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filocriatiVIDAde | filosofia e criatividade

oficinas de perguntas, para crianças / para pais e filhos | formação para professores e educadores (CCPFC) | #filocri | #filopenpal

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é verdade. perguntas sobre o carnaval!

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algumas das turmas com as quais estou a trabalhar neste ano lectivo estão inseridas num concelho onde o carnaval é vivido e transpirado. vão participar no desfile e há algumas semanas que há máscaras a serem produzidas.

não sou adepta do carnaval. todavia, a malta mai'nova pergunta sempre se na filosofia não se fazem trabalhos do são martinho, do natal, do são valentim - e claro, do carnaval.

 

ok, vamos a isso. pusemos mãos à obra. e as perguntas podem ser, para já, vistas no instagram: procurem o perfil @filocriatividade

 

nos próximos dias partilho aqui convosco - as perguntas e alguns pedaços dos diálogos!

"joana, tive um contratempo"

tocou e eu já estava na sala, a preparar o material.

os pimpolhos vão chegando, uns a correr, outros de forma mais descontraída. são 16h30 e eles estão na escola desde as 9h. a "aula" de filosofia acontece depois do intervalo de 30 minutos, da parte da tarde.

há sempre quem tenha um xixi em atraso, quando chega à porta da sala. às vezes há quem apareça com uma maçã ainda a meio. peço sempre que respeitem a aula e apareçam com os assuntos do xixi e do lanche tratados: afinal, só temos uma vez por semana para trabalhar em conjunto.

a C. e a amiga N. chegaram uns 10 minutos depois. bateram à porta e pediram licença.

- então, minhas amigas! o que vos aconteceu? já estava a ficar preocupada.

- joana, tivemos um contratempo. 

eu sorri e pedi que fossem para o lugar, na sala, os cadernos da filosofia já estavam à sua espera.

a C. e a N. estavam sentadas lado a lado. muito burburinho, conversa "de vizinhas" e nada de colaborar com o trabalho da filosofia. após pedir duas ou três vezes que nos ajudassem com os trabalhos do pensar, pedi a uma delas para ir para outro lugar. a C. assim fez, mas com um ar muito contrariado. passados uns bons minutos veio ter comigo e disse:

- sabes, estava a fazer um desenho para ti, mas como pediste para trocar de lugar já não te dou.

- hummm. e se eu te disser que estava precisamente a pensar pedir-te para voltares para a beira da N., mas que agora já não o vou fazer porque tu não me vais dar o desenho... o que pensas disto, C.?

a C. sorriu e disse: oh, isso não é justo. 

 

a C. voltou para se sentar ao pé da sua amiga N. 

e filosofamos felizes para sempre. 

 

 

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"e depois não dói mais"

A: joana, joana. dói-me o braço, aqui.
eu: ah sim? e dói há muito tempo?
A: desde há bocadinho.
eu: está bem, meu amor. não te preocupes, se continuar a doer, amanhã vai cair. e depois não dói mais. 

a A. riu-se. e a "dor", pelos vistos, passou.

 

 

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coisas que acontecem nas salas de aula

já partilhei por aqui muito do que se passa na sala de aula, quando estou a trabalhar filosofia para crianças em regime de AEC. o horário é aquele que todos "amamos" (atenção à ironia) e a presença das crianças ali tem várias motivações: os pais querem mesmo que os filhos vivam outras actividades que não se encontram no currículo (a filosofia, o yoga, o teatro), as crianças têm que ficar na escola até que os pais saiam do trabalho - entre outras, mais positivas ou mais negativas. 

com todos os prós e contras, a presença da filosofia, enquanto AEC, é uma forma de criar alternativas NA escola. 

 

há dias, numa turma de 1º ano do 1º ciclo deparei-me com um grupo muito agitado. tudo servia de motivo para se distraírem e não se focarem no trabalho do pensar (filosofia). pedi-lhes que se acalmassem com um exercício simples: largar o que tinham nas mãos e colocar estas em cima da mesa. fechamos os olhos e sentimos o silêncio. pedi várias vezes, num tom de voz "normal" = sem gritar. as vinte crianças à minha frente estavam noutro mundo. pedi, repetindo as mesmas palavras. e lá foram uns e outros acedendo ao pedido. 

e disse: "bom, estou a pedir a todos para nos acompanharem neste exercício, mas ainda há quem não esteja a ouvir. sem gritar, vou pedir de outra maneira."

e assim fiz.

"peço que larguem o que têm na mão e coloquem a vossa mão direita em cima da mesa, depois a mão esquerda. vamos fechar os olhos e ouvir o silêncio. e quem não fizer isto tem um recado na caderneta." 

acreditam que as palavras máginas "recado na caderneta" funcionaram? no sentido em que se seguiu um silêncio instântaneo. e lancei o desafio para pensarmos: por que razão vocês não acederam ao meu primeiro pedido e só o fizeram quando mencionei "recado na caderneta"? 

os meninos olharam uns para os outros. os seus olhos procuravam a resposta para algo do qual estavam a tomar consciência naquele momento. aproveitámos a calma instaurada para nos espreguiçarmos e tratar de arrumar o material: estava quase na hora do toque e não era oportuno começar ou sequer recomeçar os exercícios. 

 

apesar de dias menos bons considero que é possível levar este processo a bom caminho.

pequenos passos, todos os dias.

 

 

da série: "sabes que estás a fazer um bom trabalho quando"

[final da aula, o 👶🏽 veio ter comigo, enquanto eu arrumava a mochila]

👶🏽 joana, porque é que agora só vens cá depois do fim de semana?
🐞 como assim, não estou a perceber?
👶🏽 sim, agora temos que esperar o fim de semana e só depois é que vens cá outra vez à sala.
🐞 ahhh. querias ter filosofia mais vezes?
👶🏽 sim. podíamos ter filosofia hoje, amanhã yoga e depois filosofia no outro dia.
🐞 ah, meu querido. também gostava muito. mas quem decide essas coisas não sou eu. experimenta falar com a directora da escola para ver se ela põe filosofia mais vezes, na mesma semana.
👶🏽 joana, eu posso falar com ela, mas como ela não vem cá fazer estas aulas não sabe como é divertido.

 

 

🦄 #filocri no 1º ano, 1º ciclo

de vez em quando...

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...aparece um amigo novo na sala. e aí os amigos que já têm filosofia são convidados a explicar ao novo amigo o que é que acontece na aula de filosofia.

e é nestes momentos que observamos as coisas que os marcam: umas são mais superficiais no que à filosofia diz respeito (as cartolinas com cores, por exemplo), outras já assinalam aquilo que faz com que a filosofia (para crianças) seja filosofia e vá além da conversa que visa pôr os meninos a dizer frases bonitas sobre coisas mais ou menos profundas. 

 

afinal, o que fazemos nas aulas de filosofia?

 

- nós fazemos perguntas e temos tempo livre

- fazemos jogos e uma vez jogámos ao whatsapp * (verdade, inventei um jogo ao estilo do whatsapp... a ideia foi de dois alunos da turma) 

- às vezes a professora faz perguntas sobre o "porquê"

- um jogo das cartas que colocámos nas gavetas do pensar

- o D. fez uma pergunta e nós dissemos se concordavamos ou não

- falámos dos sonhos

- jogo das coisas que se repetem e que não se repetem

- fazemos o exercício de lembrar o que fizemos nos dias anteriores

- rádio miúdos * (que visitou a nossa escola no dia mundial da filosofia!) 

 

agora que temos mais um amigo na sala, há que continuar a jogar e a filosofar! 

 

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