esta investigação. 

 

(recordo que este jogo foi inventado e partilhado pelo Tomás, que entretanto apresenta novas propostas de trabalho com este jogo para ler AQUI

conhecimento - parte I

como é do conhecimento de todos vós, sou fã do trabalho do Tomás Magalhães Carneiro. sigo o seu trabalho no blog e há dias vi um exercício que me pareceu interessante e adequado para trabalhar com um dos grupos com os quais estou a trabalhar numa das escolas.

 

o exercício é sobre "o que é conhecer uma coisa" - podem espreitar AQUI 

 

e lá fui eu comprar um puzzle de 7 peças para o efeito e preparei as perguntas que o Tomás refere no exercício, em folhas coloridas,  para ter "na mochila", como costumo dizer. entretanto, encontrei um puzzle em branco, daqueles onde podemos desenhar (à venda na TIGER) e achei que era ainda melhor para o exercício (em vez de um puzzle com desenhos, por exemplo). 

 

o puzzle foi colocado no quadro, as várias peças foram "coladas" no quadro com bostik. e surgiu a pergunta. 

 

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"como podemos saber se estão aqui as peças todas?" - a M. sugeriu que se contassem as peças para ver se faltava alguma. vários alunos sugeriram que montássemos o puzzle. e assim foi.

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 o R atrapalhou-se um pouco na montagem. o puzzle é todo branco e torna-se difícil de montar - foi neste momento que pensei que talvez não tivesse feito a melhor opção em termos de puzzle. o grupo não ficou muito preocupado com isso, pois estavam todos muito intrigados com a caixa.

 

a C. queria ir ver a caixa que estava em cima da mesa, de onde eu tinha retirado o puzzle - acontece que essa caixa não era daquele puzzle, era daquele que eu inicialmente tinha comprado. havia muitos braços no ar para responder. às tantas o JP disse que "a maioria de nós já sabe que aí está uma peça, pois quando tu abanaste fez barulho".   pediram-me que abanasse a caixa, mais algumas vezes. queriam apurar se seria uma ou mais peças. aliás, levantou-se a questão de ser outra coisa, de vidro por exemplo. 

 

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lancei a segunda pergunta: "Podemos saber o que está dentro da caixa sem abrir a caixa?”. o grupo dividiu-se entre SIM e NÃO. o JP reformulou a sua ideia: afinal, não tem a certeza do que lá está dentro. podem não ser peças: "percebemos que há alguma coisa lá dentro, mas não sabemos O QUE É"

 

e depois?

depois tivemos que parar para dar os parabéns à F., espreguiçar e arrumar os cadernos da filosofia. 

o tempo útil da aula foi curto, tendo em conta a "invasão" de umas "coisas aquáticas" no início da aula. passo a explicar: a criançada compra umas bolinhas pequeninas, feitas de não-sei-bem-o-quê nas lojas chinesas. ao colocar essas bolinhas em água, crescem. ficam do tamanho de berlindes, por exemplo. hoje toda a minha gente tinha essas "coisas aquáticas" (foi assim que lhes chamei) nas garrafas e inclusivamente num saco de plástico. depois da azáfama de guardar esses "bichos da água" num local seguro, depois de conversarmos sobre a troca ou não de lugares, só aí é que começámos o nosso trabalho do pensar. 

para a semana continuamos a nossa investigação.

obrigada, Tomás! 

 

(nota: turma do 4º ano, 1º ciclo)

 

ainda a conversa à volta dos cadernos da filosofia

o Tomás comentou o seguinte, numa partilha DESTE post, no facebook:

 

"Sim, Joana, as minhas aulas melhoraram imenso desde que os meus alunos começaram a usar o "Caderno da Filosofia" de forma livre e não apenas para registar ideias e palavras (apesar de muitos o usarem para isso mesmo, coleccionando perguntas atrás de perguntas, outros desenham, pintam, recortam, etc.


A maioria, quando questionados, sabem exactamente onde estão no diálogo, o que foi dito e por quem.
Quando isso não acontece (a alguns alunos acontece perderem-se nos seus desenhos e ficam alheados do diálogo) são convidados a, na próxima aula, fecharem o caderno e ver se "corre melhor".

A actividade física que referes é também um óptimo escape para alunos "mais activos" que, quando não o têm incomodam muito a aula a balançar nas cadeiras, a brincar com os lápis e etc. 
Quando têm uma actividade como o "desenhar as ideias que vão surgindo" acabam por se concentrar mais na tarefa do diálogo.

 

Muitos professores ainda resistem a deixar os seus alunos "rabiscar" nas suas aulas pois pensam que é sempre sinal de desatenção quando muitas vezes parece-me, pelo contrário, sinal de atenção.

Gostava de conhecer algum estudo empírico sobre este fenómeno.
Conheces?
abraço"

 

- relativamente a esta última pergunta, eu respondi que não, não conheço nenhum estudo sobre isto. e por isso pergunto aqui, se há alguém desse lado do écran que nos possa indicar algum estudo neste sentido.

 

obrigada! 

 

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Aristóteles? ora, assim seja!

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no final da aula, um dos alunos veio pedir se podia levar um TPP (trabalho para pensar). houve outros dois que se quiseram juntar a este pedido.
- hummm ora deixa cá ver que TPP é que vocês podem fazer...
e eis que a L. disse:
- já sei! vamos fazer um texto sobre o Aristoteles! 

(para a semana abandonamos o hospital das bonecas 📖 e começamos a ler a metafísica!)

 

1º ciclo, 4 º ano

os cadernos da #filosofia: um espaço para escolher e para a liberdade

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o Tomás Magalhães Carneiro foi das primeiras pessoas com quem me cruzei nestas lides da filosofia para crianças/filosofia aplicada. tem feito um trabalho extraordinário, que vou acompanhando através do seu blog e das redes sociais.

é comum eu enviar-lhe e-mails com dúvidas, com partilhas e com avisos: "Tomás, vou roubar-te esta ideia". 

assim aconteceu com os diários da filosofia (ou cadernos da filosofia), cujo recurso conheci no IV sentir pensamentos | pensar sentidos, que organizei com a Celeste Machado na universidade do minho, em 2014,

 

desde então, os meus alunos têm que ter um caderno, só para a filosofia. e há duas regras para o utilizar: a primeira, é escrever a data do dia das aulas. a segunda passa por "fazeres o que quiseres". como assim?, perguntam os meninos.

sim, podes fazer o que TU quiseres no teu caderno. desenhar, copiar o que se faz no quadro, copiar só uma parte ou registar a aula à tua maneira. - é esta a minha resposta. "então e posso não fazer nada?". sim, respondo, podes não fazer nada no caderno. tu és responsável por esse espaço que tens, podes mesmo fazer o que quiseres.

 

há uma estranheza perante tamanha liberdade. e um gosto, um prazer em escolher o que vão deixar registado no caderno.

 

além disso, o caderno cria rotinas no início e no fim da aula (alguém distribui, alguém recolhe). e torna, de certa forma "física" uma actividade que é abstracta e acontece no mundo dos pensamentos. 

 

 

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